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Se algum groenlandês explorador se aventurasse e fosse até uma região afastada dos vilarejos, ele se assustaria com uma enorme máquina em formato de caranguejo atracada à superfície. Obviamente quem visse não sobreviveria por muito tempo. No entanto, nenhum morador foi tão azarado quanto os próprios roboticistas, que definitivamente não deveriam estar ali.
Enquanto estavam imersos navegando ao norte do mapa, repararam que o Caranguejo estava mais lento e fazendo um som estranho de chiado, o que era preocupante, já que estavam debaixo d’água. Para que não corressem o risco de morrerem no fundo do oceano, subiram à terra mais isolada e próxima que encontraram.
Uma segunda maré de azar os atingiu assim que chegaram à terra e perceberam que o aquecedor não estava dando vazão o suficiente para lidar com as temperaturas glaciais do inverno da Groenlândia adequadamente. Ele estava funcionando, mas as temperaturas de dentro do Caranguejo estavam ficando baixas demais para o conforto dos homens, até mesmo com a tecnologia de isolamento térmico.
E lá estava ele: o agente Rocha no meio da noite polar do lado de fora do robô mexendo no motor.
Ele estava há pelo menos dez horas seguidas tentando resolver os problemas da máquina para que voltassem à submersão. A cara enfiada no motor e obrigando o doutor continuar lá dentro, recusando qualquer ajuda em prol da saúde do homem. Embora o doutor estivesse se esforçando bastante para irritá-lo, não desobedeceu dessa vez e permaneceu em sua poltrona assistindo uma novela chamada “Un amor que viene del burrito”.
Rocha entrou novamente para a parte de dentro, usando um pesado traje de inverno. Seu rosto estava vermelho na região do nariz e bochechas e havia resquícios de neve até seus joelhos. Ele tiritava com o frio, tinha graxa na testa e nas mangas de seu casaco. Ele parecia completamente exausto.
Assim que entrou e tirou seus sapatos e casacos, começou a perambular pela casa freneticamente arrumando coisas e recolhendo lixos que encontrava, — ele já havia feito faxina naquele mesmo dia, mas não dá para subestimar a capacidade de Ivo de bagunçar tudo de novo — e tudo isso era seu comportamento típico de quando estava extremamente estressado.
Ivo estava sentado em sua poltrona enquanto usava o secador em seus cabelos, que agora estavam batendo em suas sobrancelhas. Nos últimos meses, ele estava tendo uma grande dificuldade com sua higiene pessoal, mas qual seria o melhor dia para tomar um banho caprichado do que no dia mais frio que já enfrentaram no Caranguejo? Um dia em que seu agente surtaria vendo que ele estava se esfriando mais ainda do que deveria.
Ele revirou os olhos ouvindo a agitação dos passos do homem. Essa andação toda estava o distraindo do clímax da novela, quando Arturo descobriu que, na verdade, Dolores — o interesse amoroso dele — estava armando com Javier para destruir seu negócio de burritos e planejava sua vingança.
Depois de um tempo em que a casa estava silenciosamente de novo, apenas com o som distante chuveiro e do barbeador ecoando baixo, o agente abriu a porta, secando seu cabelo com uma toalha. Até nessas situações ele era incapaz de deixar a vaidade de lado. Mas pouco tempo depois já estava vestindo suas botas mais uma vez. Quando ele pegou o casaco de neve, o doutor se estressou.
— Rocha! — chamou, finalmente.
— Sim, doutor?
Ele foi correndo até o sofá para saber o que Ivo tinha a dizer. Assim que parou em frente ao homem, já checou seu relógio para saber se havia esquecido de algum remédio. Aquela atitude era extremamente irritante.
— Deixe isso para amanhã, já é tarde da noite.
— Não posso, doutor. — o doutor sentiu vontade de lhe dar um tapa — Está frio demais e o senhor sabe que não pode ficar pegando friagem. As platinas em seus ossos vão fazer com que o senhor sinta muita dor, e não tem como correr o risco de pegar um resfria-...
— Rocha. — o doutor o olhou com seu cenho franzido, fazendo com que o agente instantaneamente calasse a boca.
— O que?
— Se você ficar lá fora, à noite…
— Sempre é noite, doutor, estamos no inverno polar da Groenlândia.
— Você tem noção do quão irritante está soando? — Ivo recostou na poltrona antes de continuar — Se você ficar o tempo inteiro no frio e com a cara enfiada no motor, é você quem vai ficar doente. Eu não quero lidar com um agente doente espirrando pela casa e atrapalhando minhas transmissões, entendeu?
Rocha assentiu.
— O que faremos então? — ele parecia perdido.
— Não seja idiota. Nós já passamos por isso antes em situações bem menos favoráveis que essa.
Rocha arregalou um pouco os olhos. A vez em que ficaram presos na Mongólia no fim de outono durante uma missão.
Estava tudo indo bem na época, no entanto, houve um acidente e eles acabaram perdendo a comunicação e os recursos tecnológicos mais importantes, ficando apenas com os materiais brutos de sobrevivência que eles haviam escondido. No dia seguinte conseguiram recuperar tudo, mas até que a noite virasse, tiveram que passar a noite toda dentro de uma barraca de acampamento em uma temperatura quase negativa.
Mas isso tinha acontecido há uns dez anos. A G.U.N. dava todo apoio financeiro e recursos humanos possíveis para que as missões fossem cumpridas. Além disso, eles eram mais jovens, mais protegidos e o doutor não tinha nem um por cento das complicações de saúde que ele tinha hoje em dia. Rocha sabia que frio demais poderia causar dores e uma queda de imunidade totalmente indesejada.
Mas, por outro lado, o interior do Caranguejo não estava tão gelado quanto a barraca na Mongólia. Embora ele não se importasse com a própria saúde o suficiente para ligar para as implicações de Robotnik sobre se resfriar, não seria uma boa ideia correr o risco de pegar alguma virose por conta da imunidade baixa, já que ele poderia transmitir isso para o doutor sem querer. Além disso, depois de ter saído do banho, o lado de fora não parecia tão convidativo quanto antes.
— Se arrume, vamos dormir.
Ivo foi se trocar, deixando Rocha parado e embasbacado.
O agente suspirou. Tudo bem, iria ceder dessa vez, não era como se não estivesse exausto. Rapidamente, sentou-se ao painel de controle para reforçar o sistema de isolamento do caranguejo, uma medida feita não só pela temperatura, mas também para manter a segurança à prova de ataques de muitos tipos. Mesmo com o isolamento, havia algumas entradas de luz espalhadas pelo caranguejo para que pudessem ver caso algo se aproxime e o radar não detecte, — embora algumas das entradas de luz tenham função puramente estéticas, já que eles também tinham seus caprichos — mas quem estivesse do lado de fora não conseguiria ver o interior.
Por fim, ao adentrar o quarto, Rocha já iria pegar seu colchonete de estilo coreano para estender no chão, mas Ivo o interrompeu antes que alcançasse-o no guarda-roupas.
— O que está fazendo? — perguntou Ivo, de lado na própria cama.
— Preparando minha cama, doutor.
— Você é idiota? Como você espera manter a temperatura assim?
Rocha arregalou os olhos. O doutor realmente esperava que dormissem juntos.
Não que essa ideia não tivesse passado pela cabeça dele, acredite, ela tinha. Mas não era algo que ele achava que o doutor cogitaria na situação atual. Eles já tinham dormido juntos antes, acontecia frequentemente quando trabalhavam para a G.U.N. e passavam noites fora em missões. Mas algo mudou após o acidente com o Robô Death Egg, a intimidade forçada entre eles pareceu distanciar mais que aproximar os dois como era lógico.
Não era difícil entender isso. O doutor vestia uma armadura de arrogância e superioridade ao se dirigir a qualquer pessoa, mas fora forçado a passar pelas situações mais humilhantes possíveis nos últimos meses. Não era de se estranhar que um certo amargor residual resistisse em sua língua ao ver seu antigo subordinado vendo sua decadência dia pós dia.
Aquele amargor fez-se presente novamente quando Ivo viu a hesitação por parte do agente. Não era fácil lidar com aquele estranhamento que ele mesmo construiu. O agente ainda o fitou por mais um segundo antes de assentir com a cabeça e guardar a roupa de cama. Sua expressão era uma tentativa falha de neutralidade, pois seus olhos nunca eram capazes de mentir. Lá estava o brilho de desconforto que resistia desde que o doutor passou a conseguir viver sem usá-lo como muleta cem por cento do tempo.
Embora não soubessem, uma pontada simultânea passou por seus peitos, silenciosa e só um pouquinho destrutiva. Era o tipo de impacto paciente e sádico que os desmontava um pedaço por dia, até que se transformassem em criaturas miseráveis e patéticas, apenas um fantasmas de seus passados e de seus sonhos, cansados de vagar pela superfície sem que conseguissem alcançar nada.
O agente se deitou na cama. Era uma cama estilo viúva, então os dois cabiam confortavelmente. Por um lado, era bom pois poderiam dormir livremente, agora, o lado ruim, era distância de alguns centímetros seguros e estranhos entre os dois.
Ivo estava de costas enquanto Rocha estava deitado de bruços, lado a lado, dividindo o mesmo cobertor. O doutor apagou a pequena luz que vinha do abajur ao seu lado. Mesmo na escuridão, era nítido que ambos ainda mantinham os olhos abertos.
O doutor respirou pesadamente antes de começar a falar.
— Me diga, agente, como você espera que eu durma se você está sendo tão estranho? — disse Robotnik.
— Como o senhor quer que eu fique, doutor?
— “Como o senhor quer que eu fique, doutor?” — repetiu ele em uma voz fina, debochando — Só cale a boca logo.
Rocha respirou fundo com a provocação sem sentido algum.
— Você age como se eu fosse quebrar a qualquer momento. — revelou Ivo.
— Eu estou aqui para cuidar da saúde do senhor.
— Você antes me olhava como se eu fosse invencível, inquebrável e inacessível. Você se lembra como reagiria se eu pedisse para dormir com você antes? Você teria me olhado que nem um cachorrinho abandonado e agradecido freneticamente. Só diga logo que você me acha patético agora.
— Doutor, o senhor sabe que eu nunca o acharia patético. É assim que o senhor está se sentindo? — Rocha pôs os braços embaixo do próprio travesseiro.
— Agora começou o atendimento de psicólogo ao pobre doutor. Anote aí, “ele passa os dias afundado na própria banha enquanto assiste telenovelas e apodrece no sofá”.
Em meio a escuridão, o coração do agente se despedaçava a cada palavra. Estava sobrecarregado, não podia negar. Durante os últimos meses, estava trabalhando de enfermeiro, médico, roboticista, mecânico, doméstico, provedor e apoio. Ainda assim, sua cabeça estava sempre cheia de preocupações. O doutor acordaria bem no próximo dia? A cirurgia iria infeccionar? O governo iria encontrá-los? Teriam dinheiro amanhã para comprar medicamentos?
Mas, nos últimos meses, com a maioria das feridas físicas se curando, a nova preocupação era outra: O doutor teria forças para lutar no próximo dia?
Ele conhecia a depressão e seus impactos, e era difícil saber até que ponto o lado de dentro de uma máquina super protegida seria segura caso o perigo viesse de dentro. Após tantas idas e voltas, o que seria de sua vida caso perdesse o doutor por não conseguir salvá-lo da própria espiral?
Sua garganta embargou com a ideia, mas não poderia ser culpado por mais uma perda. Ele fez uma força para que uma palavra saísse de sua garganta.
— O senhor é forte, doutor. Nunca vi alguém se recuperar tão rápido, o senhor já está quase bem de novo.
— Você acha que, estando bem, eu vou ser o Eggman mais uma vez?
— O senhor poderá estar vivo.
— Você começou a sonhar baixo, Rocha. — Ivo se virou, ficando de frente para a parede — Seus olhos brilhavam pensando em dominar o mundo. Você ainda é jovem, não tem por que sacrificar sua vida assim sendo que você tem capacidade para qualquer coisa.
— Não fala isso, por favor. — seu tom agora era mais sussurrado e suplicante.
— Há um mundo inteiro lá fora.
— A única coisa que me importa no mundo está aqui, comigo agora.
— Não há mais nada para bajular aqui, Rocha.
— Não há um universo em que não valha a pena lutar pelo senhor, doutor. — a voz dele tremia.
— Eu não preciso dessa babação de ovo infindável. Apenas admita a verdade.
— Ivo, por favor.
Os dois se puseram em silêncio, Rocha nunca ousava chamá-lo pelo nome. Na mesma hora que disse, fechou os olhos em arrependimento. Agora que a situação piorou, se o doutor já se sentia inferior antes, quem dirá agora que foi dirigido como alguém no mesmo nível.
Mas Ivo apenas se virou e encarou o agente na escuridão, pensativo.
— Você se lembra da Mongólia?
— É claro que sim, doutor.
— Eu me lembro como se fosse ontem. Aqueles imbecis ficaram boquiabertos quando viram os badniks e a maquinaria que usaríamos para matá-los. Quando eles explodiram tudo, achando que estavam seguros, nós apenas dissemos “quem não tem cão, caça como gato” e matamos um a um com as próprias mãos.
Rocha deu uma pequena risada ao se lembrar.
— Aqueles idiotas baixaram a guarda completamente quando acharam que tínhamos morrido. — respondeu Rocha.
— Você me deixou ir à luta e só voltou a sequer olhar para mim depois que tinha acabado com os seus. Por quê?
— Porque eu sabia que o senhor daria conta do recado.
— Bingo. — disse o doutor — Você me deixou exposto a 5 homens armados e achou que eu daria conta do recado. Por que hoje você acha que eu não sou capaz de beber água em um copo de vidro sem cortar os meus dedinhos?
Rocha permaneceu em silêncio.
— Você não tinha medo de me ver quebrar, Rocha. Quando, numa situação igual a essa, eu te dei a oportunidade de me ver quebrando, você fez questão de tentar fazer as honras. — o tom de voz de ivo era mais sussurrado agora.
O coração do agente errou uma batida, o doutor estava realmente falando sobre isso com ele agora, enquanto os dois estavam deitados na mesma cama?
— Vai me dizer que não sente nem um pouco de saudade da adrenalina de batalha? — o doutor se aproximou mais do ouvido do homem. — Você nunca pareceu tão radiante quanto quando estava em campo, em meio ao sangue, às mortes, às explosões e ao caos.
— Doutor…
— Nós dormimos naquela barraquinha gelada, achando que iríamos congelar. Mas você não sentiu frio por nem um segundo, não é? Suas mãos estavam quentes.
O doutor pegou a mão do agente e levou ao seu rosto.
— Quentes como agora.
Rocha estava mais calado que antes. A forma que o doutor estava revivendo aquelas coisas era algo que ele não esperava viver naquela noite.
— Você se lembra como ficou feliz, Rocha?
— Quando? — o agente sussurrou de volta.
— Quando eu deixei você me comer.
A respiração de Rocha se tornou mais pesada com a frase.
— Eu era o oposto de uma porcelana para você. Você se sentiu desafiado, como se nunca fosse chegar a ser tão destrutivo para merecer chegar aos meus pés. Você ama um objetivo, não é?
Ivo se aproximou mais ainda do ouvido de seu agente.
— Você parecia uma metralhadora, nunca te vi tão focado antes. Ainda tinha resquícios de sangue na sua roupa, você estava quase entorpecido.
— O senhor também tinha. Eu limpei o sangue que estava em seu bigode.
— Aquilo era sangue?
Os dois riram, o que foi um alívio, pois a atmosfera de tensão estava bem menos densa. O assunto ainda carregava o subtexto autodepreciativo do doutor, mas pelo menos estavam falando sobre memórias boas.
— As coisas mudaram demais, você se excitava só em me ver naquela época. — o doutor se virou novamente para a parede, ficando de costas para o agente — Agora, você está aqui, deitado ao meu lado, vendo a coisa menos desejável do mundo.
— Isso não é verdade, doutor.
— Ah, e você pode provar isso?
O tom de Ivo era realmente sarcástico, como o de quem estava prestes a dizer um “eu estava certo” quando a resposta fosse um silêncio. Mas ele se surpreendeu quando foi abraçado pelo agente, que definitivamente tinha como provar seu ponto.
Mas Ivo não ficou surpreso por tanto tempo. Bem, é claro que ele ficaria duro relembrando a época em que ele estava em seu auge, aposto que não ficaria excitado quando descrevesse as aventuras épicas do doutor Ivo Robotnik e seus nachos no sofá.
Mas não é como se aquela conversa também não tivesse despertado algo no doutor, que estava começando a sentir os primeiros indícios raros da sua libido sexual.
Ele se virou novamente para Rocha — estava nesse vira-vira com muita frequência — e ficou cara a cara com ele mais uma vez.
A distância logo foi cortada quando eles juntaram seus lábios. Não era o primeiro beijo deles, eles eram até mesmo frequentes em um passado distante, mas eles haviam sido quase extintos. Deus sabe o quanto pensaram neles enquanto Ivo estava no Planeta Cogumelo e não existia nem mesmo uma certeza da sobrevivência.
Embora cheio de saudades enterrada em seus peitos por anos, o beijo não foi desesperado. Ao invés disso, eles pareceram querer saborear a sensação o máximo possível. Não demorou para que começassem a usar a língua, a memória muscular já acostumada com cada padrão de movimento.
Rocha lambia o interior da boca de Ivo, que chupava sua língua por alguns instantes antes de sugar o lábio inferior dele. As mãos do agente agora se perdiam dentro do cabelo do doutor, as mãos enluvadas de Ivo passeavam pelo peitoral de Rocha antes de puxá-lo para perto.
O agente respondeu aos movimentos mudando de posição, ficando em cima do doutor antes de aproximar seus rostos e mais uma vez permitir que sua língua escorregasse para dentro da boca do doutor. Seus quadris pressionados firmemente um contra o outro, a ereção completa de Rocha se friccionando minimamente com a crescente do doutor.
Enquanto ainda segurava firmemente o cabelo que crescia próximo à nuca de Ivo, ele permitiu que seus quadris se movessem para aliviar um pouco da pressão. Ele gemeu na boca de Ivo enquanto tentava manter o ritmo do beijo mesmo com seus movimentos de vaivém.
Agora o ritmo do beijo deles pareceu acelerar, às vezes descendo para o canto do rosto e mandíbula. Dessa vez, eram apenas os dois juntos e isolados do mundo, e o único problema das marcas seria se algum dos seguidores do Huevo Diablo visse e quisesse apontar sobre isso no chat.
Até que Ivo se separou do beijo. Seu rosto estava completamente vermelho e sua respiração estava totalmente ofegante.
— Rocha, eu quero você dentro.
O peito do agente subia e descia rapidamente, e o pedido do doutor pareceu deixá-lo ainda mais tonto. Porém, o pingo de razão que ainda existia nele se lembrou da restrição médica clara que havia recebido.
— Doutor, sua coluna ainda não está muito boa. Sexo anal pode piorar a situação caso algo dê errado.
Essa frase foi o necessário para fazer com que a expressão do doutor murchasse completamente e ele perdesse a paciência.
— Tudo bem, saia de cima de mim.
— Não, não. — Rocha pareceu instantaneamente arrependido e desesperado, se inclinando e deixando dois beijos molhados em sua boca entreaberta. — Eu posso fazer isso pelo senhor, só vou precisar ser cuidadoso.
“Cuidadoso” era o exato oposto do que queria ouvir agora. O doutor apenas assentiu enquanto ouvia o agente engatinhar para o canto da cama para abrir a última gaveta da cabeceira.
Rocha voltou rapidamente com um frasco de lubrificante — que o doutor nem sabia que existia — em mãos.
Ele ajudou o doutor a retirar sua calça de moletom. Realmente estava um clima gélido dentro do quarto, pois o doutor sentiu um arrepio assim que sua pele entrou em contato com o ar.
No escuro, era possível ouvir o agente despejando o líquido em sua mão antes de recostar a cabeça na curva entre o ombro e o pescoço de ivo, chupando e lambendo enquanto começava a abrir o doutor com seu dedo lubrificado.
Ivo fechou os olhos, permitindo que alguns suspiros engasgados saíssem de sua garganta. Fazia realmente muito tempo desde a última vez que eles transaram, já que não acontecia desde que ele fora jogado no Planeta Cogumelo e não teve muito tempo antes de ficar incapacitado.
Mesmo antes, não era algo que acontecia com muita frequência. Normalmente era quando os dois tinham muita adrenalina ou muita tensão acumulada em seus corpos infelizmente humanos demais para que pudessem ignorar os instintos mais primitivos.
Ele se agarrou ao cabelo curto do agente ao sentir o segundo dedo o penetrando, entrando e saindo e se abrindo para prepará-lo. A simples sensação já era prazerosa, se somando às pequenas mordidas e chupadas audíveis em seu pescoço.
Depois que Rocha adicionou o terceiro dedo, Ivo se inclinou para sussurrar em seu ouvido.
— Eu já estou pronto.
Ele assentiu, fazendo cosquinha em seu pescoço sensível.
O agente tirou as próprias calças rapidamente e despejou mais uma vez o lubrificante em seu pau e na entrada do doutor, antes de se inclinar mais uma vez para beijá-lo enquanto se enfiava lentamente nele.
Ivo deixou um gemido baixo e arrastado enquanto sentia-se sendo penetrado mais profundamente que antes, com o agente o abrindo por dentro pouco a pouco enquanto entrava. Ele ficou uns minutos parado antes que o doutor pedisse para que ele se movesse.
Rocha começou a estocar nele, e Ivo fechou os olhos esperando seu ritmo forte e agressivo de costume, mas foi surpreendido com um padrão de movimentos lentos e suaves. É claro, sua coluna e “pipipi popopo”. Não poderia arriscar se machucar durante o sexo pois agora sua saúde estava em risco.
De olhos fechados mais uma vez, ele tentou focar na experiência e nas sensações, mas já não estava mais conseguindo aproveitar tanto quanto no começo. Agora essa era a sua vida, ele deveria se acostumar com o que havia sobrado para ele: dias inerte em sua poltrona em um robô submarino, sonhos pequenos e sexo suave para que não tivesse complicações humilhantes.
No escuro em que estavam, o agente provavelmente estava usando toda a sua força de intelecto para conseguir imaginar os cabelos negros e corpo esguio do antigo Dr. Robotnik para que continuasse duro dentro dele.
A única luz que entrava no quarto era de uma das aberturas de luminosidade que ficava próximo ao teto do quarto. Naquele momento, os raios fracos que entravam eram verdes por conta da aurora boreal que enfeitava o céu noturno.
O agente arfava em meio aos seus balanços enquanto segurava a parte interna dos joelhos do doutor para facilitar o acesso.
As ações de Ivo já estavam quase sendo robóticas quando ele sentiu o agente parando.
— O que foi? — Ivo perguntou.
— Eu estou perto. — respondeu Rocha, com um tom de voz estranho.
Isso surpreendeu o doutor, que não imaginava que ele fosse gozar tão rápido fazendo amor daquele jeito, ainda mais o agente, que costumava gostar de práticas tão extremas que faziam até mesmo o doutor ficar um pouco chocado.
— Pode gozar, Rocha.
O homem mais novo se levantou para que fosse mais fácil se mover, ainda segurando as pernas de Ivo em volta dele. Os raios verdes iluminavam um pouco o topo de sua cabeça. Agora, ele começou a meter um pouco mais forte que antes, perseguindo seu orgasmo. Pouco tempo depois, ele soltou um suspiro quase alto o suficiente para ser um gemido enquanto gozava dentro de Ivo, seus músculos do corpo se contraindo e suas costas se curvando levemente.
O doutor esperou até que o agente se recuperasse para que ele o fizesse atingir seu clímax também, provavelmente o masturbando ou o chupando, o que fosse mais rápido, de preferência. Mas a atenção de Ivo foi chamada quando reparou que a respiração de Rocha estava se tornando mais irregular que o normal.
— Rocha?
Quando o agente endireitou sua postura, seu rosto recebeu a luminosidade da aurora boreal. Era como o doutor suspeitava, seu rosto estava marcado por um fino riacho de lágrimas que desciam de seus olhos fechados, com gotículas brilhantes que se acumulavam nos espaços que existiam entre seus cílios grossos.
Foi um pequeno choque para Ivo vê-lo chorando assim. É claro, não era algo tão raro que Rocha chorasse, normalmente silenciosamente, limpando as lágrimas com o canto de suas mangas, ou soluçando baixinho de madrugada enquanto pensava que Ivo estava dormindo.
Mas havia algo de diferente na visão do agente acima dele, com lágrimas pingando de seus olhos, o canto interior de suas sobrancelhas levemente inclinadas para cima em uma rampa decrescente até a ponta. Ele se esforçava para prender sua respiração para que ela não se transformasse em um soluçar cru e audível.
Quando ele levou as costas da mão até o rosto para limpar as lágrimas, ele abriu os olhos, desviando o olhar de Ivo para evitar que ele visse muito. Mas não funcionou, pois ele só abriu mais seus olhos e o brilho esverdeado refletiu nas retinas molhadas de seus olhos enormes e castanhos.
Ivo não sabia o que sentir com isso. O clima estranho entre eles só estava causando desconforto desde o início da noite, é esse deveria ser o ápice do patético, seu agente chorando como um bebê logo depois de gozar. No entanto, o peito de Rocha subia e descia de um jeito tão errático enquanto ele quase tremia, a visão disso fez que o pau de Ivo se contraísse como não fazia há muito tempo.
— Rocha? — ele sussurrou.
O homem quebrou completamente com a pergunta, começando a soluçar. Seu pranto não tinha o som da sua voz, era como uma respiração pesada que se parcelava, então ele ficava sem ar e inspirava antes de expirar seus soluços incontroláveis e humilhantes.
Ele se retirou de dentro e caiu sobre o doutor, desabando completamente. Estava ridículo, mais ridículo do que o doutor se parecera nos últimos meses. Ele agarrou Ivo com tanta força que causava dor, as pontas de seus dedos pressionadas contra os ombros agasalhados do doutor.
— Me desculpa, por favor. Eu não quero te perder de novo. — ele miava — Eu quero ser bom o suficiente para te salvar, por favor, doutor. Me desculpa.
Os olhos de Ivo estavam arregalados ouvindo as súplicas, ele nem mesmo sabia tão bem pelo que o agente estava se desculpando, mas, por mais que sentisse pena, havia um tipo de êxtase por baixo da superfície.
— Por favor, doutor, não me deixe aqui sozinho. Eu não sou nada sem você, por favor. Por favor.
— Rocha, o que significa isso?
O agente começou a chorar ainda mais, tendo mais e mais dificuldade para formular frases simples.
— Eu estraguei tudo mais uma vez. Por favor, não me deixa. O senhor é tudo que eu tenho, eu te adoro, doutor. — ele gaguejava e soluçava.
— Rocha, pare com essa loucura.
— Doutor, eu te amo.
Isso foi o suficiente para paralisar Ivo. Essa frase sendo dita em uma situação como essa, de forma tão crua, tão humilhante e tão patética. Era quase como se os papéis tivessem se invertido de repente e voltado para os papéis originais.
O que ele faria quando estivesse encurralado entre machucar o doutor ou machucar o doutor? Era uma encruzilhada onde todos os caminhos o levariam para mais um momento em que ele estaria sozinho nesse mundo sem a única coisa que ele já se importou na vida. Um paradoxo onde ele fazia de tudo o tempo todo e, ainda assim, nada estava certo.
Ele havia deixado uma mancha molhada no suéter de Ivo onde seu rosto estava enfiado. Eles permaneceram em silêncio por mais alguns minutos, a crise do agente não diminuindo nem mesmo quando ele tentava.
Isso não estava certo. Rocha estivera lá por Ivo durante todo esse tempo e não merecia estar se sentindo tão mal. O doutor passou as mãos por seus ombros e costas. Ainda estavam rígidos, um sinal de que a tensão em seu corpo não havia se dissipado nem um pouco, e ele provavelmente continuaria nessa agitação nervosa caso não se resolvesse.
Robotnik poderia ter perdido muitas coisas, mas ainda tinha ele e sua própria voz, e ele sabia exatamente como aumentar o astral do agente.
— Rocha.
— Hm?
— Cor?
O agente levantou a cabeça, que estava no peito de Ivo. Estava escuro mas foi quase possível enxergar suas pupilas dilatando com a pergunta. Ele, com muita dificuldade, respondeu:
— Verde, doutor.
Essa era a permissão que o doutor precisava ouvir. O velho sistema de consentimento entre eles. Seu coração se acelerou contra seu peito finalmente.
— Você vai realmente ficar chorando que nem uma vagabunda no meu peito? Nós não terminamos ainda.
— Me desculpe, doutor.
— “Me desculpe dotô” — Ivo imitou com uma voz fina — Você é patético, Rocha.
Ele sentiu o coração do agente acelerando também, o que significava que estava funcionando.
— Você tem noção do quão ridículo é ouvir você miando enquanto eu tenho que fingir que sequer me importo com isso? Quem você acha que eu sou?
— Você está certo, senhor. — Rocha ainda choramingava — Eu sou patético, eu não merecia nem mesmo chegar perto de alguém tão magnífico quanto o senhor.
— Eu estou decepcionado, Rocha. — o tom de voz de Ivo era firme, como o que ele usava no laboratório — Eu te dei a oportunidade de provar seu valor e você falhou em todos os requisitos.
— É verdade, senhor.
— Cale a boca enquanto eu estou falando.
Ivo fez menção de se levantar, então Rocha imediatamente fez o mesmo. Agora ambos estavam sentados frente a frente na cama.
— Eu estou frustrado, agente. Eu te dei a oportunidade de me comer e você gozou e eu estou aqui há horas esperando. Você se esqueceu de quem é a prioridade aqui?
— Não…
— Não, o que?
— Não, senhor.
— Eu deixei você dormir na minha cama para me manter aquecido, e o que você fez foi molhar o meu suéter com suas lágrimas nojentas. Isso vai me proteger do frio, Rocha?
Fez-se um silêncio.
Logo, veio um som inesperado e estridente de um tapa dado no rosto do agente.
— Me responda quando eu fizer uma pergunta, entendido?
— Sim, senhor. — Rocha estava novamente com o rosto iluminado pela fresta de luz que vinha da abertura.
Seus olhos ainda brilhavam, mas era uma luminosidade diferente agora. Seu peito agora subia e descia em um ritmo regular e acelerado.
— Agente, tire as minhas luvas. — ele estendeu sua mão, e agora sim os olhos do agente brilharam mais, quase tendo que reprimir um gemido.
As mãos de Rocha encontram as de Ivo, e ele puxou as pontas dos dedos da luva até revelar sua mão pálida. Como estava escuro, o agente usou sua outra mão para apalpar e sentir o calor da palma da mão dele.
Com a mão desnuda agora, Ivo apalpou o peito e barriga do agente até que fechasse seus dedos em volta de seu pau, que estava completamente duro. O homem soltou um gemido com o simples contato.
— É o que imaginei, você já está duro de novo. Você gosta quando eu te ponho no seu lugar, não é?
— Sim, senhor.
— Mas você acha que depois desse show todo, você merece gozar mais uma vez?
— Não, senhor.
Ivo se inclinou para chegar mais perto do rosto do agente a luz verde entrando em cena e iluminando seu bigode e expressão maníaca.
— Mas eu vou ser piedoso com você, Rocha. Você estava implorando tão docemente para que eu te perdoasse, eu vou te dar mais uma chance. Não a desperdice.
Então Ivo puxou o agente pela nuca, como quem vai beijar. Mas, ao invés disso, ele surpreende o outro homem quando lambe a extensão de sua bochecha até a lateral de seus olhos.
O sabor do salgado das lágrimas ainda estava lá, e era completamente inebriante. Ele deixa um pequeno beijo em seu olho fechado antes que o agente o puxasse e enfiasse a língua em sua boca.
Rocha sentia o gosto das próprias lágrimas na boca do doutor, e estava completamente entorpecido pela sensação. Ele empurrou Ivo para baixo com uma brutalidade que ele só seria capaz naquele estado de excitação e confusão mental, e lá estava ele se rastejando novamente.
O agente logo pôs as suas mãos por baixo do suéter de Ivo e puxou-o para removê-lo. Não havia razão para se preocupar com frio, ele não iria sentir.
Ele atacou mais uma vez a boca do doutor, sua mandíbula, seu pescoço, até que chegou até o peitoral do homem. Ele era grande agora, a gordura que se acumulava fazia com que quase se parecessem seios. Rocha passou a língua em um dos mamilos do homem enquanto usava a outra mão para apalpar e apertar o outro.
Ivo arfava com as chupadas e mordiscadas, tendo certeza que agora as marcas apareceriam em toda a extensão de seu tórax superior.
Enquanto descia com os beijos, ele agarrava com força a cintura de Ivo, que agora era macia devido ao ganho de peso, mas ele não parecia se importar. Pelo contrário: ele parecia estar se divertindo com a nova forma de seu maestro.
O rastro de beijos acabou quando o rosto do agente se aproximou do pau negligenciado de Ivo. Ah, agora sim seria uma boa oportunidade de provar que ele merecia mais uma chance, que ele ainda era um agente competente. Ele passou a língua por toda a extensão antes de começar a chupá-lo.
A boca dele ainda era tão boa quanto antes. Ivo aproveitou que estava escuro para deixar que seus olhos se revirassem com o aperto quente dos lábios de Rocha. Ele movia sua cabeça e conseguia usar sua garganta com uma maestria que apenas um homem com uma capacidade de aprendizagem tão aguçada poderia alcançar. Ele usava as mãos da forma perfeita e, quando levantava para respirar por uns segundos, não voltava sem antes ter lambido regiões que Ivo nem mesmo lembrava que tinha.
Infelizmente, o talento do homem era grande demais e Ivo queria que isso durasse. Então, ele pegou o homem bruscamente pelos cabelos para tirá-lo antes que gozasse antes da hora.
— Quero que você termine o trabalho que deixou incompleto, Rocha.
— Sim, maestro.
Aquele imbecil, usando esses apelidos que ele sabe que deixam o doutor louco.
Rocha se inclinou para o lado da cama, em busca do botão do abajur para iluminar o quarto. Provavelmente já iria começar com aquela melação típica de “eu quero olhar para seu rosto, doutor”. Com a luz acesa, o doutor pôde ver com clareza sua expressão. Seus olhos e seus lábios estavam inchados e avermelhados depois de tanto chorar e beijar, mas agora ele tinha seu rosto determinado mais uma vez.
— O senhor pode se virar, por favor?
A pergunta pegou o doutor de surpresa, onde estava a melação típica?
— Não seja vago, Rocha. Me virar como?
— De quatro.
Ah. Agora fazia sentido o motivo da luz acesa, o agente queria olhar para outra coisa. O doutor se virou e o agente, com o resto de racionalidade que existia, pôs um travesseiro embaixo dos quadris do doutor.
Rocha sentiu que poderia gozar só com a visão que estava tendo agora: a bunda — agora existente — do doutor empinada em um ângulo que fazia com que parecesse ainda maior. Suas costas estavam completamente cobertas de cicatrizes de cortes, pontos e queimaduras que se contrastavam em sua pele pálida. Um lembrete do quão forte o doutor tinha sido por tantos anos.
A cena ainda ficava mais bonita por conta da iluminação amarelada do abajur que sombreava e modelava seu corpo de um jeito que só poderia ser encontrado em quadros renascentistas.
O agente apertou tão forte a região que deixou marcas de seus dedos antes de aproximar seu pau mais uma vez. Ele fodeu por um tempo o espaço entre as nádegas, inebriado pela sensação, antes de finalmente penetrar o doutor mais uma vez.
A sensação agora era diferente para os dois, e Rocha entendera o recado sobre segunda chance, pois não demorou antes que começasse a acelerar o ritmo.
O doutor gemia alto e o agente arfava por trás dele enquanto metia com uma força que fazia a cama se mover e ranger com a intensidade. Ele se retirava quase completamente antes de se enfiar o mais profundamente que conseguia, em um ângulo que fazia com que a próstata do doutor fosse dolorosamente estimulada.
Antes que seus movimentos se tornassem erráticos, ele parou e se retirou para virar Ivo de lado. Ele abusou da flexibilidade incrível do doutor para pôr a perna dele em seu ombro antes de voltar a fodê-lo no mesmo ritmo.
Ivo estava completamente perdido na sensação. As mãos do agente eram tão firmes em suas pernas e quadril que ele poderia levantá-lo no ar, completamente diferente do ritmo cuidadoso e amoroso do começo. Ele sentia os anos de tensão silenciosa e desejo encapsulado de Rocha pulsando e se enfiando dentro dele freneticamente.
O doutor mais uma vez sentiu seu orgasmo se aproximando, e ele quase cedeu ao desejo antes de usar a última força em seu corpo para mandar o agente parar.
— O que houve, doutor?
— Eu quero gozar sentando em você. — o doutor revelou, e o agente soltou um gemido com a ideia — Mas você vai me ajudar.
— É claro, doutor.
Rocha posicionou um travesseiro em suas costas na cabeceira da cama para se manter sentado confortavelmente, com os joelhos flexionados para servir de apoio para as costas de Ivo. O doutor montou nele, removendo o suéter do agente que era a última peça de roupa que restava entre eles.
O cabelo de Rocha grudava em sua testa por conta do suor, e sua expressão facial parecia mais leve que antes, com poucos resquícios de que havia chorado minutos antes, tendo sobrado apenas os vasos sanguíneos mais avermelhados no canto de seus olhos. Estava absolutamente estonteante enquanto passava seu olhar pelo corpo do doutor.
Ele era tão lindo que dava vontade de arrancar essa plenitude do rosto dele à força. Ele rapidamente usou sua mão para encaixar o pau do agente dentro de si, levantando seus quadris para isso e descendo novamente para que se sentisse novamente preenchido até o fundo.
Ivo começou a se mexer. Ele estava se readaptando a muitas coisas, mas não havia perdido a prática de como rebolar no colo do agente da forma que ele sabe que o enlouquece. Ele se ondulava para frente e para trás, movia seus quadris em um movimento de círculos lentos e então quicava por um tempo antes de repetir o processo em looping. Em poucos minutos, o homem abaixo dele já estava arfando, gemendo e implorando por misericórdia.
Ele também estava ajudando muito Ivo em seus movimentos, usando a força de seus braços para levantá-lo no ar quase sem esforço. Isso ajudou o homem a ter energia para continuar sentando sem se cansar muito cedo.
Ivo já estava perto mais uma vez, sentindo o pau do agente se mexendo de tantas formas diferentes dentro dele, e reparou que os músculos de Rocha estavam se tornando mais tensos à medida que os movimentos se aceleravam. Ele sabia exatamente o que fazer naquele momento.
Rocha então sentiu uma mão apertando seu pescoço. Sua respiração, já acelerada, tornou-se mais difícil e ele sentia cada vez menos sangue indo para seu cérebro. Ele soltou um gemido engasgado enquanto seu aperto na cintura do doutor se intensificava. Ele sonhou com isso durante tantas noites solitárias, tanto escondido em um aposento próximo ao Mean Bean, quanto no chão frio do caranguejo. Mas lá estava ele, com o doutor sentando nele enquanto o enforcava de verdade.
A visão de Rocha completamente perdido em seu próprio prazer fez com que os gemidos do doutor subissem uma oitava, e ele gozou poucos segundos depois, atirando em sua barriga e peito enquanto tremia vorazmente.
A sensação do Ivo se apertando em seu pau, com as coxas grossas se contraindo em prazer e a pegada em seu pescoço se tornando mais forte fez com que Rocha gozasse muito mais intensamente que em seu primeiro orgasmo da noite. Sua visão ficou preta e seu ouvido zumbia enquanto ele tremia, sem ar contra a cabeceira.
Ivo tirou a mão do pescoço dele antes de permitir que sua cabeça caísse no ombro do agente por um tempo. Ambos estavam ofegantes, suados e completamente destruídos.
Após um tempo, eles se olharam nos olhos entre os ofegos e não conseguiram evitar gargalhar um pouco. Lá estavam eles mais uma vez. O sorriso do agente era tão aliviado, descontraído e exalava uma felicidade que o doutor não via em seu rosto há muito tempo. Oh, era quase tão bonito quanto suas doces lágrimas.
— Uau. Isso foi meio intenso. — Rocha afastou o cabelo ruivo da testa do doutor — Eu estava precisando disso.
— Eu sei. Eu também. — Robotnik respondeu com dificuldade.
— Eu fui bem irresponsável com o senhor agora, doutor.
— Eu estou bem. Eu saberia na hora se tivesse me machucado, Rocha.
— O senhor se recuperou muito mais rápido do que eu esperava.
— Você precisa confiar mais em mim.
Rocha soltou um sopro nasal antes de responder.
— Sim, doutor. Eu preciso.
Eles passaram mais alguns minutos assim antes que o doutor recuperasse alguma força em suas pernas para se levantar e ir ao banheiro pegar umas toalhas para eles. Óbvio que Rocha fez menção de se levantar antes, mas Ivo proibiu-o, ele estava em um estado muito mais deplorável que o doutor.
Ivo se limpou no banheiro mesmo antes de voltar com uma toalha molhada e uma seca, e passou-a por todo o corpo do agente para limpar todo suor, sêmen e resquícios de lágrimas.
O corpo de Rocha estava completamente mole e relaxado, o que indicava que Ivo finalmente fizera um bom trabalho. Ele não se lembrava do quanto gostava de cuidar do seu agente dessa forma, completamente vulnerável abaixo dele, receptivo a tudo que ele tinha a oferecer. Era um sabor doce em sua boca depois de tanto tempo com ambos agindo ao contrário. Ele se sentia novamente apto para isso.
Após secar completamente seu agente, ele se aninhou contra ele. Ele se lembrou o quão frio estava fora da cama enquanto estava de pé, ainda mais agora que estava sem as roupas. Rocha passou os braços em volta dele e afundou o nariz em seu peito.
Os momentos de aftercare eram os favoritos de Rocha, pois funcionavam quase como um microcosmo de como ele sonhava que fosse a relação dele. Quem eles seriam quando acordassem não importava para ele naquele momento, ele se agarrava a cada segundo daquele sentimento proibido de desejo pelo afeto do seu doutor. Cada beijo que ele recebia na testa fazia com que seu coração se acelerasse, e sua maior lamentação era não ter energia suficiente para permanecer acordado por tanto tempo.
— Doutor. — Rocha sussurrou — Sobre o que eu falei mais cedo…
— Sobre?
— Quando eu falei que te amava.
Ele aproveitou o momento para entrar nessa zona proibida.
— Você estava afetado pela intensidade do momento.
— Não, doutor. Eu estava falando sério.
Ivo não queria lidar com isso agora, então apenas puxou o rosto do agente e deu um selinho em seus lábios.
— Você está se sentindo melhor, Aban?
A pulsação no peito de Rocha acelerou completamente com o uso de seu nome. Era como se ele fosse um humano por uma noite.
— Estou sim, Ivo. — sua voz era sussurrada — Eu só estava sobrecarregado. E você?
— Também estou. Devíamos fazer isso com mais frequência.
— Por favor. — mais uma vez o sorriso aparecia no rosto do agente — Eu gostaria muito.
Ele apertou o doutor com mais força ainda, e não demorou muito até que adormecesse. Talvez a falha no funcionamento do Caranguejo não tenha sido tão ruim, afinal. Ainda assim, ele teria que tentar resolver isso pela manhã, mesmo que a noite na Groenlândia pareça não ter fim, eles dariam um jeito de sair de lá juntos e procurar um pouco de sol em um local mais familiar para os dois.
