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Stolas, Blitzø e Vassago estavam correndo para fugir da prisão subterrânea dos Ars Goetia. O caminho estava livre mas de repente uma parede de gelo subiu diante deles, fechando a passagem.
— Puta merda. — os três falaram ao mesmo tempo.
— É Andrealphus...
Stolas, com seus poderes selados, fala enquanto vira o corpo para olhar o caminho que percorreram, achando que o demônio pavão estava atrás deles. Não estava, ainda.
Foi quando Vassago elevou uma das mãos, seu símbolo surgiu no ar um momento antes de uma rajada de fogo poderosa atingir o gelo e quebrar a parede.
— Vão na frente!
— Não podemos te deixar! — Stolas grita enquanto Blitzø já estava o arrastando para continuar o caminho.
— A morte não está no meu futuro. — ele sorri confiante fitando Stolas por cima dos ombros. Ele fala uma última frase antes de se virar para esperar por Andrelphus — Cuide bem do meu querido amigo, Blitzø.
— Pode deixar, papagaio. — Blitzø grita antes de insistir em puxar Stolas e este finalmente aceitar correr.
— Eu já falei que sou uma arara, seu cuzão! — Fala alto com um último riso antes de sentir a temperatura ao seu redor diminuir.
— Protegendo Stolas novamente, Vassago? — Andrelphus aparece exibindo todas as suas penas espalhafatosas e sua personalidade excêntrica. — Não se cansa de lutar por causas perdidas?
"Por que esse filho da puta tinha que ser tão lindo?" Vassago pensa enquando agita o ar ao redor para esquentar.
— Ciúmes, queridinho?
— Ridículo.
E eles ficaram se encarando por alguns segundos esperando o outro agir. Andrelphus foi o primeiro.
Andrelphus, com um movimento gracioso e letal, estende a mão e seu símbolo brilha no ar enquanto lança uma rajada de gelo que corre pelo chão, criando estalactites afiadas que avançam rapidamente em direção a Vassago.
O demônio arara, com um gesto rápido, invoca uma onda de fogo que derrete as estalactites antes que possam alcançá-lo, a água resultante evaporando instantaneamente. O calor da batalha intensifica, fazendo as paredes da caverna suarem.
— Você sabe que o que os Goetia fizeram com Stolas não foi certo! — Vassago grita quando o vapor já começava a dissipar.
— Eu escolho o lado da minha família. Você, Vassago, escolheu proteger aquele príncipe inútil. Stolas nasceu com tudo entregue a ele. E você? Por que se rebaixar a ser um cão de guarda?
Andrelphus cria uma série de estalagmites geladas ao redor em direção a Vassago, lança uma bola de fogo nelas, as anulando.
— Eu o protejo porque é meu amigo, não que eu ache que você saiba o que isso significa!
O pavão ri amargamente
— Amigo? Você realmente espera que eu acredite nisso? Você, que sempre foi justo e sério, se rendendo aos caprichos de um príncipe mimado?
Cria uma barreira de gelo em um arco, disparando fragmentos afiados como facas, enquanto Vassago responde com explosões de fogo que vaporizam o gelo antes que ele o alcance.
— Você nunca entendeu, Andrealphus. Não é sobre submissão ou poder. Stolas é mais do que você vê. Ele é... Ele é um ser com sentimentos, alguém que se atreveu a amar quem ele queria, apesar de tudo. E eu respeito isso.
— Você sabe, Vassago, eu sempre admirei sua força e sua confiança. Sempre quis ser como você.
Vassago, envolto em chamas, avança com determinação. Andrelphus, sua expressão endurecendo, lança uma lança de gelo diretamente em Vassago, que desvia sem problemas.
— Respeito? Você acha que eu não sei o que é respeito? Eu passei minha vida inteira me provando, sendo o filho perfeito, o marquês ideal! Se eu fosse um príncipe, como Stolas, faria uso muito melhor desse título. — sua voz estava carregada de ressentimento. — Aí ele vai e joga tudo isso fora por um plebeu? E você... você não vê que ele está usando você também?
Vassago para, seu olhar fixo em Andrealphus, suas chamas ainda ardendo ao redor.
— Você está enganado, se algum de nós está usando alguém, esse sou eu. — fala com o semblante resiliênte, Adrealphus fica surpreso e curioso. — Eu não gosto como os Ars Goetia são. Cheios de falsidade, orgulho e ganância. Stolas e eu possuímos a habilidade de prever o futuro, nós dois sabíamos como íriamos acabar. Não importa como Stolas se esforçasse para ser um bom pai e um bom marido, seu destino era morrer.
Era a primeira vez que Andrealphus ouvia sobre aquilo, não estava surpreso, mas acreditava de verdade que sua irmã Stella não teria sido idiota o suficiente para machucar Stolas.
— Grande coisa... — Vassago se adiantou em interromper o demônio pavão.
— Mas a previsão mudou, Stolas dormiu com um plebeu, um diabrete, Blitzø, sua primeira trangressão, sua primeira desobediência, a primeira vez que fez o que não lhe era esperado, e só aí, o futuro mudou. — fala como se fosse algo grandioso.
Andrealphus ficou surpreso, as professias dos Goetia nunca erraram ou mudaram, nem sequer uma vez. Era isso, o demônio do fogo só podia estar mentindo.
— Você está falando apenas para me fazer perder tempo e eles escaparem.
O demônio de gelo cria uma tempestade ao seu redor, tentando sufocar as chamas de Vassago que, com determinação, intensifica suas chamas, dissipando a neve.
— Eu sou um demônio justo e você sabe disso, sabe que eu não mentiria. Mas você está com medo!
Andrelphus hesita, a tempestade de gelo ao seu redor tremulando momentaneamente. Ele estreita os olhos, avaliando as palavras de Vassago.
— Medo? Eu, com medo? Eu fui criado para não ter medo de nada, Vassago! — a voz de Andrealphus tremia com uma raiva contida. — Eu lutei, me esforcei, me sacrifiquei por esta família. E você ousa me acusar de ter medo?
Vassago não recua, as chamas ao seu redor aumentando em intensidade.
— Sim, Andrealphus.Você está com medo de que Stolas mude tudo o que você conhece. Já eu, espero que tudo mude. Você está com ciúmes de Stolas, mas não pelo poder ou pelo título. — Vassago dá um passo à frente, seu olhar fixo no pavão. — Você está com ciúmes porque agora ele tem algo que você nunca teve: liberdade.
Andrelphus ri, um som amargo e cortante.
— Liberdade? Ele jogou fora sua posição, sua família, por um diabrete! Isso é liberdade para você? Isso é fraqueza, Vassago!
Vassago balança a cabeça, seu semblante sério.
— Não, Andrealphus. Isso é coragem. Coragem para desafiar o destino, para lutar pelo que realmente importa. E é por isso que eu estou aqui, lutando por ele. Porque ele me mostrou que há mais na vida do que apenas fazer o que lhe é esperado, e eu sei que você também quer isso!
Andrelphus sente uma pontada de dor em seu peito. Ele sabia que Vassago estava certo, mas não podia admitir. Não agora, não com tanto em jogo.
— Eu nunca tive essa escolha, Vassago. Stolas é o filho favorito de Paimon, era o herdeiro de seu trono. Faz a mínima ideia de tudo que tive que passar apenas para manter o título de marquês?! — a voz de Andrealphus suaviza, uma tristeza oculta emergindo. — Tanta humilhação, piadas, contei tantas mentiras que sequer sei agora o que era verdade.
— Você humilhou a todos que considerou inferiores porque os seus superiores o desprezavam. Entende como a sociedade dos Ars Goetia é doente?! Stolas foi o primeiro a agir por si mesmo, sem se importar com o que os outros pensariam, eu desejo seguir seu exemplo e sei que você também pode escolher isso.
Andrealphus hesita, seu olhar suavizando ao encontrar os olhos de Vassago.
— Eu... — ele começa, mas a voz falha. A raiva e o orgulho ainda lutavam dentro dele.
Vassago se aproxima, as chamas ao seu redor diminuindo.
— Andrea, você não precisa ser inimigo. Você pode ser livre também. — Vassago estende a mão. — Junte-se a nós. Com o apoio de um marquês forte como você, tenho certeza que os Goetia não poderiam nos ignorar. Por favor, eu digo isso como seu amigo.
Andrealphus olha para a mão estendida de Vassago, seu coração dividido. A tentação de aceitar era forte, mas o medo de trair tudo o que ele conhecia ainda o segurava. Com um movimento rápido e preciso, o demônio do gelo cria uma lança de gelo e a lança direto no ombro de Vassago. O demônio arara solta um grasnado de dor, suas chamas vacilando enquanto a lança corta seu ombro e se aloja no chão atrás de si.
— Eu sabia que você não entenderia, Andrealphus... — Vassago murmura, a dor evidente em sua voz. Ele tenta se manter firme egurando o próprio ombro, mas o golpe é profundo.
Andrealphus, com o coração apertado, sente um misto de triunfo e culpa. Ele avança, criando mais lanças de gelo, lançando-as em direção a Vassago, que se defende com suas chamas, mas a dor o enfraquece.
— Você sempre foi tão ingênuo, Vassago. — Andrelphus rosna. — Acreditar que tudo poderia ser resolvido com amizade e boas intenções. O mundo não funciona assim!
Vassago, com dificuldade, continua a repelir os ataques, mas suas forças começam a falhar. Andrealphus atira mais uma lança de gelo que agora corta a lateral do corpo do demônio de fogo, ele se ajoelha, segurando a ferida, o sangue negro como piche escorrendo pelos dedos.
— Andrea... — ele começa, a voz fraca. — Não é sobre ser ingênuo. É sobre acreditar... acreditar que há mais do que apenas poder e dever. — ele olha diretamente nos olhos de Andrealphus. — Eu nunca quis lutar contra você.
Andrealphus sente o peso dessas palavras, mas a raiva e o ressentimento ainda o impulsionam.
— Você sempre foi o favorito, Vassago. Sempre ao lado de Stolas, sempre protegendo-o. — Andrelphus grita, a dor em sua voz finalmente emergindo. — E eu? Eu sempre fui o segundo, sempre o marquês que nunca poderia ser um príncipe. Sempre na sombra de vocês dois!
Vassago tenta se levantar, mas a dor o impede. Ele olha para Andrealphus, compreendendo finalmente a profundidade do ressentimento do outro.
— Não é verdade, Andrealphus... — ele fala, com esforço. — Eu sempre te admirei. Sempre achei que você fosse forte, determinado. Eu nunca quis que você se sentisse assim.
As palavras de Vassago tocam algo profundo em Andrelphus. Ele hesita, a raiva lutando contra a culpa e a dor.
— Admiração? — Andrelphus ri amargamente. — Você nunca demonstrou isso. Sempre preferiu Stolas. Sempre ele! E eu... eu só queria... eu só queria ser visto por você. — a voz de Andrelphus quebra, a dor emocional finalmente superando a física.
Vassago, com lágrimas nos olhos, tenta alcançar Andrelphus, apesar da dor.
— Eu te vejo, Andrea. Eu sempre te vi. Mas você precisa ver a si mesmo. Você é mais do que apenas um título, mais do que apenas dever. — ele fala, com sinceridade.
Andrealphus sente o coração partido ao ver Vassago naquela condição. Ele solta um grito de frustração e dor, as emoções conflitantes finalmente transbordando.
— Por que, Vassago? Por que você nunca me escolheu? — Andrelphus clama, a voz ecoando pela caverna. — Mesmo agora, prefere arriscar a vida por aquela coruja estúpida do que ficar comigo.
— Não precisa acabar assim. — fala com a voz fraca.
Andrealphus ri amargamente e sua voz quebra em um choro sabendo quem estava prestes matar.
— Por que você escolheu ele, Vassago? — com um tom de desespero — Por que nunca me viu do jeito que eu vejo você?
Andrealphus invoca uma espada de gelo e a posiciona no pescoço do último demônio que nutria afeição.
— Você nunca precisou se provar para mim, Andrelphus. —a voz estava difícil de sair. — Eu sempre te vi, eu adimirei seu esforço e dedicação, sempre sendo racional e resolvendo os problemas em conversas, sua personalidade tão única.
Ele encosta o rosto na lâmina gelada como se estivesse descansando no ombro de alguém querido após um dia cansativo, aceitando seu destino. Assim pôde perceber que a lâmina tremia, olhou no fundo dos olhos de seu futuro decaptador. E alí viu coisas que mudaram completamente a sua previsão: lágrimas. Andrealphus estava chorando. Ele sabia que tinha que agir rápido, antes que a determinação do pavão se solidificasse novamente. Com um movimento ágil, ele afastou a lâmina de gelo com um dos braços e agarrou Andrealphus pela cintura, juntando seus bicos em um beijo.
Andrealphus, pego de surpresa, tentou resistir. Suas mãos pressionaram contra o peito de Vassago, tentando empurrá-lo para longe, mas a força do beijo e o calor envolvente do outro demônio tornaram difícil manter a resistência.
— O que você pensa que está fazendo? — Andrealphus conseguiu murmurar entre os selinhos, sua voz carregada de confusão e raiva. — Pare com isso!
Vassago, determinado, intensificou o beijo inserindo sua lingua na boca de Andrelphus, suas mãos segurando firmemente seu rosto, forçando-o a olhar em seus olhos.
— Estou mudando nosso futuro, Andrealphus. — Vassago sussurrou contra o bico do pavão, suas palavras carregadas de emoção.
Andrealphus lutou contra a proximidade. Ele tentou criar mais gelo para afastar Vassago, mas as chamas do demônio arara derretiam qualquer tentativa de defesa. Vassago pressionou sua boca com a de Andrealphus com ainda mais intensidade, um beijo cheio de paixão e desespero. O corpo do pavão era frio e sentia que as mãos quentes deixavam rastros, mas era uma sensação boa.
— Você não entende... — Andrealphus tentou argumentar, sua voz tremendo. — Nós... eu... não posso...
Vassago sussurrou no ouvido de Andrealphus, sua voz baixa e carregada de carinho:
— Eu sempre te vi, Andrea. Sempre te admirei. — ele disse, suas palavras ardendo no coração de Andrealphus. — Eu não gosto de futuro que tenho. Eu quero você nele.
O calor de Vassago envolve Andrealphus, tenta resistir, mas o apelido, a paixão e a intensidade do beijo o desarmam. Ele se entrega ao momento, deixando-se levar pelo calor e pela emoção. Vassago o empurra e o demônio pavão se deixa ser levado até suas costas baterem na parede da caverna, sendo pressionado, as chamas envolvendo os dois em um abraço ardente. Vassago deixa sua boca e se concentra em dar pequenos beijos e chupões no pescoço.
— Vassago... — Andrelphus murmurou entre os beijos, sua voz quase um gemido de rendição. — Não deveríamos...
Ele não queria ouvir os protestos de Andrelphus; queria que o pavão sentisse o que ele sentia. O calor entre eles cresceu, envolvendo-os em uma aura de desejo e paixão. Vassago deslizou uma mão pelo corpo de Andrealphus, explorando cada curva, cada linha, como se estivesse memorizando a forma dele. Ele sentia a tensão no corpo do pavão, a luta interna entre resistir e se entregar ao inevitável.
— AAh~ — Vassago põe sua perna entre as de Andrealphus, o fazendo gemer, o aperto na virilha fica ainda mais forte quando é levemente erguido pela perna de Vassago. — Ooh porra~
Sua mente se esforçava para pensar mas seu corpo se recusava a se concentrar em qualuqer outra coisa que não fosse o sentimento de ter seu querido e quente demônio em seus braços. Ar quente entra e sai de sua boca enquanto suas línguas estalam juntas e preenchem aquele espaço da caverna.
Andrealphus finalmente cedeu completamente, uma de suas mão agarrando as costas e outro demônio e o puxando para mais perto ainda, querendo que todos os mílimetros entre seus corpos fossem anulados, os dedos se entrelaçando nas penas na nuca do demônio arara aprofundando ainda mais. Ele se entregou ao beijo, ao calor, permitindo-se sentir tudo o que vinha com aquela conexão intensa.
Quando Vassago sentiu que Andrealphus estava totalmente entregue, que suas defesas tinham caído completamente, ele aproveitou a abertura. Com um movimento rápido e preciso, ele deslizou a mão até um ponto de pressão no pescoço de Andrelphus, fazendo com que o pavão desmaiasse instantaneamente, o pavão caiu suavemente nos braços de Vassago, seu corpo relaxando inconscientemente contra o do demônio arara. O segurou Andrelphus com cuidado por um momento, seus olhos ainda brilhando com a intensidade da paixão que acabaram de compartilhar.
— Desculpe, meu querido Andrealphus. — Vassago sussurrou, sua voz rouca de emoção. Ele acariciou suavemente o rosto do pavão. — Você é um orgulhoso da porra, mas espero que um dia consiga me perdoar.
Deposita um último beijo na testa do demônio em seus braços antes de gentilmente o deitar no chão. Corre na direção que Stolas e Blitz, segurando seu ombro ferido enquanto tenta secar as lágrimas que caíam. Ele sabia que tinha acabado de mudar seu destino. O destino deles dois.
