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Você é um imã? Porque você é atraente pra caralho

Summary:

Charles Xavier e Erik Lehnsherr são famosos, ou, para ser mais exato, infames em seu campus. Sua rivalidade acalorada era de conhecimento geral entre os estudantes e também entre os empregados e professores da faculdade. Era de comum ocorrência notar os dois discutindo e brigando pelas dependências de onde estudam.
Quando o reitor os diz que, ou eles são legais um com o outro, ou eles podem dar tchauzinho para seus diplomas, Charles e Erik decidem fazer exatamente como foram mandados, e mais.
Então, ao invés de gritar insultos um ao outro pelos corredores, eles começam a gritar cantadas ruins por todo o campus. E isso é algo que todos logo decidem que é bem pior.

Notes:

Espero que gostem! Qualquer erro me avisem, consertarei. Adorei a fanfic original e simplesmente tive que traduzir pra minha língua nativa!

Work Text:

“Ah não, aqui vamos nós de novo.” um estudante suspirou, calmamente pegando seus livros, se ajoelhando e se encolhendo debaixo de uma mesa. Outros alunos também resmungavam enquanto colocavam seus fones de ouvido e se juntavam a seus colegas atrás de cadeiras ou espremendo-se contra as paredes. Existiam ainda os que simplesmente saíram do auditório.

“Acha que eles vão cancelar a aula?”

“Espero que sim, eu ainda nem comecei minha redação sobre mutantes na política e ela é para sexta.”

“Essa parece uma escala três, no máximo. Algumas mesas vão ser jogadas, talvez Xavier seja preso na parede por algumas cadeiras, mas é isso. Não devem cancelar nada.”

“Acho que não, hein. Pode até ser escala quatro, Lehnsherr tá com sangue nos olhos.”

O professor, um homem pacífico e calmo que não estava recebendo o suficiente pra isso, enxugou o suor de sua testa, com os olhos rapidamente flutuando entre os dois mais diretos estudantes de sua turma, silenciosamente concordando com os outros alunos. Xavier e Lehnsherr eram famosos, ou, para ser mais exato, infames em seu campus.

Seja na aula de história mutante, ou na de advocacia mutante, ou na de política mutante, eles estavam sempre pegando no pé um do outro. Nos melhores dias, eles apenas cuspiam argumentos no meio da sala. Nos dias ruins, eles tinham que ser retirados um de cima do outro antes que alguém se machucasse. E nos piores dias, Erik quase arrancava todos os canos de metal das paredes enquanto a raiva de Charles dava dores de cabeça para todos no subúrbio que cercava o campus.

Ambos eram estudantes brilhantes, é claro. Suas redações sobre mutantes na política e no sistema legislativo eram as melhores da turma e Xavier definitivamente tinha a capacidade de se tornar um futuro professor. Erik poderia ser um grande CEO, político ou… assassino de aluguel, julgando pelo olhar sanguinário que apresentava no momento.

“Você quer lutar, Erik? Tá bom, eu te dou uma luta!” Charles Xavier sibilou, agarrando a gola da camisa de Lehnsherr, o encarando com olhos azuis raivosos.

“U— Uh, gente…” Hank McCoy gaguejou, ajeitando seus óculos nervosamente em seu nariz azul e peludo. Erik apenas levantou sua mão, com um grande e quase selvagem sorriso em seu rosto.

“Deixe que ele venha.” Ele disse, sorrindo de canto, com os dentes brilhando sob as luzes trêmulas do auditório.

“Mutante diário! Eu vi a publicação de hoje! Não consigo acreditar que me chamou de… de…” Charles espumou, com suas bochechas, normalmente rosadas, num tom vermelho forte que combinava com seus lábios corados enquanto sacudia Erik pela camisa, o homem mais alto apenas sorria de lado.

“Integracionista covarde que preferiria se curvar na mesa do salão oval de President McKenna do que lutar pelos direitos de sua própria raça mutante?” Erik disse, citando a própria entrevista, apreciando como os olhos de Charles escureceram. “Vamos, Xavier, me diga que estou errado! O fato de que você apoia Ato de Registro de Mutantes apenas prova que você—”

“Você está colocando palavras na minha boca, seu imbecil separatista.” Charles retrucou, largando a camisa de Erik para correr seus dedos pelos próprios cabelos, com raiva, como se o homem estivesse sugando a última gota de sua paciência. Se um dia Xavier ficasse careca, todos poderiam concordar que seria culpa de Lehnsherr.

“Oi? Eu acredito que você disse, e repito, ‘o  Ato de Registro de Mutantes tem seus méritos’.” Erik falou, pausadamente, imitando o sotaque forte que Charles possuía.

“Sim, eu disse isso, mas não tenho certeza se você apenas convenientemente esqueceu que eu também disse que, por mais que o ato tenha seus valores, existem muitos problemas com ele, que colocam mutantes em risco de perseguição e discriminação. Portanto, considerar uma versão modificada do acordo poderia ser beneficial.”

“Ah, benefícios. As únicas pessoas que isso beneficiaria seriam os humanos, que nos cercariam e—” Erik disse de maneira irritada. Charles apontou um dedo para seu peito antes de cruzar os braços.

“Poderia ajudar a monitorar o desenvolvimento de dados genéticos, ajudar a identificar novos mutantes e permitir a educação e preparação deles antes que suas mutações se manifestarem. E se um mutante cometer um crime — e apenas se ele cometer — então seus poderes podem ser registrados em uma lista para acompanhar e prevenir futuros crimes,” Charles falou, calando Lehnsherr com outro toque de seu dedo quando o homem abriu sua boca para responder. “Bem similar com a lista já existente de agressores sexuais. E Lehnsherr, se você tivesse realmente lido minha coluna no Mutante diário, você teria entendido isso, mas aparentemente você é um palhaço analfabeto que—”

“Palhaço analfabeto? Isso é o melhor que você consegue, Xavier? Porque se você estiver se rebaixando a me chamar de nomes, então seus argumentos inteligentes devem estar acabando.” Lehnsherr estava com um sorriso cínico, embora o rangido que os metais da sala fizeram mostrasse que o xingamento havia o irritado. Charles simplesmente levantou uma sobrancelha, com uma expressão fria e inabalável, embora a dor de cabeça latejante que todos começaram a sentir ao mesmo tempo fosse prova de que o homem, normalmente alegre e paciente, estava extremamente irritado.

“Você me chamou de puta integracionista covarde antes!”

“Eu não te chamei de puta não, Xavier! Essa parte Freud explica.”

“Bom, você insinuou que eu alegremente me curvaria para nossa querida presidente apenas porque eu sou capaz de pensar logicamente sobre os prós e contras de algo ao invés de ir automaticamente pra ameaça de terrorismo doméstico!”

“Se você acha que algo que pode ser um segundo holocausto tem algum ‘pró’, então você tem que ter algum problema no cérebro!”

"O único problema que meu cérebro tem é que ele me permite ouvir a insanidade que tá acontecendo dentro do seu!”

“Bom, ouça o quanto quiser, Xavier, porque, diferente de você, eu realmente suporto mutantes e não apoio o uso de colares supressores ou omissores de poder.” Erik continuou, olhando o pescoço de Charles, onde ele muitas vezes usava um colar preto e pesado durante provas. Os canos nas paredes chacoalharam mais intensamente, o suficiente para fazer o telepata tirar seus olhos dos de Erik e os transferir para a sala de aula, que tremia ao seu redor.

Charles abriu sua boca para falar algo, porém foi interrompido quando a porta do auditório foi brutalmente aberta, revelando Professor Shaw, o reitor da faculdade de estudos mutantes em Columbia, muito, muito nervoso.

“Xavier! Lehnsherr! Meu escritório, agora!” Shaw quase rosnou, olhando para seus dois mais promissores e problemáticos estudantes, antes de rodar em seus calcanhares e caminhar pelos corredores, colocando tanto peso em cada passo que buracos pareciam se formar no chão junto ao barulho que ele fazia.

“Obrigado, deus.” o professor franzino suspirou, esfregando novamente o suor de sua testa, se jogando contra seu atril com alívio. Ele olhou para o relógio e a decepção se instalou em sua expressão.

Eles tinham apenas mais 15 minutos de aula.

Parece que outra palestra tinha de ser cancelada.

***

“Essa foi a última gota d'água, senhores,” Shaw disse, sorrindo de maneira fria para os dois estudantes que sentavam na sua frente. “Eu entendo que vocês desprezam um ao outro, mas está passando dos limites!”

“Professor Shaw, eu lhe asseguro, essa será a última vez—” Charles tentou falar, com um sorriso simpático. Shaw o calou com um olhar afiado e Erik apenas revirou seus olhos.

“Puxa saco.” Erik murmurou.

“Sr. Xavier, eu acreditaria se fosse a primeira vez. Ou talvez a segunda. Mas essa já deve ser a quinquagésima vez que vocês dois causaram problemas, não só durante a aula do Professor Jacob, mas de todos os outros professores também. Todos eles reclamaram das suas disruptivas discussões constantes, isso sem mencionar a destruição da propriedade escolar por Sr. Lehnsherr e da sua violação da política de telepatia da faculdade—”

“Políticas que são uma merda, de qualquer maneira.” Erik interrompeu subitamente e Shaw bateu com suas mãos na mesa, apontando um dedo acusatório de maneira brava para os dois estudantes.

“Última gota! Se vocês estiverem no pé um do outro atrapalhando mais alguma aula, digam tchauzinho para seus diplomas.” Ele disse, fazendo os queixos de Charles e Erik caírem simultaneamente.

“Tchauzinho?” Xavier repetiu, alarmado. “Tchauzinho tipo—”

“A gente repete?” Lehnsherr terminou e Shaw sorriu, com uma falsa genialidade emanando de si.

“Exato. Vocês terão que repetir o semestre. Uma pena, considerando que vocês só precisam dos créditos desse período para se formarem. Mas, como eu disse, senhores, considerando o comportamento de vocês nesses últimos dois anos e meio, vocês deveriam estar é gratos que nós ainda não os expulsamos,” Shaw disse, acenando com a mão. “Agora, saiam do meu escritório. Acredito que seja do seu interesse ou superar o ódio mútuo que sentem, ou aprenderem a lidar com ele. E é melhor eu não precisar chamar vocês dois para cá novamente!”

“Mas—” Charles ainda tentou, antes de Shaw o ignorar e apenas apontar para a porta. O garoto olhou para o professor de maneira impotente e Erik apenas bufou e deixou a sala, com Xavier em seu encalço.

“Precisamos conversar, Charles,” o mais velho disse, quando eles saíram. “No meu apartamento ou no seu?”

“No meu,” O telepata falou, agora sorrindo um pouco. “Eu tenho o uísque bom, lembra?”

***

“Não tô acreditando na audácia do Shaw,” O mais baixo reclamou, servindo dois copos de um whiskey caro e empurrando um na direção de Erik, que estava esparramado pelo sofá de Xavier carregando uma expressão nem um pouco chocada à menção do reitor. “Ele está nos castigando por realmente falar na sala de aula e por debater tópicos muito importantes sobre mutantes. Que eu saiba, nós estávamos pagando para pegar um diploma sobre estudos mutantes!”

“Pois é. Se nossos professores fossem realmente qualificados para nos ensinar, nós não teríamos que levantar os tópicos de discussão no lugar deles durante as aulas,” Erik disse, balançando seu copo de whiskey e vendo o líquido âmbar girar. “Ninguém aprenderia nada se nós não discutíssemos as coisas com tanto vigor dentro e fora das aulas.”

“Exatamente! Nós dois temos as melhores médias da turma. Se Shaw nos reprovar enquanto Sean se forma, isso seria uma grande falha no sistema educacional desse país.” Charles disse, então os dois brindaram, tintilando seus copos, e beberam.

“Não vou nem mencionar o Summers. Eu dei uma olhada na redação dele e, honestamente, ‘tava horrível. Eu queria poder desler ela, a minha qualidade de vida certamente melhoraria desse jeito,” Erik disse, fazendo Xavier se arrepiar apenas com a ideia. “Além de você, as únicas pessoas com mais de um neurônio na nossa turma são o Hank, o Armando e a Moira. A Emma não conta, porque ela plagia tudo o que faz.”

“Tô surpreso que você colocou a Moira aí, com ela sendo uma mera humana e etc.” Charles disse, com um pequeno sorriso provocante. Erik apenas revirou os olhos e deu algumas batidinhas ao seu lado, no sofá. Xavier deixou uma risada suave escapar de sua boca e, tirando seus óculos, afundou-se ao lado de Lehnsherr, que envolveu seus braços em volta do corpo de seu namorado e afundou seu nariz em seus cabelos.

“Não posso perder esse semestre, Erik. Você conhece a minha mãe. Ela já acha que eu to fodendo com a minha vida só por eu estudar algo relacionado a mutantes e não nada ‘útil’, como gestão de negócios ou ‘pretensiosidade glorificada’ para eu poder tomar o comando da Produtos Farmacêuticos Xavier. Se eu realmente foder com essa faculdade, eu só vou provar que ela sempre esteve certa.” Ele murmurou enquanto Erik acenava com a cabeça. Ele sabia tudo sobre a pouco agradável infância de Charles e, embora seu namorado tivesse crescido numa grande casa com uma riqueza incrível, ele sabia da pressão e da frieza que acompanhavam tudo isso.

Tendo se encontrado com a Sra. Xavier várias vezes, ainda era uma maravilha para ele que Charles tenha se tornado uma pessoa tão incrível. Nesse caso, a maçã caiu bem, bem, bem longe do pé.

“‘Tô na mesma. Eu não tenho condição de pagar por mais um período nessa universidade. E não, Charles, eu não vou deixar você pagar pelo meu semestre,” Erik disse, silenciando o namorado com um beijo antes mesmo dele começar a falar e Xavier apenas bufou. “Sim, sim, você poderia pagar todo o meu débito estudantil com sua mesada, mas eu não quero que você faça isso.”

“E se você não quiser, eu não vou.” Xavier disse, entendendo a necessidade que o namorado tinha por independência, sabendo que seu passado tornou difícil para ele depender das pessoas. Confiar nas pessoas. Além de sua mãe, Edie, ele tinha sido a primeira pessoa que Erik se abriu para, porque Charles sempre o entendia. Talvez seja parcialmente por causa de sua telepatia, mas também porque era Charles . O homem gentil, paciente e amável que não se importava com o exterior frio do metalocinético e que permitiu que ele vagarosamente revelasse pequenos fatos sobre si mesmo, até que ele estivesse pronto para contar tudo.

“Eu não sei porque Shaw ‘tá dando a mínima pra isso agora. Não é como se nós estivéssemos chateados um com o outro de verdade. Só estamos debatendo…” Erik disse, antes de pausar sua fala e olhar para Charles, colocando uma mão no rosto do telepata e virando a cabeça dele para si. “Calma, você não estava realmente ofendido que eu te chamei de integracionista covarde, né?”

Charles riu, negando com a cabeça e dando um beijo reconfortante nos lábios do namorado.

“Só se você não estiver ofendido que eu te chamei de imbecil separatista… e de palhaço analfabeto.” O homem respondeu e assistiu os olhos de Erik brilharem com alegria, carinho e afeição, enquanto ele se movia e puxava Charles contra o sofá, ficando por cima dele.

“Nem um pouco,” Erik disse, antes de franzir a testa. “Mas eu estou ofendido pelo fato de que todo mundo pensa que a gente se odeia. Eu já ouvi alguém dizendo que se algo acontecesse com você — o que eu, por sinal, nunca deixaria acontecer — a polícia deveria me questionar primeiro. Como se eu fosse capaz de te machucar.”

Ele franziu as sobrancelhas à memória do que ele havia ouvido nos corredores da universidade. Lehnsherr sabia que poderia ser interpretado como intimidador, especialmente com seu sorriso irônico e seu comportamento taciturno, mas o fato de que eles pensavam que ele poderia ser capaz de machucar Charles era insultante e ridículo.

Ele amava Charles e preferiria morrer do que deixar algo acontecer com o namorado.

Xavier ouviu aquele pensamento e suas íris azuis suavizaram seu olhar enquanto ele usava uma mão para segurar o rosto de Erik de maneira afetuosa, seu dedão traçava as linhas do rosto do homem de maneira gentil.

‘Eu também te amo, Lehnsherr,’ Charles projetou o pensamento na mente do outro, desamarrando alguns dos nós de frustração que já estavam se formando. Erik se deixou afundar no toque do telepata, se aconchegando em sua palma. ‘Eu também acho ridículo como as pessoas podem pensar que eu te desprezo. E acredite, eles pensam bastante nisso.’

“O fato de que eles ainda nem perceberam que nós estamos namorando está além da minha compreensão. Tem dois anos! Idiotas, todos eles, um bando de idiotas.” Erik zoou, e então gemeu baixinho quando Charles começou a fazer cafuné em seus cabelos.

“Meu amor, eles não notariam se nós estivessemos fazendo sexo na fente deles no auditório. E mesmo se fizessmos, eles pensariam que é só ‘sexo movido a ódio’. Todo mundo genuinamente pensa que nós nos detestamos, e é por isso que nós estamos nessa confusão, pra início de conversa."

“Mas eu não quero parar de discutir com você nas aulas," resmungou Erik. “Nossas discussões são a única coisa boa do meu dia. Sem elas, as aulas seriam chatas pra caralho. Além do mais, qualquer coisa que você possa falar vai fazer mais sentido do que o que quer que seja que nosso pofessor fica palestrando sobre, mesmo você sendo um idiota integracionista.”

“Sim, sim, meu supremacista frustrantemente sexy. E eu concordo, porém se nós não abaixarmos a bola um pouquinho, nós estaremos em péssimos lençóis e repetiremos o período. Acho que temos que ser legais um com o outro até a graduação,” Charles suspirou, os dois se afundaram no profundo e confortável silêncio por alguns segundos, até que Xavier se animou e falou “A não ser que…”

Erik levantou uma sobrancelha, olhando para o sorriso pretensioso do namorado.

“Eles querem que nós sejamos legais um com o outro, mas nós podemos ser mais do que legais…” Charles disse e o outro homem já estava começando a entender, seus lábios formavam seu sorriso sarcástico característico.

“Interessante… se importa de compartilhar o que exatamente seria ‘mais que legais’?”

“Bom, pra começo de conversa…”

***

Estudantes e professores olhavam curiosamente para a inimaginável cena que se passava no estacionamento da faculdade.

Eles observavam enquanto Erik Lehnsherr manobrava seu carro e saía dele, com sua expressão fechada de marca registrada e longas pernas. E, como sempre, Charles Xavier andava pelos portões com sua mochila pendurada no ombro e seu suéter usual.

Mas, pela primeira vez, ao invés de lançar um insulto na direção de Xavier, Lehnsherr sorriu e… assobiou.

“Ei, Xavier! Eu não sou seus suéteres, mas você pode me usar quando você quiser!” Erik falou, um pouco mais alto do que o necessário, fazendo com que a cabeça de todos naquele local imediatamente se virassem para Charles, esperando que ele começasse a escrever um processo de assédio sexual no ato.

Mas, para a surpresa de todos, ele só sentiu seu rosto esquentar e umedeceu os lábios antes de falar.

“Sério? Bom, nesse caso, se ser sexy fosse um crime, você seria culpado.” Ele piscou um olho na direção de Erik ao final da frase, com um sorriso. Lehnsherr realmente riu — riu — antes de entrar no prédio, com Charles em sua cola.

Todos tinham o mesmo pensamento coletivo, quase como se um telepata tivesse colocado ele na mente dos presentes.

‘Que porra foi essa?’

***

Naquele dia, mais tarde, todos esperavam que Xavier e Lehnsherr começassem a brigar nas aulas, como normalmente, especialmente depois que sua discussão foi interrompida por professor Shaw no dia anterior.

Erik se sentou no mesmo lugar de sempre, na fileira do meio, ao lado da janela, mas Charles ainda não havia chegado. Todos notavam a perna ansiosa do homem indo para cima e para baixo, enquanto ele continuava a observar a porta, como se estivesse esperando para matar Xavier no momento que ele entrasse.

Logo antes da entrada desesperada do professor, Charles chegou, olhos azuis imediatamente localizando Lehnsherr, que estava recostado em sua cadeira, sorrindo, pronto e esperando pelo namorado.

‘Nossa, graças a deus, eles vão gritar um com o outro de novo e tudo voltará ao normal' todos estavam pensando, ou pelo menos foi o que eles pensaram até Xavier começar a falar.

“Uou, chama a polícia aí, porque esse moreno acabou de roubar meu coração!” Ele disse de maneira confiante. O sorriso de Erik aumentou à medida que seu olhar se intensificou. Ele então piscou, esfregando os próprios olhos.

“Ah, desculpe," Lehnsherr disse, apontando para suas íris, antes de sorrir de maneira brincalhona. “Acho que tem algo de errado com os meus olhos, porque eu não consigo tirar eles de você.”

Charles riu um pouco, se acomodando em seu assento depois de direcionar outro sorriso cegante e lisonjeado na direção de Erik. O resto das pessoas começaram a se perguntar se o mundo estava girando ao contrário naquele dia.

Porque Xavier e Lehnsherr não estavam apenas sendo educados, eles estavam… flertando?

***

Como muitos estudantes, Charles e Erik passavam seu horário vago na biblioteca, fazendo trabalhos e estudando para provas. Xavier estava no local primeiro, mordendo seu lábio inferior enquanto analisava as estantes cheias de livros sobre a origem dos mutantes, procurando por um que ele ainda não tivesse lido. Quando Lehnsherr caminhou pela porta da biblioteca como se ele fosse o dono do lugar, seus olhos automaticamente acharam Charles e todos seguraram suas respirações.

Ele andou até o telepata de maneira decidida e rápida.

“Ei, Xavier,” Erik disse, se apoiando na prateleira de madeira perto do mais baixo, que o olhou, curioso, com a cabeça levemente inclinada para o lado. “Você é um dos livros dessa biblioteca? Porque eu adoraria dar uma olhada em você, te levar pra casa e depois te conhecer um pouco melhor.”

Os lábios de Charles se contraíram num sorriso quando ele se aproximou do metalocinético e então ele passou seus braços em volta do pescoço do outro homem.

“Fato interessante, você sabia que eu mesmo estou escrevendo um livro?” Xavier disse, sua voz era suave como um sussurro.

“Não, não estava sabendo, que tipo de livro?” Lehnsherr disse e Charles ficou na ponta de seus pés, aproximando seus rostos.

“É uma lista telefônica e está faltando o seu número.” Xavier concluiu e todos na biblioteca praticamente engasgaram em suas próprias respirações quando Erik sorriu e, com um movimento do pulso, pegou a caneta de um dos estudantes das redondezas, fazendo-a levitar até si.

Ele rapidamente rabiscou alguns números na palma da mão de Charles e seus dedos ficaram em contato por tempo demais para que qualquer aluno no recinto se sentisse confortável.

“Bom, se precisar de ajuda, só me chamar, não precisa usar o google, porque eu já tenho tudo o que você procura.” Lehnsherr disse e observou Xavier morder seu lábio inferior.

“Bom saber… talvez eu faça isso, Erik.”

Todos estavam em silêncio, fingindo observar seus computadores ou livros, mas, a não ser que sua mutação fosse furtividade, era óbvio que eles estavam encarando os dois mais inteligentes mutantes de sua universidade. Charles saiu primeiro, levando uma grande quantidade de livros, e, apenas alguns momentos depois, Erik o seguiu, sorrindo abertamente e parecendo terrivelmente orgulhoso de si mesmo.

***

“Um dos livros dessa biblioteca? Sério, Erik? E você escreveu o número da pizzaria na minha mão com caneta permanente!” Charles arfou com um gemido contido quando Lehnsherr beijou e chupou seu pescoço.

“Pelo menos foi tematicamente apropriado. A cantada do livro, não o treco da pizza,” Erik se defendeu, sorrindo, e Xavier apenas bufou e puxou os cabelos do namorado, trazendo-o para um beijo quente. “Eu só ‘tava com desejo de pizza mesmo.”

“Queria que você pudesse sentir a maneira que a mente de todo mundo implodiu na biblioteca.” Charles disse quando eles partiram o beijo, então ele inverteu suas posições e pressionou Erik contra o colchão, beijando seu peito.

“É?”

“Uhum. Eles estavam todos se perguntando por que nós não estávamos no pescoço um do outro como normalmente. Tentando saber se o mundo ‘tava acabando e tal. ‘O fim está próximo' foi o que alguém colocou, de maneira perspicaz.” Xavier continuou, abaixando seus beijos no corpo do parceiro até que chegasse na cintura de sua calça. Ele então voltou e fez marcas vermelhas no pescoço dele, terminando com um beijo em sua mandíbula.

“Não estamos no pescoço um do outro, né? Circunstâncias atuais são prova do contrário.” Erik disse, com a voz rouca, quando ele inclinou sua cabeça um pouco para o lado. Charles admirava seu trabalho, que pintava a pele de Erik de variados tons de roxo e vermelho. Os olhos do mais novo escureceram com a visão e a satisfação era presente em seu semblante.

“Se você for pra aula desse jeito as pessoas têm que perceber que estamos fodendo, né?” Xavier disse, enquanto desabotoava os jeans de Lehnsherr. O pulso do metalocinético fez um movimento rápido, ajudando o namorado, o zíper abaixou sozinho. Erik observava com felicidade o pequeno sorriso que Charles não conseguiu impedir de aparecer, mesmo depois de tanto tempo. Ele sempre amou as pequenas maneiras que o outro usava seus poderes, não importava quantas vezes um garfo cheio de comida flutuasse para perto de sua boca ou quantas vezes a torneira se abrisse sozinha pra ele.

‘Você é bem genial, Erik,’ Xavier projetou na mente de Lehnsherr de maneira afetuosa e continuou beijando o homem ao terminar ‘Mesmo que suas cantadas sejam horríveis.’

“Espera só,” Erik disse, passando suas pernas envolta da cintura de Charles, juntando seus quadris, ouvindo a respiração do mais baixo falhar. “Eu tenho bem mais de onde essas vieram.”

"Que bom, ‘tô ansioso pra ouvir elas. E também para ouvir as reações.” Ele murmurou, colocando sua mão dentro dos jeans de Lehnsherr. “Agora, você ‘tava querendo pizza pro jantar, mas o que você quer de sobremesa?”

‘Você.’ era a vez de Erik projetar, arqueando suas costas quando Charles começou a deslizar seus dedos por sua ereção.

“Vou querer a mesma coisa,” Xavier disse, piscando para o namorado, que apenas revirou os olhos. “E que bom que você é a minha sobremesa, porque você é um docinho.”

“Charles, cala a boca e me fode.”

***

Erik olhava para seu laptop, as letras da redação que ele lia e relia de novo e de novo começavam a dançar. Se algum telepata ou empata tivesse a sorte de estar por perto, almoçando no gramado na saída dos prédios do campus, provavelmente sentiria as ondas de frustração e exaustão que emanavam dele naquele momento.

Ao menos até o cheiro de açúcar chegar a si. Sua redação foi completamente esquecida ao avistar de uma caixa de donuts coloridos, um sorriso brilhante e um par de olhos azuis como o oceano.

Xavier se forçou a segurar a risada quando algum estudante que estava sentado na grama pensou ‘Merda, aí vem a terceira guerra mundial.’ de maneira alta.

“Erik.” Charles disse, se sentando ao lado do garoto alemão, que fechou seu laptop com seus poderes.

“Charles.” Erik respondeu de maneira simplória, um sorriso em seu rosto enquanto observava o namorado pegar um dos donuts, segurando para que ele comesse. Lehnsherr deu uma grande mordida e Xavier riu, limpando um pouco de açúcar do queixo do parceiro.

“Sabe a semelhança entre você e esse donut? Os dois são muito gostosos.” Ele disse e Erik quase engasgou com o doce, mas conseguiu engoli-lo antes de dar um beliscão na coxa de Charles.

Lehnsherr pegou mais um donut, o com cobertura de caramelo que por algum motivo era o favorito de Xavier, e o encostou nos lábios do outro homem. Charles lambeu um pouco do açúcar da cobertura antes de finalmente morder a rosquinha, deixando um gemido baixo de satisfação escapar.

Novamente Erik apertou a coxa do telepata, mas ele apenas sorriu.

“Charles, você deve ser um donut, porque eu sem dúvida te comeria.” o mais alto disse e Xavier foi incapaz de segurar a risada alta que o escapou. Ele quase não conseguia respirar mais quando encostou sua cabeça no peito de Lehnsherr, ainda rindo, o metalocinético segurava tanto o namorado quanto a caixa esquecida de donuts.

‘Acabaram de pensar que eles preferiam nós gritando xingamentos pro outro do que ter que ouvir cantadas tão ruins. Aparentemente, nós matando um ao outro em discussões é bem mais tolerável do que quando nós matando os outros de tanta boiolice.’ Charles projetou na mente de Erik, que apenas sorriu e olhou em volta. Todos que os encaravam mudaram seus pontos de foco.

‘Que bom, talvez se a gente continuar com isso, Shaw diga que nós deveríamos voltar a discutir de novo.’ o menino alemão projetou de volta e Xavier levantou uma sobrancelha.

‘Boa ideia! Você é um gênio. Mudando um pouquinho de assunto, se você estiver tão cansado de trabalhar nessa redação quanto sua mente me fala que você está, poderíamos talvez voltar pro meu quarto pra você fazer comigo o que você fez com aquele donut da cantada…’

***

“Ei, Erik! Conhece a avon?” Charles gritou do topo das escadas. Todos os estudantes, incluindo Lehnsherr, pararam e se viraram para ele. “A vontade que eu tenho de te dar uns beijos!”

Xavier se sentia satisfeito com os ruídos de desaprovação que a mente dos outros alunos faziam. Enquanto isso, Erik apenas subiu as escadas rapidamente e pegou Charles no colo, no estilo noiva, sem nenhum aviso prévio.

***

“Charles, você deve ser um imã, porque eu tô me sentindo muito atraído por ti.” Erik disse ao cruzar caminhos com o namorado nos corredores. O telepata encostando as costas em alguns armários quando Lehnsherr o encurralou, ambos sorriam e todo mundo coletivamente engasgou nos próprios pensamentos.

***

Xavier entrou na sala de aula, segurando seu celular na frente do corpo e o entregando para Lehnsherr.

“Então, Erik, o cupido tá no telefone, ele quer te mandar devolver meu coração.” Charles disse e os alunos que ali estavam deixaram cair a cabeça em suas mãos, desejando que a enxaqueca causada pelo desgosto fosse embora.

***

Nos mictórios do banheiro masculino, Charles e Erik continuaram. Os estudantes a sua volta queriam estar em qualquer outro lugar, pois eles sabiam o que viria.

“Charles, meu amor por você é tipo diarréia, eu não consigo manter dentro de mim.”

***

Pelas próximas duas semanas, em qualquer lugar, a qualquer momento, não interessa quem estava presente, Xavier e Lehnsherr eram implacáveis. O que uma vez havia sido disputas e gritaria sobre direitos mutantes se tornou flertes com jogos de palavras, cantadas horríveis e eles se comendo com os olhos de maneira ainda mais horrível.

“Erik, você é eletricista? Porque você iluminou meu dia.”

“Charles, você tem um band-aid? É que eu ralei meu joelho quando tava ficando caidinho por ti!”

“Erik, minha segunda mutação tem que ser visão do futuro, porque eu definitivamente te vejo no meu!”

“Charles, não é surpresa que o céu esteja tão cinza hoje, as cores dele estão todas nos seus olhos!”

“Erik, a gente deve estar em um museu e não me contaram, porque você é uma obra de arte a ser admirada!”

“Charles, você não é GPS quebrado, mas me deixa completamente sem rumo.”

“Erik, você é uma fogueira de acampamento? Porque você é muito quente e eu quero dormir perto de você essa noite!”

“Charles, você não é terremoto, mas abalou minhas estruturas!”

***

O campus apenas resistiu por uma semana às constantes cantadas e trocadilhos ruins de Xavier e Lehnsherr. Segunda-feira de manhã eles se encontraram no escritório de Shaw novamente, o reitor apresentava uma carranca e Charles podia sentir a imensa dor de cabeça do homem.

“Tá bom, vocês dois ganharam. Eu tô de saco cheio. Todos nós estamos. Vocês dois podem se formar, dane-se, só parem com… o que quer que seja que vocês estão fazendo.” Ele quase cuspiu as palavras, de maneira ríspida. Charles se encostava em sua cadeira, sua expressão era de falsa confusão. Erik apenas sorria de maneira sarcástica e orgulhosa, ambas as reações estavam dando nos nervos do já desgastado reitor.

“Mas nós fizemos exatamente o que você nos disse para fazer. Falou para sermos legais, não foi isso? Para falar a verdade, eu e Charles temos sido mais do que legais.” Lehnsherr disse, os lábios de Xavier já se torciam em um sorriso disfarçado.

A veia que saltava da testa de Shaw pulsava.

“Não, acho que posso falar em nome de todos quando digo que nós preferimos que vocês parem de ser legais um com o outro. Já recebi e-mails o suficiente com reclamações sobre a sua… conduta. Eu recebia bem menos queixas de vocês quando estavam prestes a destruir a infraestrutura da faculdade. Então, para preservar a sanidade de todo o campus, por favor voltem a se odiar.” Shaw disse amargamente, com a mandíbula ainda apertada de stress. Antes de pegar algumas garrafas de bebidas alcoólicas fortes e analgésicos, o reitor os mandou para fora da sala.

Quando Charles e Erik saíram do escritório, eles sorriram um na direção do outro. Lehnsherr se inclinou e deu um empurrão sugestivo no namorado.

“Então, sobre o que vamos brigar na aula hoje?” Ele sussurrou e Xavier riu, com os olhos brilhando, e depois deu um selinho carinhoso nos lábios do parceiro.

“Não se preocupe, tenho certeza que pensaremos em algo. Nós temos semanas de discussões para compensar.” Ambos os sorrisos não vacilaram quando eles caminharam pelos corredores.