Work Text:
Kei estava apaixonado por alguém cujo ele não tinha a mais remota chance.
Porém ele não admitiria isso nem mesmo se sua resposta significasse a paz mundial.
Quando você é uma pessoa com pouca dignidade, geralmente você se agarra a isso, ao que resta da sua paz mental, e não corre atrás de mais confusão e mais motivos para perder o pouco que ainda tem.
É por isso que, naquele momento, Tsukishima Kei observava Tadashi por cima de seu livro de filosofia moderna, muito ocupado negando sua atração pelo garoto para absorver qualquer conteúdo gravado naaquelas páginas.
O capitão do time de vôlei, (muito) bonito e (não é necessário acrescentar isso) popular pra caralho, mergulhava em uma conversa animada com uma garota baixinha de cabelos loiros (Tsukishima tentou não evocar as lembranças de todas as vezes que ouviu alguém dizendo que aqueles dois eram namorados) e Kei deveria estar estudando para a próxima aula de filosofia, mas estava adiantado no conteúdo e decidiu descansar os olhos dos livros ridículos de folhas brancas que ele odiava.
Um “Shhh” seguido do outro era direcionado ao garoto de sardas, que sorria constrangido.
Na verdade, Tsukishima achava estupidamente fofo quando ele espremia os olhos e corava com vergonha.
Quando percebeu a idiotice que fazia, ele fechou o livro com força, chamando a atenção das pessoas que estavam na biblioteca.
Simplesmente não era hora para isso. Pare. Apenas pare de fantasiar como a protagonista feminina de uma comédia romântica básica. Kei bufou, pegou suas coisas e saiu da biblioteca.
A sala é a prisão. Quando eu deixar a sala, esses pensamentos também ficarão para trás, o universo carregará todo esse peso para longe. Este peso não me pertence.
Enquanto se concentrava em cantar seu mantra mentalmente, de olhos fechados, o loiro levou um tapa nas costas.
Ele se virou, tentando conter seu acesso de fúria contra o indivíduo que ousou invadir seu tão precioso espaço pessoal.
Acontece que, no momento em que seus olhos caíram e encontraram a camiseta laranja característica do time de vôlei do Karasuno, já era tarde demais. Kei tinha suas mãos estúpidas agarrando o colarinho do sujeito.
O sujeito mais lindo e adorável que ele já tinha visto.
E Kei estava ali. Paralisado como em um feitiço, enquanto sua expressão terrivelmente amarga se transformava em choque.
E se eu eu fingir um desmaio? Dá certo nos filmes, né? Merda, por que eu tenho que agir como uma adolescente boba encontrando seu primeiro amor justo na minha primeira conversa com ele?
Bom. Ele meio que é seu primeiro amor…
Uma parte estúpida de seu cérebro provocou e ele a calou prontamente.
Depois do que pareceu um minuto inteiro de Kei agarrado no outro feito um gato em seu arranhador favorito, ele saiu do transe com os cochichos urgentes do garoto, suas mãos se agitavam tanto em frente ao rosto que Kei já estava começando a se sentir tonto.
— Eu sinto muito! Eu não quis te bater, eu só…
O garoto falava rápido e sem jeito, ainda assim ele conseguia parecer a pessoa mais descolada do mundo…como isso é possível?
Eu me mataria aqui e agora, mas não quero traumatizar ele e nem sujar seu uniforme com o meu sangue de merda.
— Oh — Tsukishima disse como a porra de um idiota.
— Hum..eu me exaltei, foi mal! — Depois de sua voz literalmente falhar no final da frase, Kei decidiu que já era humilhação suficiente para um único dia, e saiu correndo para fora da biblioteca, sem olhar para trás.
Yamaguchi Tadashi encarou a porta que ia pra lá e pra cá, deixando apenas o rastro apressado de Tsukishima.
— Ahhgr, eu estraguei tudo, Yachi! — Tadashi reclamou alto com um grunhido frustrado e as mãos cobrindo o rosto. Ele foi expulso da sala logo depois.
— Calma, Dashi…você esbarrou sem querer e ele pediu desculpas por ter te segurado daquele jeito.
— Ah..eu meio que gostei dele sendo agressivo assim comigo — Tadashi podia sentir suas bochechas esquentarem, ele era terrível.
Yachi gargalhou e deu um tapa dolorosamente forte nas costas dele.
— Por que você não vai falar com ele? — A garota falava calmamente enquanto enganchava seu braço no do garoto mais alto e o guiava pelo corredor.
— Tá maluca, Yachan? Ele deve me odiar…
Yamaguchi já tinha visto o loiro pelos corredores do colégio algumas vezes, e tinha que admitir que ele o intrigava. Tadashi ouviu falar que ele fazia parte do clube de volei alguns anos atrás, não só isso, mas que ele era um dos melhores bloqueadores que já pisaram naquele colégio. Por que ele desistiu do clube? Isso ninguém sabia.
Yamaguchi, no entanto, não podia resistir a um enigma, especialmente quando ele tinha uma aparencia tão agradável.
