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Oops, Wrong Century!

Summary:

Quando Teddy, James e Rose Granger-Potter acabam acidentalmente quebrando um Vira-Tempo no escritório da mãe, nenhum deles imaginava as aventuras e os riscos que a areia do tempo poderia trazer para suas pacatas vidas.

Paralelamente, quando um grupo de quatro amigos travessos e uma ruiva estressada acabam resgatando um trio de crianças desacordadas na entrada da Floresta Proibida, nenhum deles imaginava o caos mágico que essa simples ação poderia trazer.

Chapter 1: .Prólogo

Chapter Text

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A noite estava pacífica na residência dos Granger-Potter, o que, considerando o histórico familiar do lar, era muito estranho. As luzes estavam todas acesas e o barulho da TV ligada junto com uma melodia famosa no rádio trazia uma atmosfera quase normal para a mansão de muitos anos.

Quase.

— James, se você não me devolver meu tinteiro agora juro que vou quebrar essa vassoura na sua cabeça! — uma vozinha doce e infantil, embora brava, trovejou em alto e bom tom, seguida de risadas escandalosas. 

— Vamos, Rosie! Eu devolvo seu tinteiro se você conseguir me pegar! — um menino de olhos castanhos amêndoas cantarolou, seu cabelo castanho escuro, quase beirando ao preto, espetado para todos os lados. Ele tinha um sorriso afiado nos lábios, e parecia vibrar em travessura.

— James, devolva o tinteiro da sua irmã! — veio uma voz mais madura da sala, embora não carregasse um tom de reprovação. Era um simples pedido, como alguém que dava um conselho a um velho amigo. 

— Pai, pare de roubar no jogo! Estamos tendo uma disputa justa! — veio outra reclamação, dessa vez de um adolescente sentado ao lado do homem mais velho. Seu cabelo, antes em um azul turquesa claro, agora brilhava em um roxo-beterraba, quase como se fosse explodir. 

O caos no andar debaixo foi subitamente interrompido por passos vindos da escada, o tique-taque dos saltos denunciando a presença da figura antes mesmo de ela aparecer. Aquela era Hermione Granger-Potter: A Bruxa Mais Inteligente da Sua Época. Um terço do Trio de Ouro. Uma heroína de guerra. A responsável por ajudar na queda do (agora morto) Lord Voldemort. Chefe do Departamento de Execução das Leis da Magia. E, coincidentemente, mãe daquelas três crianças e esposa do homem que, no fundo, parecia se igualar com a energia dos filhos.

— Sinceramente, é suficiente! — ela gritou no pé da escada, interrompendo toda a confusão num passe de mágica.

James, o menino que havia surrupiado o tinteiro novo de sua irmã mais nova, Rose, parou abruptamente em cima do braço de uma poltrona, quase caindo de cara no chão. A pequena Rose, de onze anos, dona de olhos tão verdes quanto os do pai e cachos grossos escuros, quase vibrou ao ver a mãe parada no pé da escada, imediatamente correndo para perto dela.

— Mamãe! — ela chamou, tomando cuidando para não cair em sua alegria. — Diga ao James para me devolver meu tinteiro, por favor!

— James Sirius Granger-Potter, é melhor você descer desse sofá agora mesmo se não quiser ficar de castigo até seu último ano em Hogwarts! — a voz de Hermione era firme, embora no fundo tivesse um toque de humor. O típico tom de uma mãe que já havia separado mais brigas do que trocado fraldas.

O dito menino se deu por vencido, dando um pulinho no sofá e quase caindo com o tinteiro da irmã no processo. Ele recebeu um chute na canela por parte de Rose.

Os olhos rápidos de Hermione absorveram a cena, apenas para pousar nas duas figuras sentadas de forma rígida no sofá, bem em frente a televisão. Ela notou o videogame agora abandonado na TV e os controles jogados no meio do caos das almofadas.

Ela conteve uma risada, bufando no lugar.

— Espero que vocês tenham batido algum recorde para terem ignorado uma possível guerra civil na sala de estar. — ela marchou até a sala, parando na frente das duas figuras ali, um adolescente com olhos baixos e cabelos azuis, quase brancos, e um homem de óculos redondos e um cabelo que, mesmo com gel, parecia um redemoinho. 

— Ela está falando com você, pai. — o adolescente murmurou, cutucando a cintura do homem mais velho, que pareceu tremular.

— Onde está seu espírito de companheirismo da Lufa-Lufa, Teddy? — veio a resposta zombeteira do homem, seus olhos verdes brilhando em diversão.  

— Uma das características da Lufa-Lufa é a honestidade, pai. Eu reconheço quando estou prestes a perder uma luta e humildemente me retiro se minha adversária for a mamãe. — ele disse categoricamente, levantando-se com a maior graça que suas pernas longas poderiam permitir. Ele pareceu rodopiar até a figura da mulher, ainda parada ali. — Mamãe, você está belíssima nesse vestido! Alguém já te falou que esses brincos te deixam muito bem? — ele cantarolou, seu cabelo agora mudando para um marsala fosco. Um sorriso travesso cobriu seu rosto jovem.

Em resposta, ele recebeu uma sobrancelha arqueada e um olhar de "eu-sei-onde-você-quer-chegar-e-isso-não-vai-dar-certo." 

Edward Remus Lupin Granger-Potter suspirou, como se acabasse de perder a maior das guerras em seus humildes dezesseis anos de vida.

— O quão fritos nós estamos? — ele perguntou dessa vez, encarando a mãe.

— O suficiente para você talvez precisar erguer uma barreira em volta dos seus irmãos para abafar os gritos que eu vou dar no seu pai. — ela respondeu, seu olhar se desviando para o homem ainda sentado no sofá. Ela quase gritou quando viu aqueles olhos verdes encararem a situação com inocência e uma pitada de alegria.

Sabendo sua deixa para ir, Teddy arrastou seus pés para fora da sala, encontrando seus dois irmãos parados na sala de jantar como se esperassem seu retorno.

— Cinco sicles que a mamãe vai gritar com ele durante três minutos consecutivos e depois eles vâo se beijar como se não estivéssemos na sala ao lado. — James disse orgulhosamente assim que viu a figura do irmão mais velho.

— Aposto dez que ele não vai deixar ela terminar de falar e eles vão aparecer aqui daqui a cinco minutos como se não tivessem encenado o beijo de Romeu e Julieta na sala. — veio a resposta ousada de Teddy, que se apoiou em um dos armários perto dos irmãos. — Mais cinco se o papai aparecer com a gravata e os óculos tortos. 

— Fechado. — James deu um aperto de mão no irmão, como se selassem uma cláusula de um importante contrato. 

— Não posso acreditar que vocês realmente estão apostando em nossos pais e na vida amorosa deles. — Rose, a única sensata do trio e curiosamente a mais nova, reclamou, fazendo uma careta. — Isso é nojento.

— Você ainda não conhece os encantos dos beijos, minha amada irmãzinha. — James se gabou, passando um braço em volta dos ombros finos da irmã. Ele recebeu uma cotovelada na boca do estômago em resposta e fez uma careta. — E com esse jeito bruto talvez não conheça nunca mesmo.

De volta para a sala, um Harry Potter muito divertido e meio apreensivo encarava a esposa de seu lugar no sofá, tal como uma criança esperando uma bronca. 

Ele era o maldito Menino Que Sobreviveu. Aquele que matou o Lorde das Trevas duas vezes. O Menino de Ouro. O Homem que Conquistou e agora Auror-Chefe do Ministério. Ele havia lutado contra hordas de comensais, derrotava criminosos todos os dias, enfrentara tanto perigos desde os onze anos que nem se lembrava mais, e era justamente por isso que ele valorizava e muito sua vida.

E também era por isso ele que ele temia a fúria silenciosa de sua belíssima esposa.

Lordes das trevas e comensais da morte eram babinha se comparado aos sermões de Hermione Granger-Potter. 

"Granger-Potter" ele pensou, não escondendo um sorriso quando seus olhos escorregaram para o anel simples, porém muito significativo que repousava no dedo anelar de sua amada.

Saber que aquela figura esbelta e tão determinada era sua esposa, por amor, lei e magia, quase parecia um sonho para ele. E se aquilo fosse um sonho, então ele não queria acordar nunca.

— Você não vai se safar com esse sorriso bonito, Sr Potter. — Hermione repreendeu, embora claramente não estivesse brava. Ela não ficava mais brava por pequenas coisas assim desde muito tempo.

— Me desculpe se meu rosto perde o controle quando te vejo, Sra Potter. — ele suspirou dramaticamente, sua mão serpenteando sua cintura e trazendo ela para mais perto. — Talvez você tenha me alimentado com Veritaserum desde que nos casamos, ja que não consigo esconder nada de você. 

— Sério, você se supera cada dia mais nas cantadas. — ela bufou, embora um sorriso divertido enfeitasse seus lábios pintados. — Essa foi péssima, por favor melhore nas próximas. 

— Eu vou tentar. — ele ronronou, dando um beijo perto da boca dela. Seus olhos verdes brilharam. — Embora seja difícil pensar em algo coerente quando a bruxa mais brilhante do mundo está parada na sua frente simplesmente existindo e sendo bonita.

Cinco minutos depois, conforme estipulado pelos meninos, Harry Potter e sua esposa voltaram da sala da grande casa que moravam, seus passos indo até a sala de jantar onde os mais jovens estavam.

A primeira coisa que notaram foram os óculos tortos e a gravata meio amassada do pai. James evitou um bufo, Rose revirou os olhos e Teddy escondeu um sorriso satisfeito, embora seu cabelo denunciasse sua felicidade por ter ganhado a pequena aposta.

— Muito bem. — a mãe deles começou, seu tom calmo e maternal, embora suas bochechas estivessem rosas. Ela evitou o olhar travesso do marido que estava ao seu lado. — Vamos repassar as regras.

— Mamãe, somos bem grandinhos para isso! — James choramingou, quase se desfazendo no chão. — Sei de todas as suas regras desde os quatro anos!

— E mesmo assim nós encontramos você no telhado de casa da última vez que saímos. — Harry murmurou, tentando conter sua diversão com a memória. Ele assumiu sua pose de pai responsável, porém. — Sério,  só queremos que vocês fiquem bem. Nada de brincadeiras que furem as proteções da casa, nada de festas surpresas e por favor, James, — dessa vez ele olhou firme para o filho, que também o encarava. — nada de pegar as coisas da sua irmã e desaparecer com elas.

James soltou um suspiro derrotado, como se tivesse recebido a pior das notícias. Sem pegadinhas nos vizinhos? Tudo bem. Sem atormentar Rose? Imperdoável!

— Seu pai está certo, queridos. — veio o tom amável de Hermione. Todos podiam achar que ela era uma casca grossa por fora, mas sua pequena família sabia o quanto ela amava e cuidava de seus filhotes. — Nós só queremos que vocês fique bem enquanto estivermos fora.  — ela disse calmamente, antes de esboçar um sorriso travesso. — Confiamos em vocês, e por isso, nada de babás hoje. O Teddy está no comando.

Ouvindo o seu nome, o metamorfomago deu um pulinho alegre no lugar, seu cabelo explodindo em um verde neon alegre. Rose se aproximou dos pais e James parecia perplexo.

— Tudo menos isso! Tenha misericórdia de mim, mulher! — o menino de treze anos quase suplicou, olhando para os pais. — Da última vez ele me obrigou a assistir um documentário sobre camaleões durante duas horas! 

A residência da família Granger-Potter explodiu em risadas, gritos e repreensões novamente. O rádio ainda tocava uma balada pop agitada e era possível ouvir os sons externos da vizinhança pacífica, mas nada daquilo se comparava ao amor e a sensação de lar que emanava daquela casa.

— Eu amo vocês. — Hermione disse por fim, carinhosamente deixando um beijo estalado nas testas de cada um. Harry bagunçou o cabelo de James e deu um tapinha nas costas de Teddy. Por outro lado, ele rodopiou brevemente com Rose no colo, antes de colocá-la no chão de volta e envolve-la em um abraço apertado, prometendo que estaria em casa logo. A menina bufou em divertimento, mas retribuiu o carinho. 

— Também te amamos, mãe! — eles responderam quase que juntos.

— Estaremos de volta às 22h, até lá tentem não colocar fogo na casa. — ele piscou divertido, arrancando risadas dos meninos e uma careta de Rose. — Agora sigam o lema dos Marotos e prometam que não farão nada de bom. — ele sussurrou um pouco mais baixo, olhando para os lados. — Só não contepara a mãe de vocês que eu falei isso.

— Harry! 

— Indo, querida! — ele gritou de volta, dando uma última olhada nos filhos. Seus olhos verdes encararam sua pequena família, e aquele velho sentimento de lar encheu seu coração. 

Harry e Hermione Potter partiram em seguida, rumo a uma festa chata do Ministério da Magia, deixando para trás seus três filhos sozinhos em uma mansão enorme e muito antiga.

Nenhum deles, porém, contava com o que poderia acontecer naquele meio tempo longe dos filhos.

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