Chapter Text
Os olhos vermelhos focaram nos olhos roxos enquanto ele rosnava e mostrava os dentes, ele era um Youkai muito jovem e nem tinha uma forma humanoide ainda. Tudo aconteceu muito rápido, ele em um momento estava explorado a floresta de Chinju, no outro ele ele estava vendo todo o seu clã morto e algo que parecia um humano olhando para todo o sangue derramado com um sorriso, as próprias mãos daquela pessoa sujas com todo o sangue.
Ele não era um humano, ele cheirava a algo sintético, nada natural, quando Kauzuha pulou na frente daquela criatura de olhos roxos, rosnando e mostrando os dentes, ele atraiu a atenção dele. O garoto olhou Kazuha com curiosidade, como se estivesse procurando algo nele, foi uma eternidade de silencio entre eles, era esmagador e desconfortável, Kazuha sabia que se fizesse qualquer coisa iria acabar morto também, mas ele mal podia evitar sua raiva transbordando.
De repente algo pulou na frente entre Kazuha e o garoto, era uma raposa também que emitia um brilho leve dourado, mas essa raposa era muito grande, Kazuha nunca viu algo como aquilo, a raposa em sua posição quadrupede dava a altura do garoto que não era humano, ele tinha símbolos dourados brilhante e se movimentando ao longo de toda extensão de seus pelos lhe dando um ar completamente sobrenatural, algo que Kazuha realmente nunca viu antes, saía uma fumaça dourada em torno dele e onde suas patas pisavam cresciam flores, se ele não estivesse tão assustado ele estaria encantado.
A enorme raposa olhou nos olhos roxos e por um momento Kazuha viu a expressão do garoto mudar insatisfeito.
“Eu jamais aceitaria esses termos Aether, O clã Kitsune me traiu e eu vim atrás de vingança.” Mais um tempo de silencio e então o garoto cruzou os braços irritado, o corpo de Kazuha estava travado no lugar e seus batimentos acelerados, ele não fazia ideia do que estava acontecendo mas não ousava interferir “Não precisa se oferecer para morrer no lugar do garoto, eu vim atrás apenas dos culpados, o garoto não era nascido naquela época, e eu jamais mataria uma divindade que não fez nada de errado além de ser excessivamente gentil. Eu ainda não esqueci minha divida de quando você tentou me ajudar.” Uma sensação fria percorreu sua espinha e quando Kazuha olhou para cima ele percebeu que ‘Aether’ como o garoto não humano o chamou, estava envolvendo uma de suas caudas no corpo de Kazuha como uma garantia de o manter seguro. “Eu já disse, eu jamais aceitaria esses termos, não faz sentido matar uma divindade para perdoar os crimes de um clã de Youkais, e de qualquer forma eu já terminei o que vim fazer aqui, outro dia eu venho para pagar a minha dívida com você”
E como em um passe de magica a criatura desapareceu, e Kazuha sentiu todo o seu corpo enfraquecer do uma vez, mas ele não caiu do chão, ele foi levantado com cuidado quando ouviu uma voz doce e gentil na sua mente
“Durma por enquanto, quando estiver melhor conversamos”
Essa foi a última coisa que ele se lembra antes de cair em profundos sonhos.
Ele estava confuso quando abriu os olhos, ele se sentia extremamente pesado e desconfortável, seu peito doía, ele tentou se levantar, mas ele sentia seus movimentos desleixados e fora do seu controle. Então ele tentou olhar ao redor, parecia um templo ou santuário, não era muito grande, mas era bem bonito e organizado, logo ele viu algo pequeno de uma cor azul transparente correr em sua direção, um pequeno espirito de raposa.
Seus pais haviam lhe contado que pequenos espíritos podiam decidir ajudar algumas divindades, cuidando de seus santuários e ajudando com os pedidos dos mortais e dos youkais, quando a raposa tocou ele, os seus músculos relaxaram e ele sentiu parte da dor desaparecer apesar de ainda estar um pouco dolorido.
“Obrigada pequeno...” Ele tentou se sentar e foi quando notou, ele não tinha mais suas patas, eram mãos com cinco dedos, ele levou as mãos para sua cabeça sentindo o cabelo macio que caia sobre o ombro, mas suas orelhas pontudas ainda estavam no alto movendo para frente e para trás na tentativa de captar algum som.
De repente a porta do ambiente se abriu, os olhos de Kazuha foram imediatamente atraídos para a direção se encontrando com olhos dourados, apesar de ser um humanoide Kazuha não esqueceria os olhos dourados que interveio do que parecia ser o pior momento da vida dele. Ele tinha cabelos longos caídos, com algumas tranças enfeitando, a pele parecia perfeita com os mesmos símbolos fantasmagóricos dourados brilhando sobre sua pele, e um Kimono que gritava um bem que apenas uma divindade poderia possuir, a seda parecia brilhar e contornava muito bem as curvas do corpo deixando apenas uma das pernas a mostra. Suas orelhas pontudas de raposa brilhavam no topo de sua cabeça e Aether tinha o que parecia ser cinco caudas atrás de si balançando livremente.
“Você acordou, como você está se sentindo?”
“Para falar a verdade um pouco estranho... Eu me lembro de tudo, mas ainda... Eu não consigo sentir nada eu acho...”
“É um estado de choque, você vai ter problemas por um tempo para processar o que sente, é melhor ficar por aqui para que eu possa cuidar de você...”
“Você é aquela raposa não? Que aquela criatura chamou de Aether...”
“Sim, Aether é meu nome.” O sorriso triste naquele rosto causou um vazio no peito de Kazuha, ele não sabia o que sentir, mas ele não queria ver Aether daquela forma. Para a sua surpresa Aether se ajoelhou ao seu lado “Eu devo pedir desculpas a você, eu falhei como divindade em proteger o seu clã, quando eu cheguei só você estava vivo...” Aether então se abaixou encostando a testa no chão, uma divindade jamais faria isso mas Aether não parecia ser uma divindade comum. “Você não precisa me perdoar, mas eu peço pelo seu perdão pela minha falha.”
“Não é sua culpa, por favor levanta...”
Aether se levantou, e Kazuha percebeu que ele também estava muito afetado pelo o que aconteceu.
“Eu também devo lhe avisar, você conquistou essa forma humanoide essa noite e ganhou uma segunda cauda, eu tomei a liberdade de puxar toda a dor para mim para que você pudesse descansar...” Antes que Kazuha pudesse dizer algo Aether começou a caminhar para fora. “Vou pedir para os espíritos trazer sua comida, continue descansando.”
Aether saiu sem dar chance de Kazuha agradecer, ele olhou em volta do quarto notando um conjunto de um belo kimono vermelho preto e branco com um hakama ao seu lado, foi quando ele notou sua total nudez, até ontem ele tinha seus pelos brancos com manchas vermelhes que o cobriam e protegiam do mundo, agora ele tinha apenas um cobertor o cobrindo, ele sentiu sua bochecha ficar vermelha.
Aether o viu assim? Provavelmente já que foi ele que trouxe Kazuha para esse local. Isso o deixaria muito tímido.
Até o dia seguinte ele não conseguiu mais relaxar, ele comeu como Aether o instruiu e se vestiu com um pouco de dificuldade, usar membros humanoides era muito mais difícil do que ele imaginou, como os humanos se equilibravam tão bem com apenas duas pernas? Kazuha não entendia. Mas por sorte os pequenos espíritos de raposa o ajudaram e tornou tudo mais fácil.
Mas ele se sentia inquieto, ele não podia sair por ai já que ele mal sabia andar naquela forma, mas depois de algumas horas ele desistiu de descansar, e mesmo com os espíritos tentando o empurrar de volta para deitar, ele se levantou lutando para ficar em pé em apenas duas pernas, ele sentia que iria cair então procurou se apoiar nas paredes para se manter em pé e começou a treinar para andar.
Chegar até a porta foi muito mais cansativo do que ele esperava, mas aquele corpo era muito mais pesado com o que ele estava acostumado de qualquer forma, então ele se daria ao crédito de que ele estava aguentando o peso novo. Quando ele abriu a porta ele notou que dava direto para uma espécie de jardim e o templo ficava diretamente em cima de um lago então ele com esforço se sentou olhando os peixes passarem por baixo. Foi quando ele ouviu vozes e viu Aether conversando com uma Youkai ao longe, ela tinha cabelos rosa e orelhas de raposa baixas, ele estava de costas para notar Kazuha sentado, e ele parecia... Meio fora.
“O estrago foi grande?”
“Não muito...”
Ele podia ouvir a conversa com um pouco de esforço, e mesmo que ele não quisesse invadir a privacidade de Aether a curiosidade tomou o melhor dele e ele se concentrou em ouvir a conversa... Talvez ele pudesse ajudar se ele soubesse o que era.
“Deixe-me ver então” em um movimento a Youkai de cabelo rosa puxou a parte de cima do kimono de Aether revelando o ombro e as costas magras dele, Kazuha quase engasgou com a visão, mas logo ele focou nos pontos pretos manchando o torso dele como fumaças, e os símbolos antes dourados agora mais cinzas. “Aether...”
“As bênçãos da divindade das raposas sente a morte de cada uma... Isso para que eu possa proteger cada uma e para garantir que a única morte que leve esses Youkais sejam mortes naturais...”
“Foi um massacre... Isso deve estar doendo muito.”
“É o preço que eu pago por não ter chego a tempo...” Aether puxou o kimono de volta cobrindo os ombros “Você conseguiu falar com a Ei?”
“Infelizmente ela está muito isolada, mas estou tentando... Foi Kunikuzushi que causou esse caos de qualquer forma”
“Não tente se livrar dele Yae, ele fez algo horrível e merece responder pelos seus atos, mas eu acredito que ele não é alguém ruim.”
“Um dia essa bondade sua vai acabar sendo sua morte Aether”
Kazuha se levantou novamente com dificuldade voltando para o quarto, ele tinha muito para pensar sobre agora estar sozinho e... Aparentemente a divindade que protegia seu clã estava gravemente ferida.
Ele realmente não sabia como lidar com toda essa informação.
No dia seguinte ele conseguia caminhar, ainda atrapalhado, mas ele não precisava se segurar em nada, ele seguiu os espíritos de raposas que o levaram para de baixo de uma cerejeira para aproveitar o sol, ele viu alguns Youkais virem ao templo rezar... Então Aether era uma divindade adorada pelos Youkais e não pelos humanos, isso fazia muito sentido ainda mas pela calma que o local emitia.
“Como você está?”
Quando ele virou o rosto Aether estava carregando uma bandeja com comida para ele, Kazuha se sentia muito envergonhado de estar sendo cuidado diretamente por uma divindade, ele deveria fazer oferendas e pedir pelo cuidado de Aether, mas mesmo que ele nunca tenha feito isso Aether estava cuidando dele com carinho.
“Eu acho... Estou bem apesar de ser horrível andar como um bípede... Meus familiares quando assumiam formas humanoides faziam parecer tão natural, você faz parecer tão fácil... Como você consegue?”
“Hum... Acho que meu caso é um pouco especial já que eu morri antes de ter tido a chance de conquistar a forma humanoide, mas você pode conversar com Yae, ela deve ter boas dicas de como aprender a andar.”
“Me desculpe, você disse que morreu?”
“Divindades podem nascer de formas diferentes, geralmente uma divindade nasce de acordo com a fé dos mortais, ou em circunstancias especiais mortais podem virar divindades quando morrem... O meu caso minha morte como mortal foi meu nascimento como divindade.” Kazuha olho para Aether chocado quando Aether riu. “Não se preocupe, foi um desejo forte apenas, eu não era um Youkai poderoso, eu era quase que uma simples raposa, E um dia eu e minha irmã estávamos vivendo em paz quando monstros começaram a surgir de todos os lados em Inazuma...”
“Foi durante o cataclismo?”
“Sim... Lumine morreu bem na frente dos meus olhos e enquanto eu tentava tirar ela dos monstros tudo o que eu conseguia pensar era ‘se eu pudesse proteger...’ ‘se eu fosse mais forte...’ e então eu acabei morto... E foi nesse momento que despertei como divindade e consegui usar minha habilidade para proteger o máximo de criaturas vivas que eu pudesse. Eu não sou uma divindade nascida para brigas ou lutas, eu nasci para proteção e cuidados, por isso eu não sou muito forte em relação a outras divindades.”
“É por isso que... Aquela criatura disse que não sacrificaria uma divindade para compensar pelos erros dos youkais?”
“Eu não sei o que aconteceu entre seu clã e Kunikuzushi, não tudo pelo menos, mas se eu tivesse chego mais cedo... Se eu fosse uma divindade melhor para estar lá antes de tudo acontecer, eu teria morrido de bom grado como divindade para que vocês estivessem todos seguros, eu não posso lutar e minha única função como divindade é oferecer proteção. Faz todo sentido eu morrer para proteger”
“Você não deveria morrer... Isso não faz o menor sentido, nenhum de nós gostaria disso.”
“Ao invés disso então devo viver com o peso das mortes daqueles que eu deveria proteger? Isso já mostra o quanto falhei como a divindade da proteção.”
Kazuha sentiu as palavras travarem em sua garganta, Aether sorriu antes de sair deixando Kazuha sozinho de novo, Ele entendia o ponto de Aether, mas ele não conseguia expressar o quão ruim ele se sentia com isso... Era ainda pior porque seu cérebro dizia “nós deveríamos viver juntos ao invés disso” Mas ele sequer podia vocalizar seus pensamentos.
De certa forma ele estava um pouco envergonhado com a situação.
Foram duas semanas para ele conseguir andar e, por pura insistência dele, começar a ajudar no santuário, Kazuha ajudava a limpar, ajudava a fazer as compras, Ajudava a reparar qualquer coisa que quebrasse, ele pegou o jeito em usar o corpo humanoide muito mais rápido do que ele esperava, e apesar de preferir usar a sua forma youkai em algumas situações, em outras era muito mais conveniente a forma humanoide. Ele também ajudava Aether em acolher pequenos youkais doentes e a curar eles.
Apesar de que Yae passou lá algumas vezes pedindo para Aether não usar sua cura com tanto descuido no estado enfraquecido em que ele estava, mas Aether não ouvia e Kazuha não conseguia pedir para ele tomar mais cuidado consigo mesmo, Kazuha tinha um certo medo de expressar como se sentia.
“Você precisa de terapia Kazuha” Seus olhos vermelhos focaram nos dourados de Aether naquela tarde, Aether parecia estar apenas apontando um fato e Kazuha não conseguia entender o porquê disso tão repentinamente. “No santuário Narukami a Yae faz um bom trabalho com auxilio emocional, você deveria...”
“Não”
“O que?”
“Eu não pretendo sair daqui.”
Aether riu se sentando ao lado de Kazuha.
“Eu não estou te mandando embora e muito menos te transferindo para outro templo, se você quer ficar aqui hoje, amanhã ou para sempre você pode. O que estou dizendo é para você ir algumas vezes por semana no santuário Narukami cuidar da sua saúde mental.”
“Porque...”
“Porque você não se expressou uma vez desde que chegou, e é importante se expressar, então, você vai aceitar meu pedido pessoal e cuidar da sua saúde mental?”
Kazuha olhou para Aether vendo uma oportunidade única ali... Ele reuniu coragem antes de puxar o ar para falar.
“Eu vou se você cuidar da sua saúde física.”
“Do que você está falando?”
Então Kazuha estendeu a mão tirando o cabelo da nuca de Aether revelando os pontos pretos esfumaçados e as marcas prateadas na lateral de seu pescoço.
“Disso.”
Houve um silencio entre os dois antes de Aether suspirar.
“Certo, acho que é um acordo justo.”
Na mesma semana Kazuha começou a sua terapia, e Aether foi pedir ajuda para organizar o ritual de cura.
Yae era uma presença forte e podia ser bastante intimidante, mas ela realmente estava ajudando-o, durante as seções de terapia ele percebeu que estava reprimindo todos os sentimentos dele, os negativos e os positivos. Ele chorou algumas vezes e teve crises de raiva, outras vezes ele se viu amargurado apenas falando como Aether não cuidava de si mesmo... Divindades deveriam ter seu momento, e não viver apenas pelos outros certos? Ela riu algumas vezes junto com ele e validou tudo o que ele sentia, ela disse que sua raiva, sua tristeza e até sua preocupação eram validos, ele tinha todo o direito de sentir tudo o que estava sentindo.
“Em todos esses quinhentos anos como divindade...” a seção deles já havia terminado, já era a decima semana a qual eles estavam trabalhando no caso de Kazuha e ele se sentia bem confortável com ela, o suficiente para ter conversas ociosas depois das seções. Mas por algum motivo ele sabia que aquilo não era só uma conversa ociosa “Aether sempre foi teimoso e independente...”
“Eu posso ver, ele detesta ter que depender de alguém.”
“Exatamente, nesses quinhentos anos eu venho algumas vezes tentando cuidar dele porque ele não cuida de si mesmo, mas ele parece bastante com um gatinho arisco ao invés de se parecer com a raposa que ele é quando precisa de cuidados, no fim ele nunca deixa alguém se aproximar o suficiente para que ele seja cuidado... Nesses quinhentos anos que venho tentando ajudar ele, é a primeira vez que ele pediu uma ajuda oficial para o santuário Narukami.”
“É sobre os ferimentos cinzas?”
“Sim, tem muita coisa que tenho curiosidade para saber, como por exemplo sobre o relacionamento que você vem construindo com ele para conseguir fazer com que ele peça ajuda.”
“Eu acho que somos amigos... E ainda assim, ele demorou muito para pedir ajuda, ele me prometeu que faria isso desde que eu cuidasse da minha saúde mental.”
Yae sorriu para ele.
“Continue dizendo isso para si mesmo querido Kazuha, talvez você se convença que vocês só se veem como amigos...” Ela abriu uma carta entregando para Kazuha “Ele apresentou o pedido no mesmo dia que você veio aqui. É um ritual de cura muito complexo e leva muito tempo para preparo, se tudo der certo vamos fazer daqui duas semanas.”
“Então logo ele vai estar de volta ao normal?”
“Bem sim, mas temos um problema, a Shogun Raiden tem o poder de remover esse tipo de corrupção que está machucando nosso Aether, e ela está sem contato isolada a cerca de quatrocentos anos...”
“O que você quer dizer?”
“Temos uma alternativa para fazer isso embora... Talvez você não esteja pronto.”
“Se for curar Aether eu faço qualquer coisa.”
“Não é fazer qualquer coisa Kazuha, precisamos da essência da Shogun Raiden, e temos alguém que tem essa essência, ele foi criado por ela afinal, mas eu temo que emocionalmente você não está pronto para encontrar com Kunikuzushi ainda...”
“Eu...” Ele queria dizer ‘eu não me importo’ mas ele se importava sim, Kunikuzushi perto de Aether para Kazuha era perigo, e se Kunikuzushi mudasse de ideia e matasse Aether? Afinal Aether tem uma relação muito forte com os youkais raposas, Kunikuzushi poderia culpar Aether e querer eliminar ele... “Eu acho...”
“Você está se afundando em um mar de pensamentos Kazuha, volte, respire e veja a situação por si mesmo.”
“O que você está propondo?”
“Uma reunião controlada, Eu, você, Kunikuzuhi e o auxílio da deusa da sabedoria que vai confirmar os fatos para nós usando o conhecimento que ela tem.”
“Eu acho que está tudo bem se for assim...”
Não estava exatamente tudo bem, mas Kazuha não queria que Aether sofresse mais do que já estava sofrendo, e no fundo ele queria saber a motivação de seus familiares serem mortos... Logo no início quando Kazuha mal podia se manter em pé ele ouviu Aether dizer que Kunikuzushi não era uma pessoa ruim, e por mais que Aether fosse bom demais para o mundo, ele confiava nas palavras dele. Kazuha só queria saber os motivos de Kunikuzushi e ter Aether totalmente recuperado.
Ao invés de dormir ele ficou de baixo da arvore de cerejeira que tinha perto do templo, olhando as criaturas noturnas fazendo o que costumavam fazer. E eventualmente também espiando o movimento dos peixes no lago que era perto também.
“Até onde eu saiba mesmo Youkais precisam manter uma noite de sono...”
Aether estava sorrindo quando se juntou a Kazuha em baixo da arvore observando as estrelas, a visão de Kazuha foi atraída direto para a coxa de Aether onde o Kimono se abriu um pouco mais revelando uma mancha acinzentada nova.
“Está se espalhando...”
Aether não desviou os olhos das estrelas.
“Estou usando minhas habilidades em quantidade maior do que consigo me curar.”
“Você está se punindo?” O silencio foi o suficiente para Kazuha perceber que acertou bem na ferida do problema. “Me desculpe, eu não devia...”
“Está tudo bem, eu queria que você se expressasse mais e é o que você está fazendo... A verdade é que nem eu sei porque estou sendo tão descuidado... Eu só não consigo ver alguém precisando de auxilio e ignorar... Mas ao mesmo tempo eu uso mais do que necessário, é um pouco involuntário.”
“Talvez você precise de terapia também.”
Aether riu.
“Você não está errado, eu sou uma divindade que nasceu de um trauma, talvez eu devesse fazer terapia.”
Kazuha observou Aether, ele era uma divindade assombrosamente lindo, Seus olhos brilhavam e seus símbolos brilhavam, e mesmo que parte estivesse prateado ou parte da pele parecia tomada pela corrupção, Aether era lindo e Kazuha não queria nada mais do que passar todo o resto de sua vida como um Youkai adorando Aether, se dedicando totalmente a ele e auxiliando sua bondade. Antes mesmo que ele percebesse sua linha de pensamento ele falou algo que assustou ele mesmo.
“Eu estou apaixonado por você”
Aether imediatamente se virou para Kazuha com olhos arregalados e bochechas vermelhas, era a visão mais bonita que Kazuha já havia visto, Aether tímido banhado pela luz da lua em baixo de uma cerejeira, se ele pudesse desenhar ele pintaria esse momento, mas ele se contentaria em fazer um Haiku sobre a beleza de Aether mais tarde.
“Eu... Também estou apaixonado por você” Isso foi surpreendente, ele esperava qualquer coisa menos a retribuição, em sua mente Aether era perfeito e bom demais para Kazuha. Mas ele foi pego de surpresa e sentiu suas próprias bochechas esquentar. “Mas eu tinha medo de te dizer isso e acabar fazendo você se sentir pressionado para me corresponder, ou então ter um relacionamento com você e isso causar uma dinâmica de poder onde você fica fragilizado...”
Kazuha quase riu, mesmo que Aether fosse uma divindade, ele era muito ansioso. Então ele repetiu o que Yae disse para ele mais cedo.
“Você está se afundando em um mar de pensamentos Aether, volte, respire e veja a situação por si mesmo” E Aether parou e respirou antes de se voltar seu olhar para Kazuha. “Você é gentil e bom demais para fazer mal a alguém, mesmo para mim que não sou uma divindade como você, eu sei que você apenas me faria feliz.”
“Mas eu...”
“Se você está com tanto medo me deixa assumir a liderança disso... Eu tenho capacidade para ditar o ritmo que me sinto confortável e saber quando algo está fazendo bem ou não para mim.”
“Eu... Tudo bem, então o que vamos fazer?”
“Namorar, começando com isso.”
E então Kazuha se inclinou sobre Aether juntando os lábios, Aether era macio, e especialmente quente, ele deixou suas mãos puxarem Aether para sentar em seu colo e ele continuou beijando Aether, uma vez, duas vezes, na terceira ele segurou a nuca de Aether, na quarta seu braço livre envolveu a cintura dele, e na quinta Kazuha não conteve sua vontade e mordeu os lábios de Aether também arrancando um gemido abafado, eles se separaram meio sem folego e ambos estavam extremamente corados.
“Muito ocupado cuidando dos outros para ter alguma experiência sexual?”
“Você também não tem, você não está melhor do que eu.”
Kazuha riu.
“A diferença é que eu sou um Youkai jovem de oitenta anos e você é uma divindade de quinhentos.”
Aether fez bico e Kazuha aproveitou a oportunidade de levantar segurando Aether em seu colo.
“O-o que você está fazendo?”
“Indo para um local privado com meu namorado.”
“M-mas eu...”
“Não se preocupe só vamos nos beijar mais um pouco... Prometo que vou ser paciente com você”
Aether tinha as bochechas vermelhas, mas não discordou da ideia de ficar mais um tempo beijando Kazuha, por sorte o quarto de Kazuha era muito próximo e não demorou nada para Aether ser colocado com cuidado na cama enquanto Kazuha subia sobre ele beijando seu pescoço, então descia os beijos enquanto puxava o laço do Kimono de Aether. Quase que instantaneamente Aether segurou a mão de Kazuha.
“E-Eu acho melhor...”
“Ae se você não quiser eu paro, mas eu prometo que tudo o que eu quero fazer é beijar o seu corpo... Você vai me deixar?”
“Eu... Eu só quero falar que está tudo bem se você se assustar ou não quiser tocar, eu não vou ficar chateado e entendo totalmente.”
Kazuha olhou confuso para Aether, mas Aether já estava ocupado desfazendo ele mesmo os laços do Kimono deixando o Kimono se abrir e revelando o corpo, e a visão que Kazuha estava tendo era no mínimo perturbadora, seu torso havia sido inteiro tomado pela corrupção, e aquilo deveria estar doendo demais, muito pior do que quando ele viu no seu segundo dia no santuário quando Yae puxou o kimono para poder ver. Mas Kazuha não sentia nojo, ele estendeu o braço sentindo a maciez da pele, estava até um pouco mais quente do que o resto do corpo mas era macio como qualquer outra parte, haviam pontos de brilhos dourados que persistiam, e Kazuha sentiu um profundo orgulho de que Aether apesar de tudo estava lutando contra essa corrupção para sobreviver, então ele notou o olhar ansioso de Aether, visivelmente com medo de ser rejeitado.
Então Kazuha apenas se abaixou e beijou, ele desceu os beijos e Aether tentou cobrir sua boca para não emitir nenhum som, mas falhou quando Kazuha puxou suas mãos para ele.
“Não me prive da bela melodia de sua voz.”
Ele voltou a beijar Aether, sua barriga, sua cintura, seus mamilos pareceu uma região especialmente sensível porque quando Kazuha o beijou Aether tremeu inteiro soltando um gemido necessitado. Ele beijou seu ombro, ele passou horas beijando e acariciando o corpo de Aether enquanto Aether enrolava os braços em torno de Kazuha e se segurava como se sua vida dependesse daquele momento. Aether aproveitou para beijar Kazuha em todos os locais que ele conseguia acessar e aquilo era muito intimido e romântico, Kazuha elogiava Aether por confiar nele e por estar lutando contra essa corrupção, Kazuha elogiava o quão forte Aether era para estar resistindo a uma dor tão insuportável, Aether era o mundo de Kazuha e Kazuha era o mundo de Aether naquele momento.
Mas apesar de ambos estarem com muita vontade de prosseguir, eles queriam ir com calma também, aproveitar todas as oportunidades para explorar e não fazer tudo correndo, então depois de muito tempo trocando beijos, ambos beijando o corpo do outro e acariciando, eles decidiram apenas se abraçar e dormirem juntos, mesmo Aether não precisando dormir ele acabou adormecido de tão relaxado que ele estava nos braços de Kazuha.
Estranhamente no dia seguinte Kazuha foi o primeiro a acordar, Aether estava com a cabeça apoiada no peito dele respirando lentamente, aquele momento foi o mais pacifico que ele teve em sua vida desde o incidente com seu clã. Kazuha nunca relaxava completamente, nunca se sentia calmo o suficiente, mas naquele momento ele estava, passar a noite com Aether fez ele perceber algo muito importante, ele não queria mais guardar raiva, sentir ódio ou qualquer coisa negativa, ele queria apenas ser feliz com o que ele estava vivendo, aproveitar todos os momentos com Aether, dedicar sua vida ao Aether, sem raiva ou frustração.
Ele iria encontrar com Kunikuzushi com sua mente aberta e consciência limpa, odiar não traria os mortos de volta, e o ódio muito provavelmente foi o que ocasionou a morte deles, então Kazuha seria o primeiro a quebrar o ciclo de ódio.
“Você acordou cedo...” Aether se sentou esfregando os olhos, ele bocejou e então esticou os braços para esticar os membros, depois disso ele começou a fechar seu kimono escondendo seu corpo da vista de Kazuha. Era uma pena porque Aether era lindo. “O que está ocupando tanto sua mente?”
“Estava pensando... A quanto tempo você não dorme?”
“Oh...” As bochechas de Aether ficaram vermelhas “Divindades na verdade não precisam dormir, muitos dormem porque sonhar é divertido... Nos meus primeiros anos eu tentei dormir por várias vezes, mas sempre tive pesadelos, então...”
“Quase quinhentos anos sem dormir?”
“Basicamente, eu desisti depois de ter tantos pesadelos.”
“Mas hoje você não teve nenhum.” Kazuha se sentou dando um beijo rápido nos lábios de Aether que estava muito vermelho. “Você dormiu pacificamente a noite toda comigo.”
“Eu me senti seguro com você...”
“Então deveríamos dormir todas as noites juntos.”
Aether riu.
“Isso significa que você está cedendo seu quarto para mim?”
“Porque? Não podemos dormir no seu?”
Aether desviou o olhar um pouco envergonhado e Kazuha achava ele adorável.
“Não fazia sentido ter um quarto para mim quando eu não durmo...”
“Ah... Bem, então nós dormiremos no nosso quarto, que vai ser esse aqui.”
Aether não discordou, apenas deu o sorriso mais doce que Kazuha já viu antes de levantar alegando que ele teria muito trabalho para fazer, e Kazuha também não queria passar o dia ocioso, então ele levantou para poder auxiliar Aether em tudo o que ele precisasse, os pequenos espíritos corriam de um canto para o outro do templo fazendo alguns preparativos que Kazuha não sabia bem o que era, enquanto ele ajudava a limpar e transportar tudo o que os espíritos estavam carregando, ele recebeu uma Miko do santuário Narukami que veio trazer uma carta especialmente para ele.
Era a data da reunião com Kunikuzushi, iria ser em dois dias durante a noite, quando o santuário já não estaria aberto para os visitantes, ele confirmou com a Miko que estaria lá e voltou sua atenção para ajudar o próprio santuário de Aether.
“Você parece ocupado...”
Kazuha se virou para Aether com um sorriso, ele estava diferente, o cabelo dele estava parcialmente preso e usava alguma maquiagem com desenhos especiais. Aether era deslumbrante.
“Todos estão ocupados hoje... E você está lindo! Qual a ocasião de hoje?”
“Você não se lembra pois veio aqui recém-nascido, mas esse dia a cada cinco anos os Youkais trazem os filhos nascidos deles durante esse tempo pare receber as bênçãos que me ligam a eles, assim eles vão ter meu poder protegendo-os até o fim da vida. É um ritual simples, mas já salvou muitos filhotes de monstros e da maldade de outros seres...”
Kazuha olhou em volta enquanto os espíritos organizavam os objetos sagrados e abriam espaço para todos os bebes e crianças Youkais poderem sentar.
“Isso quer dizer... Que eu estou ligado a você?”
“Desde bebe até morrer, meu poder vai proteger você, e eu vou sentir quando algo de errado acontecer.”
Ele não sabia se ficava feliz ou preocupado, a ideia de estar permanentemente ligado a Aether era maravilhosa ao mesmo tempo que ver novas crianças serem ligadas a ele... Se acontecesse o mesmo que aconteceu com o clã de Kazuha, Aether seria o único a pagar por isso.
“Isso é para proteger crianças Kazuha, proteger seres inocentes, se eu como uma divindade da proteção não puder proteger, não tem motivo para minha existência não é mesmo?”
Em Inazuma havia um conto popular que dizia que as divindades apenas existiam pela fé e por fortes desejos dos mortais, uma vez que os mortais a esquecessem elas desapareceriam, então quando Aether disse isso Kazuha sentiu um arrepio na sua espinha, um medo interno de perder Aether para o esquecimento, então ao invés de ir contra Aether fazer sua função como divindade ele sorriu.
“Eu estou aqui para ser o seu apoio total, o que você precisa de mim?”
“Nada, já está tudo praticamente pronto, logo as crianças vão chegar... Você pode ficar se quiser, é um ritual bem bonito. Mas recomendo que tome um banho antes, fluidos corporais como suor pode tornar a sensação do local um pouco... Extrema.”
“O que você quer dizer?”
“Você pode ficar bêbado por absorver minha energia, fluidos corporais fariam você se tornar uma esponja para absorver minha energia...”
“Como assim bêbado?”
“Bêbado como quando você toma álcool, sonolento e falando mais do que pensa.” Aether riu, “Mas sem a parte de tomar álcool.”
“Então vou tomar um banho e te vejo mais tarde”
Kazuha não tinha vergonha nenhuma, ele deu um beijo rápido nos lábios de Aether antes de se retirar, ele não deixou de ver como Aether ficou envergonhado e como os espíritos suspiraram surpresos, mas Kazuha não via motivos para esconder o amor que ele sentia por Aether, o mundo precisava de mais amor de qualquer forma. Então ele se concentrou em ir se limpar para poder ver como era o ritual. Ele estava muito ansioso também para ver as crianças Youkais nascidas nos últimos anos, Kazuha tinha um fraco por crianças
Aether disse que era um ritual bonito, mas Kazuha não estava pronto para ver Aether com um kimono cerimonial, ele ia de criança a criança passando o dedo manchado com algo colorido na testa de cada uma, e as crianças pareciam se divertir com isso e haviam crianças de todo tipo, yoiukais gatos, raposas de outros clãs, havia até kappa ali. Quando todas estavam prontas Aether começou a fazer uma dança cerimonial, os espíritos do templo se alinhavam com as crianças e as faziam rir enquanto a energia dourada de Aether brilhava e se espalhava pela sala cobrindo as crianças, sua energia corria por todo o lugar enquanto Aether fazia a dança, Kazuha podia jurar que podia ver as ligações espirituais serem construídas.
Aether era uma divindade diferente de qualquer outra que Kazuha já conheceu, por ter sido um mortal ele faz ele mesmo as bênçãos, ele não tem mikos para fazer os rituais, ele fazia tudo sozinho para garantir que todos estavam seguros. Kazuha o amava muito, ele nunca conheceu alguém tão bom quanto Aether.
Quando o ritual terminou com a crianças cheias de energia espiritual rindo e brincando com os espíritos, Aether tinha um sorriso no rosto, um sorriso de quem estava fazendo algo que amava, e Kazuha também estava sorrindo, um sorriso de quem estava completamente apaixonado olhando o amor da sua vida.
