Chapter Text
- TW/CW: Conteúdo LGBTQ+. Linguagem impropria. Troca de Identidade. Casamento por conveniência/falso.
PRÓLOGO: A LIGAÇÃO DOS GÊMEOS PHORNPINIT
Desde que o mundo era mundo, quando se tratava dos irmãos gêmeos JJ Radchapon e Jai Ritthichai, as coisas sempre vinham a ser ditas sem realmente serem ditas. Assim era e sempre foi com os irmãos Phornpinit: o tal mito da ligação de gêmeos que todos gostavam de falar.
Fosse a sensação incômoda de quando um batia o dedinho na quina, fosse a sensação de um aperto no coração quando o outro estava triste ou fosse o calor na barriga quando o outro se sentia feliz.
A questão é que não se precisava falar muito. Bastava um olhar de escanteio de um para que o outro entendesse rapidamente do que se tratava.
E naquele exato momento, no jantar de ensaio do casamento, não foi diferente. Jai não precisou fazer muito para que JJ do outro lado da mesa de jantar, parasse imediatamente sua conversa com algum primo da família Phornpinit e olhasse de volta para seu irmão gêmeo.
Jai piscou, uma, duas, três vezes, de forma lenta. JJ, com um sorriso pequeno, se levantou de sua cadeira, dizendo que precisava ir ao banheiro. Jai, seguindo seu irmão com os olhos, contou: “Um, dois, três, quarto….” até que chegasse no “dez”.
Ele olhou para a esquerda, onde o seu noivo, Net, estava sentado em completo silêncio, segurando uma taça de champagne.
— Senhor Net, eu vou sair só por um minuto para tomar um ar, tudo bem? — ele praticamente sussurrou, com medo que alguém mais o ouvisse.
Net olhou para ele, os olhos profundos se mantinham indecifráveis, como sempre. Balançou a cabeça uma única vez com um sorriso pequeno no rosto para sinalizar que tinha ouvido, antes de retornar o olhar para a taça. O corpo dele estava ali, mas a mente parecia a quilômetros de distância daqui.
Jai se levantou e saiu da sala de jantar, aproveitando que todo o resto da mesa estava concentrada na velha e repetitiva história sobre como seu pai perdeu a ponta do dedão em um jogo de basquete. Ninguém dizia em voz alta, mas toda vez que aquela história era contada, algum detalhe nela sempre mudava.
No andar de cima, no quarto da Jai, um JJ completamente inquieto esperava sentado em um puff branco e fofinho. Ele estava usando um paletó azul escuro sobre uma camisa social branca, calças de alfaiataria da mesma cor do paletó e sapatos mocassim pretos. Seus dedos, cobertos de aneis da Cartier, batucavam para cima e para baixo sobre sua coxa. Seu cabelo castanho estava em um penteado encaracolado e volumoso com algumas mechas cobrindo sua testa.
Seu irmão não demorou a chegar, fechando e trancando a porta logo em seguida, afobado. Ele estava usando um conjunto social branco com um corset bege, ao qual acentuava sua cintura, por cima. Os pulsos, as mãos, as orelhas e o pescoço estavam enfeitados por joias trabalhadas no ouro de várias marcas de grife.
— Qual o problema? — JJ perguntou, começando a ficar apreensivo.
Dos dois, Jai, sendo o mais velho, era o mais tranquilo dos gêmeos, então vê-lo tão nervoso não era bom sinal.
Os sapatos com saltos beges andaram de um lado para o outro no tapete felpudo azul bebê, enquanto as mechas castanhas balançavam suavemente acima da pele bem clara do ombro dele. Uma de suas belas unhas cor de rosa estava sendo mordida sem piedade por seus dentes.
JJ, mesmo ansioso e irritado com a demora, não disse nada. Ele sabia, melhor do que ninguém, que quando seu irmão começava a andar daquele jeito é porque estava organizando os seus pensamentos e ele não deveria interromper.
Passou quatro, cinco, talvez sete minutos dele andando pra lá e pra cá até que ele parou, abruptamente. O rosto dele se virou na direção de JJ. O mais novo paralisou sentindo os olhos pretos de seu irmão o encararem profundamente.
— Eu não posso me casar.
Ele soltou a bomba, curto e direto. 3 dias. Faltavam 3 dias para o casamento e seu irmão estava dizendo que não podia se casar como quem diz que precisava comprar salada de mamão.
JJ se levantou do puff, os olhos redondos arregalados.
— O QUE?! — ele exclamou, entrando praticamente em um curto circuito.
Jai correu em sua direção, tampando a boca de seu irmão. Mesmo que a festa estivesse rolando lá embaixo, eles não deviam arriscar chamar a atenção. JJ retirou a mão de Jai da boca e respirou fundo, uma, duas, três vezes antes de perguntar em um sussurro:
— Por que…? — Jai olhou para baixo, não conseguindo dizer nenhuma palavra. — Senhor Net… ele fez alguma coisa? Te tratou mal?
— Não, não é isso. — balançou a cabeça, cruzando os braços, como se tentasse se abraçar. — Ele sempre foi extremamente educado e gentil.
JJ então olhou para ele, confuso, ele não precisou perguntar em voz alta para o gêmeo escutar: Então, por que você não quer se casar com ele?
Normalmente, todo mundo saberia a resposta para isso. É um casamento arranjado, não teria outra resposta se não…
— Eu não o amo. — ele murmurou, desviando o olhar.
— Isso é óbvio. — respondeu de imediato, como se aquilo fosse banal. — Mas você nunca se importou com isso antes. O que mudou exatamente?
Jai não conseguiu responder, mordendo o lábio inferior, nervoso.
Desde que eles eram pequenos, Jai sabia que se casaria por negócios. Há um ano atrás, quando o seu casamento foi decidido para ligar as famílias Phornpinit e Manithikhun, Jai agiu como se aquilo fosse o esperado.
A família Phornpinit há alguns anos não estava indo bem nos negócios e a família Manithikhun fez a sua cota de inimigos no meio social da elite, tendo sua reputação arruinada com diversos escândalos. Uma tinha o dinheiro para resolver os problemas da outra. E a outra tinha o nome e renome para salvar a imagem de alguém. Era o trato ideal, quase perfeito, por assim dizer, amarrado em um único casamento.
Quando JJ perguntou o que ele achava daquilo, tudo que Jai respondeu foi:
— Por mim tudo bem, se é bom para a família, é bom para mim.
Naquele dia, como JJ não sentiu o costumeiro aperto no coração quando seu irmão se sentia triste, ele sabia que tudo dito era verdade: ele realmente não se importava de se casar assim.
Desde que o noivado foi confirmado e os contratos assinados, ele colaborou tão bem com todos os preparativos deste um ano que JJ até mesmo se questionou se seu irmão não tinha começado a se apaixonar por Net.
É claro que essa possibilidade foi despedaçada em dois minutos de conversa onde ele percebeu que Jai só estava fazendo o que tinha que fazer como o filho que “foi criado como filha”. Não é surpresa que ser “esposa” de alguém fazia parte deste pacote.
Mas agora, ali, com 3 dias para o casamento, ele estava dizendo que não ia se casar porque não amava Net.
Amor? Jai Ritthichai se importando com amor? Logo ele que odiava sequer ler romances ou assistir qualquer novela romântica? Aquele que disse para um JJ de 12 anos que o crush que ele sentia não era nada mais que uma reação hormonal passageira e que ele deveria ignorar? O mesmo que disse que o amor era uma invenção capitalista para vender bombons e presentes caros no dia 14 de fevereiro?
JJ sabia que esse não era o motivo. É claro que ele sabia. Eles eram irmãos, se conheciam há 24 anos. Não só isso, eles tinham a inexplicável ligação de gêmeos. Por isso, ele sabia que Jai estava mentindo.
— Você precisa pensar em um motivo melhor. — ele finalmente falou depois de 5 minutos de silêncio, ainda mantendo o contato visual com Jai. — Você sabe o que envolve esse casamento, o pai vai te deserdar e a mãe talvez te mate. Puta que pariu, eles até convidaram todo tipo de jornalista para o dia, isso vai se tornar um escândalo gigantesco! Você precisa achar um bom motivo, um que eles não possam questionar, um que te livre disso. Você sabe como eles são!
Ele começou a entrar em pânico, agora sendo ele a esmagar o tapete felpudo com seus sapatos, andando de um lado para o outro. Jai estava quieto olhando para JJ, tão nervoso quanto ele. Os dois sabiam muito bem como os pais eram: tradicionais, rígidos e inflexíveis. Um pouco machistas, mas não exatamente homofóbicos, isso era óbvio pelos filhos que tinham e pelo casamento que aconteceria daqui três dias.
E acima de tudo, eles prezavam muito os “bons costumes”, o seguimento de regras, e tendo um contrato que valia milhões em jogo eles poderiam se tornar pior do que já eram.
Se Jai tivesse discordado do noivado há um ano atrás, ou tivesse cancelado meses antes, talvez houvesse ainda a possibilidade de uma conversa com os pais. Mas três dias? Era melhor abrir o caixão e deitar logo nele.
— Talvez você tenha que fugir. É! Fugir talvez seja a melhor escolha. Eu posso te ajudar a fugir. — gesticulou com as mãos como um doido, ficando nervoso como se quem estivesse prestes a ser deserdado e morto pelos pais fosse ele.
Jai mexeu nervosamente nas mechas onduladas de seu cabelo.
— Fugir? É o melhor que se pode pensar? Eles vão me achar em 4 horas. — zombou sarcástico. — Agora é você que parece não conhecer nossos pais, Juju.
JJ parou e retrucou:
— Bom, é melhor do que essa baboseira de amor, né? — Ele esfregou as mãos trêmulas na cabeça, bagunçando os fios de cabelo. — Eu aceitaria até você dizer que mudou de ideia porque sim do que isso! Nós dois sabemos que usar essa desculpa de novela não funciona com a nossa família. Qual é o motivo, hein? Pelo menos sabendo, eu posso ser uma ajuda melhor, não acha?
Jai mordeu os lábios, revirando os olhos, irritado.
— Eu sei, eu sei que é baboseira, tá? — JJ o olhou, erguendo a sobrancelha, esperando que ele dissesse o motivo real dessa súbita mudança. — Eu não posso dizer o motivo, ok? Não me force, eu não posso, eu realmente não posso!
Ele parecia perto de lacrimejar. Jai segurou os braços de seu irmão e o olhou direto nos olhos, esses que eram tão parecidos com os seus.
Bom, como gêmeos idênticos tudo neles era bem parecido, na verdade. A única coisa que os separava na aparência era o corte de cabelo e seus estilos. JJ era mais masculino enquanto Jai, sendo criado como a “filha” da família, era mais feminino. De resto, eram cara-crachá.
— Eu realmente não posso me casar com ele, Juju. Eu…. eu preciso sair daqui.
Havia puro desespero em seu rosto. O aperto no peito de JJ veio, como sempre vinha quando seu irmão estava mal. Sufocante. É isso que é a ligação de gêmeos.
O motivo do seu irmão era vago, quase desconhecido, e pouco acreditável, mas a dor no peito que ele sentiu era o suficiente para lhe convencer de que Jai realmente não podia se casar. Naquele exato momento, com JJ já tomando as dores de seu irmão como suas, ele soube que não haveria volta.
— Então… o que devemos fazer? — perguntou, enquanto se afastava lentamente de Jai, olhando para cima como se isso fosse lhe dar alguma resposta.
Os dois ficaram ali, em silêncio, botando as engrenagens de suas cabeças para trabalhar em uma solução. Em poucos minutos, os olhos de Jai se iluminaram.
— Talvez a ideia de fugir não seja tão ruim. — disse com a mão no queixo. — É, ir para algum lugar longe, bem longe, daqui pode ser o único jeito.
— Mas eles vão te achar rápido, você mesmo disse. — JJ pontuou.
— Não se eles acharem que eu ainda estou por aqui. — Um sorriso surgiu em seu rosto, enquanto ele olhava seu irmão de cima para baixo.
Não demorou para JJ entender.
— Não, não, não! — se afastou, negando com a cabeça. — Isso de novo não, Jai! Prometemos parar!
Não era a primeira vez que seu irmão pedia isso. JJ não podia nem mais contar nos dedos quantas vezes eles fizeram essas trocas para resolverem os problemas um do outro.
Eram trocas de uma hora ou de um dia, no máximo. JJ botava apliques de cabelo, uma boa maquiagem, usava uma roupa mais feminina e sapatos com saltos bem pequenos. E aí, ele atuava. Ele fingia ser Jai Ritthichai, seu irmão gêmeo.
— Por favor, Juju! — ele agarrou o braço de JJ, afobado. — O contrato é de um ano, somente. Depois disso, mesmo se rolar um divórcio não vou ser deserdado nem morto, como você falou! Você só precisa ficar casado com ele por um ano. É simples.
Simples. Ele quis rir. Não havia nada de simples em fingir ser seu irmão e ficar casado com o noivo dele pelo caralho de um ano.
A razão para eles nunca terem sido pegos é porque não dava tempo de alguém os flagrar, eles nunca ficaram trocados por tanto tempo. JJ conseguia pensar em milhões de formas disso dar errado.
Se fosse qualquer outro momento, JJ não se importaria em fazer, já que ajudar Jai sempre foi uma prioridade para ele. Mas eles não estavam falando de fingir ser o outro por um dia, eles estavam falando de 12 longos meses.
— Se é tão simples, então por que não casa com ele e aguenta por um ano?
O mais velho não respondeu, ficando em silêncio de novo.
Tão enigmática, pensou JJ, irritado.
— Você não percebe o que tá me pedindo? — continuou, quase esbravejando. — Não estamos falando de horas, estamos falando da porra de um ano, Jai! E quanto a mim, vou apenas desaparecer? Que tipo de irmão eu seria se não atendesse seu casamento? Pensou pelo menos nisso?
A pergunta veio carregada de irritação. Havia uma regra silenciosa nas trocas: eles evitavam ficar no mesmo lugar quando a faziam. Era um risco que nenhum deles queria ter.
— Não percebe que é um plano maluco? Agora a ideia de você se importar com amor parece até mais decente!
— Uma a duas horas não é tempo suficiente para ninguém notar. Podemos trocar no casamento, no dia da cerimônia, eu vou tentar ficar o mais despercebido possível. Posso ir embora vestido de você assim que a festa começar. — Jai explicou naturalmente, como se todos os problemas que JJ trouxesse tivessem soluções simples.
— Os nossos pais vão notar, Jai!
— Qual é? Eles nunca conseguiram nos diferenciar, ninguém nunca conseguiu! — ele disse, quase debochando, antes de apertar o braço de JJ com força. — Você não pode fazer isso por mim, hein, por favor? — Os olhos redondos dele pareciam implorar, o rosto formando uma careta repleta de desespero. — Por favor, Juju.
JJ evitou olhar nos olhos dele. Sabia melhor do que ninguém que ele acabaria cedendo, ele sempre cedia.
JJ cedeu quando Jai pediu para ele fazer sua prova de recuperação de física. Cedeu quando ele pediu para JJ terminar com um namorado esquisito na época da faculdade. E cedeu quando o mais velho pediu, inúmeras vezes, para atender as festas ridículas de seus amigos insuportáveis nos últimos 10 anos.
É quase vergonhoso o quão fraco ele era para alguém que tinha literalmente o seu rosto. Ele não sabia dizer se era porque amava muito seu irmão ou se era porque se amava muito.
E ali, com Jai segurando seu braço, apertando-o como se dependesse disso, o mais novo estava prestes a ceder de novo e casar no lugar dele. Eles eram parceiros de crime, sempre encobrindo o outro, era uma batalha que ele sabia que já tinha perdido.
O mais novo soltou o ar, derrotado. Não acredito que vou fazer isso de novo.
— Tá, tá! Aí, que saco, Jai!
Jai sorriu, enlaçando os braços no pescoço de seu irmão, o abraçando forte.
— Obrigado, obrigado, muito obrigado!
JJ tentou segurar o sorriso, ainda bravo por ter cedido tão fácil.
— Certo, certo. — deu tapinhas nas costas de seu irmão. — Você realmente não vai me dizer a razão, não é?
Jai o olhou, os lábios em uma linha. Silêncio de novo. Seja qual for a razão, ele parecia irredutível de abrir a boca sobre o elefante gigantesco na sala. JJ se afastou dele para olhá-lo.
— Ok, ok, eu não vou mais perguntar. — JJ passou a mão no cabelo, o ajeitando, ainda tremendo de nervoso. — Só um ano, você diz. Qual vai ser a desculpa para eu desaparecer por um ano? — bufou, cruzando os braços.
Jai pensou por um minuto, olhando para cima.
— Bem, você sempre vive dizendo que queria fazer um ano sabático de viagens para te dar inspiração, não? — disse animado. — Todo mundo sabe as loucuras que você faz para escrever seus romances.
Ele não estava errado. JJ realmente botava seu trabalho de escritor em primeiro lugar, deixando de comer, dormir ou sair de casa para poder escrever. Ele também tinha a mania de fazer perguntas constrangedoras a estranhos completos apenas para saber a melhor forma de “descrever as sensações” de seus personagens. Não era normal, ele sabia, mas era algo necessário para atingir a “perfeição” da arte da escrita em sua perspectiva.
Jai então continuou:
— E com a sucessão de Latte como CEO acontecendo, ninguém vai sentir a sua falta.
JJ riu, chocado.
— Ha! Obrigada pela parte que me toca, seu insensível!
— Desculpa, desculpa, não era para soar assim! Mas você sabe que eles vão estar focados totalmente nele, né? — revirou os olhos, zombeteiro. — O filho favorito finalmente no lugar de direito.
JJ desviou o olhar, sua expressão neutra. Há muito o favoritismo de seus pais não o afetava.
Latte Thanutchon era o mais velho, filho do primeiro casamento do pai dos gêmeos, e havia muitas expectativas do sucesso do brilhante prodígio da família Phornpinit. Até mesmo a mãe dos gêmeos dava um tratamento privilegiado ao rapaz.
Com o passar dos anos, a inveja de JJ de receber toda aquela atenção virou pena. Afinal, com toda aquela expectativa em cima do filho mais velho, Latte sequer poderia pensar em outra possibilidade que não seja assumir os negócios da família.
— Eu sei... Tá, uma viagem solo por aí, é isso que você vai fazer no meu lugar, então? — assentiu, concordando. — Mas e quanto ao seu noivo? Não acha que o senhor Net vai notar? Casar com ele significa morar com ele por um ano… — ele começou a andar em círculos até que a ficha caiu. Parou e encarou Jai. — E-e quanto a… a noite de núpcias!? Tem limite para o que eu consigo fazer no seu lugar!
JJ parecia desesperado e suas orelhas estavam vermelhas, apenas com a leve imaginação de ter que fazer mais do que dizer “eu aceito” daqui 3 dias. Esse plano tinha tantos furos que ele sentia sua pressão nas alturas.
Jai cruzou os braços, revirando os olhos.
— Não se preocupe muito com isso. É mais fácil porcos voarem do que ele querer fazer qualquer coisa comigo. — enrolou o dedo em uma mecha de cabelo com um sorriso pequeno, como se estivesse pensando em um segredo que só ele sabia. — E mesmo se ele quisesse, se você disser não, ele não vai tentar fazer nada. Ele é um poço de gentileza.
JJ assentiu, concordando, um pouco mais tranquilo. Nas poucas vezes em que se encontrou com Net, seja sendo ele mesmo, seja fingindo ser seu irmão, ele sempre foi tratado com a maior educação, gentileza e cautela.
— Mesmo assim, ele ainda pode perceber que eu não sou você.
Jai deu de ombros. Net era alguém de fora, só conhecia os gêmeos há um ano e dava para contar nos dedos as vezes em que ele conversou com JJ.
— Dúvido muito que ele perceba. Mas de qualquer forma, vocês provavelmente não se verão muito, ele trabalha o dia todo. — Jai segurou novamente as mãos de seu irmão. — Eu prometo que mesmo se qualquer pessoa descobrir nada disso vai cair sobre você, eu vou tomar toda a responsabilidade, tá bom? Eu só… eu só preciso sair daqui, não posso me casar com ele.
Os olhos de JJ tremeram, como um tique incessável. Ele apertou as mãos de seu irmão de volta, ainda não percebendo onde ele estava se metendo.
Mas quando se tratava da sua ligação com Jai, ele sempre mergulhava de cabeça e de olhos fechados. Mesmo se fosse uma armadilha.
— Tá, tudo bem. Vamos fazer a troca.
