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Chronocausa

Summary:

Um universo em caos. Talvez seja tudo a minha culpa e infelizmente não posso consertar. Como que um único desejo pôde trazer a desgraça de tanta gente?

Um gênio dos desejos se ver entre o abismo da culpa, ressentimento em meio ao mundo que quebrou as rédeas do tempo e do espaço.

(Versão beta com chances de atualizações nos capítulos)

Notes:

(See the end of the work for notes.)

Chapter 1: O gênio e o garoto

Chapter Text

O mestre manda e o gênio obedece. Sempre foi assim desde os primórdios. E continua da mesma forma, mesmo com o seu novo mestre encontrando a lâmpada. 

A vantagem de ser o gênio é que desde o início de nossa existência temos um grande poder cósmico, podendo desafiar até os deuses. 

Como assim? 

Não podemos fazer nada com esse poder se nosso amo não desejar ou ordenar. Além disso, até sermos invocados, temos que esperar dentro de uma casinha minúscula que está conectada com os pilares djinn. 

Toda a minha existência foi traumática, mas estava dentro dos limites da acessibilidade. Foi assim… até meu último mestre. 

Ele queria poder, como qualquer outro ser vivo que procurasse pela lâmpada desejava. Mas a sua ganância ultrapassou todos os limites que eu conhecia. O seu desejo desencadeou um colapso no espaço-tempo. Um colapso que massacrou vidas inocentes, destruiu vilas e florestas, modificando toda a fauna e flora e trazendo conceitos de diferentes mundos. 

Meu parou no céu, notando que era a única coisa que eu só conseguia enxergar diante da destruição. 

O céu está repleto de nuvens e trovões. Raios de diversas toneladas caíram do céu e destruíram tudo que tocavam. Portais de formas e cores diferentes apareciam por todo o espaço causando falhas na história. Se prestasse bem atenção, dava para ver o outro lado de um mundo onde tudo parecia ser feito de gosma ou um universo meio futurista. 

Todos que viram aquela bagunça senti que, se ninguém não fizesse nada para resolver, causaria a destruição de seu mundo no futuro.

Alguém que tinha o poder como o meu poderia resolver aquela bagunça. Eu poderia resolver. 

Mas eu não resolvi. Eu não consigo. Eu não poderia. 

Pois, um gênio é apenas uma máquina de realizar desejos, nada além disso. 

— Glúten. 

Eu só estava lá para cumprir meu papel de máquina. 

— Meu último desejo… 

E fingir que nada de ruim aconteceu. 

Depois daquele dia, eu não fui invocado novamente pela lâmpada para o lado de fora. 

Eu fiquei preso. Sozinho. Em um lugar apertado. Por muito tempo.. 

 

••_______________________________________••

 

— Vocês deveriam estar se perguntando... 'Por que um gênio que simplesmente não é tão impressionante está conversando com vocês?'

Uma escuridão imensa mergulhava em tudo ao redor. Não havia janela, mas pelo menos tinha uma porta. Bom, ele nunca sequer usou para sair quando bem entendesse como se fosse uma casa. Mas ele tinha.

— É aí que eu digo: 'Porque eu quero.' Não tenho outros motivos. 

O ser que se denominava gênio estava falando com uma expressão de tédio, sentado no que poderia dizer 'sofá luxuoso' de uma época bem distante. 

— Bom, talvez seja por causa de que estou com tédio. Por causa de que eu estou em um grande “cochilo” de... Dois mil anos? Nem estou contando mais. 

As mãos dele batiam levemente em seu estômago, enquanto seus cabelos grandes e lisos caíam em cascata pelo seu ombro esquerdo. 

— Não me leve a mal, eu amo ficar assim. Mas estou com tanto tédio que eu poderia aceitar a realização de desejos de pior ser já existente da existência. Bom… Não é como se eu também tive outra escolha se isso acontecesse. 

O silêncio era insuportável. Mas para quem já estava habituado, era apenas mais um som qualquer. O que quebra esse silêncio é um suspiro, vindo da mesma pessoa que reclamava neste instante. Ele se declarou do sofá e começou a caminhar de um lado para o outro, querendo distrair sua cabeça novamente com outra coisa. 

— Eu realmente estou ficando louco. Comecei a falar sozinho. — Ele deu uma pausa. — Bem que o destino poderia me dar um mestre! Um que fosse decente! 

O seu grito ecoou pelo ambiente, esperando uma resposta que nunca iria chegar. A sensação de derrota e facilidades inundaram seu peito enquanto caminhava de volta para o mesmo sofá que agora um pouco resmungava. No instante em que estava sentado, ele notou o ambiente assumindo cores e luzes. 

As luzes que formavam eram todas coloridas, que se destacavam nas paredes que eram de metal dourado, como também chamavam a atenção no tapete de pelagem e na mesa de centro. 

— Isso…

Isso só queria uma coisa. Ele havia adquirido um novo mestre. 

O seu cenho se franziu ao perceber a situação. Talvez ele tenha pedido ao destino com força demais. 

— Eu só tinha aqui por falar… Que merda.

Por um breve momento, ele sentiu um aperto no peito, mas resolveu ignorar. Ele tinha que ignorar. Não era algo importante. 

Como não tinha escolhas, ele decidiu sair da lâmpada, transformando-se em uma bola de fumaça e desaparecendo de seu eterno lar. 

Ao sair da lâmpada, ele se deixou crescer para mostrar a sua imponência para o seu senhor que o havia invocado e, ao mesmo tempo, cruzou os braços. A voz se estendeu, deixando-a mais grossa, completando a sua chegada triunfal. 

— Ó, Grande Amo, que invocais a mim. Estarei a seus serviços até desejar os três. 

O silêncio se instalou no ambiente, o que fez o gênio estranhar o porquê de seu mestre não dizer nada. Então decidi repetir a frase mais uma vez. 

— Eu disse: ó… Grande… 

Quando ele abaixou a cabeça enquanto procurava o clichê de sempre: um homem arrombado e barbudo que usa roupas bem formais para se assemelhar a esse tipo de pessoa. 

Mas o que ele notou foi uma criança. 

Não há nenhuma criança nobre ou uma criança que mendiga; era literalmente uma criança de condições muito boas pelo que aparentava. Se o gênio se importasse com cada mestre que teve, ele diria que essa criança não sofria de fome, sede ou até uma vida precária sem roupas boas. 

Ele tinha uma roupa mediana, mas ótima para o dia a dia, pele branca limpinha e um cabelo loiro caramelo. 

Mas, como não se importava, só veio um único pensamento em sua cabeça:

'Não acredito... Por favor, diga-me que essa criança é um lacaio. Ele só ficou curioso com os artistas do mestre e deu uma limpadinha. É isso! Tem que ser.

Ele não mudou para o comportamento daquele garoto, apenas ficou observando com arrogância. 

— Garoto.

— Hã?

O menino se surpreendeu de forma como se tivesse acordado de uma hipnose. 

— Onde está o seu mestre?

— Meu... Mestre?

— Isso. O seu chefes.

— Que chefe?

O gênio levou a mão até o rosto, exasperante, enquanto murmurava. 

— Dai-me a santa paciência. Ó seu chefe, garoto! O seu líder, o comandante, ditador, ou seja lá como você o chama! 

A sua voz foi aumentando no decorrer das palavras que surgiram, deixando transparecer por um momento a sua impaciência. 

— … Eu não tenho um mestre. 

— Quê? 

— Não tenho um mestre. Eu estou sozinho. 

— Você está me dizendo que você me achou sozinho? Sem ninguém? — Suas sobrancelhas se ergueram de dúvida, tentando assimilar a resposta do garoto. 

A criança não demorou para responder e concordar, respondendo com um sorriso doce no rosto. 

—Isso! Estou completamente sozinho. E você seria o quê, moço?

'Como é que você não sabe o que eu sou?! Por acaso você é de outro mundo?”

Era isso que ele queria responder, mas deixou a resposta para si mesmo, voltando a subir na conversa como o súdito de um rei. 

— Eu sou um gênio, mestre. 

— Mestre? — O garoto olhou para o gênio com dúvida. 

— Sim. Mestre.

— Por que me chama de mestre? 

— Porque o senhor me invocou. E agora tem o direito a três desejos. 

— Três desejos?

— É… — ele estava ficando sem paciência, mas continuava fingindo estar calmo. — Você pode me fazer três desejos. 

— Por que três desejos? Não poderia ser cinco... Ou talvez dez? 

— Não, senhor. Tudo tem que ter um limite, pois, se não tiver limites, mal dá para saber até onde tais pensamentos o levar. 

O gênio não sabia que não tinha uma enorme paciência. Ele nunca precisou se estressar com seus mestres anteriores, que sempre foram rápidos e diretos. 

Agora, tornando-se um gênio de uma criança, sentiu-se com vontade de gritar e voltar logo para dentro da lâmpada, torcendo para o menino ir embora e desistir dele. 

— Sem limites... Hm... Tá! Então, meu primeiro desejo é que todas as pessoas da minha cidade tenham um lar adequado. 

"Finalmente."

O gênio deixou um sorriso aparecer em seu rosto enquanto ele se curvava para mostrar respeito ao seu mestre. Mesmo que há alguns segundos ele estivesse pensando em assustá-lo para ter sua paz novamente. 

— O seu desejo será concedido. 

O brilho em suas pulseiras e gargantilha douradas se manifesta enquanto suas mãos também transmitem cores vibrantes com tons avermelhados e dourados. A magia se acompanha por todo o ambiente, chegando ao redor do garoto e se movendo como uma dança e depois desaparecendo.

Quando tudo parecia normal, o garoto olhou para o gênio totalmente surpreso e animado. O gênio percebeu que aquele menino só acreditou nele no momento em que realizou o desejo.

 

'Parece que esse menino saiu da caverna hoje e no mesmo instante deu cara com uma lâmpada mágica.'

 

— Meu mestre, o senhor tem atualmente dois desejos.

 

Quando estava terminando sua fala, o garoto o interrompeu inflando suas bochechas.

 

— Não me chame disso! Eu sou apenas um garoto!

 

'Não me diga! Se não me falasse…'

 

Ele reprimiu a vontade de falar algo inapropriado e apenas assentiu com a cabeça.

 

— E como o senhor quer que eu o chame?

 

— Kurt.

 

— Kurt?

 

— É o meu nome. Kurt Gael Vincent. Mas prefiro Kurt.

 

Kurt abre um sorriso no rosto enquanto continua a observar o gênio, esperando que ele fale alguma coisa sobre isso, mas ele apenas concorda com a cabeça e volta a cruzar os braços ao redor de seu corpo.

 

— E então?

 

O garoto disse para o gênio, o que ele respondeu com outra pessoa enquanto tentava entender o que ele havia feito de errado.

 

— Então o quê, mestre Kurt?

 

— Agora é sua vez de dar o seu nome.

 

Ele ficou surpreso. Nenhum dos seus mestres disse o nome como aquele garoto disse.

 

— Meu nome…

 

'Para falar a verdade, eles nem me dão tempo de me apresentar. Eles só me invocam, fazem os seus desejos e depois me descartam, felizes que adquirimos ou que tanto desejamos.'

 

Sem se deixar entrar em um longo pensamento sobre o quanto foi maltratado, ele voltou a atenção para Kurt. Os ombros que sempre se mantiveram firmes, ele deixou cair por um breve instante voltando para a firmeza novamente.

 

— Meu nome é Shirokuro.

 

— Shirokuro.

 

Ele disse o nome de Shiro como se testou como soava em sua voz, antes de voltar a sua atenção para o dono do nome com um grande sorriso em seu rosto.

 

— Muito prazer, Shiro! Espero que sejamos ótimos amigos!

 

'Amigos… Ele me deu até um apelido... Que garoto estranho.'

 

Mesmo dizendo isso, por um breve instante, pareceu que a visão do gênio se estendeu para além do seu mestre que estava em sua frente.

 

Ele nunca se deu o trabalho de observar tudo ao seu redor desde o seu segundo Amo. Ele treinou e se adaptou para não enxergar nada além do que seu mestre pedia. Não que Shiro achasse uma perda de tempo, era o simples fato de que se ele enxergasse algo a mais, ele iria se importar. Isso não deve acontecer. Pelo menos com ele não deve acontecer. A última vez que ele cortejou essa regra foi com o seu último mestre.

 

A destruição causada por um desejo. As linhas do destino e do tempo se romperam e se entrelaçaram trazendo a destruição e o desequilíbrio. Isso se tornou algo tão perigoso que ele se forçou ainda mais a apagar de sua visão tudo o que estava ao redor.

 

Mas ele se permitiu quebrar essa regra novamente por uma simples frase tola.

 

Ele se permitiu ser afetado. 

 

Ao redor dos dois, parecia um enorme campo com o gramado de cores verdes claras e escuras devido ao brilho do sol. Estranhamente, ele queria prestar atenção em tudo ao seu redor. O céu era um azul vivo, sem nenhuma nuvem. Por perto, tinha uma cidade que não era muito grande, como também não é muito normal ter uma cidade pequena perto de um campo gigante.

 

Nada disso faz sentido por conta desse desejo. Aquele desejo que ele fez.

 

— Shiro?

 

Quando uma voz chamou seu nome, ele respondeu pela primeira vez depois de muito tempo de existência. Ele foi atônito por um breve momento, mas respondeu à formalidade do senhor e servo.

 

— Desculpe-me. Achei que tinha ouvido uma voz, mestre.

 

Suspiro.

 

Esse suspiro não vem de Shiro.

 

— Eu já pedi para você não me chamar assim, Shiro. Eu me chamo Kurt.

 

— Kurt. Sim…

 

O garoto não havia notado como expressões de Shiro por um breve momento, caminhando saltitante até a cidade onde deveria estar uma vila, obviamente na lógica normal.

 

— Vamos lá, Shiro! Quero ver aquele desejo de trabalhar.

Notes:

Uma novel escrita originalmente por mim. Provavelmente ocorrerá mudanças de texto caso eu achar que não ficou muito bom depois de uns dias sem ler. Então recomendo que a cada capítulo novo sendo lançado, retome o capítulo anterior para ter certeza que não foi reescrito.

Qualquer coisa eu aviso vocês leitores. Obrigada por lerem ❤❤❤❤