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Pétalas de rosas brancas pelo chão, tapete vermelho no corredor e um pôr do Sol ao fundo. A vista das falésias de Midvale naquela hora, quando o céu assumia o alaranjado crepúsculo para revelar a noite estrelada sobre o mar calmo da pequena cidade, sempre foi uma de suas preferidas.
Quando era mais nova, Lori passava alguns dias de suas férias com a avó Eliza, brincando em seu jardim e indo à praia. Não foi à toa que fez o que pode para casar com aquela vista.
Tanto Kara, quanto Lena a apoiaram. Como mães, as duas queriam a felicidade de sua garotinha. E Lena até poderia ser uma Zor-El agora, mas ela sempre seria uma Luthor. E uma Luthor nunca faria menos.
Então, o altar estava ali, preparado e o amor de sua vida, em um terno branco esperava por ela. O vestido branco rodado que adornava seu corpo lhe garantia que não era um sonho. A jovem mulher olhou nos olhos azuis profundos da mãe e então, o sorriso tomou seu rosto quando Kara lhe ofereceu o braço. Lori aceitou e o momento que tanto ensaiou chegou, seu casamento.
O som da marcha nupcial tocou quando Lori colocou a ponta dos saltos no tapete vermelho e como um filme, a jovem mulher sentiu as lembranças a invadirem.
Flashback On
O começo do verão estava agraciando National City com tardes ensolaradas, Lori podia sentir a energia extra recarregando as suas células meio kryptonianas. Isso significa que sua mãe Lena estava suspirando desde as 7h da manhã, quando a pequena de 5 anos acordou com toda a corda, pensando em formas de fazê-la gastar toda essa energia durante o dia. Por sorte ela e Kara tinham um encontro marcado com o casal de quem se tornaram grandes amigas e parceiras nas aventuras da maternidade: Sara e Ava Lance-Sharpe. Mas dessa vez o lugar escolhido não foi a Waverider, a Torre, ou um dos muitos QG’s dos heróis da Liga da Justiça. O local marcado era um parquinho, onde elas costumavam levar Lori para passar algumas horas brincando com sua melhor amiga, Laurel.
Ava e Sara gostaram do arranjo. Mesmo tendo estabelecido uma residência na Terra depois do nascimento da filha, para que a menina crescesse com mais conforto, elas ainda passavam muito tempo na nave, e Laurel não tinha com quem brincar, além de Gideon. Foi assim que acabaram combinando esses encontros com o casal Luthor-Danvers sempre que suas agendas permitiam.
Agora, Sara e Kara jogavam frisbee com as duas pequenas, enquanto Ava e Lena as observavam de uma distância segura, sentadas em um banco um pouco mais afastado. Ambas agradecendo silenciosamente pela disposição de suas esposas lhes darem algumas horas de descanso.
― Então, o quanto Lori incomodou vocês pra vir logo ver a sua melhor amiga no parquinho? ― Ava dramatizou um pouco, imitando a própria filha ― Por que Laurel não parou de falar nisso desde o minuto que acordou. Talvez a gente precise marcar um dia inteiro da próxima vez, com um grande piquenique e trazemos as duas pestinhas logo pela manhã.
Lena riu abertamente, acompanhada da amiga.
― Lori fez a mesma coisa. Se isso fizer essa garota dormir antes das 10h da noite, eu aceito. O verão é a pior parte. É como se ela tivesse glicose injetada nas veias permanentemente. E olha que ela só tem metade do DNA kryptoniano. Se Kara não tivesse a mesma energia, eu não sei como aguentaríamos. ― A morena suspirou pela milésima vez naquele dia com a confissão.
Mas logo ela percebeu a menininha de cachos pretos olhando-a de longe com um biquinho emburrado. Sua audição não era tão potente quanto a de sua mãe alienígena, mas o suficiente para ouvir a alguns quilômetros de distância.
― Já disse pra você não ficar escutando a conversa dos adultos, mocinha. ― Lena sussurrou sabendo que a filha escutaria. Ela viu Lori tentar disfarçar e desviar o olhar, como se não estivesse prestando atenção, e riu novamente. Mas, de qualquer forma, ela não queria que a pequena tirasse conclusões equivocadas sobre o que a mãe estava falando. ― Amo você, sunshine. ― Lena viu o sorriso se formar naquele rostinho adorável que ela amava tanto e mandou um beijo quando seus olhares se encontraram novamente. Lori retribuiu e continuou a brincadeira em que estava entretida.
― Eu entendo você. ― Ava retomou o assunto ― Sara e eu nos desdobramos para tentar que a Laurel não precise passar tanto tempo na nave com a gente. Ser cocapitãs nos ajuda nisso. Podemos nos revezar nas missões. Sem falar que a nave é um dos lugares menos seguros do multiverso.
― Considerando tudo que vocês já fizeram com aquela nave, é de admirar que vocês ainda tenham uma. ― Lena brincou e ambas riram juntas.
― Exato, não é o lugar para uma criança crescer. E Sara tá ficando um pouco paranóica com a preocupação. Quer dizer… Não queremos abandonar nossa vida, nós amamos isso e é o que sabemos fazer de melhor. Mas confesso que também tenho medo de deixar minha filha numa escolinha comum, onde ela poderia ser alvo fácil de qualquer vilão. ― Ava começou a compartilhar as preocupações da mais nova fase da sua vida de mães, como sempre aproveitavam para fazer nessas ocasiões.
― Nem me fale. Kara e eu tivemos sorte no início. Nossos cargos de chefia nos permitiram ficar mais tempo em casa, mas agora, Lori tá crescendo e eu acho que seria saudável conviver com outras crianças. Mas ainda não encontramos uma escola que desse conta de uma criança com poderes alienígenas, meio bruxa e com intelecto Luthor-Zor-El. Quando Esme foi pra escola já foi bem difícil. Alex só descansou quando colocou a escola sob vigilância dos nossos satélites, então ela podia monitorar pelas telas da Torre. ― Lena quase fez Ava engasgar de tanto rir agora com o relato.
― Sério?! ― A loira perguntou incrédula. Lena apenas assentiu, divertida.― Não sei porque estou surpresa. Parece muito com algo que Alex faria. ― Elas tomaram alguns minutos em silêncio contemplando suas garotas correndo pelo parquinho. Então Ava voltou a falar ― Barry e Iris devem estar passando por isso com os gêmeos também… ― Ponderou ― Ah, e Felicity! Aposto que ela gostaria de algumas horas de folga no dia. Ela cuida sozinha da Mia… ― Mais alguns segundos de silêncio se passaram com as duas mulheres mergulhadas em seus próprios pensamentos, até que Ava se virou bruscamente, quase assustando Lena ao seu lado. ― Luthor! Você é um gênio, e tem dinheiro. Felicity também. Quero dizer… Se organizar direitinho, vocês poderiam resolver o problema de todos os heróis que viraram pais no grupo! ― Ava estava quase gritando de tão empolgada. Aquela era a melhor ideia que ela já tinha tido desde que casou com Sara.
― Eu não sei se entendi o que você quer dizer, mas educação não é o meu nicho. Os Luthors são educados em casa por professores particulares com nada menos que um PhD, até termos idade para ir pro internato. Acredite, é muito solitário. Não quero que minha filha pense que quero me livrar dela… ― A morena refutou com base em suas próprias experiências e memórias.
― Não, Luthor. É justamente o contrário. Nossos filhos não são comuns pelo simples fato de serem filhos de heróis. Eles correm perigo apenas por existirem. Nenhuma escola está preparada para recebê-los, ainda mais com suas habilidades especiais. Pense comigo, tenho certeza que você e Felicity fariam desse o lugar mais seguro do planeta. E quanto à educação, vocês podem encontrar excelentes profissionais da área para ajudar. Posso pedir para Gideon encontrar algumas indicações. De quebra, nossos filhos vão poder conviver com outras crianças iguais a eles e socializar. Poderiam, inclusive, treinar seus poderes em locais apropriados, sem o risco de machucar nenhum coleguinha ou professor. ― O lado nerd de Ava se manifestou e rapidamente desenvolveu a ideia. Ela já convivia com a amiga há anos. Sabia que precisava de bons argumentos para convencê-la, Lena ainda era uma afiada mulher de negócios. Claro que o tema educação e segurança da sua garotinha tinha um grande peso nisso tudo, fazendo-a ponderar a sério. Ava percebeu quando a morena não contra argumentou, apenas ficou em silêncio, contemplando a brincadeira que ainda corria solta entre suas esposas e filhas, sabia que suas engrenagens estavam trabalhando na ideia. ― Apenas pense nisso. Seria o arranjo perfeito para todos nós e, Lena… ― chamou a atenção da mulher para si para ter certeza que ela estava atenta a última parte do seu discurso de convencimento ― Nós somos família. Eu não confiaria a segurança da minha filha a ninguém fora do nosso grupo, mas preciso dizer, com você e Felicity, isso seria perfeito.
Lena sorriu em resposta. As afirmações de que o grupo de heróis confiava nela sempre a tocavam, mesmo anos depois de ter superado todos os seus desentendimentos. E agora, confiariam seus filhos. Não havia prova maior do quanto os laços haviam se fortalecido ao longo do tempo.
Enquanto Lori tentava fugir com o frisbee, fazendo Kara e Laurel correrem atrás dela pelo parque, mal ela sabia que aquela conversa estranha de adultos que não saiu do seu radar, era o início de uma mudança decisiva em sua vida.
Flashback Off
Aquela lembrança era uma das mais marcantes em sua vida. Lori não se lembrava de tudo que brincaram naquela caixa de areia, mas sabia que a mãe havia o máximo possível para que sua infância e sua adolescência fossem o mais normal possível.
Dando aqueles passos curtos pelo tapete do corredor central, com varios amigos a olhando e sorrindo para si, Lori focou em Lena. E outra memória a invadiu, a fazendo voltar no momento que a mãe lhe deu a mão e elas caminharam para sua primeira grande aventura: o primeiro dia de aula.
Flashback On
Pouco mais de um ano depois, Lori foi chamada pelas mães para terem uma conversa. Ela chegou a pensar que levaria uma bronca, afinal, o que poderia ser tão importante para suas duas mães conversarem juntas com ela. Mas não conseguia lembrar de nada que tivesse aprontado nos últimos dias. Para não deixá-la tão tensa, Kara assegurou para a filha que era uma boa notícia. Ela serviu sorvete e as três se sentaram na sala, depois do jantar. As duas mulheres se revezaram explicando a pequena que ela teria um novo lugar para ir todos os dias, onde ela poderia ver seus amigos, aprender muitas coisas novas, brincar e talvez, se ela se comportasse bem, até praticar um pouco dos seus poderes.
Ela ficou tão empolgada!
― Laurel vai também? ― Foi o primeiro pensamento que lhe ocorreu. Lena mencionou que ela não ficaria sozinha, ou apenas rodeada de adultos chatos, como costumava ser. Ela poderia brincar com os amigos e a menininha loira era a mais importante delas. Não que ela não amasse os outros ou eles não fossem divertidos, mas Laurel ocupava um lugar especial no seu coraçãozinho inocente de criança.
― Sim, meu amor, Laurel também vai estar lá na semana que vem, quando as aulas começarem. ― Kara afirmou, tranquilizando a filha. Sabia que já tinha convencido-a na primeira pergunta. Ela precisava de bons argumentos, tal qual sua mãe Lena. As duas mulheres trocaram um olhar cúmplice.
― E o lanche, mamãe? Vai ter lanches gostosos lá ou eu vou ter que pedir pra Hope me ajudar? ― A pequena indagou curiosa, afinal, prioridades.
Kara riu alto e Lena revirou os olhos. Sua filha era uma mistura muito peculiar de Luthor e Super.
― Querida, tia Felicity e eu cuidamos de tudo pra esse lugar poder receber vocês. Você acha que eu deixaria a minha princesinha sem seus lanches favoritos? ― Lena respondeu carinhosa. Lori pensava estar sendo mimada e abriu um sorriso ainda mais amplo. Mas a mãe só estava preservando os professores da sua pequena gênio mau humorada quando está com fome.
― Hmm, legal mamãe, obrigada! ― A menina deu algumas colheradas no seu sorvete antes de voltar a falar ― Por isso que você tava me perguntando se eu gostaria de ter aulas de piano, xadrez ou esgrima? ― Falou com o dedinho indicador no queixo, fazendo suas mães sorrirem orgulhosas. É claro que a mini Luthor juntaria as peças com facilidade.
Uma semana depois ela se viu saindo da SUV blindada da família, em frente ao portão da escola onde estudaria. Lena e Kara lhe ajudaram com a mochila e lancheira e lhe levaram pela mão até as grades. Ela viu sua mãe com os olhos vermelhos e não era pela visão de calor que ela viu tantas vezes sua yeyu usar pela televisão, derrubando vilões. Kara estava emocionada, se esforçando para segurar o choro.
― Pronta, Inah? ― A loira perguntou enquanto abraçava forte a sua pequena.
― Pronta Yeyu! ― A menina exclamou e pulou do seu colo empolgada, partindo para abraçar sua outra mãe.
― Boa sorte, Sunshine. Você sabe, em caso de emergência…
― Aperto o colar de El e a Yeyu vem correndo. ― Lori estava treinada em completar aquela frase.
― Isso, mas apenas em caso de emergência. ― Kara complementou.
Mas algo rapidamente chamou a atenção da garota.
― Tá bom, tchau mamães, amo vocês. ― A pequena falou já correndo na direção de outra garotinha que chegava acompanhada por suas mães.
― Amo você ― As duas mulheres sussurraram perplexas pelo desprendimento da sua filha, enquanto elas duas estavam tentando se fazer de forte para encorajá-la. Claramente, todo o incentivo que Lori precisava era a companhia de Laurel.
As duas meninas passaram pelo portão de mãos dadas, deixando suas mães para trás, observando aquele momento único.
― Elas crescem tão rápido, não é? ― Sara constatou, abraçada à cintura de sua esposa.
― Nem me fale. tenho a impressão de que vamos ser deixadas pra trás muito em breve. ― Lena fungou e sentiu Kara deixando um beijo carinhoso na sua bochecha.
Sara e Ava riram da situação.
― Quando foi que você ficou tão dramática, Luthor? ― Ava provocou.
― Deixa a minha esposa. Ela tá sensível hoje. ― Kara a abraçou, protetora.
― TPM? ― Sara continuou as provocações.
Já que tinham se encontrado, as quatro mulheres resolveram tomar café da manhã no Noonan’s e se ajudarem a digerir a nova fase da vida de suas pequenas.
Flashback off
― Nervosa? ― Lori ouviu a mãe perguntar, sabendo bem que a filha estava vendo um filme em sua mente. ― Quando me casei com a sua mãe, eu vi cada segundo da nossa amizade passar pela minha mente.
― Parece que você e mamãe se amam desde sempre ― Lori sussurrou sabendo que a mãe ouviria.
― Sua mãe e eu tivemos nossos altos, baixos e muitos momentos, minha garotinha ― Kara falou, feliz ― E eu vi cada um desses momentos quando caminhei em direção a ela, mas agora, caminhando aqui com você, eu estou vendo nossos momentos, lembra quando voou pela primeira vez?
E como Lori poderia ter esquecido aquele momento?
Flashback On
― Ela consegue, Lee ― Kara estava empolgada. Lori havia flutuado alguns dias atrás e desde então, sempre que descuidavam, a garotinha estava tentando voar. Eram pequenas coisas, tentar pegar coisas altas, tentar voar sobre a mesa de jantar, tentar ficar flutuando sobre a cama quando pulava no colchão.
Foram tantas pequenas peripécias, que Kara, sabendo que Lena tinha medo da filha se machucar, resolveu ensinar sua menininha a voar.
Elas foram a Midvale naquele dia. Mesmo Lena um pouco assustada, acabou concordando e então, estava ali sentada ao lado de Eliza, em uma toalha de piquenique comendo batatas fritas em uma velocidade equiparável a de Kara.
― Ela vai ficar bem, querida ― Eliza tentou tranquilizar Lena ― Kara está com ela.
― Eu sei, mas é tão pequena.
― Ela é pequena, mas forte como as mães dela ― Eliza falou e então, o riso tomou conta do momento.
Lori voava acima de Kara, sorrindo e Lena sabia, a filha nunca foi tão livre. Kara mantinha-se perto de sua garotinha, tocando sua mãozinha com a ponta dos dedos, quase a guiando pelos céus, sempre a olhando.
― Eu vou estar com você, te protegendo, minha pequenina, durante toda sua vida ― Kara falou e a garotinha sorriu, se jogando nos braços da loira.
― Eu te amo, mamãe ― e o braço no meio do voo seria para sempre a lembrança mais doce de Lori quando olhasse para o céu de Midvale.
Flashback Off
― Naquele dia, me senti muito livre ― Lori falou baixinho, continuando seus passos, sorrindo para o fotógrafo, enquanto paravam para mais uma foto.
― Lembro do dia que deu seu primeiro beijo. Você me disse que havia sido como voar ― Kara a lembrou, fazendo a garota corar. E mesmo agora, prestes a se casar, sua garota era tão parecida com ela e Lena.
― Foi perfeito e tão louco ao mesmo tempo. Eu juro que voei naquele dia sem nem sair do chão ― Falou a garota, apaixonada.
― Eu me sinto voando cada vez que beijo a sua mãe ― Kara confessou ― Espero que possa sentir isso cada vez que trocarem um beijo.
― Comigo, é assim até hoje ― Admitiu a garota, se deixando perder na lembrança daquele primeiro beijo e então, tudo que veio em seguida.
Flashback On
Alguns anos haviam se passado e Lori e Laurel eram cada vez mais inseparáveis, passando boa parte do seu tempo juntas. Claro que seu grupo era muito unido. Junto de Nora, Bart e Mia eles tentavam levar uma vida mais próxima ao normal, conciliando seus treinamentos com a vida social. Mas no fim do dia, as duas garotas quase sempre inventavam alguma desculpa para suas mães para uma pequena festa do pijama, só delas. Apenas se revezando entre uma casa e outra. Essa era uma dessas noites, apesar do clima um pouco diferente. Laurel estava com 18 anos e tinha sido aprovada na National City University. Apesar de continuar morando na mesma cidade, elas não se veriam mais todos os dias na escola, em breve. Elas já tinham comemorado com sua família e amigos, mas agora, enquanto uma comédia romântica rodava esquecida na TV do quarto de Laurel, o peso da separação iminente começava a bater.
― A escola não vai ser a mesma sem você ― Lori sussurrou, já que estava com a cabeça apoiada no ombro da amiga, ela escutaria.
― Em um ano você me alcança ― Laurel também sentia a mesma melancolia por deixar a amiga, embora estivesse muito excitada pela nova experiência que estava por vir. Ela colocou uma mecha do cabelo preto da garota, que estava bloqueando a visão de seu rosto, atrás da orelha e aproveitou para roçar os dedos pela bochecha em um carinho suave. O toque emanou calor na pele de ambas e Lori levantou a cabeça para poder olhar Laurel nos olhos.
― Você me espera? ― A mais nova pergunta incerta e insegura, deixando seu olhar baixar, com medo da resposta.
― Ei ― Laurel leva a mão ao seu rosto e toca o queixo com delicadeza, trazendo o seu olhar para encontrá-la novamente. ― É claro que eu espero, prometo. E nós ainda vamos nos ver até lá. Talvez não todos os dias, mas todos os finais de semana e sempre que eu tiver uma folga no meio. O que acha? ― Laurel observou enquanto um sorriso tímido se formava no rosto da amiga. Então ofereceu seu dedo mindinho para selar a promessa. Lori sorriu ainda mais e correspondeu, segurando com seu mindinho também.
Elas ficaram alguns minutos aproveitando a serenidade do momento, antes que Lori quebrasse o silêncio.
― Eu… eu queria te dar uma coisa ― A morena aguardou pela reação da outra, que assentiu, então continuou. ― Uma lembrança… Uhmm… Quero que você lembre disso quando estiver lá…
― Ok… ― Laurel agora estava curiosa com que lembrança seria essa para deixar sua amiga tão tímida e corada.
― Feche os olhos ― Lori pediu docemente e Laurel apenas atendeu.
Lori respirou fundo, também fechou os olhos e mergulhou em direção aos lábios de Laurel. Era um movimento arriscado, ela sabia. Mas, da mesma forma, sentia que esse era o momento. Não podia deixar Laurel partir para essa nova vida sem saber o que ela sentia. O toque foi sutil e terno. Assim que ela percebeu que a loira não lhe rejeitou, muito pelo contrário, estava agora segurando o seu rosto com carinho, ela soube que tinha tomado a decisão certa, talvez a mais certa da sua vida. Movida por mais um ímpeto de coragem, ela começou a mover os lábios lentamente e explorar aquela experiência única. Algumas vezes teve que se aterrar nos sentidos para ter certeza de que não estava voando com Laurel em seus braços. Elas só se separaram quando a loira precisou de oxigênio, então ficaram alguns segundos ainda de olhos fechados com suas testas apoiadas uma na outra.
― Uau! ― Foi a vez de Laurel quebrar o silêncio. ― Esse é o melhor presente que eu já ganhei na vida! ― Suspirou ― Isso quer dizer… Você gosta de mim desse jeito? ― Ela começa a tomar consciência da realidade aos poucos.
― Sim, Laurel. Eu amo você. ― E a insegurança voltava a tomar conta da morena. ― Eu sei que somos amigas. Você não precisa corresponder, eu não espero… ― Mas Laurel a interrompeu com outro beijo, ainda mais intenso. Ela não queria que Lori tivesse dúvidas de que era correspondida.
Flashback Off
― Nunca vou esquecer como chegou em casa naquele dia, toda tímida ― Kara puxou Lori para fora de seus pensamentos, fazendo a garota lembrar de como foi contar às mães o que havia acontecido ― Foi a primeira vez que vi que minha garotinha havia se tornado uma mulher.
― Mamãe percebeu na hora o que havia acontecido ― Lori riu, lembrando de Lena falando que ela tava com cara de quem havia beijado o amor da vida dela quando a garota corou enquanto almoçavam e a Luthor havia lhe provocado por causa de seu sorriso.
― Sua mãe sempre teve um talento especial para te entender ― Kara sussurrou dando outro passo com a filha, enquanto a sentia respirar fundo.
― Aquele dia foi muito louco, em tantos sentidos ― Lori comentou, acompanhando a mãe.
― Sabe, eu senti tanto ciúmes que outra pessoa estava tendo seu amor ― Confessou a loira, sorrindo para sua menina ― Eu acho que naquele dia, eu soube que chegaríamos aqui ― Concluiu a loira.
Flashback On
― Filha, nós te amamos, mas você está sorrindo como uma maníaca, igual sua mãe quando ela ganha uma porção extra de potstickers do senhor Lee ― Lena a provocou ― E olhe, o primeiro amor nos deixa um pouco… burras, então, toma cuidado ― Pediu a morena, tentando fazer a filha se abrir.
― Eu acho que é um amor para vida toda, mãe ― Confessou a garota, baixinho ― Eu não consigo pensar na vida sem essa pessoa.
― Laurel? ― Lena indagou e Kara apenas engasgou com o macarrão que comia.
― Como você sabe? ― A menina também perguntou, ainda em dúvida.
― Só pensei em uma pessoa como meu amor para vida toda ― Lena respondeu, causando mais dúvidas ainda ― E foi sua mãe, eu soube que era ela no dia em que senti que estava em casa. E você sente que está em casa quando está com Laurel. O jeito que você a olha, como suas mãos tremem um pouco ou suam quando ela janta aqui, a forma que você sempre tenta impressionar ela sem nem notar. Vocês se conhecem a vida toda e ainda assim, ela te deixa corada, seu batimento cardíaco acelera a ponto de chamar atenção da sua yeyu e nem preciso dizer que seu sorriso é ainda mais bobo do que eu e Kara quando começamos a namorar.
― Por que nunca me disse isso antes? ― Indagou a garota, curiosa
― Porque não era a hora, amor tem seu tempo certo, sua hora certa para acontecer ― Lena explicou.
― Se nós te apressarmos, você não trilharia a jornada. Ela é a parte mais importante antes do beijo de amor verdadeiro ― Kara falou sonhadora e viu sua menina corar. Lena riu e Kara cruzou os braços ― Você a beijou, não foi? ― Havia uma gotinha de ciúmes em sua voz.
― Então… ― Levemente embaraçada, a garota estava mexendo as mãos nervosamente quando ouviu Lena rir.
― Querida, nossa menina se tornou mulher ― Riu a morena, vendo a filha corar com a insinuação e Kara soltar um suspiro derrotado.
Flashback Off
― Sua mãe segurou minha onda naquele dia, mas acho que depois, eu olhava vocês juntas e eu vi que ela era a pessoa que eu gostaria para você ― Kara contou, sorrindo para a filha ― O que toda mãe quer para sua filha é que ela seja feliz.
― Laurel me faz feliz ― Confirmou a jovem noiva, sorrindo.
― Eu sei, querida. Presenciei isso todos os dias no seu sorriso bobo que se tornou constante depois que vocês começaram a namorar. E acredite, esse é o único motivo pra eu não ter surtado completamente quando você nos contou sobre a sua primeira vez. Foi porque eu confio naquela garota pra cuidar do seu coração. Isso e também por que sua mãe me impediu, a voz da razão na nossa casa, como sempre. ― Kara confessou e ambas precisaram segurar o riso na frente dos convidados. Eles não entenderiam o que estava acontecendo naquela conversa tão íntima entre mãe e filha.
― Yeyu?! ― Lori arqueou a sobrancelha na direção da mãe ao seu lado, desacreditada. ― O mundo inteiro acha que precisa temer Lena Luthor, mas tô vendo que talvez devessem temer você… ― Brincou, se divertindo com as confidências que estavam trocando.
― O que posso dizer, Inah… Eu sou protetora e Lena sempre foi mais racional. Ela me ajudou a ponderar e processar tudo. E no fim, ela estava certa, como sempre. Já que aqui estamos. Mas preciso dizer, foi sua mãe que mais se emocionou com o pedido de casamento. Depois, é claro que ela fez questão de reiterar que estava certa desde o início. Laurel é o seu amor pra vida toda. Ela te adora e é boba por você tanto quanto você por ela. E nunca faria nada pra te machucar, Ishka.
― Ela é tão protetora comigo quanto você… ― Lori divagou entre as próprias memórias ― E de certa forma, acho que eu sempre quis um amor como o seu e da mamãe. Todo esse encantamento que nunca acaba. Laurel me deu isso, Yeyu. Eu tive sorte, meu coração soube escolher muito bem.
Nesse momento as duas mulheres se esforçavam para não deixar as lágrimas caírem. Kara não se conteve e deixou um beijo na têmpora da filha enquanto se dirigiam ao final daquele pequeno trajeto tão significativo.
Flashback On
― Você está muito nervosa Laurel ― Lori estranhou a namorada enquanto caminhavam para o restaurante. ― Eu sei que estou linda, perfeita e maravilhosa e você não quer me desmanchar, mas se acalme ou vai ter um infarto, mulher.
― É que sua mãe parecia assustadora hoje, tia Kara estava tão séria ― Laurel tentou justificar seu jeito estranho jogando a culpa na loira.
― Minha mãe Kara? Desde quando tem medo dela?
― Desde que eu beijei a princesinha dela ― Riu a garota comemorando pelo desvio de assunto.
― Então, você me chamou para jantar no restaurante fora do nosso tempo, em outro planeta, depois de passear com a nave das suas mães ― Lori voltou ao assunto ― Qual a ocasião? Eu acho que não estou esquecendo nosso aniversário, ou estou?
― A ocasião ― E se ajoelhando, Laurel tirou uma caixinha do bolso ― É que você é a minha pessoa. E eu soube isso quando me beijou pela primeira vez. E já tem um tempo que venho tomando coragem para isso ― abrindo a caixinha e vendo a reação de Lori, Laurel continuou ― Estamos juntas a vida toda, vimos cada momento da vida uma da outra e estivemos lá uma pela outra. Mas agora, eu não quero falar tchau quando estiver muito tarde. Eu não quero mais acordar sem você, eu quero unir nossas vidas. Eu quero me casar com você, Lori. O que me diz, quer se casar comigo?
― SIM ― E a jovem kryptoniana se jogou nos braços da Lenda, roubando um beijo de tirar o fôlego.
Flashback off
Emocionada, Kara finalmente deixou sua menina no altar com um beijo na testa abençoando a nova fase da vida que começava. Lori ocupou seu lugar ao lado de sua noiva e viu sua Yeyu repetir o gesto com a futura nora. Eram muitos anos de convivência, é claro que o casal Luthor-Danvers já a considerava da família há muito tempo. Por fim, a kryptoniana tomou seu lugar no altar ao lado da esposa que discretamente lhe acolheu, segurando firmemente a sua mão. Ela sempre soube o que a esposa precisava. Ela era uma manteiga derretida, e em momentos emotivos como esse, Kara sempre precisava se sentir aterrada. Vendo o mar de emoções transbordando dos olhos azuis da esposa, Lena levou a mão livre ao seu peito. O simples toque sendo capaz de acalmar seus batimentos cardíacos. Elas só foram retiradas da sua bolha pela voz da cerimonialista dando início a celebração.
E Kara, Lena, Sara e Ava presenciaram suas filhas afirmarem diante de todos seus amigos que queriam unir suas vidas, assim como elas uniram, quando cada uma disse aquele mesmo Sim para sua melhor amiga, tantos anos antes.
Fim?
Ainda não hahah vamos ao bônus que já sabemos que você vai pedir, bb
Algumas horas depois, a festa rolava solta, mas as mães das noivas já tinham dançado bastante e não tinham tanto gás assim, como os mais jovens. Elas bebericavam seus drinks na mesa destinada à família, aproveitando o merecido descanso depois de longos meses envolvidas com os preparativos do casamento de suas garotinhas.
― Acho que a criação daquela escola foi a decisão mais acertada que você já tomou, Luthor. ― Ava falou e todas passaram a observar as duas lindas noivas dançando com os amigos na pista. Mais uma vez as quatro mulheres dividiam uma nova experiência da maternidade, casar seus bebês que definitivamente tinham se tornado mulheres, apesar dos protesto de Sara e Kara.
― A ideia foi sua, Ava. Felicy e eu apenas executamos. E, preciso admitir, foi genial. ― Lena concordou.
― A ideia continua dando frutos incríveis... ― Kara divagou ainda encantada com o crescimento da sua menininha. ― Quem poderia imaginar que elas acabariam no altar…
Ava e Sara apenas trocaram um olhar cúmplice e deixaram que Lena explicasse pra sua esposa.
― Querida, nós sempre soubemos, era óbvio. Aquela ansiedade toda pra encontrar a amiguinha no parquinho não era amor platônico.
― O quê?! Você sempre soube? ― Kara perguntou em choque, repassando todos os sinais que ela tinha perdido ao longo dos anos. Então ela olhou para as amigas rindo, apenas para constatar que esteve sozinha nessa. ― Vocês também? Como? ― Ela não conseguiu conter o velho hábito de fazer biquinho, fazendo as mulheres se divertirem mais ainda com a situação.
― O que esperar da mulher que levou cinco anos pra descobrir que tava apaixonada pela melhor amiga? Ninguém aguentava mais ouvir falar da incrível Lena Luthor nos crossovers. Isso que a gente nem te conhecia pessoalmente ainda. ― Sara contou para a Luthor ― Claro que você não ia perceber que a sua filha é igual a você, Kara. ― Direcionou para a kryptoniano ― Já a minha filha, por sorte puxou a Ava e tem um excelente gosto pra garotas.
― Meu Deus, Sara, quando você ficou tão convencida assim? ― Lena revirou os olhos.
― Ela sempre foi ― Ava aproveitou a onda de provocações, mas deixou um beijo na esposa, só por precaução.
― Foi por isso que você se apaixounou. ― Touché, esse era um jogo que Sara sempre ganharia. ― Então… Nossa próxima parada: netos?
Kara não sabia se era possível, mas sentiu sua pressão baixar e todo o seu sangue parar de correr por um segundo. Seria a primeira vez que desmaiaria na Terra sem estar com os poderes esgotados.
― Ok, muitas emoções pra um mesmo dia! Eu preciso de mais um drink alienígena.
Lena chamou o garçom e as mulheres seguiram rindo e bebendo juntas à união, agora oficial, de suas famílias.
Agora é o fim!
