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Language:
Português brasileiro
Series:
Part 4 of The Alternative Order: Grand Divergence
Stats:
Published:
2025-04-22
Updated:
2026-07-13
Words:
30,333
Chapters:
3/?
Kudos:
4
Hits:
214

Copacabana's Jewel: Ninth Singularity - Coventine

Summary:

Em uma nova Singularidade, uma Grande Guerra do Santo Graal está sendo disputada pela primeira vez na cidade do Rio de Janeiro onde os participantes são quinze Mestres e quinze Servos. Ou pelo menos era o que deveria ser.
Sendo mergulhado de cabeça na Guerra do Santo Graal, um bibliotecário é reintroduzido ao mundo sangrento da magia onde deve passar pelo impossível para vencer a guerra ao lado de uma mulher bêbada que deseja se tornar a Rainha dos Piratas.

Chapter 1: A Guerra do Santo Graal do Rio de Janeiro: A Abertura

Summary:

O bibliotecário Júlio Dutra recebe uma encomenda com uma carta antiga, e isso faz ele lembrar de certas memórias dolorosas. Uma jovem misteriosa chega no Bairro do Botafogo para tirar dúvidas com o representante dessa Guerra do Santo Graal, e em Londres, uma certa alemã decide fazer um tabu de invocação em trazer um Servo Divino.

Notes:

(See the end of the chapter for notes.)

Chapter Text

 

 

 

 


12 de Março de 2021

Morro da Babilônia. Rio de Janeiro, Brasil

 

 

 

 

Em uma noite de sábado em cima de um morro, estava ocorrendo um baile funk. E nesse mesmo momento diversas pessoas estavam dançando em volta do baile, curtindo e aproveitando a música.

Alguns traficantes estavam ali vendendo suas mercadorias no meio do povo, outros estavam no meio de brigas e discussões. Mas no momento em que o baile continuava a seguir com força, duas viaturas da Polícia Militar pararam em frente ao baile.

- Pode relaxar, capitão. Baile funk do morro hoje tá uma uva. - Um dos policiais começou a falar.

- Pô, vai me deixar andar desarmado no morro, porra? - O capitão se queixou, com óbvio medo de ser morto ali naquele lugar.

- Bora, bora! Sai logo do carro porra! - Os outros policiais tiraram o capitão arrastado do carro.

Um pouco mais de cima do morro há mais ou menos uns 100 metros de distância, estavam duas figuras escondidas com binóculos nas mãos.

- O que você tá vendo, Júlio? - A garota perguntou a ele, enquanto o baile seguia o seu rumo.

- Nada bom, Alita. Eles vão pegar o arrego do dono do morro e depois passar o Fábio! - Júlio respondeu, enquanto olhava o capitão sendo levado pelos policiais.

- Passar? Como assim "passar", cacete?

- Matar ele, mulher! Você não entende as gírias daqui?

- E por acaso EU sou daqui? Eu sou irlandesa, seu idiota!

E lá na em baixo no meio de todo o baile, surgem duas pessoas de frente para a outra no meio daquele pessoal.

Se tratava de um homem loiro com mecha de antena no topo da cabeça com olhos verdes, vestindo uma calça skinny preta, camisa vermelha, moletom cinza e tênis preto da Adidas.

Em sua frente estava uma bela mulher com longos cabelos rosa-avermelhados e olhos verdes vestindo um short jeans curto, camisa azul com um formato de leme de navio e calçava apenas um chinelo, e tinha um boné na cabeça.

Ela segurava um copo de cerveja na mão, e tomou um gole da bebida e enfim a separou de sua mão.

- Essa noite tá tão boa pra beber e dançar, não é mesmo, Saber? - A ruiva sorria para ele, enquanto o observava no meio daquele pessoal em volta.

- Pois é. Me admira o fato de ver uma pirata gostar de uma festa pagã com música cheia de banalidades, bebida alcoólica a vontade e entorpecentes por toda a parte, Rider. - Saber deu um sorriso de lado como resposta a ela, que fez ela gargalhar.

- E como vai ser? Vamos resolver isso aqui e agora, no meio de todo mundo? - Ela estendeu a sua mão, onde dela saiu uma aura de energia rosa. - Não estou aqui para lutar com você hoje, Saber. Vim a pedido do meu mestre para ajudar o Capitão Fábio. E você, por quê a sua mestra deixou você ajudar a gente?

- Sabe muito bem que o Fábio é a única testemunha do ataque na Gávea e... - Antes que Saber pudesse responder a Rider, um disparo veio do nada e acertou um dos traficantes que estavam de guarda, fazendo todos correrem de medo para todos os lados.

Saber segurou a Rider em seus braços e levou ela até uma mureta atrás do local que começou a se tornar em uma imensa troca de tiros. Ambos os Servos estavam imensamente confusos, tentando entender o que estava acontecendo.

- Quem foi que atirou, porra?! - O suposto líder do morro despertou com o barulho do tiro e rapidamente ficou irritado ao ver o caos que estava tomando o lugar.

Fabio aproveitou a oportunidade e deu um tiro na perna de um dos policiais para correr e ele se jogou para dentro de uma barraca. O capitão atirava para os policiais corruptos e os criminosos, tentando salvar a sua própria pele.

- Dois vermes subiram o morro, Barata! - Um dos traficantes apontou para cima de um telhado mais para cima do morro onde estavam dois jovens desarmados.

- Mata esses filha da puta! - Um fogueteiro respondeu, acendendo um fogo de artifício e estourando ele no ar como forma de alertar todos os bandidos do morro para saírem atrás dos dois lá em cima.

Em cima de onde Júlio e Alita estavam, um grupo de traficantes estava jogando numa sacada e ao ouvirem o som dos fogos, olharam para baixo e viram os dois.

- Fudeu, porra! - Júlio que estavam lá em cima no alto do morro, gritou ao serem avistados pelos atiradores e saiu correndo dos tiros.

- Corre, Júlio! - Alita segurou na mão dele e correram em direção ao beco para tentarem fugir dos atiradores que os perseguiam.

Enquanto os bandidos iam atrás dos dois, lá em baixo no baile funk, o caos percorria com uma intensa troca de tiros entre a polícia corrupta e o pessoal do morro. Saber e Rider estavam atrás de uma mureta, se protegendo dos tiros e tentando encontrar qual foi a causa do início do tiroteio.

- Quem foi que atirou no dono do morro?! - Rider se questionou, enquanto abaixava ainda mais para se proteger dos tiros.

- Seja lá quem for, sabia que estaríamos aqui. - Saber respondeu, olhando em volta do lugar que se tornou rapidamente em um campo de guerra. - Estão correndo atrás do seu Mestre.

- É, eu sei disso. Só que não posso correr até ele sem esse tiroteio todo, tem pessoas feridas por aqui. E sem contar que ele pode se cuidar sozinho. Mas temos que achar o Mestre do Assassin, deve ter sido ele quem começou o tiroteio. - A rosada falou, enquanto olhava para cima do morro onde o seu mestre acompanhado de uma garota corriam dos atiradores e se defendendo com magia. - Eu vou te dar cobertura. Tenta chamar a atenção da polícia, pra eu poder tirar o Fábio da barraca de bebida.

- Beleza! - Saber acentiu pegou uma máscara de seu bolso e com a sua espada camuflada no Ar Invisível, ele saiu da mureta para atacar um grupo de quatro bandidos e começou a decapitar cada um deles.

Ambos estavam no meio do fogo cruzado, e mesmo sendo Servos extremamente poderosos e imunes a armas de fogo humanas, não podiam se revelar para a comunidade ou então a Guerra do Santo Graal seria exposta ao público. Ambos não podiam se expor. E vendo que isso seria deveras problemático, teriam que fazer isso sem usarem transformações, feitiços ou Fantasmas Nobres.

Rider rapidamente prendeu o seu longo cabelo em um coque, materializou uma máscara balaclava e a vestiu. Ela em seguida materializou duas pistolas antigas em sua cintura e começou a disparar contra os atiradores.

Ela deu um supersalto para sair da linha de tiro, mas os traficantes e a polícia agora começaram a atirar nela.

- Mata essa puta, porra! - O policial corrupto esbravejou enquanto tentava acertar a mulher, sem nenhum sucesso.

- Tu vai cair, filha da puta! - O dono do morro atirava na mulher de cabelo rosa, sem sucesso em acertá-la pois ela estava correndo enquanto pulava para desviar de cada tiro recebido.

O Saber estava tentando chamar a atenção da polícia e dos traficantes, e isso deu a brecha que a Rider precisava pra chegar na barraca, e com a sua superforça, ela quebrou o pescoço de um dos policiais corruptos com um chute.

- Capitão Fábio, você tá bem?! - A mulher surgiu do lado dele, com um tom bem animado mesmo por trás da máscara preta.

- QUEM É VOCÊ, PORRA?!

- Sou eu, capitão! - A mulher tirou o rosto da máscara, que se revelou em um belo rosto iluminado pelas luzes fortes do local. - A Drake.

- Porra, é você, Rider! - Fábio suspirou aliviado em ver a Serva na sua frente.

- O tiroteio tá bem pesado, vamos precisar de ajuda pra te tirar daqui. - A mulher de longos cabelos rosas falou enquanto recarregava as suas pistolas e escondeu o seu rosto novamente. - Liga pro batalhão, sei lá! Chama o Bope!

- E cadê o Júlio?! Pede pra ele me ajudar aqui!

- Não dá, ele e a Alita tão fugindo do tiroteio ali em cima. - A pirata respondeu a ele, enquanto atirava de volta contra o bandido ali perto.

Júlio e Alita corriam para tentar fugir de cada tiro, até que do nada encontram um homem vestindo um terno preto estiloso e armado com uma faca aparece na frente deles dois. Ambos arregalaram os olhos ao verem quem se tratava.

- Assassin... - Alita deu um pequeno passo para trás ao ver o Servo da classe Assassin aparecer na presença de ambos. - Agora sim, você decidiu aparecer novamente. Foi você quem causou o tiroteio?

- De forma alguma. Foi o meu Mestre que realizou tal façanha. Ele deseja matar mais um dono de morro e assim, conquistar mais uma favela para ele. - O Assassin respondeu a ela, e partindo para atacar os dois jovens.

Júlio estendeu a sua mão e disparou algumas rajadas de energia mágica para distanciar-se dele, o que fez o Servo pular para os lados, tentando desviar dos ataques mágicos.

Alita disparou uma rajada de energia amarela de sua testa, e acertou o Assassin em cheio para fazê-lo se distanciar deles dois. A garota deu uma risada de lado ao ver o Servo sendo derrubado por dois jovens que nem mesmo eram Servos.

- Que otário, não é a toa que essa é a Classe mais fraca de todas. - Alita zombou do Servo ao vê-lo se levantando fracamente.

- Acham que isso é uma brincadeira, pirralhos? Só estou pegando leve com vocês. - O Assassin sorriu de lado para ambos os garotos e pegou a adaga dele no chão. - Eu sou o homem que fez toda a polícia de Goiás tremer de medo por várias semanas, assustei todo o Brasil apenas por falarem o meu nome. Posso muito bem matar vocês quando eu bem entender.

De repente, ambos ouviram os tiros se aproximando a cada passo que os bandidos faziam. Isso fez Júlio se assustar com a aproximação deles, sabendo que se fossem pegos ali, tudo estaria acabado.

- Alita, vamos embora! - O moreno segurou no braço dela, e a puxou para que continuassem a correr novamente para fugir dos atiradores. Ele usou um feitiço básico para disparar uma pequena rajada de energia em uma caixa d'água, que a fez cair para dar cobertura a eles. - Chama o Berserker, pede pra ele abrir caminho pra gente!

- Ficou maluco?! Quer que ele destrua a montanha toda?!

O Assassin apenas ficou ali e gargalhou ao verem ambos fugindo dos traficantes, e sumiu em sua forma astral para observar ambos os jovens fugindo do tiroteio.

Enquanto o tiroteio comia solto, Fábio tentava se proteger com apenas uma pistola. Em sua mão, estava o seu celular e ele discou para o Bope para que pudesse ser salvo desse tiroteio. Mesmo ele não sendo flor que se cheire, ele sabia que só com a ajuda da Rider, do Júlio ou da Alita, nada disso iria acabar bem.

A polícia ainda estaria marcando ele. O Bope seria sua única chance de ter uma proteção contra eles para sair daquele morro com vida.

- AZEVEDO! SOCORRO, CARA! EU TÔ CERCADO NO MORRO DA BABILÔNIA, TÁ CHEIO DE VAGABUNDO ATIRANDO EM MIM!!! - Fábio gritou, enquanto se abaixava para se proteger da rajada de tiros de uma metralhadora. - MANDA O BOPE PRA CÁ!!!

- Tá bom, já estou indo pra aí. Aguenta firme, Fábio. - A voz com do outro lado respondeu e desligou o celular sem mais nem menos.

Aquele lugar já havia acabado de virar uma zona de guerra, onde de um lado estavam dois Mestres lá em cima correndo dos atiradores e se protegendo com a magia deles, em baixo onde estavam dois Servos lutando discretamente contra os atiradores para darem cobertura ao capitão da polícia e no meio disso tudo, estava uma certa pessoa observando tudo aquilo.

Um homem moreno com cabelos cacheados raspados nas laterais vestindo uma camisa social preta, calça jeans e tênis azuis observava lá longe do morro em uma floresta, segurando um fuzil de alta precisão nas mãos. Ele encostou a arma na árvore ao seu lado, pegou de seu bolso um isqueiro e um maço de cigarros e acendeu um.

Ele começou a fumar, e ao expelir a fumaça do cigarro, o homem começou a sorrir ao ver o caos se formando pelo Morro da Babilônia.

- Menos um dono de morro... - Ele observava tudo aquilo se formando. - Pois é, padre. Mais 15 donos de morro que faltam, mais nove Servos e em poucos dias eu já me torno o rei dessa cidade. Assassin, você está pronto?

- Sim, Mestre. - O mesmo Assassin que corria atrás de Júlio e Alita apareceu nas sombras, se revelando em uma grande aura sombria e roxa. - Vamos ganhar a Guerra do Santo Graal juntos.

Júlio Dutra e Alita Blakebight estavam em grandes apuros sem a ajuda de seus Servos, se for para enfrentarem o morro inteiro. Claro, antes de todo esse pandemônio começar, seria bem mais justo explicar melhor qual foi o motivo de toda essa bagunça ter começado.

Há mais de 200 anos, três grandes famílias criaram um ritual para alcançar algo de poder imensurável chamado de A Raiz, que era basicamente a origem de toda a magia. As famílias Tohsaka, os Einzbern e os Makiri(atualmente Matou) juntaram-se a um renomado mago em toda a história da magia chamado Kishua Zelretch Schweinorg, o famoso mago que conseguiu alcançar a Raiz e o território das Cinco Verdadeiras Magias e criou a Segunda Magia, que nada mais era do que a habilidade de viajar para as outros mundos e dimensões. Ele ajudou os líderes das três famílias, e eles quatro criaram então um sistema de magia como forma de alcançar a Raiz.

Porém, o ritual que antes deveria ser pacífico acabou sendo transformado em uma famigerada guerra entre magos utilizando figuras históricas e mitológicas ressussitadas como armas vivas e sendo usadas em combate.

Esse sistema bélico acabou de tornando na infame Guerra do Santo Graal.

Mas o mundo atualmente estava passando por um momento de Singularidades, onde cada uma delas trazia o fim do mundo em 2016. O mago fundador Marisbury Animusphere fundou e criou uma agência governamental secreta dentro do mundo da magia, a primeira agência antifeitiçaria do mundo com o objetivo de garantir a preservação do futuro da humanidade. Ele a chamou de Chaldea.

Era em um lugar remoto na Antártida onde magos jovens estavam sendo treinados como Mestres para terem Servos como parceiros. Mas devido a alguns problemas internos e uma traição inesperada, a Chaldea ficou sem apoio para atuar a longa distância.

Os únicos que estavam atuando em campo no momento os dois Mestres Gudao Nomutsume e a Gudako Katomatsu, junto com a demi-Serva Mash Kyrielight e a mais nova Serva aliada a eles três, Leonardo da Vinci.

O médico-chefe Romani Archaman era o único oficial com patente alta o bastante para tomar o comando da base, e com a intenção de salvar o mundo e ajudar as pessoas, o médico se garantiu ao dever de liderar as missões pelo QG, enquanto os jovens Mestres iriam lutar em campo.

E nesse momento, uma nova Singularidade acabou surgindo no sistema da Chaldea. Uma nova Guerra do Santo Graal estava sendo realizada na cidade do Rio de Janeiro, uma das maiores e mais populosas cidades do mundo, tentando copiar a Guerra do Santo Graal de Fuyuki. Mas o grande mistério era: quem ou o quê estava por trás disso?

Por qual motivo alguém iria querer recriar uma guerra sangrenta logo em uma das maiores cidades do mundo que era cheia de civis que iriam observar o conflito mágico ocorrendo lá? Era bem óbvio que ainda na primeira batalha, eles iriam alertar qualquer um que visse alguma luz no céu, ruas iriam balançar com o ressoar de golpes e se resultaram em "terremotos", pessoas inocentes iriam se machucar e serem vítimas de "causas misteriosas."

O que isso queria dizer?

 

 

 

 


Nove dias atrás...

 

 

 

3 de Março de 2021

Torre do Relógio. Londres, Reino Unido

 

 

 

 


Era mais um dia de aula na mais renomada universidade de estudo da magia no mundo, a grande e famosa Torre do Relógio de Londres.

Aquela instituição era uma das que mais tinham o ensino de 100% no mundo, onde o mago tinha uma das melhores aprendizagens tanto em Estudos Gerais dos mundanos, quanto em magia.

Durante uma dessas aulas, estava um homem dando a aula para a classe sobre a diferença entre as artes místicas e as artes esotéricas, falando como e o porquê deles duas serem diferentes.

 - ... então as artes místicas podem ser utilizadas de acordo com as leis da natureza, transmutando a energia ao seu redor para se converter em combustível mágico. Enquanto a arte esotérica, por ser algo único de um usuário de magia, usa a sua própria energia vital e a converte em um uso que acaba prejudicando até mesmo a própria vida, em troca de uma magia mais poderosa. - O professor terminou de explicar a matéria, enquanto mostrava em slides os exemplos feitos em imagens. - Alguma dúvida?

Uma mão se levantou lá no alto, onde se tratava de um jovem de cabelos ruivos e olhos amarelos.

- Professor El-Melloi II, como as artes esotéricas podem ser criadas e transmitidas para alguém, se é algo único do próprio usuário de magia? - O estudante perguntou ao professor.

- Bom, as artes esotéricas possuem feitiços que podem ser passados para outras pessoas desde que sejam da própria família, pois a genética do sangue é forte o bastante para transmitir magias antigas adiante. - Ele respondeu ao rapaz, que acentiu com a cabeça e também respondendo a dúvida de alguns por ali. - Bom, espero que já tenham anotado tudo. Vou pedir isso na prova também. Classe dispensada.

O homem com cara de poucos amigos desligou o slide, fazendo alguns ali suspirarem em derrota ao verem o professor com o seu típico comportamento frio, e saíram da sala aos poucos.

- Senhor Velvet, já chegou a sua encomenda! - Um dos funcionários da torre apareceu, animado ao entrar na sala que se esvaziava.

- Argh, garoto. Não precisa gritar no meu ouvido não, Escardos. - O homem de longos cabelos verde escuros reclamou ao ver o rapaz em sua presença. - Você pegou discretamente?

- É claro, Senhor Velvet. - O jovem adulto de cabelos loiros acentiu enquanto segurava a encomenda em suas mãos. - Eu até mesmo paguei um extra pro entregador pelo silêncio dele.

- Ótimo.

- Bem, na verdade, fui eu quem o lembrou de pagar. - A voz tímida de uma jovem mulher encapuzada saiu de trás do loiro, deixando ele meio embaraçoso.

- É, obrigado por me lembrar, Gray. - Ele sorriu com vergonha enquanto coçava a sua nuca.

Waver Velvet, atualmente conhecido como o Lorde El-Melloi II, já foi um dos participantes sobreviventes da Guerra do Santo Graal e lutou exatamente na Quarta Guerra do Santo Graal de Fuyuki, no Japão. E agora ele era um dos principais magos da Torre do Relógio, sucedendo o título e dever do seu falecido professor e rival: Kayneth El-Melloi Archibald, o antigo Lorde El-Melloi.

Ele havia invocado um Servo da Classe Rider extremamente incomum que era nada mais e nada menos do que Alexandre, o Grande: O grande rei dos conquistadores da Macedônia.

Mas claro, como toda a Guerra do Santo Graal, a guerra é feita unicamente para os Servos e os Mestres matarem uns aos outros para vencer. E nessa guerra, o rei da Babilônia, Gilgamesh havia derrotado Alexandre em batalha utilizando um Fantasma Nobre de nível Anti-Mundo extremamente poderoso.

Gilgamesh venceu a luta que estava praticamente já ganha e como um gesto bem inesperado tanto para o mestre do Rider quanto para o Rei dos Heróis, o loiro dos olhos vermelhos decidiu deixar o jovem Waver vivo por ter demonstrado respeito e lealdade ao seu Servo até o final.

E até hoje, Waver guarda o catalisador que ele usou para invocar o Alexandre como lembrança de ter pela primeira vez um amigo ao seu lado. Alguém que realmente o marcou em sua vida, o protegeu e cuidou até o fim.

- Senhor Velvet, o que é isso?

- É uma relíquia antiga de um metal desconhecido e extremamente raro. - Waver respondeu, enquanto abria a encomenda e olhava de forma mais detalhada para a relíquia. - O arqueólogo que contratei me disse que esse metal pode ter sido usado na época da Britãnia Antiga.

- Uau, que demais! - Flat olhava para a peça com muita admiração. - Vai dar ao museu da Torre?

- Infelizmente não, um contato meu havia pedido por essa relíquia para um evento que vai acontecer agora na América do Sul. - Waver foi até a sua mesa, pegou um charuto e acendeu para fumar.

- Evento? E que evento é esse? - O aluno olhou com dúvida em seu rosto ao questionar.

- A Guerra do Santo Graal.

A resposta de Waver fez Flat arregalar os seus olhos ao ouvir das palavras de seu professor a infame batalha entre magos e Servos invocados em forma humana sendo usados como armas lutando até o final para conquistarem o Cálice Sagrado.

- Bom, o meu contato disse que viria hoje, portanto daqui a pouco ele já deverá estar chegando. - O homem de cabelos longos espalhou um pouco das cinzas do seu charuto no cinzeiro que estava ali.

Enquanto Flat ficava ainda mais animado para poder saber mais sobre a Guerra do Santo Graal, a porta da sala de Waver se abriu rispidamente por uma mulher de cabelos loiros ondulados.

- Luviagelita, o que significa isso? - O homem de longos cabelos escuros questionou a jovem mulher que havia entrado de qualquer jeito na porta.

- Professor, tem uma alemã bonitona com roupas de frio te procurando lá em baixo no campus! - A loira respondeu a ele, afobada e suspirante ao falar. Aparentemente, Luviagelita Edelfelt, parente distante da ex-participante da Quinta Guerra do Santo Graal de Fuyuki, Rin Tohsaka, havia até mesmo corrido para chegar até ali.

Por ela ter grande influência na Associação dos Magos e também estar mantendo uma residência permanente em Londres, a Edelfelt estava trabalhando na Torre do Relógio como uma conselheira dos magos estudantes de magia e também era uma das apoiadoras das aulas do Lorde El-Melloi II.

- Deve ser o meu contato. Então peça para que ela venha até aqui na minha sala, para conversarmos a sós e...

Nem demorou muito, pois antes que Waver pudesse continuar a falar, uma figura extremamente elegante e bonita entrou na sala sem nem mesmo dar palavras ou resposta.

Se tratava de uma linda mulher albina com longos cabelos brancos e olhos vermelhos vestindo roupas de frio extremamente elegantes e caras, que fazia você se rebaixar pela elegância dela na sua presença. Suas roupas de frio eram um sobretudo branco que chegava na altura das coxas, botas brancas longas que chegavam na altura do joelho, legging preta e gorro branco que esquentava a sua cabeça.

- Então você deve ser o Lorde El-Melloi II, Waver Velvet. É um prazer em conhecê-lo finalmente. - Ela sorria graciosa para o esverdeado, que suspirou em derrota ao notar a sua óbvia falta de educação em aguardar nem mesmo dois minutos. - Devo dizer que você não combina nada em ser um lorde, apesar de ser professor.

- Isabelliel von Einzbern, você não devia ser tão imprudente assim. - O professor mago se irritou ao ver a alemã entrando de maneira tão simplória.

- É a primeira vez que eu venho a Londres, e quero visitar vários lugares ainda hoje, Senhor Velvet.

- Que coisa, hein. Você é mesmo igual a mãe do Emiya. - Waver resmungou com uma gota de suor em seu rosto, enquanto se lembrava da falecida Irisviel von Einzbern, a mãe adotiva de Shirou Emiya e biológica de Illyasviel von Einzbern.

Ela estava olhando para cada canto da sala de Waver, ficando fascinada com a quantidade de coisas que haviam ali. Tinham cobras vivas dentro de jarras, livros grossos sobre alquimia, magias da natureza e sobre elementos da tabela periódica sendo usados em rituais.

- Soube que a minha encomenda chegou, então vim pegá-la. - Ela sorria de olhos semicerrados enquanto agora virava o seu olhar para a jovem mulher encapuzada, podendo notar que tanto o seu cheiro quanto a sua essência eram bem familiares. Seria alguma lembrança das suas antepassadas que estava sendo produzida em sua mente?

- Você tem sorte, Isabelliel. Esse artefato que o meu contato encontrou é coisa rara, e é a primeira vez em anos desde a Segunda Guerra do Santo Graal de Fuyuki que não encontram coisa assim. É de qualidade, pelo que o meu contato disse. - O Lorde El-Melloi II falou, enquanto Escardos dava a ela a pequena caixa a ela.

- Ela é mesmo uma Einzbern? Achei que eles tinham parado de lutar na Guerra do Santo Graal desde que o Emiya e a Tohsaka destruíram o Santo Graal de Fuyuki. - Flat sussurrou para Luvia, enquanto mantinham distância do professor e da mulher-homunculo.

- Vai saber... - A loira respondeu, no mesmo tom de voz do seu colega. - Aquela idiota da Tohsaka nunca me conta nada.

Agora Isabelliel olhava para Waver com uma feição séria, enquanto segurava a caixa em suas mãos. Uma pequena gota de suor descia pelo rosto do mago mais velho.

Ela sabia dos riscos que estava correndo no momento em que segurasse essa caixa, e utilizasse o conteúdo dentro dela. Mas mesmo assim, ela não estava nem ai para o que iria acontecer. Ela iria vencer aquela guerra, não importa o que custasse.

- Por qual motivo você aceitou entrar nessa guerra depois de mais de dez anos? O Emiya e a Tohsaka destruíram o Graal de Fuyuki pra sempre, portanto você não tem motivos pra lutar nessa nova guerra. - O mago de cabelos verde-escurecidos falou com ela, tentando compreender quais eram os motivos para a albina querer lutar.

- Depois que eu matei o patriarca antecessor dos Einzbern e aprendi a como usar o Heaven's Feel, muita coisa mudou. A Irisviel acreditou nas palavras de Kiritsugu Emiya, e na de seus filhos. Em seu pouco tempo de vida, ela pôde desfrutar um pouco da liberdade que eu nunca tive, então como a atual matriarca da família Einzbern, eu vou lutar nessa guerra por mim mesma. - Isabel falou, dessa vez levantando o seu olhar com uma visão mais determinada.

Waver suspirou em derrota e apagou a parte queimada de seu charuto no cinzeiro que estava na sua mesa.

- Esse catalisador mágico foi encontrado em Glastonbury, próximo do lugar que pode ter sido a Ilha de Avalon no Século VI. Então provavelmente o Servo que você tentar invocar pode ser um membro da Távola Redonda. Mesmo que seja ou não o Rei Arthur, qualquer um deles já poderá ser um Servo bastante poderoso.

- O Kiritsugu e o Shirou já invocaram a Rainha dos Cavaleiros através da bainha dela na Quarta e na Quinta Guerra de Fuyuki. Mas dessa vez eu vou tentar usar uma coisa nova, que a minha família jamais ousou em tentar fazer e esse catalisador vai fazer isso pra mim. Vou invocar um deus.

Isso fez Waver, Gray, Luvia e Flat arregalarem os olhos ao ouvirem as palavras que saíram da bela albina, vendo nos olhos dela que não estava brincando.

- I-Invocar um deus?! Você está ficando maluca, Isa-- Antes que o esverdeado pudesse continuar, Isabelliel o interrompeu bruscamente.

- Bom, eu vou na Roda Gigante, visitar a Torre da Ponte, ver os penhascos de Dover, tomar uma cerveja amanteigada, comprar um livro do Harry Potter e tomar um sorvete de cereja depois disso! - A albina deixou sua seriedade de lado, e começou a sorrir de orelha-a-orelha e deu pequenos pulos de animação, fazendo os seus seios balançarem. - Obrigado pela conversa, Lorde El-Melloi II! Tenha um bom dia, good bye!

- Ei, espera! Eu ainda não terminei de falar com... você. - Antes que Waver pudesse chamar ela, a albina já havia fechado a porta e saído do lugar. - Puta que pariu. Ela nem quis ouvir, invocar um deus é proibido na Guerra do Santo Graal.

- E por acaso é seguro ela levar aquele catalisador, professor Velvet? - Luvia estava afobada, vendo que aquela mulher havia levado embora um artefato extremamente único em suas mãos.

O El-Melloi II também estava com receio do que aquela mulher iria fazer com aquele catalisador, pois já tentaram invocar Servos Divinos para lutarem e como resultado, metade do deserto de Nevada foi levado aos ares devido ao choque de duas Enuma Elish disparadas por Gilgamesh e Enkidu.

Isabelliel podia ser uma mulher bem inteligente, mas ainda tinha um coração de criança. Claro, ela era quase que uma cópia de Irisviel. Era madura, inteligente e possui todo o conhecimento secular e a visão dogmática dos Einzbern em seu cérebro. Mas o único porém era o fato dela ser dotada de livre arbítrio e também ter a consciência do que era o certo e o que é errado.

E Waver não iria correr atrás disso. Até porquê, não era problema dele de qualquer modo.

- Foi ela quem me pagou pra conseguir aquele catalisador. O que ela fizer com aquilo não é mais problema meu, é problema dela. E além do mais, o mediador da guerra é quem deve explicar as regras. - Ele pegou um maço de cigarro e acendeu mais uma vez, olhando para o seu celular e visualizando uma mensagem onde a imagem tinha um logotipo azul com a palavra em sigla "M & I", com um link de email. - E essa agora, mais uma bomba pra resolver?

- O alto escalão da Associação dos Magos está querendo enviar assassinos pra lutar na Guerra do Santo Graal? - Luvia olhou para o link no computador, já lembrando sobre a origem desse email. - Quanto exagero. Vai acabar dando merda.

Ele soltou a fumaça da nicotina do cigarro, expirando para bem longe.

- E você acha que eu não sei?

 



 

 


 

 

 

 

 


Em um lugar completamente além da compreensão humana, estava apenas uma grande biblioteca cheia de livros no meio do vazio.

Um homem idoso estava sentado em uma poltrona ali lendo um enorme livro que flutuava em sua frente. Ele observava e absorvia cada uma daquela palavras como se já tivesse feito aquilo milhões de vezes.

Foi aí que inesperadamente, um antigo telefone de fio que estava pendurado em um criado mudo naquele domínio começara a tocar.

- Alô?

- Grande Mago Zelretch, parece que uma Singularidade surgiu em uma metrópole do Brasil. Ela está causando uma Guerra do Santo Graal lá. - A voz do outro lado da linha começou a relatar o ocorrido.

- A Chaldea e a Associação dos Magos resolverão isso. Kyrielight foi criada para esse tipo de coisa.

- Ah, qual é, Zelretch. Temos uma nova oportunidade aqui hoje. Não está interessado pra ver o que aconteceria?

- Digamos que eu esteja mesmo interessado, meu jovem autor. Mas qual mestre eu teria que trazer pra essa guerra tão acirrada e ainda por cima em uma metrópole tão renomada no mundo inteiro? - O mago pegou uma xícara de chá com açúcar em cubos, mergulhou um cubo nela e começou a mexer e bebeu da xícara.

- Pensei em dois deles e em dois servos em específico, pra dizer a verdade. Olha só ai no seu livro. - O Autor fez com que o livro que Zelretch estava lendo começasse a passar centenas de páginas até encontrar uma onde estavam os tais aspirantes a Mestres nessa guerra. - Um deles é um mago experiente que se abdicou do uso da magia, e a outra é uma autônoma artificial criada para a proteção da humanidade que se rebelou contra o seu criador. Ambos possuem um grande potencial mágico. Só que pra isso, também acho que devemos explorar mais sobre o tesouro de uma Serva com um dom e ambição muito especiais.

- Vejamos... Júlio Dutra e Alita Blakebight, eh? - O antigo mago observava os dados de ambos os aspirantes a mestres escolhidos pela figura onipotente do outro lado da linha. - Eles parecem ter algo especial, mas sabe que essa não é a mesma Guerra do Santo Graal como a de Fuyuki. O que você decidir fazer com esses dois história é contigo mesmo, meu jovem.

- Eu sabia que você diria isso. Contudo, estou pensando em algo mais intrigante.

- E eu já suponho que essas tais intrigas trarão reviravoltas inesperadas, não é?

- Como já dizia uma velha amiga minha, se você realiza tais experimentos sem querer se preocupar com os meios e sim com os resultados, deve se arriscar pra pescar o peixe entrando no mar com a cara e a coragem. - A voz do Autor falava sorridente enquanto mostrava a sua ideia para o grande mago.

- Pois bem, levarei a sua ideia em consideração. - Ele acentiu com a cabeça, enquanto olhava para o seu livro As tramas desta nova guerra e seus bastidores já estão sendo escritos nesse momento. - E sobre essa Figura Histórica que você deseja introduzir como Serva do ex-mago, ela terá a sua estória melhor explorada. Ela e o seu mestre terão um longo caminho para se entenderem.

- Muito obrigado, mestre Zelretch. Tenho certeza de que vai se interessar. - A voz animada do Autor desligou no outro lado da linha.

O velho agora materializou em sua mão um livro antigo procurou pela a imagem fixa nele, onde ali se revelava a pintura de algum indivíduo de longos cabelos rosados e olhos azuis.

- A Rainha dos Piratas, hã? De fato, talvez isso possa até me entreter.

 



 

 

 

 


 

 

 

 

 

 

04 de Março de 2021

Aeroporto Internacional Galeão, Rio de Janeiro

 

 

 

Em um dos terminais do aeroporto internacional, centenas de pessoas circulavam por ali. Era um entra e sai de pessoas, e dentre uma dessas pessoas, estava uma garota de cabelos negros trajando um longo chapéu de sol andando apenas com uma mala.

A morena olhava ao redor do salão do terminal, e ao chegar do lado de fora, pediu um táxi onde o taxista acenou em positivo para a garota.

- Pra onde a senhora vai? - O taxista perguntou a ela.

- Me leva pra a Igreja Católica lá no Botafogo, por favor. Fica perto da padaria na Praça do Rodo. - Ela falou o ponto de referência para o mais velho, que acentiu e após uns 40 minutos no trajeto percorrendo pela cidade, ela finalmente chegou ao endereço desejado.

Ela saiu do táxi, pagou a corrida ao taxista e viu o carro amarelo indo embora virando a rua em seguida. A garota de cabelos pretos se virou para trás, e viu que havia uma pequena igreja com um jardim. A porta estava aberta, então ela andou para dentro do jardim e entrou na capela da igreja.

- Olá? Tem alguém aí? - A garota chamou enquanto batia as palmas para ver se chamava a atenção de alguém. - Padre?

Ela olhava em volta da igreja, procurando por alguém e começou a andar por dentro das instalações. Ela andou para o lado de fora para a área do jardim, e lá no canto do jardim estava uma mulher caucasiana vestindo um suéter preto, uma calça preta e um avental branco e grosso de jardinagem por cima. Ela também tinha longos cabelos pretos e orelhas pontudas como as de um elfo. A mulher dessas orelhas pontudas estava mexendo na terra preta, e aparentemente cuidando das flores.

- Eu não achava que a primeira pessoa iria chegar. E logo sobre a participante ser uma autônoma. - Ela virou a sua cabeça em direção a garota, mostrando melhor os seus olhos dourados.

- E quem seria você? - A jovem perguntou a ela, com um pé atrás com a figura.

A mais velha se levantou e olhou fixamente para a garota, mostrando os seus olhos dourados bem fortes e penetrantes para ela.

- Eu sou só uma pessoa que está cuidando dessas flores aqui. Sabia que os espinhos nas rosas servem para proteger as flores dos animais herbívoros que tentam devorá-la... - Ela se apresentou à garota com um sorriso, se levantando e tirando as suas luvas de borracha. - Autônoma?

Ela foi chamada novamente por essa palavra e estranhou pela aparência bela da mulher, desconfiando o porquê dessa mulher estar numa igreja responsável pelo padre da Associação dos Magos. Seus olhos brilharam por um instante numa cor azul e retornaram ao cinza normal dela.

A rainha fez materializar de sua mão nua um enorme espinho de ouro que atravessava toda a sua palma, como uma estaca.

- O que você fez com o padre? - A mais jovem perguntou sem nenhuma emoção, olhando em direção a ela.

A garota materializou em sua mão direita uma escopeta tecnológica nas suas mãos, e puxou a trava da arma, pronta para atirar na Serva. Ela olhou para a mais velha com seriedade, vendo que ela estava longe de ser uma Serva comum. Ela podia sentir a mana dela, apenas por isso.

- Senhorita, eu peço para que não derrame sangue no jardim. Eu acabei de lavar essas paredes há pouco tempo. - Uma voz masculina se aproximou ali perto deles, e ela se surpreendeu com a vista inicial do padre. - E isso vale para você também, Semiramis.

Se tratava de alguém bem jovem para ser um padre, na casa dos 20 anos. Ele tinha pele bronzeada, olhos amarelos e cabelos prateados.

- Eu me chamo Shirou Kotomine, e sou o frente responsável pela a Associação dos Magos para supervisionar a Guerra do Santo Graal do Rio de Janeiro. - Ele fez um sorriso cordial a ela, mantendo uma certa distância dela.

A calma estóica dele era muito natural, o que fazia ela estranhar demais dele. Ela desconfiava desse jovem padre.

- Você não é brasileiro. - Ela óbviamente notou o sotaque estrangeiro dele, suas feições asiáticas e o jeito que se portava. - Como a Associação dos Magos te chamou, se você não é daqui? E também, por quê você tem uma Serva na sua igreja?

- De fato, eu fui chamado de última hora pela associação devido a minha disponibilidade e cheguei aqui há poucos dias. - Ele começou a explicar para a garota, enquanto se aproximava dela e da serva. - Como essa guerra do Santo Graal não é uma guerra comum e será realizada em uma das maiores cidades do mundo, fui disponibilizado a ter um Servo ao meu lado para garantir que nada saia dos limites. E é por isso que a Semiramis está comigo.

Brilhando em uma pequena cor amarela na sua testa, a garota desmaterializou a sua arma usando a sua magia e recolheu ela para si. Ela ainda não confiava no suposto padre, mas por ora, isso já bastava.

- Creio que não disse o seu nome, moça. Poderia nos dar a honra de se apresentar?

- Eu me chamo Alita Blakebight. - A garota finalmente se apresentou para eles, levando a sua mão direita para o seu peito como reverência.

- É um prazer meu poder conhecê-la, senhorita Blakebight. Então eu devo reconhecê-la como a décima mestra já inscrita nessa guerra. Vamos falar melhor sobre isso lá dentro, pois numa cidade como essa, as paredes e ruas tem muitos ouvidos.

O jovem padre e a garota entraram na capela da igreja, enquanto Semiramis desmaterializou a estaca de ouro nas palmas de suas mãos, botou suas luvas novamente e continuou a mexer com as flores.

A rainha da Babilônia deu um sorrisinho de lado ao pensar na jovem Alita, que chegou ali.

 - E pensar que o Santo Graal escolheu uma máquina como uma mestra pra essa guerra. Isso vai ser interessante.

 

 

 

 

 


 

 

 

 

 

 

Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro
14:36 da Tarde...

 

 

 

 


Era tarde naquela grande biblioteca, onde uma turma de adolescentes estava em uma excursão, visitando um dos museus mais antigos e famosos do país: A Biblioteca Nacional.

- Então passamos por uma das amostras do pau-brasil da época de Pedro Álvares Cabral. - O homem que estava guiando a excursão relatava, enquanto os alunos prestavam atenção na exposição. - Não confundam isso com o roubo do nosso ouro, tá bom, pessoal?

Todos começaram a rir com o comentário humorado do guia.

- Ô tio, fala aí, se Portugal devolvesse o ouro, a gente ia ter que devolver os 'espelho também? - A fala de um engraçadinho fez a turma toda rir, enquanto a professora que acompanhava a turma deu um olhar repreensivo para o garoto do fundão que fez o pessoal rir.

Lá atrás, estava um bibliotecário levando alguns papéis em suas mãos enquanto observava a excursão.

Ele era um homem alto, tinha pele escura, seus cabelos eram grandes e trançados, presos em um rabo de cavalo alto. Ele vestia uma calça jeans preta, camisa social branca, sapatos sociais e um moletom cinza. Ele tinha uma barba por fazer e uma pequena cicatriz na região do olho.

- É sério mesmo que mandaram essa molecada vir hoje aqui? - O homem se queixou enquanto via a turma da excursão andando pelo salão de exibição e seguiu o seu rumo de volta.

Ele chegou ao seu escritório e via algumas papeladas que estavam em cima da mesa. Ele pegou a primeira que estava ali no topo daquela montanha de papel e olhou para o conteúdo dela.

Era uma vida interessante para ele. Ser um bibliotecário público concursado dava a ele um bom salário de uns R$ 8.000,00, e ele gostava do dinheiro que recebia. Apesar dos visitantes barulhentos da biblioteca, às vezes o irritarem.

Ele sentiu o seu celular vibrando e percebeu que havia uma mensagem de áudio nele. Vendo que era alguém familiar a ele, o moreno apertou o play do áudio e começou a escutar.

- Boa tarde, senhor Dutra. Aqui é o Shirou Kotomine, e estou ligando por uma oportunidade de emprego que--

O bibliotecário suspirou irritado enquanto apagava o áudio do homem que havia enviado a mensagem a ele.

O áudio se tratava um jovem padre que havia chegado ali perto do bairro onde ele morava, e a alguns dias atrás, ele o ofereceu uma proposta de emprego e obviamente, Júlio recusou. Ele não conhecia o homem e do nada, ele o oferece uma proposta de trabalho?

Mas com certeza ele já tinha uma ideia do que esse padre queria.

Mas Júlio não se interessava em entrar nessa guerra. Ele sabia sobre o final da guerra de Fuyuki há dez anos atrás, e a maldita Associação dos Magos queria continuar com esse ritual maldito que só terminava em desgraça atrás de desgraça. Mesmo não sendo relevante, a sua mãe acabou morrendo ao tentar lutar contra um mago poderoso que queria roubar de seu poder mágico.

Ele a matou, antes que pudesse roubar a essência mágica dela.

Sua mãe havia pedido para ele se esconder. Ele se culpa por isso, pois ele era uma criança e não fez nada para impedir isso. E o assassino escapou e ele não pôde fazer absolutamente nada a respeito disso.

Decidindo não pensar nisso, o bibliotecário suspirou e continuou a preencher a papelada que estava na mesa. Ele lia atentamente cada um daqueles documentos que pareciam até intermináveis, porém ele finalmente preencheu a última bendita folha que havia restado.

Júlio percebeu que a folha não era algo impresso, e sim uma carta com detalhes em dourado e um selo que ele não identificava. Ao abrir a carta, ele leu o seu conteúdo.

 

17/03/1954 - Costa Inglesa

 "Sei que em breve já estarei morto quando alguém ler isto, mas eu quero que alguém saiba pelo quê eu morri. Eu encontrei a solução que faltava para o mistério ser realizado, e se trata desse pedaço de tecido que encontrei durante as minhas jornadas. Estava fugindo de um grupo de magos mercenários, e fui atingido bem no meu peito. O tiro está alojado e não posso me mover, ou poderei perder mais sangue e morrer. A Guerra do Santo Graal estará bem próxima de acontecer, e pretendo usar como catalisador esse item. Bom, agora que estou a beira da morte, essa chance de poder realizar o meu desejo foi embora. Tenho algo que muitos mestres jamais pensaram em invocar, então farei com que o Rei dos Piratas seja invocado. Este catalisador estará sob o seu comando.

Edimburgh Markham”

 

O bibliotecário terminou de ler a carta e notou que atrás dela estava um tecido vermelho velho e extremamente caro, só de notar a qualidade do pedaço de algo que outrora já foi uma roupa muito cara e com grande valor.

- Seja lá quem foi que tinha isso aqui, morreu lutando.

Ele ficou interessado em saber que a pessoa que tinha a posse disso era também um possível Mestre em potencial, já que queria usar esse tecido para invocar seja lá quem for para a guerra. E datando da época, era na época próxima a Segunda Guerra do Santo Graal.

Vendo que estava dando quase três da tarde em seu celular, ele salvou todos os dados no seu computador e desligou o sistema. Júlio pegou sua mochila e prestes a sair da sala, hesitou ao ver aquela carta e o pano velho.

Algo em seu interior dizia para que ele não deixasse aquilo ali, então ele simplesmente pegou a carta e o pano, guardou em sua mochila e foi embora da sala e indo em direção a saída.

- Já tá indo embora cedo, Júlio? - Um dos faxineiros do local, que era um amigo do bibliotecário o chamou.

- Pois é, eu vou ter que ir lá na oficina pegar o meu carro, que já tá pronto. - Ele explicou ao homem, que estava com um mopi e um esfregão na mão.

- Deu jeito nas peças do motor? Eu falei que tinha problema de ferrugem nas engrenagens.

- Tive que dar, né. O motor tava falhando por causa das peças enferrujadas, e tava enferrujando tudo por dentro. - Ele deu de ombros enquanto ria, e balançou as suas mãos para o faxineiro. - Valeu, seu Tônio.

O homem se despediu do bibliotecário, que já estava indo embora. Ele saiu da biblioteca e foi para a rua pegar um ônibus, já que a oficina dele ficava no Botafogo e ele estava no Centro, próximo da Praça XV, onde ficavam a travessia de barcas da cidade. Ao chegar no ponto, ele notou que um ônibus que se aproximava ia em direção ao Botafogo, ele deu sinal para o motorista parar e então subiu, pagando a passagem e passando pela catraca.

O ônibus estava cheio, sendo uma coisa bem comum na cidade do Rio. Era bem raro você conseguir achar um lugar vazio, mesmo não sendo horário de pico. Ele pegou o seu celular e começou a olhar as suas redes sociais, enquanto ao lado dele estava uma mulher loira com calça skinny preta, camisa do Nirvana e um All Star vermelho com um cordão de cinco adornos diferentes em seu pescoço e uma tatuagem na testa.

Ela era bonita, seus cabelos caíam abaixo de seus ombros e ela tinha uma pele quase que tão pálida como se fosse a de um cadáver. Seus olhos eram tão dourados como de um animal selvagem e... Olhos dourados?

A loira começou a olhar para Júlio com um sorriso de lado, enquanto ele começava a fazer contato visual com ela.

- Então você deve ser o último, não é? É melhor invocar logo o seu Servo, coisa-homem. - Ela falou enquanto sorria para ele, deixando o moreno de tranças confuso com o que ela queria dizer.

Quando o ônibus parou para deixar um passageiro desembarcar, ele viu que estava quase perto da sua parada e foi para a porta de trás do ônibus para sair.

A loira não parava de sorrir pra ele, que apenas continuava pensativo sobre isso.

Servo...

Era sobre a Guerra do Santo Graal que ela estava falando? Aquela mulher era uma Mestra? Ele tinha ciência sobre uma nova Guerra do Santo Graal aqui, mas ele não tinha nenhum interesse em entrar nela. Ele não queria entrar numa batalha entre Espíritos Heróicos e magos onde o último que resta recebe o direito de desejar do Santo Graal.

Ao chegar na sua parada, Júlio apertou o sinal do ônibus para parar e enfim, o ônibus parou bem no ponto do Botafogo onde ele precisava ir.

Ele desceu do veículo e começou a andar em direção a rua onde a oficina do seu mecânico ficava.

Ele ainda se lembrava daquela noite fatídica onde ele havia decidido deixar de lado todos os seus lados da magia.

 

 


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- Mãe? Cadê você? - O garotinho andava pela casa procurando pela a sua mãe, olhando em volta e vendo diversas cores pintadas em vermelho.

O cheiro fresco do ferro que vinha delas era tão forte e pesava todo o lugar.

Ao ver uma cena chocante, ele arregalou o seu olhar ao ver um corpo de uma mulher no chão.

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Júlio balançou a sua cabeça e deixou de lado essas lembranças ruins, decidido a chegar logo até o bendito mecânico.

Ao chegar na oficina, ele viu um velho ali mexendo com um carro, apertando os parafusos dele enquanto estava deitado num carrinho de mão.

- Oi, seu Paulo. Tá tudo bem aí?

- Oi, Júlio! Calma aí, deixa eu terminar aqui que já vou te atender. - O homem de meia idade avisou a ele, que balançou a cabeça em positivo.

Ele então deu uma olhada em volta da oficina, vendo alguns antigos detalhes decorativos sobre carros, a cidade do Rio de Janeiro e sobre uma foto antiga do campeonato com o time do Flamengo.

- Júlio, meu rapaz. Tudo certo contigo? - O mecânico estendeu sua mão agora limpa para poder apertar a do bibliotecário.

- Tudo bem sim, seu Paulo. - Júlio acentiu com a cabeça dando um leve sorriso para o mais velho, que agora estava bem humorado. - E o carro? Ele já tá triste de ficar sem andar?

O seu Paulo tinha essa oficina de família desde que o avô dele abriu ali no Botafogo, e a família de Júlio os conhecia antes mesmo dele nascer.

- O carro já tava até chorando pra poder sair daqui de novo, menino. Foi o que eu te falei daquela vez mesmo. As engrenagens do motor tavam enferrujando, então eu tive que tirar ele todo do lugar e desenferrujar ele com um óleo restaurador e magia de sobreposição. Agradeça a magia por isso, Júlio.

E claro, o velho Paulo também era um mago e tinha um certo conhecimento de magia.

- Não, eu agradeço a você, seu Paulo. - O moreno de tranças deu uma risada nasal e pegou de sua carteira o dinheiro que faltava para terminar de pagar ao mecânico.

- Sabe que não precisa me pagar por isso, menino. - Paulo falou humorado para o rapaz, mas também com gentileza para ele.

- É, mas mesmo assim eu gosto de poder pagar por um serviço bem feito. - O bibliotecário deu de ombros para ele, mostrando o seu gesto de boa fé. - E então? O meu Batmóvel tá como agora?

O mais velho riu e eles foram pra trás da oficina, onde havia um portão dos fundos com um carro ali já pronto.

Era um Chevrolet Opala Diplomata 1995 prata com pneus pretos com faixa branca, em estilo antigo. Era um daqueles tipos de carros de colecionador, que o mago havia comprado. Era um clássico, dojó brasileiro. Com um motor modificado que ele arranjou de um Camaro agora reparado pelo seu Paulo, agora ele podia correr até longos 250 km/h.

Ele adorava esse carro desde quando era moleque, e finalmente comprou um.

- E aí, tá bom pra você, garoto?

- Ô se tá! - Ele tocou no ombro esquerdo do mais velho enquanto ria de lado.

O bibliotecário olhava para o seu carro, tocando no seu capô e vendo o quão bonito ele estava. Paulo olhava para o jovem mago que admirava o Opala prata, e ele via isso como um trabalho feito ao ver o dono se sentir satisfeito com o seu carro.

- Bom, o trabalho ainda não acabou, não é? - Júlio olhou para o mecânico, que agora tocou no ombro do rapaz e deu a ele a chave do carro. - Vai lá dar uma volta no quarteirão pra dar um teste drive.

Nesse mesmo momento em que eles dois conversavam, uma figura encapuzada estava em cima de um prédio ali perto observando eles e fixando a sua visão no bibliotecário ali.

 

 

- Então esse deve ser o candidato a último, não é? - O encapuzado falou, enquanto removia de seu cinto uma faca afiada. - Hora de começar essa guerra antes mesmo dela começar.

 

 

 

Notes:

Espero que tenham gostado

 

Essa minha fanfic de Fate é relacionada com o Love Is For Weaks, apesar de ter algumas diferenças com alguns personagens. Ela já tá sendo planejada desde 2021, e anteriormente ela seria em uma Guerra do Santo Graal em Nova York com Servos diferentes e o roteiro dela seria bem diferente também, então achei que seria bem estranho fazer lá e decidi mudar tudo. A minha ideia é fazer uma Grande Guerra do Santo Graal igual como o Fate/Apocrypha, porém em uma grande metrópole e que isso faz os Servos e os Mestres manterem a sua discrição sobre a magia e lutas ainda mais difícil do público.

O Júlio Dutra é um personagem OC meu, que não é mais um mago, porém os seus poderes mágicos ainda estão ativos.

E também, nessa Singularidade as histórias de Fate/Stay Night, Tsukihime e Kara no Kyoukai se passam em uma época mais atual e moderna para se condizer melhor com a narrativa, enquanto Mahoutsukai no Yoru se passa no fim dos anos 90.

Enfim, mais coisas serão ditas conforme a história estiver seguindo. Provavelmente deve demorar para lançar o próximo capítulo, pois né, eu tenho agora 10 fanfics e o mané aqui tinha deixado em Draft, mas apertou no botão errado e aqui estamos. Mas vamos deixar isso de lado e seguir em frente.

Ah, e só mais uma coisa! Pro caso de vocês estarem relendo a história de novo, eu vou editar esse capítulo pois ele vai mudar por ainda estar meio incompleto e colocarei mais algumas coisas inéditas.

 

Até mais! 👍