Chapter Text
Há dois meses…
O som dos corpos se chocando preenchia o quarto estreito do motel. O ar estava pesado, impregnado pelo cheiro de suor, feromônios e do atrito insistente entre pele e pele. Seonghwa arqueava as costas contra o colchão gasto, os dedos se afundando no lençol enquanto gemidos escapavam de sua garganta. Não havia ternura, não havia promessa — apenas o ritmo frenético de um alfa que o dominava com firmeza entre as coxas abertas.
O corpo de Seonghwa tremia sob cada investida, recebendo prazer de forma intensa e desesperada. Os quadris batiam em um compasso animalesco, arrancando dele gemidos abafados contra o travesseiro.
— Porra… — arfou, mordendo os lábios.
O alfa segurava seus quadris com força, enterrando os dedos na pele como se quisesse deixá-lo marcado. O contraste era quase irônico: menor em estatura, mas no calor da cama, a diferença desaparecia, substituída por pura intensidade.
Seonghwa fechou os olhos, sentindo o sexo latejar, úmido, enquanto era preenchido por estocadas firmes. O estalo molhado de seus corpos ecoava pelo quarto, cada movimento mais fundo, mais rápido, mais urgente.
— Você é tão apertado… — a voz grave, entrecortada pelo esforço, escapou rouca.
Um arrepio percorreu a espinha de Seonghwa. Não havia romance, apenas o desejo cru que escorria entre eles e o fazia se perder. Ainda assim, recobrou por um instante a lucidez suficiente para sussurrar, com a voz áspera:
— Sem nó… eu não quero.
O alfa cerrou o maxilar, os olhos semicerrados em prazer, mas assentiu com um grunhido baixo.
— Tudo bem. — sua voz soou como um rosnado contido.
O ritmo continuou, cada vez mais brutal. Seonghwa sentiu as pernas tremerem, os músculos se contraírem em resposta às investidas. Um gemido alto escapou de sua boca quando o prazer o atingiu em ondas. O alfa o segurava com mais força, acelerando como se fosse a última chance de respirar.
— Caralho… vou gozar… — o sussurro roçou quente contra sua orelha.
Seonghwa arqueou-se, gemendo alto ao sentir o orgasmo despedaçar-lhe os sentidos. O corpo inteiro pulsava em espasmos, molhando ainda mais a conexão entre eles. No mesmo instante, o alfa gemeu forte, enterrando-se fundo uma última vez antes de puxar-se rapidamente para fora. A camisinha se encheu com o jato quente, e o suspiro pesado dele ecoou no quarto abafado.
Seonghwa permaneceu deitado, respirando com dificuldade, o corpo ainda trêmulo. O alfa, suado, caiu ao seu lado, os cabelos grudados na testa. Por alguns minutos, ficaram em silêncio, apenas recuperando o fôlego.
Até que, inevitavelmente, a voz dele quebrou o ar pesado:
— Então… você tem uma filha, né?
O corpo de Seonghwa enrijeceu. Ele virou o rosto na direção contrária, os olhos semicerrados, tentando conter a irritação que borbulhava.
— Não quero falar sobre ela… não aqui. Não depois disso. — sua voz saiu baixa, firme.
O alfa suspirou, apoiando-se no cotovelo para encará-lo melhor.
— Entendo. — disse sem recuar. — É que… eu sou professor de crianças. E quando vi o seu perfil, Seonghwa, não consegui parar de pensar em você.
O ômega soltou uma risada curta, sem humor, virando-se enfim para fitá-lo. O suor escorria por seu peito, os cabelos colados à pele.
— Você fala isso para todos que conhece em aplicativo?
— Não. — respondeu de imediato. — Só para você.
As palavras pairaram entre eles. Seonghwa desviou o olhar e se levantou da cama. O corpo ainda pulsava, os músculos latejavam, mas não queria prolongar o momento. Seguiu até o banheiro sem esperar resposta.
O alfa o acompanhou minutos depois, entrando no box estreito do chuveiro. O vapor os envolveu enquanto a água escorria pelos corpos marcados por arranhões e toques. Não houve mais sexo, apenas o silêncio incômodo de quem já sabia que aquela conexão não passaria daquela noite.
Quando terminaram, vestiram-se sem trocar muitas palavras. O corredor do motel estava abafado, o cheiro de cigarro impregnado nas paredes. Do lado de fora, a noite de Seul os recebeu com uma brisa fresca.
Seonghwa ajeitou a jaqueta nos ombros, pronto para seguir seu caminho. O alfa se aproximou, segurando-o pelo braço por um instante. Seus olhos escuros carregavam algo que Seonghwa se recusou a interpretar.
— Foi bom te conhecer. — murmurou, e antes que pudesse se afastar, selou-lhe os lábios em um beijo rápido, quase casto: um selinho que contrastava com a brutalidade que haviam compartilhado minutos antes.
Depois, baixou o tom de voz, quase falando apenas para si:
— Tchau, Seonghwa.
O ômega ergueu o rosto, os olhos frios, apesar do coração acelerado.
— Tchau, Hongjoong. Até nunca mais.
