Chapter Text
“Leo, você viu o Fofinho?” Júnior disse, descendo correndo pelas escadas e se aproximando da cozinha em passos rápidos.
Leo cortava vegetais quando o menino de cabelos encaracolados entrou rapidamente na grande cozinha. O mais velho limpa suas mãos sujas no avental com a imagem do prêmio ballon d'or — aparentemente era o único que Cristiano tinha.
“Não está conseguindo achar?” Pergunta enquanto se abaixa para ficar na altura do garoto que tinha as bochechas molhadas de lágrimas.
Júnior balança a cabeça negando e as curvas de seu cabelo balançam de acordo com o movimento.
“Eu olhei em todos os lugares!” Exclamou o menino e Leo o pega no colo, colocando sua pequena cabeça em seu peito. “Vem, meu amor, vamos procurar juntos. O que acha? Talvez Fofinho tenha caído embaixo da sua cama” O homem subia as escadas e ia em direção ao quarto com o garoto em seu colo com os pequenos bracinhos em volta de seu pescoço. Junior ainda soluçava por causa do choro, mas aparentava estar mais calmo depois que Leo foi procurar Fofinho.
Quando chegaram no segundo andar o mais velho colocou o menino gentilmente no chão e caminharam em direção ao quarto. O poster do Homem-Aranha chamativo fez Leo sorrir ao lembrar do fascínio que o menor tinha com o herói. Júnior deu mais uma olhada e encolheu os ombros. “Não consigo achar” Ele murmurou.
Leo sorriu. “Você só deu uma olhada, pequeno. Vamos procurar direito. Eu vejo debaixo da cama e você procura dentro da caixa de brinquedos, ok?” Ele sugeriu.
Júnior concordou e foi em direção a caixa. Leo ajoelhou e olhou embaixo da pequena cama, mas tirando algumas revistas em quadrinho, não tinha nada que se parecesse com Fofinho. O maior voltou a se sentar com os joelhos apoiados no chão e se virou para Júnior. Seu olhar encontrou dezenas de animais de pelúcia jogados pelo chão. “Não está aqui, Leo.” O menino pontuou enquanto ia em direção ao mais velho.
Leo se levantou e colocou Júnior em pé também. “O que você fez ontem a noite?” Ele perguntou.
Júnior mordeu seus lábio de baixo, pensando. “Eu e papai vimos TV lá na cama” Ele disse de repente, em frente ao quarto de Cristiano.
Ele permaneceu parado por alguns segundos. Conhecia cada canto da casa de Cristiano Ronaldo, mas seu quarto e seu escritório estavam fora dos limites. Porém Júnior parecia tão desamparado sem Fofinho, e Cristiano não chegaria tão cedo, então Leo suspirou e abriu a porta do quarto. Ele não sabia exatamente o que estava esperando, mas certamente não era aquilo. Esperava ver grandes janelas, muito das cores brancas e prata e uma cama enorme que cobriria quase metade do quarto.
Ao invés, parecia mais com um quarto normal. Tinha um tapete cinza e macio no chão, que faz cócegas nos pés de Leo enquanto ele caminhava para dentro do quarto. A janela estava aberta e as cortinas de cor vinho balançavam com a leve brisa do verão que adentrava o cômodo. Tinha livros nas duas cabeceiras da cama e óculos em cima de uma das pilhas. Leo reconheceu dois pares de calças, de Cristiano, da Gucci jogadas em cima da cadeira em frente ao espelho.
Ele acordou de seus pensamentos quando Júnior o cutucou, o guiando para dentro do quarto. Leo limpou a garganta. “Eu vou procurar embaixo da cama de novo e você em cima, ok?”. Uma coisa era estar no quarto de Cristiano Ronaldo, outra coisa completamente diferente era começar a fuxicar entre seus lençóis.
Ficou novamente ajoelhado e olhou embaixo da cama, enquanto Júnior escalava a grande cama. Dois segundos depois o menor grita. “Achei!”
Ele suspirou aliviado que finalmente poderia sair do quarto do seu chefe e tentou se arrastar para fora da cama.
“O que você está fazendo?”
A inesperada, e grossa, voz o assustou. Leo fechou os olhos envergonhado.
Dois pés pousaram ao lado de seu rosto e Júnior pula para fora da cama e quase cola Fofinho no rosto de Cristiano. “Fofinho sumiu. Leo ajudou a achar.” O garoto disse sorrindo , rapidamente indo para fora do quarto em direção ao andar mais baixo.
Ronaldo permaneceu em silêncio enquanto Leo saia de debaixo da cama, com as bochechas vermelhas.“Me desculpe. Eu sei que eu não deveria, mas Júnior estava tão triste — e eu —”
Cristiano jogou uma das mãos distraidamente e Leo notou como suas bochechas também estavam um pouco vermelhas. “Está tudo bem. Uhm, eu acho” O português disse, se virando abruptamente e saindo do quarto. Leo fez o mesmo, fechando silenciosamente a porta atrás de si.
No andar debaixo, Junior corria feliz com Fofinho em seus braços. Leo percebeu a mochila de treinamento de Cristiano em cima da mesa e caminhou para pegá-la. Ele abriu o zíper, tirou de dentro as roupas suadas e a toalha molhada de dentro.
Ronaldo estava o encarando quando se virou, mas se recompôs rápido. “Você está—uh, liberado, Leo,” O português disse caminhando em direção a cozinha, continuando a cortar os vegetais que o outro tinha começado mais cedo.
Leo colocou os fios de cabelo rebeldes que insistiam em cair em frente aos seus olhos e assentiu. Caminhou até a lavanderia e colocou as roupas sujas na lavadora, jogou um pouco de sabão em pó e fechou a porta. Assim que o som característico começou, ele caminhou para fora e pegou sua mochila em cima de uma das cadeiras da cozinha. Cristiano ainda estava distraidamente cortando os vegetais, sem perceber que Leo tinha entrado novamente no cômodo.
Junior se sentou no sofá e olhou para frente. “Leo! Você já tá indo embora?” ele protestou, deixando Fofinho cair em cima do sofá enquanto caminhava em direção da sua babá.
“Já, querido. Papai já está em casa e eu estarei aqui amanhã, ok?” ele sorriu, passando a mão carinhosamente entre os cabelos encaracolados do garoto.
O menino fez um pouco de manhã. “Tudo bem. Até amanhã, então. Beijo?”Ele perguntou subindo na ponta dos pés
Leo se abaixou e Júnior deu um beijo em sua bochecha, antes de virar o rosto para que o outro também desse um beijo. Leo riu e colocou um beijo na bochecha gordinha do garoto. “Até amanhã, Homem-Aranha. Tente não perder fofinho esta noite” ele sorriu.
Junior concordou sorrindo. Leo se colocou de pé novamente e sentiu suas bochechas ficando vermelhas quando viu Cristiano o encarando descaradamente. “Até amanhã” o português disse simples, logo depois ligando a torneira.
“Aham, amanhã” Leo repetiu estupidamente, arrumando as alças de sua mochila em seu ombro enquanto caminhava até a porta. Pegou seus sapatos, os calçou e abriu a porta. Junior apareceu na janela acenando para ele enquanto esperava o homem sair de vista. Leo riu para ele e acenou de volta, antes de virar o carro.
Júnior voltou caminhando até a cozinha após o portão ter sido fechado e começou a mexer distraidamente com a blusa do pai. “Papai, senti saudades,” disse naturalmente.
Cristiano sorriu carinhosamente para o filho enquanto fechava a torneira. “Também estava com saudades, pequeno.Teve um dia legal com Leo?” perguntou, passando os dedos entre as curvas do cabelo encaracolado do menino.
Junior assentiu rapidamente “Muito legal! A gente foi no parque e deu comida para os patos” ele sorriu.
“Sério? Que legal. Vocês foram andando?” Cristiano perguntou,abaixando para pegar seu filho no colo e colocá-lo sobre a bancada da cozinha. Junior balançou os pés contra os armários, e se esticou para pegar uma colher para brincar entre os dedos.
“Fomos. E tinham moços tirando fotos, mas Leo mandou eles embora” Junior disse.
Cristiano levantou uma das sobrancelhas. “Leo mandou os paparazzi embora?” perguntou incrédulo.
Junior assentiu fervorosamente. “Sim, sim! Ele disse que você ia ‘prosesar’ eles se não deixassem a gente em paz,” Junior disse orgulhoso.
“‘Prosesar’?” Cristiano perguntou.
Junior assentiu. “Sim, ‘prosesar’. E a polícia ia vir e que eles seriam presos” disse.
“Ahh, você quer dizer processar?” Cristiano sorriu, finalmente entendendo. Junior assentiu e continuou falando sobre o dia que teve com Leo enquanto seu pai preparava o jantar.
Jantar com Júnior era um dos seus momentos favoritos no dia, logo depois de vir para casa. Ele adorava o jeito que seu filho se lambuzava com o molho do macarrão, sorrindo feliz com o novo DVD da Dora Aventureira que Leo tinha o dado de aniversário. Poderia ter tido o pior dia do mundo, mas vir para casa e encontrar Júnior acabava com qualquer dor,raiva ou frustração. Porque o menino era a melhor parte dele, quem sempre conseguia extrair a melhor parte de si.
Depois do jantar, eles colocaram os pratos na lavadoura de louças e Cristiano concordou em ver um episódio de Dora Aventureira com seu filho. Junior adormeceu na metade e Ronaldo não poderia ficar mais agradecido por Leo ter o cansado de dia.
Gentilmente pegou seu filho no colo e o carregou até seu quarto. Já tinha escovado os dentes do garoto então apenas vestiu o pijama nele. Junior se mexeu um pouco e se agarrou a Fofinho quando o pai colocou o colocou ao seu lado.
Quando teve certeza que seu filho estava dormindo tomou um longo banho para relaxar seus músculos. Seu banheiro estava limpo, muito mais limpo do que quando tinha deixado naquela manhã. Riu baixinho enquanto sentia a água cair em seu rosto. Leo provavelmente limpou, com sua mania desesperada por limpeza. No começo, tinha se sentido um pouco culpado por ter feito a babá de empregada, cozinheiro e moça da limpeza ao mesmo tempo; porém—de novo, Leo que fazia mesmo sem ele ter pedido. Ele disse inúmeras vezes ao menor que não era necessário, mas Leo sempre balançava os ombros e continuava fazendo o que estava fazendo como se não se importasse.
Como naquela noite, quando Leo tirou sua roupa fedida e imunda sem pensar duas vezes e as colocou para lavar. Sua própria mãe não teria tocado em suas roupas suadas após o treino, mas Leo às agarrou como se cheirasse como rosas.
Depois do banho, amarrou a toalha envolta de sua cintura e saiu do banheiro. Ele olhou para o chão próximo a sua cama, onde Leo levantou sua bunda tentando encontrar Fofinho. Deus, que jeito de chegar em casae ter uma visão como aquela.
Ele tinha certeza que Leo tinha percebido o jeito que ele não conseguiu se recompor por um segundo, até porque ele não estava nem bravo que o outro estava em seu quarto. Mal se lembra o porquê de ter sido tão reserva com seu quarto,em primeiro lugar, era apenas um quarto.
Se encaixou entre os lençóis, tirando um dos brinquedos de Júnior que espetaram suas costas. Sorriu e recostou em sua cabeceira. Pegou seu celular e fez algumas ligações; uma para Jorge, sobre o Clássico que estava por vir, uma para Fábio para parabenizar pela vitória de Monaco and finalmente ligou para Pepe, que não o atendeu
Ele desligou o abajur e suspirou pesado assim que colocou sua cabeça no seu macio travesseiro. Seus músculos dos ombros relaxaram e suas pálpebras ficaram pesadas. Naquela noite, ele sonhou com uma certa babá jogando contra ele em um Clássico e era tão absurdo que ele tinha certeza que estava sorrindo.
