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GAROTO ENCONTRA O MAL
Toque do mal
Era mais um dia normal na mais prestigiada universidade de Konoha. Alunos para todos os lados, professores andando apressados pelos corredores, bagunça do pessoal dos clubes. Nada fora do comum. E como sempre, Sasuke Uchiha estava entediado; tinha que ficar ouvindo as reclamações do seu melhor amigo, Naruto, sobre como queria que tudo acabasse logo para que pudesse ir para casa jogar videogame, ao mesmo tempo em que Shikamaru murmurava o seu típico “que problemático”, seguido do estalar de língua e revirada de olhos de Neji.
Previsível.
Ele segurou um suspiro enquanto ignorava o Uzumaki, estava mais interessado nos rabiscos que fazia na última folha do seu caderno.
Desde que era pequeno, Sasuke era talentoso. Assim como seu irmão mais velho, Itachi, ele tinha crescido como um verdadeiro prodígio. Seus pais sempre o incentivaram a aprimorar seus talentos, não importando o que fosse — desde ser ótimo nas artes da música e da pintura, até ser impecável nos esportes. Mas de todas as coisas nas quais ele era bom, sem dúvidas, sua favorita era desenhar.
Era algo que fazia com que viajasse no tempo e se perdesse na própria imaginação, em seus pensamentos; então, todas as vezes que estava entediado demais e tinha papel e lápis ao seu alcance, saia fazendo esboços do que vinha em sua mente no momento.
Na borda da folha, ele desenhou olhos grandes e gélidos que praticamente o encaravam como se ele fosse uma presa. Sasuke conteve um sorriso satisfeito com o resultado, sabia que não era para qualquer um conseguir transmitir sentimentos com uma imagem. Foi tirado dos seus pensamentos pelo som estridente das pessoas levantando das cadeiras, o que anunciava o fim da aula. Ele fechou o caderno e enfiou na mochila e depois organizou o resto dos materiais enquanto escutava os alunos reclamarem de algo que ele não se importava.
— Ei, temeeeeeeee! Vamos lá pra casa jogar videogame, comprei alguns jogos maneiros, você vai gostar! — Naruto chamou, claramente animado. Então era por isso que ele estava tão ansioso, o Uchiha pensou.
— Já tenho compromisso — Sasuke murmurou em resposta, antes que o loiro rebatesse, acrescentou: — E até onde eu me lembro, você tinha que se encontrar com o professor Kakashi por causa dos resumos que você não entregou. Sua nota não tá uma merda nessa matéria? — Naruto fez uma careta que demonstrava com perfeição sua insatisfação. — Estou indo, boa sorte.
Para evitar os protestos que certamente viriam, o moreno apressou o passo para fora da sala de aula e se enfiou no meio dos outros alunos. Neji vinha logo atrás, caminhando no mesmo ritmo. Os dois eram considerados os alunos mais inteligentes da turma, estavam sempre competindo pelo topo da lista de notas, o que as vezes chegava até ser engraçado.
O que muitos não sabiam, era que embora houvesse essa rivalidade saudável, eles eram amigos íntimos e que eventualmente se ajudavam com assuntos que iam muito além do âmbito da universidade. A coisa que Sasuke mais gostava no Hyuuga, além da discrição, era o fato de ele não precisar estar sempre preenchendo o silêncio com bobagens. Porque só Deus sabia o quanto Naruto podia falar em um minuto. Não entendam mal, Sasuke amava Naruto como um irmão, mas tinha vezes em que ele só queria ficar quieto.
— Sasuke-kun! Espera! — Ele conhecia bem aquela voz, então fingiu que não escutou e continuou andando. O que não pareceu adiantar, já que em questão de segundos, sentiu a mão feminina pousar em seu braço e pará-lo. — Sasuke-kun! Não me ouviu?
— Sakura — resmungou em resposta. Ele esperou quieto que ela continuasse, o que não aconteceu. — Você precisa...?
— Bem... — ela hesitou diante da frieza na voz de Sasuke e da escuridão que eram os olhos dele.
Haruno Sakura era uma mulher exemplar, do mesmo curso de Sasuke. Inteligente e bonita, chamava muita atenção por onde passava por conta do cabelo cor de rosa e os olhos esmeraldinos que faziam uma combinação exuberante. Também era muito popular entre os rapazes.
Infelizmente, o único rapaz por qual ela nutria algum interesse, mal olhava para si. O que era deveras frustrante, tendo em vista que ela estava sempre se esforçando para chamar a atenção de Sasuke. Mas não importava o que fazia, como investia, tudo que recebia era indiferença — o que muitas vezes partia seu coração —, e mesmo assim não desistia de continuar tentando, afinal, realmente acreditava que o amava. Sasuke sabia que tinha culpa no cartório, desde que em algum momento naquele ano, acabou trocando alguns beijos com ela.
— Eu estou com pressa — Sasuke informou-a, já pronto para dar meia-volta e continuar andando. — Precisa de alguma coisa?
— Eh, então está com pressa? — balbuciou obviamente decepcionada. — Gostaria que viesse tomar um sorvete comigo já que está tão calor.
— Ah. — Sasuke murmurou e respirou fundo, até se esforçando para não ser grosseiro. — Eu não gosto de doces, você sabe disso.
Sasuke não esperou que ela respondesse, em vez disso, deu as costas e continuou sua caminhada até as escadas que levavam à saída da faculdade. Ainda conseguia distinguir os passos de Neji vindo atrás de si, e ele não disse nada até estarem completamente sozinhos.
— Ela não desiste nunca, não é mesmo? — Neji comentou, dessa vez, andando ao lado de Sasuke.
O Uchiha suspirou.
— Não importa o quanto eu tente afastar ela, quando vejo, ela está por perto de novo. — Estalou a língua, impaciente. Dona Mikoto tinha dado a ele uma ótima educação, mas tinha esses momentos em que se perguntava se valia mesmo a pena ser tão educado com alguém que não conseguia acordar para a realidade. — Não é difícil entender que eu não estou a fim.
— Você nunca está a fim de nenhuma garota daqui, Sasuke — o Hyuuga pontuou enquanto eles andavam na direção do ponto de ônibus bem próximo dali.
— Eu não quero namorar. — Franziu o cenho, desgostoso. Ele não tinha tempo e muito menos vontade de se dedicar a um relacionamento. — E elas não querem só ficar.
Neji se limitou a dar de ombros de leve, pouco interessado em discutir mais a fundo o assunto com o amigo.
— Já terminou seu projeto daquela sua matéria extra?
Isso foi o suficiente para roubar a atenção de Sasuke até a casa de Neji.
❅
Não passava das seis da tarde quando Sasuke terminou todo o planejamento do projeto, que consistia em fazer uma maquete mostrando um estilo de Arquitetura que tinha revolucionado a área. Ele gostava de pegar algumas matérias de Arquitetura, porque assim conseguia manter seu hobby de um jeito mais consistente. Sem contar que ele gostava de aprender também.
A casa de Neji costumava ser um bom ponto de encontro para fazer as coisas da universidade, então era comum que eles passassem bastante tempo por ali.
— Agora que terminei essa parte, só preciso comprar os materiais pra começar a maquete em si — Sasuke comentou enquanto conferia uma última vez a lista que tinha feito.
— Você já não tem metade desses materiais? — Neji perguntou já sabendo a resposta.
Antes do Uchiha responder, o sonoro barulho de algo caindo na água se fez presente. A mansão de Neji tinha uma enorme piscina nos fundos, que chegava a dar inveja, mesmo que o Uchiha também tivesse uma em sua própria casa.
— Ouviu isso?
— Ouvi. Meu pai ainda não está em casa, e mesmo que tivesse, não iria entrar essa hora na piscina. — Ele se levantou da poltrona e caminhou até a enorme janela do quarto que dava visão para o quintal, e consequentemente, para a piscina. Sasuke observou como o amigo respirou fundo e apertou os lábios em uma linha reta, parecendo insatisfeito. E em uma voz tão baixa que ele mal conseguiu escutar, murmurou: — Hinata. Não era para ela ter chegado só amanhã?
— Quem? — quis saber o que despertava tamanha insatisfação.
— Minha prima, Hinata, está na piscina. Mas não era para ela estar aqui até amanhã — explicou, voltando a se sentar na poltrona confortavelmente para depois trazer o notebook para o colo.
— Eu não sabia que você tinha uma prima.
Sasuke não podia mentir que até estava curioso, mas só porque Neji não parecia nem um pouco animado com a presença de um familiar. Provavelmente era uma pirralha que ficava enchendo o saco. Se fosse isso, entenderia perfeitamente o motivo da tensão que tinha caído sobre o amigo.
— O pai dela é irmão gêmeo do meu, e ele saiu de Konoha e se mudou para Tóquio há um bom tempo. Deve ser por isso que não a conhece. — Pausa. Um suspiro. — Ela vai passar um tempo aqui em casa.
— Entendi. Bom, pelo menos aqui é grande. — O Uchiha não era a melhor pessoa do mundo quando se tratava de consolar, mas pelo menos ele tinha tentado.
Neji abriu um de seus raros sorrisos e Sasuke achou a atitude tão esquisita, já que não fazia ideia do que podia ser tão engraçado. Só que preferiu ficar em silêncio, em vez de perguntar porque ele estava sorrindo daquele jeito estranho.
— Vamos sair para comer alguma coisa? Acho que já deu por aqui — Neji ofereceu depois de fechar a tampa do notebook.
— Vamos lá. — Não tinha dito nada, mas só depois que Neji ofereceu que percebeu o quanto estava faminto.
— Pode ir na frente, vou procurar minha carteira e meu celular que eu deixei em algum lugar por aqui... — Começou a revirar a mochila.
— Ok. — Assentiu e em seguida desceu as escadas.
Não viu sinal da empregada da família em nenhum canto, então deu de ombros e seguiu na direção da cozinha para tomar um pouco de água. Ele e Neji já se conheciam tempo mais do que o suficiente para que pudesse abrir a geladeira sem pedir permissão.
Sasuke abriu a geladeira e pegou uma garrafa de água bem gelada. Ouviu o som conhecido de passos e virou-se, imaginando que fosse Neji. Mas ah, como ele estava enganado. Muito enganado.
Os olhos dele se encontraram com os da figura feminina e ele parou por completo. Ela tinha olhos cor de pérola, como os do seu primo, mas havia um brilho selvagem e predatório que ele jamais tinha visto, a pele parecia tão pálida quanto a dele, se não fosse tão óbvio o bronzeado exibido pela falta de roupas. O biquíni vermelho era pequeno demais para esconder as curvas sinuosas do corpo dela, a cintura desenhada como a de um violão, as pernas grossas e torneadas, e Deus! Aquilo mal cobria os seios fartos. Ela não era exatamente magra, havia muita carne por ali. Uma poça de água começava a se formar nos pés nus e era difícil não notar como as gotículas escorriam sensualmente pelo corpo dela.
Ela abriu um sorriso debochado, como se conseguisse ler todos os pensamentos sujos dele, e mostrou seus dentes brancos e perfeitamente alinhados, para em seguida passar a língua nos lábios carnudos e avermelhados lentamente.
— Olá, estranho. Qual o seu nome? — perguntou curiosa, os olhos fixos nos poços escuros que eram os dele.
Ele sentiu a garganta seca e bebeu um longe gole de água antes de responder:
— Uchiha Sasuke. — Ela não parecia nem um pouco envergonhada, muito pelo contrário. Quem ficaria com vergonha com um corpo desse?, ele pensou. — Imagino que você deva ser Hinata, então.
— Ah, então você já sabe. É isso mesmo, Hyuuga Hinata. — Ela andou até ele, deixando um rastro de pingos de água e estendeu a mão na direção dele. Algo lhe disse que Hinata não era do tipo que estendia a mão para cumprimentar alguém, porém, de qualquer modo, Sasuke retribuiu o gesto e com a mão livre, apertou a dela que mesmo estando úmida, ainda era quente. Hinata pegou a garrafa de água da mão dele e bebeu alguns goles antes de devolver e completar: — É um prazer. Até mais, Sa-su-ke.
A Hyuuga sorriu outra vez antes de dar as costas para ele, dando uma bela visão de seu traseiro redondo e sumir casa adentro. Pela primeira vez desde muito tempo, Uchiha Sasuke se pegou completamente impressionado com algo que não era desenho. Bem... Poderia haver outras formas de arte, não é mesmo?
❅
— Você a viu, não foi? — A voz de Neji colocou Sasuke de volta a órbita do planeta Terra. Ele sorria amarelo ao mesmo tempo em que começava a dar outra mordida em seu hambúrguer. — Hinata causa esse tipo de reação nas pessoas.
A lanchonete não estava cheia, se tivesse pelo menos quatro mesas ocupadas ainda seria muito. Embora fosse sexta-feira e o fato de a comida ser ótima, o lugar não era o dos mais populares. E talvez esse fosse o motivo do grupo de amigos — naquele momento, só os dois — gostar tanto dali. A televisão estava ligada e dava para ouvir a música de fundo de um drama que passava naquele horário. Sasuke queria ignorar a “provocação” de Neji, mas logo ele emendou:
— Posso ser primo dela, mas isso não significa que eu não tenha olhos.
— Cara! Você soa como um pervertido — o Uchiha retrucou com certa diversão, observando o outro com cuidado.
— Eu não sou inocente, e você está longe de ser — respondeu. — Mas se quer um conselho de amigo, fique longe dela.
— Vai bancar o primo protetor agora? — ironizou e enfiou uma batata frita na boca. — Isso é bem sua cara.
— Vai por mim, isso tem mais a ver comigo estar preocupado com você, do que com ela. — Neji o encarou diretamente e quando continuou, estava mais sério: — Hinata é um emaranhado de confusão e problema. Mas se, por acaso, você quiser tentar algo, não sou eu quem vai te impedir. Você é adulto no final das contas.
O Uchiha não pôde deixar de estranhar a forma que seu amigo falava, não parecia que estava brincando. Seja lá o que tivesse de errado com Hinata, se fosse realmente encrenca, Neji não deixaria que fosse para frente...
Não é?
❅
Ele havia sonhado com ela. Mais precisamente, tinha sonhado que se enterrava nela como se não houvesse mais o amanhã, enquanto Hinata gemia seu nome e pedia por mais.
Sasuke não se lembrava qual tinha sido a última vez que tivera um sonho erótico e que tinha acordado de pau duro por causa disso. Como o próprio Neji dissera, estava longe de ser inocente; já tinha se aventurado no que se tratava do ápice do prazer humano, as garotas gostavam dele e ocasionalmente ele saia com algumas — embora fosse indiferente a maioria. Mas Hyuuga Hinata tinha despertado seu interesse de um modo que nem ele sabia explicar, ela era gostosa pra caralho, só que tinha sido muito mais do que isso.
Talvez fosse aquele brilho selvagem naqueles olhos que poderiam pertencer a um anjo? Como alguém conseguia parecer tão maldosa com aquela expressão angelical? Ele não fazia ideia, mas Hinata conseguia e o Uchiha não conseguia parar de pensar nela, mesmo que tivesse a visto somente uma vez.
Era um sábado quente e ele se viu tentado a dar uma desculpa para ir à casa de Neji — afinal, ficava somente há uma quadra de distância de onde morava. Só que isso seria muito óbvio, e ele não queria soar desesperado. Suspirou.
Já era um pouco depois do almoço quando sua mãe pediu para que fosse a loja de conveniência ali perto e comprasse um pote de sorvete. Fazia tanto calor que ele nem retrucou, ainda que não fosse o maior fã de doces, um picolé de limão cairia bem. E quem sabe assim seus pensamentos fossem para outro lugar...
Trajando uma regata escura com o símbolo da família Uchiha e uma bermuda solta, o rapaz foi até a loja de conveniência que ficava apenas uma rua acima da sua. As pessoas estavam curtindo a preguiça depois da hora do almoço, então tudo estava bem vazio, o que realmente não o incomodava de todo. O silêncio sempre o agradava. Depois de poucos minutos, já tinha chegado ao lugar, e talvez fosse o destino que encontrasse quem estava vagando pelos seus pensamentos sujos? Não podia ser.
Hinata estava de pé em frente ao balcão e parecia muito irritada com alguma coisa enquanto falava com o rapaz que estava no caixa. Sasuke não pôde evitar de reparar o short branco, curto e colado que ela usava, e o top também branco que deixava sua barriga a mostra. O cabelo longo e escuro estava preso em um rabo de cavalo alto, provavelmente por conta do calor, o batom vermelho destacava a boca carnuda e deixava seus olhos selvagens mais suaves.
Sasuke empurrou a porta e conseguiu ouvir o caixa dizer:
— Eu não posso vender cigarros para você se não mostrar a identidade.
— O caralhos que não pode! Me dê logo a porra de uma caixa! — praguejou, irritada.
— Sua identidade...
— Ah, quer saber? Enfia essa merda no seu cu! — Ela se virou ao mesmo tempo em que Sasuke entrava. A expressão irritada se dissolveu em segundos, dando lugar ao mesmo sorriso debochado que ele tinha visto no dia anterior. — Parece que nos encontramos novamente, Sasuke.
Ele não pôde evitar de sorrir — um mero repuxar de lábios.
— Parece que sim. — Arqueou uma das sobrancelhas. Ele sabia que havia outra loja de conveniência bem mais perto que aquela próxima a casa de Neji. — O que você está fazendo por aqui?
— Estava tentando comprar um maço de cigarros, mas esse cara não quer me vender. — Revirou os olhos dramaticamente. — E você?
— Sorvete — respondeu.
Dessa vez foi ela quem sorriu, quase, quase maliciosamente.
— Saquei, então, quer comer um picolé comigo? — convidou, a voz carregada de um tom de flerte impossível de ignorar. A expressão angelical voltou ao rosto bonito.
Não havia porque recusar o convite — tirando o fato de odiar coisas doces —, era exatamente o que ele queria: uma única chance de ficar a sós com ela e quem sabe explorar aquele tal de emaranhado de confusão e problemas.
— Por que não?
A mãe dele não ia se importar se demorasse um pouquinho. Eles seguiram em silêncio por duas quadras até entrarem em uma sorveteria. Curioso, observou-a pedir um picolé de morango e inconscientemente seus olhos voltaram a se encontrar; um arrepio percorreu todo o corpo do Uchiha e ele tremeu.
Estranho.
— O que você vai querer? — Hinata perguntou, travessa. Só que ele ainda não tinha certeza se havia segundas intenções naquela simples pergunta.
— Um picolé de limão.
— Você ouviu. Me dá uma água também — ela voltou-se para a atendente que prontamente atendeu seu pedido. — Vamos nos sentar ali e conversar um pouco.
Hinata apontou para uma mesa que ficava no fim do corredor, quase não dava para vê-la, sem contar que, outra vez, o lugar estava vazio. Ele não hesitou em segui-la, embora algo lhe dissesse que deveria. As palavras de Neji vieram a sua mente e ele decidiu ignorá-las. Não podia ser tão mal assim, não é?
Em vez de sentar no banco da frente, a Hyuuga sentou ao lado dele, o que o pegou meio desprevenido. O moreno nunca tinha sido o tipo de pessoa que se interessava muito pela vida dos outros, mas estava curioso sobre ela.
— Então, o que uma garota da cidade faz em Konoha? — Soou como uma provocação.
— Meu pai me mandou pra cá — respondeu sem olhá-lo, enquanto abria a embalagem do picolé. — Pra encher meu saco, como sempre. Não é isso que pais gostam de fazer? Mas não vamos falar de mim, vamos falar de você.
Ao dizer isso, Hinata deu a primeira lambida no picolé, lentamente, enquanto o encarava.
— Não tem muitas coisas interessantes sobre mim — respondeu, os olhos estavam fixos nela, não deixando passar nenhum movimento sequer. — Sou apenas um cara que cursa Engenharia Mecânica e que gosta de desenhar.
— Você é popular com as garotas? — quis saber. Ela lambeu a ponta do picolé e depois enfiou na boca, apenas para tirar depois e chupar novamente. — Estou curiosa sobre isso.
— O que você acha? — Ele nem se lembrava mais que tinha um picolé também. A fisgada que tinha sentido próximo a virilha o lembrava de qualquer coisa, menos de picolé. Eles estavam muito perto um do outro, Sasuke conseguia sentir o cheiro do perfume dela.
— Eu acho que sim. — Sorriu, malandra, e colocou a mão livre na coxa dele. — Você parece do tipo que faz as garotas rastejarem.
Eles se encararam, o ar cheio de tensão. Sasuke fez questão de dar uma boa conferida no corpo dela antes de continuar:
— Eu acho que poderia dizer o mesmo. Garotas, garotos... — A voz dele saiu arrastada e ele se odiaria por isso se não fosse tão óbvio que eles estavam flertando tão abertamente. O ar carregava tensão sexual e era difícil respirar. As pupilas dela estavam dilatadas enquanto as ponta dos dedos subiam pela bermuda folgada. — É do tipo que tem o que quer?
— Quando eu quero. — Hinata deu outra lambida no picolé e chupou até a metade. Tirou da boca e deu pequenas lambidas na ponta, enquanto a mão dela subia ainda mais, até chegar onde queria e morder o lábio inferior com força. — Seu pau está duro.
Havia aquela sensação do perigo que apenas o excitava. A possibilidade de serem pegos deixava a brincadeira mais interessante. Não era isso que Sasuke tinha em mente quando planejava encontrá-la, mas se fosse pra ser assim... Ah... Assim seria.
— Sim. — A bermuda folgada permitia que ela segurasse o membro enrijecido parcialmente e movimentasse a mão para cima e para baixo. — O que você vai fazer sobre isso?
Ela passou a língua nos lábios e sorriu para ele maliciosamente.
— Você está louco pra me foder. — Hinata enfiou a mão dentro da cueca dele sem receios, até segurar o membro rígido entre os dedos. Largou o picolé em cima da mesa.
— Você não faz ideia — Sasuke sussurrou em resposta quando ela moveu o polegar na ponta do seu pênis.
— Vamos fazer isso. — Ela deslizou para debaixo da mesa e desceu a bermuda só um pouco e ficou ajoelhada entre as pernas dele. — Olhe para mim enquanto eu te chupo.
Sasuke iria dizer que não tinha nem passado pela sua cabeça não olhar, mas Hinata o acolheu em sua boca úmida e quente e chupou a primeira vez com tanta avidez, que ele teve que se controlar para não esmurrar a mesa.
A língua dela passou pela ponta do pau dele em lambidas curtas, enquanto a outra mão acariciava as bolas em um ritmo que ele queria muito grunhir. Em seguida, ela o engoliu de novo até onde conseguia e o chupou firmemente em um ritmo de vai-e-vem lento, enquanto a língua o enrolava. Ela o tirava da boca apenas para lambê-lo da base até a ponta, para depois repetir tudo de novo.
— Porra. Sua boca é deliciosa — ele grunhiu baixo, as mãos seguravam firmemente a borda da mesa na falha tentativa de se conter. Ele queria muito fodê-la como nunca, sentir sua boceta molhada e fazê-la gritar alto. — Você não sabe o que eu vou fazer com você quan...
Ele foi interrompido quando Hinata aumentou o ritmo do vai-e-vem e a sucção foi tão intensa, que ele não conseguiu se segurar e gozou tudo na boca dela sem nenhum aviso. Ela engoliu tudo e lambeu os lábios em seguida; o pau dele estava sujo de batom vermelho, e a boca dela toda borrada. A morena saiu de debaixo da mesa e voltou a sentar ao lado dele como se nada tivesse acontecido. Pegou um guardanapo e limpou o batom, e com o olhar mais cínico do mundo disse em voz alta:
— Parece que você vai ter que pagar outro picolé pra mim.
