Work Text:
O inverno sempre é uma estação difícil. Kyungsoo sente o frio se esgueirando por tudo, mas fica feliz por não sentir todo o impacto deste em seu corpo. Contudo, seu mau-humor não vem daí, vem do fato de ter de desempenhar uma função que não sente vontade alguma.
Desde pequeno, Doh Kyungsoo faz parte da alcateia dos Kim, isto é, as famílias estão ligadas desde tempos imemoriais. A alcateia é encabeçada por quatro irmãos, do primogênito ao caçula: Kim Minseok, Kim Junmyeon, Kim Jongdae e Kim Jongin. Eles estão espalhados pela Coreia do Sul, Japão e China.
Kyungsoo é um lobisomem ômega que integra a alcateia de Kim Jongdae, um dos mais novos dos Kim e que está no país de origem, bem como seu irmão caçula, Kim Jongin. A diferença é que Jongin é responsável pelo interior da Coreia, ao passo que Jongdae cuida de Seul, Busan e Bucheon. Kim Minseok é responsável pelo clã na China, ao lado de seu parceiro, Zhang Yixing. Junmyeon ficou com o Japão. Ele tenta, a duras penas, manter certo equilíbrio com o clã nipo-coreano dos Oh Kobayashi. Atualmente, a alfa chefe é a senhora Oh Kobayashi Minako.
Em Seul, Jongdae não precisa lidar com a oposição de outros lobos. Tendo estabelecido os Kim como os dominantes, as coisas seguem em relativa tranquilidade. Contudo, o mau-humor de Kyungsoo se justifica pelas escolhas amorosas de seu chefe. Isto porque, Jongdae, ao contrário dos irmãos, resolveu se engraçar com um humano, o que, segundo Kyungsoo, é um desperdício de energia vital. Ele repete para quem quiser ouvir que humanos são barulhentos, cheiram mal e parecem bonecos de cera espetados em palitos de dentes serrilhados. Seja lá o que essa última consideração dele queira dizer.
Contudo, como braço direito de Jongdae, homem de confiança e segundo em comando, Kyungsoo acaba sendo designado para uma série de “patacoadas”, como ele bem gosta de enfatizar. Tudo isso porque Jongdae está se relacionando com um “maldito humano”. O malcheiroso é Park Chanyeol que, segundo Kyungsoo, é só um zé ruela afinadinho, mas que não vale o oxigênio que respira.
— Porra, hyung, se foder. — A voz de Kyungsoo explode no salão do prédio das Corporações Kim.
— Kyungsoo-yah, você é o único a quem eu posso incumbir essa tarefa. Eu não posso deixar o meu Channie por aí, correndo riscos inimagináveis. — Jongdae anda de um lado para o outro e bate os braços como um controlador de voo.
— Ele é a porra de um humano adulto, não a caralha dum cachorro, hyung! — Doh morde o interior da boca sem querer.
— Kyungsoo, eu estou te pedindo porque confio em você, mas posso usar a minha autoridade de alfa da alcateia. — Jongdae para a poucos passos de distância de Kyungsoo.
— Você é insuportável. — Doh se dá por vencido. — Vai querer que eu limpe a bunda desse otário também? — provoca.
— Presta atenção no jeito que fala do meu fofinho — Jongdae repreende.
— Caralho, eu te odeio de um jeito, hyung! Não tem como colocar em palavras — Kyungsoo reclama.
— Ótimo! — Jongdae o ignora. — Eu não te pediria se isso fosse uma coisa qualquer, mas tenho ouvido rumores de que essa boate, a tal de El Dorado , é recorrentemente frequentada por não humanos e, se alguém descobrir que Chanyeol e eu estamos juntos, ele pode ser um ponto de fraqueza para todos nós. Entendeu?
— Era só você ter arrumado a caralha de um parceiro da sua espécie , ao invés de um humano catinguento.
— O que você resmunga aí, Kyungsoo? — Kim questiona, a sobrancelha bem desenhada arqueada.
— Nada não, hyung — Doh desconversa.
— Sei… seja como for, eu não posso aparecer nessa apresentação pelo bem de Chanyeol e porque estarei fora, já que Minseok vai tirar uma licença. Olha, te contar, viu! Tanto tempo para ele adotar uma criança, tinha de ser agora?
— Larga de ser egoísta, Jongdae-hyung — agora é Kyungsoo quem repreende. — Faz anos que ele está esperando por uma criança, uma da nossa espécie para cuidar e amar. Você devia estar feliz por ele e Yixing.
— Ok, ok, não está mais aqui quem falou! — Jongdae levanta as mãos como quem se entrega. — Mas você já sabe: é para manter os olhos no meu Channie o tempo todo . Se ele espirrar, você aparece com um lenço, entendeu?
— Claro. Minha função agora, como segundo em comando dessa simpática alcateia, é ficar de babá de humano. — O revirar dos olhos de Kyungsoo se equipara ao de uma máquina de caça-níquel
— Eu ouvi isso. — Jongdae o observa de soslaio.
— Era para ouvir mesmo. Se eu quisesse manter isso para mim, tinha pensado, não verbalizado. — Kyungsoo deixa a sala fazendo considerável barulho de propósito.
— Eles crescem tão rápido — Jongdae diz a si mesmo, e puxa o celular do bolso para dar a notícia a Chanyeol. — Oi, benzinho…
O pedido de Jongdae, na verdade, é uma ordem. Doh sabe de sua responsabilidade, mas se ressente de ter de cuidar de um humano. Ele ainda lembra do momento que conheceu Chanyeol. Embora prefira esquecer.
Kyungsoo tinha acabado de voltar do Japão, em uma das muitas viagens que precisava fazer como segundo em comando na alcateia. Ele pretendia ir direto para casa, mas precisou passar no escritório por conta do laptop que tinha esquecido lá e, sem a ferramenta, parte do seu trabalho ficaria atrasado. Por isso, quanto antes pegasse, antes terminaria.
Passou pelos guardas, cumprimentou a todos, seguiu pelo hall até os elevadores, chegou ao décimo oitavo andar. Em seus ouvidos, a voz de Harry McVeigh se expandiu enquanto um solo de guitarra se iniciava. Seus passos seguiram o ritmo da música. Doh chegou próximo ao escritório e estranhou um odor diferente no ar. Podia ser uma das pessoas da limpeza, mas ele teria sido avisado que ainda tinha gente no prédio. Isso era procedimento padrão para evitar boatos e problemas com humanos. Entretanto, definitivamente, fosse lá o que fosse, era humano. Cheirava a fedor humano . Kyungsoo torceu o nariz e revirou os olhos. Só precisava pegar o laptop e sair. Abriu a porta e preferiu não tê-lo feito.
Contra a sua mesa de mogno, aquela que tinha pessoalmente escolhido, viu um humano fedorento debruçado, enquanto Jongdae arremetia intensamente contra os quadris deste. Sim, o alfa da alcateia estava transando com um humano na sala de Kyungsoo, na mesa que Kyungsoo havia escolhido com tanto carinho.
— Eu vou te matar, hyung e depois jogar esse fedorento para os cachorros — vociferou.
Só aí o casal se deu conta da presença de Kyungsoo. Chanyeol tinha o rosto muito vermelho e manchado de lágrimas. Aparentemente, Jongdae estava abrindo novos caminhos no corpo alheio.
— Kyungsoo-yah! Bate mais na porta não? — Jongdae conseguiu dizer. Os quadris mantinham agora um ritmo lento, quase não se movendo.
— Eu espero que ele desmaie com teu pau agarrado na bunda e você tenha de explicar essa merda no hospital, seu idiota.
Doh passou pelos dois, abriu a gaveta, pegou o laptop e encarou Jongdae com ódio líquido nos olhos. Ele quase rosnou para o alfa.
— Você vai me comprar toda uma decoração nova e eu quero outra sala, ou me mudo amanhã mesmo para o Japão ou China, hyung. — Saiu do local puto. Entretanto, ainda ouviu a vocalização do orgasmo avassalador de Chanyeol enquanto seguia para os elevadores. — Filhos da puta!
Antes de pegar o próprio carro, Kyungsoo pensa que seria bom ter um ataque do coração e morrer antes de ter de passar o ridículo de ser babá de um humano todo tapado que, ainda teve o desprazer de ver pelado, transando com o alfa de sua alcateia.
— Desgraça pouca é bobagem — diz a si mesmo, enquanto dá a partida no carro em direção ao endereço de Park.
Chega no prédio de Chanyeol cerca de seis minutos antes do que seria possível seguindo as regras de velocidade de Seul. Kyungsoo, contudo, está pouco se lixando. Se vierem multas, colocará tudo para Jongdae pagar. Ele espera por dois minutos na frente do prédio e sua paciência evapora. Cata o telefone no bolso do jeans preto que usa e acha o número de Chanyeol. No terceiro toque ele atende.
— Alô? Kyungsoo? — Chanyeol soa animado do outro lado da linha.
— Alô, é o caralho, seu idiota. Esteja aqui embaixo em trinta segundos, ou eu mesmo vou contar para todo mundo sobre sua bundinha magra sendo arregaçada por um lobisomem.
Chanyeol nem tem tempo de responder porque Kyungsoo já tinha desligado. Ele bufa atrás do volante. Em sua cabeça, os pensamentos se agitam a milhão e a irritação borbulha debaixo da pele. Respira fundo assim que sente o cheiro de Chanyeol se avizinhar. Medo e suor estão pegados na pele dele também. Há resquícios de Jongdae nele e isso fica evidente quando o humano alto abre a porta de trás.
— Se você sentar no banco traseiro, eu abro sua garganta com minhas garras. — Kyungsoo aciona os comandos do carro e abre todas as janelas de uma vez. A última coisa que precisa é ficar trancado no carro sentindo cheiro de humano, ainda mais daquele humano.
— Desculpe! — Chanyeol joga a bolsa ali e corre para a porta do carona.
— Eu já tenho de ser sua babá hoje, imagina ser seu chofer também. — Doh revira os olhos.
— Então eu vou poder dirigir? — Chanyeol pergunta esperançoso.
— É normal humanos serem burros assim? — Kyungsoo o fuzila com os olhos apertados.
— É que você disse que não seria meu chofer…
— Larga de ser idiota e entra logo nesse carro. — Park obedece e Kyungsoo se vira para ele enquanto afivela o cinto. — Ah, e o que eu quis dizer é que você não vai feito um membro da realeza no banco de trás, seu fedorento.
— Por que você sempre diz que eu cheiro mal, Kyungsoo-yah? — Chanyeol o encara, confuso e um pouco amedrontado.
— Me chama assim de novo e eu enterro sua língua na sua bunda. — Chanyeol se assusta com a ameaça. Ele começa a suar mais intensamente. — Ah, inferno!
Kyungsoo afunda o pé no pedal e sai cantando pneus. Ele deve ter assistido muito aquela franquia ruim de corredores de carro. Ainda bem que ele tem bons reflexos porque do jeito que a cabeça está quente, vai acabar matando um.
— Kyungsoo-ssi? — Chanyeol tenta iniciar a conversa após alguns minutos. Ele está encolhido de frio.
— Uhn? — Kyungsoo não tira os olhos da estrada.
— Por que você me chama de fedorento? — Os olhos grandes estão límpidos, honestamente esperando uma resposta que faça sentido.
— Essa sua cabecinha de humano é mesmo uma caixinha de surpresa, não? — Kyungsoo o observa de esguelha.
— Como assim? — Há muita confusão expressa nas linhas bonitas do rosto de Chanyeol.
— Eu sou um lobisomem , assim como o otário do Jongdae. — Kyungsoo tem um tom autoexplicativo.
— Ele gosta do meu cheirinho — Chanyeol argumenta e esfrega o pescoço. Há uma marca de mordida bem grande e recente ali.
— Isso é porque aquele patife gosta de humanos. E, parece que isso não ficou patente para você, mas eu não suporto vocês , e parte disso tem a ver com o cheiro. Vocês têm muitos e isso me irrita.
— Ah, então é com todo mundo? — Chanyeol tem um biquinho discreto.
— Sim e não. Eu odeio você com maior intensidade. — Kyungsoo sorri cruel ao perceber o coração de Park bater mais rápido.
— Desculpa… — ele sussurra.
— Olha só, fedorento, eu não te odeio, é que… — Kyungsoo se arrepende um pouquinho do tom utilizado quando percebe que Chanyeol parece magoado. — A coisa toda é só complicada, ou melhor, não é.
— Não entendi, Kyungsoo! — Chanyeol treme de frio e Kyungsoo aciona as janelas, fechando o carro, protegendo o humano.
— É só… complicado Chanyeol, e o fato de ter pego você transando com Jongdae, na minha sala, contra a minha mesa, deixando o seu cheiro, não ajuda muito, né? — declara forçosamente.
— Eu sei que a gente começou com o pé errado — Park para de se abraçar de frio. — Mas eu sempre tento me aproximar, ser legal com você e só recebo patada. — A frustração é audível na voz de Chanyeol. Doh expira com força.
— Ok, fedorento, digo, Chanyeol, eu vou tentar ser menos… — Doh solta um das mãos do volante e faz um floreio elaborado no ar.
— Grosseiro? Rude? Desagradável? — Park lista contando nos dedos.
— Você quer que eu tente ou não? — Doh quase mostra os caninos. Seus lábios tremem como se fossem se afastar para isso.
— Tudo bem, eu… me desculpe e vou esperar você ficar mais confortável com a minha presença. — Park se ajeita no banco. Esfrega as mãos grandes e observa sorrateiramente Kyungsoo acionar o ar quente do veículo.
— Obrigado. — Kyungsoo mantém toda sua atenção no caminho, mas sente Chanyeol se remexer ao seu lado. — Se você está com sono, é melhor dormir agora. — Kyungsoo para no semáforo e se estica para o banco de trás puxando uma coberta pequena, mas grossa que traz no carro. Ele joga no colo de Chanyeol que a pega imediatamente e se enrola todo. O humano cheira o tecido fofo e sorri.
— Tem um cheirinho bom. É seu? — Park o encara atentamente. Parece que estuda as feições de Kyungsoo.
— A coberta é minha — Doh responde indiretamente e um sorriso nasce tímido nos lábios de Chanyeol.
— Bem, eu não estou com sono, estou só agitado. — Ele se acomoda confortavelmente no banco. O calor no veículo o relaxa e deixa um pouco sonolento.
— Uhn. — Kyungsoo resmunga e é a deixa para Chanyeol continuar.
— Eu… acho que estou com medo de me apresentar sem Jongdae estando lá. Ele sempre me incentiva tanto, eu entendo que ele não possa ir, mas eu queria que ele pudesse. Isso faz sentido? — Os olhos grandes e escuros procuram afeto nos de Kyungsoo. A temperatura do humano sobe sutilmente e suas bochechas ficam coradas.
— Sim — Kyungsoo muda de faixa, mas está atento a Chanyeol.
— Ele me faz sentir seguro, amado, desejado e vivo, sabe? Eu acho que nunca me senti assim com ninguém antes dele e isso me assusta, mas também me deixa muito feliz.
— Jongdae não é nosso alfa à toa. Ele foi escolhido para cuidar de uma das regiões mais importantes do clã, não só por suas habilidades como líder, mas por seu coração gigante. — Kyungsoo sente as bochechas corarem quando está sob os olhos atentos de Chanyeol. — Se você contar isso para ele, eu te mordo.
— Contar o quê? — Park se faz de bobo. As covinhas de seu rosto surgem em um sorriso cúmplice.
— Eu acho… — Kyungsoo está procurando as melhores palavras para expressar o que vai em sua mente. — Certeza que o energúmeno do Jongdae tem sentimentos muito sinceros por você e, ele só não está aqui hoje também para o seu bem.
— Obrigado, Kyungsoo. É muito gentil da sua parte tentar me consolar.
— Eu não tentei fazer isso — Doh retruca, mas sua cara está quente de vergonha.
— Tudo bem, se você prefere negar que tem espaço para mim em seu coração, eu consigo esperar você admitir a verdade. — Chanyeol ri baixinho.
— Eu juro que se pudesse, eu jogava você desse carro em movimento — Doh ameaça.
— Você não teria co… — Chanyeol se cala tão logo os olhos dourados de Kyungsoo estão sobre si.
— Quer tentar a sorte? — Doh oferece e nos lábios de coração tem um sorriso que pode ser irônico ou a última coisa que Chanyeol verá em vida.
Park fica em silêncio e, logo depois, está dormindo no banco do carona. O caminho ainda é longo até a boate. Doh se ajeita melhor no banco de couro, embora fique levemente incomodado com o calor no carro. O aquecedor, contudo, permanece ligado para o bem de Chanyeol.
Quando estaciona, Kyungsoo desce quase imediatamente e pega as coisas de Chanyeol no banco de trás. Depois bate com cuidado na janela para acordar o humano.
— Ei, fedorento, chegamos. É sua hora de brilhar.
Chanyeol coça os olhos ainda cansado, mas se sente seguro. Há uma sombra discreta de um sorriso nos lábios cheios de Kyungsoo. Os dois seguem do estacionamento até a porta dos fundos da casa noturna. Lá são cumprimentados por um segurança que é mais alto e bem mais forte do que Chanyeol.
Doh o encara sem receios. São quase nulas as chances de um humano ter força o suficiente em uma disputa corporal com um lobisomem. Os dois entram pelo local indicado e seguem o caminho estreito e fantasmagoricamente iluminado. É justamente sobre isso que Park comenta:
— Esse lugar sempre me dá arrepios — Park diz, se encolhendo, mas não consegue se abraçar já que tem de segurar a mochila e o violão.
— Humanos são muito medrosos — Doh reclama. Carrega um amplificador pequeno e mais uma caixa pesada que ele não ousa perguntar o que é.
— Nem todo mundo tem nervos de titânio como você — Chanyeol argumenta e as covinhas bonitas de seu rosto aparecem em um sorriso condescendente.
Enfim chegam à área dos camarins. O espaço é arrumado e muito melhor iluminado do que o caminho. Com um sorriso tímido no rosto, Chanyeol empurra a porta com o ombro e observa Kyungsoo deixar as coisas organizadas ao canto do cômodo.
— Vou te deixar sozinho para se arrumar e…
— Não precisa! Pode ficar aqui. Eu não gosto de… me arrumar sozinho.
— Você é algum tipo de exibicionista? — Doh o encara inquieto.
— Não! De jeito nenhum! Por que você pensou isso? — Chanyeol o encara. O cenho franzido mostra que está chateado com a pergunta.
— Sei lá, né, fedorento, eu tive de ver você e o hyung fodendo, acho que… sua palavra não vale muita coisa nesse cenário.
— Você nunca vai deixar isso passar né? — Park protesta, enquanto desabotoa a camisa bonita.
— Se eu pudesse esquecer, certamente eu o faria. A pior coisa é ter aquela imagem e cheiro ainda registrados na minha mente. — Doh olha para o lado enquanto Park se despe.
— Não foi proposital, Kyungsoo! Jongdae e eu… a gente se empolgou e… bem, foi isso.
— Sem detalhes sórdidos, por favor. Já estou bastante traumatizado.
— Até parece que você nunca foi pego fazendo sexo! — Park desabotoa a calça justa.
— Eu nunca fui pego transando com ninguém, seu aloprado. — Kyungsoo revira os olhos e se questiona, mentalmente, como alguém pode ser tão sem filtro.
— Ah, bem… sempre tem uma primeira vez.
— Não tem não e, quer saber, eu vou sair para você terminar de se arrumar, não quero ter gatilhos daquele dia horrível.
Doh deixa o cômodo pequeno e fica parado na porta. Puxa o celular do bolso e verifica as repetidas mensagens de Jongdae. Minseok mandou uma foto do filho. O filhote tem uma pelagem parecida com a de Minseok e os olhos curiosos e gentis. Ver o bebê faz Kyungsoo lembrar de sua infância e das outras crianças que viviam no mesmo vilarejo. Hoje já devem ser adultos responsáveis. Doh deseja que estejam felizes. Sua corrente de pensamento é interrompida pela voz grave de Chanyeol. Seus olhos são duas esferas gigantes no rosto.
— O que houve, fedorento? — Doh pergunta preocupado.
— Eu acho que vi algo estranho se movendo no camarim.
— Além de você? — A risadinha baixa não passa despercebida.
— Kyungsoo, isso não tem graça.
— Talvez para você…
— Kyungsoo! — choraminga.
— Tá, tá…
Os dois vão checar seja lá o que for que está no camarim.
É inverno e o ar gelado tem um cheiro peculiar. Na verdade, é possível sentir as nuances tão intensas. Há um odor forte de fumaça dissipada, calor frágil de sol e humanidade. O frio não espanta as pessoas e elas se aglomeram diante do prédio alto e taciturno. A fila é extensa e desorganizada. Contra o asfalto orvalhado, passos discretos são ouvidos. Uma silhueta bonita, esguia e ondulante se acerca do ajuntamento.
Um sorriso bonito adorna o rosto perigosamente gentil. Baekhyun se aproxima de uma moça baixinha e vestida toda de couro, da cabeça aos pés. Aquilo parece interessantemente desconfortável. Ele a encara e a jovem o deixa passar diante de todos. A prancheta em sua mão nem é consultada. As pessoas até reclamam na fila, mas são ameaçadas pelo segurança enorme que protege a entrada e a mocinha pequena. Byun pisca com o olho esquerdo e ela sente os joelhos falharem.
Como um felino majestoso, Baekhyun desce as escadas que levam ao centro pulsante da boate. Ele se move como se pertencesse ali. Seu comportamento é condizente com o espaço, com as “personas” interpretadas pelos humanos presentes. O salão está cheio deles e seus corpos moventes, perfumados. Baekhyun está acostumado à vida agitada do século XXI, com uma multiplicidade de aromas, fragrâncias, cheiros, nuances e odores. Seus sentidos aguçados o ajudam a navegar a noite melhor do que ninguém.
A idade traz muitas coisas e, para Baekhyun, a melhor delas é saber sempre o que se quer. Hoje, ele quer alguém para foder. Seus olhos castanhos vacilam rapidamente para um vermelho cintilante quando sente um aroma particularmente interessante. Byun sabe haver alguém muito distinto entre os corpos presentes no salão. É um cheiro que tem calor e uma espécie de ancestralidade. Baekhyun sorri ao sentir sua alma se agitar. Os deuses, ainda que o tenham abandonado, sempre o presenteiam com o acaso do destino. Ou se distraem o suficiente para que algo bom simplesmente aconteça a Byun.
O barulho da música é alto e os ouvidos sensíveis de Baekhyun estão preservados por protetores auriculares, mais uma vantagem da vida moderna. Ele singra o mar de humanos dançantes quase de forma imperceptível. Seus olhos estão vermelhos, num tom quase ambarado. Seu nariz se agita quando percebe o cheiro que o atraiu inicialmente. Mais ao canto, próximo a uma parede, está a pessoa que emana o odor aquecido que faz o sangue correr mais rápido no corpo de Baekhyun. É um homem. Baekhyun já deveria saber. Ele deixa a língua passear contra a firmeza de um canino proeminente e vai na direção de seu alvo.
Doh Kyungsoo tem os olhos grandes, mas as pálpebras estão baixas, quase como fechadas. Ele odeia esse tipo de lugar. Odeia estar entre humanos. Contudo, como é parte de sua função atual, isto é, ser babá do buraco quente do alfa da alcateia, ele precisa estar ali. Vários tentam chamá-lo para dançar, ou beber algo, mas Kyungsoo dispensa todos. Se não queria estar ali, imagina ainda interagir com pessoas.
Percebe uma movimentação em sua direção e fareja no ar um cheiro quase nulo. Seus sentidos ficam em alerta. Humanos sempre tem cheiro, muitos cheiros, algo pungente, ou intoxicante. Às vezes carregam os odores de todos os lugares por onde passaram, mas havia alguém ali que tinha uma fragrância tão discreta que poderia passar despercebida para todo mundo. Ou melhor, para quase todo mundo, Kyungsoo e seu olfato perfeito nunca ignorariam aquilo.
A visão noturna de Kyungsoo é tão eficiente quanto a diurna e, com certo esforço, ele pode perceber o calor dos corpos em um certo raio de ação. Quem quer que venha em sua direção, tem um baixíssimo índice de temperatura e isso só podia significar uma coisa: vampiro .
Sem fazer alarde, Kyungsoo descortina lentamente os olhos bonitos e eles mudam de cor, dourados e atentos. O calor de seu corpo sobe e isso é um indício de que está preparado para o combate se o vampiro, que abertamente caminha em sua direção, estiver procurando confusão. Ele se assoma bonito como o diabo. Sob as luzes estranhas que se debatem contra os corpos em movimento, Kyungsoo percebe que ele é de sua altura, porém tem ombros mais largos. Está vestido todo de preto como se saído da fantasia molhada de alguma escritora mediana que escreve para leitoras engolidas por uma rotina excruciante e sem graça.
Doh observa os lábios finos e pálidos desenharem um sorriso de esquina e o homem está diante de si. Eles se encaram de cima a baixo, escaneando um ao outro. O calor da pele de Kyungsoo forma uma aura ao seu redor e o vampiro parece gostar disso.
— Você tem um cheiro maravilhoso, sabia? — declara baixinho de onde está. Sabe muito bem que o ouviu.
— Quem é você? — Kyungsoo ignora o comentário.
— Já quer saber o nome que você vai gemer essa noite? — O vampiro o encara sedutoramente. Seus olhos passeiam lentamente pelo rosto bonito diante de si e ficam encantados pelos lábios cheios.
— Se você está pensando em gemer durante a noite, posso te acertar em lugares bem dolorosos, idiota — Doh ameaça. A imagem do rosto bonito socado e manchado de sangue faz sua boca salivar.
— Uh, eu gosto quando são bravinhos assim. Eu deixo você gozar mais rápido se usar essas garrinhas afiadas em mim — Baekhyun diz, mostrando os caninos proeminentes em um sorriso lascivo.
— Mas será o Benedito? — Kyungsoo desencosta da parede e vai em direção ao outro. — Escuta aqui, palhaço, eu já estou cheio de ódio no coração, para descontá-lo nessa sua cara engomadinha, não me custa nada. — A voz é grave e raivosa.
— Como você faria isso? — Baekhyun fareja o ar próximo ao pescoço quente de Kyungsoo, causando um arrepio e fazendo-o se encolher instintivamente. — Você cheira tão bem, dá uma vontade enorme de morder. — Byun morde o lábio, depois de passear a língua nos dentes bonitos.
— Escuta aqui, ô babaca! — Kyungsoo agarra o colarinho da camisa preta elegante e puxa Baekhyun contra si, mantendo os olhos nos dele. — A gente vai resolver isso longe dos olhos humanos.
— Eu vou adorar… — Baekhyun sibila e sua voz bonita faz algo em Kyungsoo se agitar.
Com uma força maior do que necessário, Doh arrasta Baekhyun do local tumultuado em direção aos fundos da boate, para a área, agora quase deserta, dos camarins. Por uma questão de preservação da imagem dos artistas frequentadores, as câmeras não funcionam ali. Kyungsoo sabe disso. Foi ele quem as desativou. Ele empurra Byun contra a parede e fica muito perto, deixando pouco espaço entre eles.
— Por que você está aqui? — Doh pergunta impaciente.
— Ora, você não quer saber meu nome e resolver essa tensão entre a gente? — Byun sorri lascivamente.
— Não tem tensão entre a gente. Eu só quero saber o que um vampiro desacompanhado está fazendo num antro de humanos.
— Eu já disse… você me atraiu até aqui, ou melhor, esse seu cheiro gostoso. Todos os lobinhos cheiram assim como você, gracinha? — Byun acaricia o queixo de Kyungsoo.
— Eu não sou um “lobinho” e meu cheiro não tem nada de mais. — O carinho desavisado e o elogio voluntário fizeram o sangue subir as bochechas fofas de Kyungsoo.
— Ah, tem sim. — Byun repete o carinho e sorri ao perceber o efeito que isso causa em Kyungsoo. — Você tem um cheiro quente, sabe? — sussurra. — Eu consigo ouvir o seu sangue correndo nas veias, o seu coração batendo mais rápido quando seus olhos ficam presos nos meus. E até o…
— Até…? — Kyungsoo é muito inocente e indefeso diante dos anos de manipulação vampírica.
— O modo como sua calça está estufando só de me sentir pertinho assim — segreda.
— O quê? Não está nada!
Kyungsoo olha para baixo, o que é um erro, já que no segundo seguinte, ágil como um vampiro pode ser, Baekhyun agarra seu braço, puxando-o e, agora, é Kyungsoo quem está contra a parede. Byun usa sua força pressionando-o contra a parede, mas sabe que se o lobisomem quisesse se soltar, já o teria feito.
O peito de Kyungsoo sobe e desce agitado, mas não é de medo. É desejo. Baekhyun é um desafio e Kyungsoo, como um bom predador, adora um. Ele deixa os caninos se mostrarem em um sorriso bonito, os lábios cheios curvados em um coração. Ele ergue o nariz e aspira o ar curtamente, deixando o dourado tomar as pupilas dilatadas.
— Você gosta do meu cheiro — Baekhyun comenta, e deixa o pescoço à mostra.
Vampiros não costumam fazer isso, até Kyungsoo sabe. Por alguma razão estranha, aquele ser, certamente mais velho do que si mesmo, confia em Kyungsoo e demonstra isso exibindo o pescoço bonito. Doh aproxima o nariz e o roça na pele de temperatura baixa, mas não fria. Baekhyun deve ter se alimentado recentemente.
O cheiro que se desprende tão discretamente é aconchegante. Lembra a infância feliz de Kyungsoo próximo à floresta, ao som dos rios correndo. Parece a grama fresca e úmida que pisava ainda pequeno. Lembra uma voz gentil que o ninava antes de dormir. Baekhyun tem um estranho cheiro de conforto, semelhança e, por mais incrível que pareça, vida.
Doh deixa a curiosidade se intensificar e lambe a extensão de pele oferecida. Sob sua língua quente, sente o vibrar discreto do arrepio que se espalha na pele de Baekhyun. O gosto é bom, limpo e fresco. Como um vampiro podia ser tão agradável aos seus sentidos?
Os dentes de Kyungsoo ousam resvalar a pele e deixam marcas avermelhadas superficiais no pescoço longo e cheiroso. Baekhyun geme baixinho, quase a contragosto, mas deixa o lobisomem testar as águas.
Doh beija a pele que marca e segue até atrás da orelha, mordiscando, cheirando intensamente o outro. Não se dá conta, mas já está solto. São seus braços que circundam a cintura esguia do outro, os peitorais estão colados e seu calor transfere para Byun, o aquecendo, marcando.
Uma mão bonita e desconfortavelmente mais fria se esgueira por baixo das camadas de roupa que Kyungsoo usa. Ele contrai o abdômen assim que é tocado e suspira contra a pele que beija.
— Seu cheiro está mudando, querido — Baekhyun comenta baixinho, enquanto sente o aperto em seu corpo aumentar. — Definitivamente, isso me cutucando não é sua arma.
— Não mesmo, eu não ando armado — Kyungsoo segreda. A respiração batendo delicadamente contra a pele de Baekhyun.
— Essa é uma excelente notícia, lobinho. — Byun parece enfeitiçar o outro com sua voz gentil e sedutora.
— Você fala demais, sabia? — Kyungsoo morde com mais força o pescoço bonito e ouve extasiado os gemidos discretos de Baekhyun.
— Posso te garantir que você não é o primeiro a dizer isso.
— Nem o último.
— Se você for sortudo… — Byun descansa a mão aberta contra o peito quente e movente. — Um lobinho tão gostosinho não pode passar a noite sozinho. E eu estou muito a fim de te fazer companhia.
Kyungsoo sente o cheiro de Baekhyun se intensificar. Duas coisas mudam o cheiro de um vampiro: excitação ou medo. Doh tem certeza que o segundo elemento não está em jogo. Ele deixa mais uma mordida no pescoço bonito e depois exibe o seu para Baekhyun. O sangue corre mais rápido em suas veias. O que faz é perigosamente estúpido. Voluntariamente, exibir seu pescoço a um vampiro é pedir para ser mordido, sugado até a morte, se for o caso, mas Kyungsoo sente algo agigantar em si, mover como um elefante descuidado. Seus instintos, sua destreza parecem reféns da curiosidade que Byun desperta em si.
Seu sangue flui ainda mais rápido e o calor de seu corpo aumenta. Byun se aproxima, fareja, sente, e daí mordisca com cuidado a pele aquecida feito lava. Os caninos protuberantes arranham, mas não rompem a pele. Kyungsoo sente o corpo todo vibrar em excitação e agarra a cintura esguia de Baekhyun.
— Fica calmo, lobinho. As minhas presas causam esse efeito e, se você não quiser ser mordido até a morte, precisa resistir conscientemente. Entendeu?
Doh meneia a cabeça de forma quase submissa. Byun sabe do poder que tem em mãos, mas não gosta de superestimar aqueles ou aquelas que despertam seu interesse.
Ele resvala os dentes novamente, agora com um pouco mais de força e Kyungsoo ondula o quadril contra o seu. Ele ofega e Byun o mantém no lugar usando o próprio peso, ouvindo o coração agitado no peito, sentindo o sangue corrente.
Baekhyun distribui beijos úmidos na extensão quente de pele e o cheiro de Kyungsoo é tão concentrado no conjunto de irrigação sanguíneo do pescoço que Baekhyun fica tonto. A mão está por debaixo da roupa alheia mapeando o corpo firme e quente.
A excitação de Kyungsoo é palpável e Baekhyun se esfrega contra ela, faz a fricção do tecido grosso do jeans e do sedoso de sua calça atritarem desigualmente e atiça Kyungsoo. Um suspiro mais pronunciado e o vampiro interrompe tudo.
— Querido, preciso saber seu nome. — Os dentes pontiagudos e firmes alteram levemente o padrão de fala de Baekhyun.
— Kyungsoo, Doh Kyungsoo — sussurra, enleado pelo prazer desperto em seu corpo.
— Meu nome é Baekhyun, Kyungja.
— Quem te deu intimidade para me chamar assim? — Doh sabe que sua súbita oposição é descabida. Ele está com o pescoço arranhado por presas de vampiro.
— Oh, você é tão fofinho, Kyungja. Eu te dou um apelido porque sou muito mais velho e porque você é um bom lobinho .
Kyungsoo aquece feito uma fornalha quando recebe o elogio. Baekhyun percebe e usa da nova informação a seu favor. Com cuidado e com a mão livre, afaga os fios escuros e fartos de Kyungsoo, massageando a nuca, fazendo o outro relaxar.
— Eu quero ouvir você gemer o meu nome enquanto eu te fodo bem gostoso. Você consegue fazer isso por mim, Kyungja? — A voz é delicada, mesmo que seja um imperativo disfarçado de pergunta. Kyungsoo meneia a cabeça. — Você tem de verbalizar sua compreensão, querido — Byun provoca. — Diz no meu ouvido que você quer ser fodido até as pernas falharem, ficar rouco de gemer e repetir meu nome. Fala, Kyungsoo. — Um aperto em sua nuca e a outra mão descendo em direção ao cinto são o suficiente para mudar a disposição de Kyungsoo. Ele se embola, ofega, mas diz:
— Baekhyun, eu quero ser fodido do jeito que você quiser.
— Eu posso morder meu lobinho? — Byun mordisca o lábio inferior de Kyungsoo e observa as reações magníficas do corpo dele.
— Você pode me morder, Baek…. Ah…
É o último som que Kyungsoo faz antes de ter a calça invadida por uma mão ousada e fria. Sua nuca ainda é acariciada, os lábios vorazes estão em seu pescoço e subitamente tudo para. Doh sente o corpo pressionado contra a parede, uma mão firme apoiando seu pescoço pendente para a direita, expondo a pele bonita e quente, os caninos de Baekhyun perfuram-na e a jugular esquerda de Kyungsoo pulsa intensamente. Ele sente o sangue ser sugado, o coração aumentar os batimentos e a cabeça girar em um prazer indescritível. Sente contra si o peito quente de Baekhyun e o coração dele bater, extremamente devagar, mas renovado.
Kyungsoo se agarra ao vampiro como se sua vida dependesse disso. Ele está no ar no segundo seguinte, envolvendo as pernas na cintura esguia, e gemendo perdido no deleite que é a mordida de Baekhyun. Seu peito expande, os pulmões lutam por mais oxigênio, o coração se apressa em bater, bombeando mais sangue e o cérebro de Kyungsoo é inundado por imagens de prazer, calor alheio e sente a cueca umedecer. Seu gozo flui espesso, quente e inteiro na peça íntima.
Baekhyun desprende os dentes e lambe cuidadosamente a área ferida, mantendo Kyungsoo no lugar. O corpo pesado do lobisomem está todo mole contra o seu, os braços flácidos, caídos ao seu redor. As pernas ainda se mantém firmemente presas, todos sempre tem medo de cair e, o instinto de Kyungsoo o preserva até mesmo quando ele escolhe se arriscar tão levianamente.
Byun vem ao chão com cuidado, trazendo no colo seu “lobinho”. Sua voz sussurra uma música antiga, seus dedos bonitos continuam afagando os fios negros e fartos. Seu coração está agitado pelo sangue de Kyungsoo. Baekhyun não tinha lembranças de como era morder um lobisomem. Agora tem. Como uma onda de consciência flui de Kyungsoo para si e ele vê imagens desconexas, do início de uma vida cujo registro está meio perdido para ambos. Doh geme baixinho o nome de Baekhyun e se aninha no pescoço dele.
— Tudo bem, Kyungja? — Byun deixa beijinhos fantasmas no rosto quente. Acompanha como um maestro os sons do corpo de Kyungsoo.
— Isso foi…
— Diferente?
— Muito. E… bom.
— Você é muito fofo! — Baekhyun aperta as bochechas quentes e beija os lábios cheios cuidadosamente. Kyungsoo se surpreende com o sabor de seu sangue em Baekhyun. Deixa a boca ser invadida pela língua morna e experiente de Byun. O abraço que trocam faz os dois ficarem quentes. Doh resmunga baixinho quando move o pescoço para acompanhar os movimentos de Baekhyun e o beijo cessa.
— Você me mordeu antes de me beijar — Doh declara, meio sonolento.
— Se eu não tivesse feito isso, talvez não tivesse conseguido me controlar e morderia sua boca. Pode parecer sexy, mas seria muito doloroso para você e deixaria uma marca bem mais difícil de justificar.
— Ah, como se perfuração de presas no meu pescoço não dessem em nada — Kyungsoo responde revirando os olhos.
— Você deve satisfação a alguém? — Byun o olha curioso. O vermelho dos olhos ainda intenso, profundo.
— Você nem me fodeu e já está com ciúmes? — Doh brinca com os fios curtos da nuca.
— Não seja por isso. — Byun impulsiona o quadril para cima e Kyungsoo sente a pressão do pênis rijo abaixo de si.
— Uau, isso parece promissor. — Há um sorriso descarado no rosto bonito de Doh.
— E é, meu amor, muito promissor. — Byun morde o lóbulo da orelha quente e sorri também.
— Baekkie? — diz melancólico.
— Diga, Kyungja.
— Eu tenho de voltar pro salão, Chanyeol está lá sozinho.
— Quem é esse? — Baekhyun abraça Kyungsoo apertado e beija atrás da orelha.
— O fedorento que eu estou cuidando hoje. O alfa da alcateia… — Kyungsoo cobre a boca rapidamente. — Mas o que…?
— Ah, não se preocupe, esse é um efeito comum da mordida. Seu fluxo de pensamentos fica “aberto” e daí tudo que vem na cabeça, você fala. — Byun dá de ombros. — Eu não vou usar essa informação para nada. Ah, e eu consigo saber o que você pensa, ao menos por enquanto.
— Isso não é justo — Doh protesta indignado. Tenta sair do abraço, mas Byun o aperta de volta.
— Eu sou um vampiro velho, Kyungja. Alguma vantagem tinha de ganhar né?
— Se você sabe o que eu estou pensando, entende que eu preciso voltar…
— Mas não quer. — O vampiro aspira o cheiro bom da pele quente.
— A gente pode se encontrar depois que eu deixar o fedorento em segurança. O que acha?
— Que tal eu ir com vocês? — Baekhyun sorri e Kyungsoo fica desarmado diante da beleza que se manifesta no rosto dele. As maçãs do rosto salientes e os caninos proeminentes tão bonitos.
— Como eu vou explicar você para o Chanyeol? — Doh se remexe no colo de Byun e percebe a situação de sua cueca. — Droga. Eu gozei desse jeito?
— Outro benefício da mordida — Byun tem o tom professoral enquanto fala.
— Você é cheio de surpresa.
— Espera até me ver pelado, Kyungja. — Baekhyun move as sobrancelhas de forma insinuante.
— Não tem dois paus aí não né? — Doh se agita como um peixe se afogando no ar.
— O quê? — As feições de Baekhyun são cômicas.
— Lobisomens alfa, de uma linhagem específica, tem uma coisa chamada “nó”. E bem, na literatura da internet, as pessoas muitas vezes os confundem com ter dois paus. Faz sentido?
— Eu preciso ter acesso a esse tipo de coisa que você lê.
— Eu não disse que lia! — Doh responde indignado.
— Mas não negou, né! — Byun retruca divertido.
— Me solta antes que eu parta a sua cara.
— Vem cá, enfezadinho. Deixa eu te ajudar a levantar.
— Eu não preciso da sua…— Kyungsoo cai tão logo tenta se erguer.
— O que você dizia, lobinho? — Baekhyun aperta a bunda grande.
— O que diabos você fez comigo, seu filho da puta? — Doh vocifera, irritado.
— Nada, meu bem, é que você foi mordido, né, e seu corpo sofre um pouco com isso. Eu me ofereci para te ajudar, mas você é teimoso.
— Mas que merda. Você devia vir com aqueles anúncios de restrição ou uma bula.
— Te garanto que ainda assim você iria me querer — Baekhyun bate levemente com o indicador no nariz bonito de Kyungsoo.
— Foda-se.
— Ok, vamos pegar o fedorento e daí seguimos para sua casa.
— O nome dele é Chanyeol — Doh defende o humano, mas deixa isso de lado. — Por que a minha?
— Pode ser na minha também, só vamos ter de trocar os lençóis da cama.
— Eu nem vou perguntar por quê. — Doh se apoia em Baekhyun e os dois ficam frente a frente, os olhos fixos um no outro.
— Não é por nenhuma dessas razões estapafúrdias que você está elucubrando.
— Você não sabe o que… — Doh se cala. Baekhyun dá um beijinho na ponta do nariz quente e bate com o indicador na bochecha fofa.
— Eu sei sim, lo-bi-nho .
— Vamos logo pegar Chanyeol, antes que eu corte sua garganta para calar essa boca enorme.
— Você não faria isso?
— Leia a minha mente e você saberá se minto ou não. — Doh desafia e Byun engole em seco.
Os dois caminham em direção ao salão. O espaço continua agitado, mas agora as pessoas estão prestando atenção no palco e na voz bonita de Chanyeol que enche o espaço.
— Aquele humano no palco é o fedo…, digo, Chanyeol? — Baekhyun circunda a cintura de Kyungsoo, abraçando-o por trás e seguindo o ritmo melódico da guitarra.
— Sim, ele mesmo.
— Embora ele seja bonitinho, você é muito mais cheiroso e gostoso também.
Doh esquenta com o elogio e se deixa ficar no abraço apertado de Baekhyun. Ao som da música, os dois dançam discretamente, enleados pelo calor e cheiro do outro. Baekhyun tem o nariz enfiado nos fios escuros da nuca de Kyungsoo. Ele aspira um aroma gostoso e quente. Byun ainda consegue ouvir os pensamentos do outro. Doh está confortável em seus braços como há muito não se sentia. A inibição está menor e ele esfrega discretamente a bunda voluptuosa contra a ereção confinada de Baekhyun.
A voz cava de Chanyeol enche todo o espaço em um cover só de guitarra e voz de Bad Guy , de Billie Eilish . Kyungsoo se vira no abraço justo e canta, contra os lábios de Baekhyun, alguns versos.
I like it when you take control
Even if you know that you don’t
Own me, I’ll let you play the role
I’ll be your animal
My mommy likes to sing along with me
But she won’t sing this song
If she reads all the lyrics
She’ll pity the men I know
Os quadris em um molejo sedutor contra o corpo aquecido de Baekhyun, os lábios cheios roçando os mais finos e igualmente desenhados. Kyungsoo sente um calor enorme crescer em seu âmago e os dois se beijam ali mesmo, diante de todos que ousam prestar atenção ao casal que parece menos estranho do que realmente é. De cima do palco, Chanyeol sorri condescendente. Seu coração se alegra ao ver a felicidade de Kyungsoo.
O show termina e Chanyeol é ovacionado pela plateia. As pessoas ainda queriam que ele cantasse mais uma vez depois de ter voltado duas vezes ao palco. O dono da boate tem de subir e pedir gentilmente no microfone que as pessoas aguardem uma próxima apresentação de Chanyeol e que, aquela, tinha, infelizmente, chegado ao fim.
Quando Chanyeol encontra Kyungsoo e o estranho que o acompanha, precisa morder o sorriso bobo que traz nos lábios. Doh aperta os olhos na direção do humano, ele sente em seu cheiro que algo está diferente. Só ainda não tinha sentido esse cheiro no “fedorento” e daí, ainda não sabe reconhecer. Baekhyun está agarrado a sua cintura em um abraço possessivo. E sussurra:
— Ele quer saber quem eu sou, mas não vai te perguntar diretamente — Byun morde levemente o pescoço de Kyungsoo e ele estremece da cabeça aos pés.
— Como você sabe disso? — Kyungsoo questiona incrédulo.
— Ué, eu leio mentes né, lobinho.
— Mas você não o mordeu.
— Ah, com humanos é fácil. Eles basicamente não sabem o que é desligar o fluxo de pensamentos e, além disso, Chanyeol é um livro aberto com pernas. Mesmo sem ouvir o que ele pensa, consigo ler as intenções no corpo dele.
— Você me viu cantar, Kyungsoo? — Chanyeol pergunta, orgulhosamente. Seus olhos, contudo, estão observando Baekhyun e a linguagem corporal de ambos.
— Até que para um fedorento você não é ruim — Doh afirma. Ele sabe que a agitação perceptível em Chanyeol é de curiosidade.
— E você, o que acha? — Park se dirige ao vampiro. — Gostou da minha apresentação?
— Você é muito bom, Chanyeol — Byun declara e aperta Kyungsoo no abraço.
— Nossa, me parece muito injusto que você saiba meu nome e eu não saiba o seu — Park estende a mão e cumprimenta.
— Byun Baekhyun.
— Prazer, Baekhyun. Sou Park Chanyeol, mas acho que você já sabe disso. — Encara Kyungsoo com um brilho nos olhos.
— O prazer é meu.
— Você quer beber ou comer algo, fedorento? — Kyungsoo interrompe.
— Ah, eu acho que posso beber um refrigerante, mas prefiro comer em outro lugar, a comida aqui não é muito boa.
— Você pode comer em casa, então — Kyungsoo sugere pragmaticamente.
— Kyungja… — Baekhyun chama e depois cochicha algo em seu ouvido. O rosto dele fica quente na hora. Chanyeol decide que é seguro provocar.
— Quem cochicha o rabo espicha — morde o lábio como um menino travesso. Um brilho desafiador no rosto bonito.
— É o que, Chanyeol? — Doh o questiona irritado. Os olhos bonitos apertados em incredulidade.
— Ué, minha mãe dizia isso quando eu era criança. Nunca ouviu? — Park relaxa perto dos dois e se aproxima mais de Baekhyun. Kyungsoo o observa de esguelha.
— Olha aqui, fedorento, você tem duas opções: ou fica na moral e come na rua, ou eu te largo na porta do seu prédio no frio. Qual vai ser? — A sobrancelha de Kyungsoo está erguida e sua atenção no gestual do humano perto de Baekhyun.
— Eu adoraria comer uma pizza agora. O que vocês acham? — Ele pisca o olho esquerdo para Baekhyun.
— Eu acho uma ótima ideia — Byun declara e sua mão desce possessiva pela lateral do corpo quente de Kyungsoo. — O que você acha, Kyungja?
— Tanto faz — Doh sente que vai desistir de manter o decoro a qualquer momento, considerando como é apertado.
— Ótimo, vou pegar minhas coisas no camarim e podemos ir — Chanyeol bate palminhas de um jeito muito peculiar. Baekhyun acha fofo, Kyungsoo também, mas não vai admitir nem sob tortura. Logo depois o trio sai do local em direção ao estacionamento.
Kyungsoo estaciona em frente a Boomerang , uma pizzaria comandada por um chefe lobisomem. Ele só não aparece lá em períodos de lua cheia, por motivos de segurança, mas só a primeira lua é perigosa.
O trio desce do carro e Chanyeol tagarela a vida com Baekhyun. Os dois clicaram de um jeito que deveria ser ilegal em uns cento e setenta e três países. O que se podia esperar de um humano amizadeiro e um vampiro curioso? Ao menos é essa conclusão que Kyungsoo chega. Adentram o espaço e o cheiro de pizza os atinge como um soco no estômago. Chanyeol observa tudo curioso, já que não conhecia aquela pizzaria e se gabava de já ter ido a todas da cidade.
— Esse lugar é especial — Doh anuncia presunçosamente.
— Então quer dizer que você me trouxe em um lugar especial? — Chanyeol o encara divertido e esperançoso. Está adorando esse “novo” Kyungsoo.
— O que você não gosta de comer, Chanyeol? — Doh diz ignorando a pergunta anterior.
— Acho que… frutos do mar e abacaxi. Por quê?
— É justamente o que eu vou pedir.
— Kyungsoo! — Byun e Park dizem em uníssono e o lobisomem se vira indignado para ambos.
— Foda-se! — Doh se joga em um dos bancos acolchoados e Baekhyun está a seu lado imediatamente. Ele é afetuoso e seus braços parecem simplesmente não funcionar se não estiverem enroscados em Kyungsoo. Este faz sinal para um atendente e abre um sorriso. — Boa noite, Sooyoung. Como estão as coisas?
— Oi, Kyungsoo-ssi. Tudo bem por aqui. Vejo que trouxe amigos. Quem diria, o senhor andando com um humano e um… — ela observa Baekhyun com cuidado.
— Você pode trazer o cardápio, querida? — Doh sugere.
— Sim, senhor. Um momento, por favor.
— O que ela quis dizer com “um humano e um…”? — Chanyeol se debruça sobre a mesa. Os olhos grandes e escuros estão atentos e curiosos.
— Nada que te interesse. — Doh revira os olhos.
— Chanyeollie, ela só enfatizou a sua condição e a minha. — Byun oferece.
— Que é…?
— Você tem certeza que saber isso? — Doh interfere.
— Como assim? — Park franze a testa.
— Você é muito tapado — Doh revira os olhos.
— Não precisa falar assim com ele, Kyungja — Byun se estica sobre a mesa e afaga os cabelos arrumados de Chanyeol. — Olha essa carinha fofa? — A voz fica toda derretida.
— Até tu, Brutus? — Doh suspira exasperado. Chanyeol aperta os lábios para esconder o sorrisinho sacana.
— Já decidiu o que você quer comer, Chanyeollie? — Baekhyun é só sorrisos para o humano.
— Podemos pedir uma pizza gigante de calabresa e…
A conversa sobre o que comer segue e depois que o pedido é feito e entregue, Chanyeol e Baekhyun engatam em uma conversa cheia de risadas sobre Kyungsoo, seu mau-humor e algumas coisas sobre o relacionamento dele com Jongdae e Chanyeol. Byun parece muito entretido com todas as informações que recebe. Seu link com Kyungsoo continua ativo e ele ri ainda mais quando percebe as reações discretas do outro.
Depois de mais tempo investido do que tinha em mente, Kyungsoo e Baekhyun chegam a casa do último. E o termo casa é usado aqui apenas como sinônimo de moradia, quando na realidade, Baekhyun mora em uma mansão localizada nas cercanias da cidade. A residência ocupa o centro do terreno, em uma parte mais elevada deste. Sendo assim, é possível não só uma vista de todo o terreno como de quem se aproxima da propriedade. Kyungsoo fica besta diante do que vê enquanto seu carro adentra a longa via que conduz a casa.
Tudo está muito escuro mesmo com os faróis passeando pela propriedade, mas não é aterrorizante. O jardim é muito bonito e há centenas de árvores no espaço. Elas estão concentradas mais para o fundo da casa. Doh para o carro na frente da entrada e o barulho gostoso do motor potente finda. Kyungsoo desce, seguido por Baekhyun e os dois se encaminham para a varanda da frente. A porta é enorme e de madeira pesada, Baekhyun a abre sem esforço. Um humano precisaria de ajuda.
— Seja bem-vindo a minha humilde residência, Kyungja! — Baekhyun declara e abre os braços assim que se acha diante da escada que segue para o segundo andar. O espaço é amplo e bem iluminado, ao contrário do que Kyungsoo imaginou.
— Isso aqui é um palácio, Baekkie.
— Não exagera, amor, a casa já é velha. Está na minha família há gerações.
— É bem bonita. Como você acendeu as luzes sem tocar nada? — Kyungsoo se aproxima e abraça a cintura esguia, sente a firmeza do corpo de Baekhyun.
— Ah, coisas de vampiro. — Dá um meio sorriso. — Você quer comer algo? Assim, ofereço, mas é pouco provável que eu saiba onde estão as coisas para comer. Os humanos que cuidam da casa sempre dizem onde estocam a comida, mas eu não como…
— Mas você comeu a pizza.
— Ah, um pedaço né, não queria o Chanyeollie muito investido em entender o que eu sou.
— Você é mais esperto do que parece.
— Tenho de ser. Só assim para trazer o lobinho mais cheiroso e gostoso do mundo para meu covil.
— Parece assustador quando você usa essa palavra.
— Bem, eu tenho um covil em casa.
— Sério?
— Óbvio. Eu moro sozinho, não posso ficar exposto em um momento de vulnerabilidade. Nunca se sabe né? Eu só vivi muito porque não sou trouxa.
— Entendo. Como estamos sempre juntos, quer dizer, a alcateia é um grande corpo, né, então acho que me sinto menos desprotegido.
— Ah, sim, sim, antes que me pergunte, meu “par” me abandonou há muito anos, eu nem sei quanto tempo, na verdade. — Baekhyun dá de ombros.
— Obrigado, eu acho.
— De nada, querido.
— Baekkie, eu quero tomar um banho. Esse cheiro de humanos está grudado na minha pele.
— Podemos usar a suíte principal.
— Você quer dizer, o seu quarto?
— Não. Como eu disse antes, meu covil fica aqui em casa. Eu não durmo nos quartos, mas podemos passar a noite lá.
— Espero que não dormindo.
— De forma alguma! Meu plano é ficar acordado o quanto você aguentar, Kyungja.
— Ótimo, porque eu não quero dormir tão cedo.
Os dois dão as mãos e seguem escada acima. Byun conduz Doh até a suíte principal. O quarto é amplo, de pé direito alto. Há poucos móveis. Parece que alguém não dorme ali há algum tempo.
— Foi isso que você quis dizer com “trocar os lençóis?” — Kyungsoo levanta a coberta e percebe que há certa poeira acumulada.
— Exatamente. Eu não durmo aqui.
— Onde você dorme? — Kyungsoo se aproxima e lança os braços ao redor dos ombros largos de Baekhyun.
— Eu durmo lá embaixo, onde me sinto mais seguro.
— Então é lá que a gente vai transar.
— Tem certeza, Kyungja?
— Sim, eu quero deixar meu cheiro onde você possa senti-lo. — Doh mordisca a bochecha fofa e sorri em seguida.
— Seu desejo é uma ordem.
Seguiram para o banheiro da suíte. Tudo está muito arrumado e, se não fosse por um pouco de poeira, nem se desconfiaria que permanece completamente desabitada.
— Com que frequência os empregados trabalham aqui? — Doh questiona enquanto se despe, porém, sua pergunta fica no ar, sem resposta.
Todas as peças que usa são pretas e elas contrastam com o tom da pele que escondem. Baekhyun o observa atento. Sua respiração está em suspenso, absorvendo cada detalhe da beleza de Kyungsoo.
Os ombros alinhados, o peito firme, os mamilos pequenos e num tom mais escuro que a pele, o abdômen firme, bem mais definido do que imaginava. Logo depois viu as reentrâncias na altura da bacia, o quadril substancialmente largo, os pelos escuros e curtos e o pênis ainda flácido.
Baekhyun entende que Kyungsoo é maior do que deixa evidente e sua boca formiga só de imaginar tudo o que pode fazer com aquele corpo glorioso a sua disposição. As coxas são grossas, musculosas e levemente cobertas de pelos. Os pés são bonitos e bem cuidados.
Kyungsoo não é tímido. Sente o olhar de Baekhyun em cada pedacinho de sua pele, adorando o desejo que desperta no outro.
— Gosta do que vê? — Doh insinua. Seus passos o aproximam de Baekhyun.
— Pode apostar essa bundinha gostosa que sim. — Byun enche as mãos nas nádegas volumosas, macias, mas ainda mantém uma firmeza, quase como uma fruta madura, perfeita para ser devorada.
— Você está vestido demais — Doh puxa com cuidado as peças, todas pretas, do vestuário de Baekhyun.
— Quer que eu faça isso? — pergunta, quando Kyungsoo acaba se demorando mais em um dos botões da camisa.
— Não tente me tirar o prazer de te despir.
— Eu me sinto honrado com isso.
— Deveria mesmo. — Há um sorriso convencido nos lábios cheios de Kyungsoo. Ele parece ainda mais bonito na luz do banheiro.
— Eu quero muito, muito mesmo foder você, mas acho que o banho deveria ser…
— Só um banho? — Doh pontua.
— Isso. Não quero correr riscos ou me afobar, além do mais, conquistei o direito de aproveitar cada centímetro da sua pele.
— Direito?
— Ah, Kyungja, não me diga que você não sente o alinhamento dos nossos corações, o modo como seu calor está grudado no meu corpo e meu cheiro no seu.
Kyungsoo se atenta a isso. Seu coração realmente está bem menos acelerado do que o costume. Como seu corpo é sempre muito quente, mal percebeu que houve uma certa alteração em sua temperatura basilar.
— O desejo é a nossa “arma” mais forte — Baekhyun toma a mão bonita na sua e caminha para dentro do box.
A água quente cai logo depois que os dois estão isolados no espaço envidraçado. Baekhyun abraça Kyungsoo e sente a ereção dele contra seu corpo, o calor que partilham e os lábios desejosos nos seus. O beijo é ardente, os corpos se esfregam cobiçosamente. Baekhyun ofega quando a mão de Kyungsoo se molda ao redor de seu membro rijo. O pescoço está disponível, oferecido como um troféu, uma recompensa. Byun não se faz de rogado e morde cuidadosamente, sem romper a pele, sem fazer fluir o líquido rubro e espesso que conduz a vida de Kyungsoo. Se separam com dificuldade, os peitos enchendo e esvaziando rapidamente.
— Nós realmente precisamos tomar um banho — Doh é iluminado por um fio de lucidez, uma epifania.
— Teremos toda a noite para fazermos tudo o que quisermos — Byun declara, tomando os lábios macios novamente e apalpando o corpo firme contra o seu.
Baekhyun adora o cheiro da pele de Kyungsoo misturado ao sabonete líquido. O calor do odor peculiar de Doh se sobressai ao cheiro quase floral do produto. Kyungsoo está completamente nu diante dos olhos ardorosos de Baekhyun. Ele observa cada pedacinho e se envaidece do amante que terá em seus lençóis. Em um segundo Byun está diante dos olhos, depois não está e reaparece. Ele tem um roupão todo preto de seda nas mãos e o entrega a Kyungsoo.
— Você poderia usar isso? — Baekhyun tem um brilho vermelho nos olhos. Doh fareja a peça: o cheiro de Baekhyun está impregnado nela.
— Pede com jeitinho e eu considero — Doh provoca. Seus olhos ficam dourados, um tom de ouro forte e intenso.
— Kyungja… — Baekhyun se aproxima. Sua pele cuja temperatura está agora mais baixa arrepia a de Kyungsoo. Ele toca o peito, sente o subir e descer da respiração controlada. Baekhyun consegue ouvir a agitação no coração do outro, ouvir os sussurros de seus pensamentos, o pulso acelerado. Seus lábios cobrem os de Kyungsoo, uma carícia delicada, afável.
— O que você quer, Baekkie?
— Usa esse roupão, por favor.
Baekhyun se dedica a beijar o tanto de pele que alcança. Começa nos ombros, depois segue pelo peito, deixando uma mordida em cada mamilo e descendo. Mais beijos se alternam com mordidas e lambidas cruzando o abdome, depois chegando a linha imaginária da bacia. Ali Baekhyun para, ajoelhado, os olhos fitando os de Kyungsoo. Este enfia as mãos nos cabelos macios, procurando um ponto de segurança quando Baekhyun beija, delicadamente, a glande inchada. Doh cicia e Baekhyun sente o peito inflar.
— Eu…
— Fala, amor — Baekhyun tem a voz doce, lânguida. Seus olhos parecem mais intensos, vivos.
Kyungsoo pega o roupão e em um movimento teatral o lança sobre o corpo. Dá um nó simples com a faixa que cinge a cintura. A carícia que o tecido faz o excita.
— Vamos para o seu covil. — Beija calmamente a boca bonita de Baekhyun. — Já disse que quero deixar meu cheiro nos seus lençóis.
Os dois seguem pelos caminhos longos da casa. A entrada para o covil é escondida em uma das paredes da biblioteca. Daí ela dá em uma falsa entrada e apenas Baekhyun consegue abrir a verdadeira, já que, além de saber qual é o ponto exato, é necessária uma gota de seu sangue para acionar o mecanismo que abre a porta.
Seguindo pelas escadas estreitas, Baekhyun e Kyungsoo chegam em um amplo salão. O ambiente é soturno, mas com um estalo de dedos, Byun ilumina todo o espaço. Há saídas de ar que retornam para a casa, então o espaço é mais arejado do que Kyungsoo imaginava. Seus olhos estão dourados, absorvendo tudo ao redor.
A cama é ampla, maior do que uma king size. Doh se pergunta qual a necessidade disso, mas empurra o pensamento para longe assim que se lembra que Byun ainda pode ouvir seus pensamentos. Há um objeto preto, de formato curioso próximo à cama.
— Esse é o seu caixão? — Doh passeia a mão contra a madeira.
— Meu invólucro. Não gosto do nome “caixão”. Eu não estou morto.
— Tecnicamente, você está.
— Tecnicamente não. Se a condição de vida é um coração que bate, sangue corrente e sinapses, eu faço tudo isso.
— Não tinha pensando por esse lado.
— A literatura condiciona a mente das pessoas e os filmes, geraram um grande boom que me ajudou a me alimentar muito, mas também causa muita confusão.
Doh se acerca de Baekhyun, os olhos dourados mais escuros, quentes e seu cheiro intensifica. Baekhyun consegue perceber a mudança na respiração, dos batimentos cardíacos e sabe muito bem o que isso quer dizer. Ele foca mais no corpo de Kyungsoo do que em seus pensamentos e isso ajuda a distanciá-los um pouco. Não quer estragar as surpresas prometidas nos olhos bonitos.
— Você sempre fala demais, Hyunnie. — As mãos estão espalmadas no peito, movem-se sensualmente, pressionando os músculos, elicitando suspiros mais longos, profundos.
— Quer calar a minha boca, lobinho? — Ergue a sobrancelha e um sorriso canalha aparece nos lábios bonitos.
— O que preciso fazer para isso acontecer? — Doh finge inocência.
— Senta na cama e eu te mostro.
Kyungsoo obedece. Baekhyun se ajoelha e se acomoda entre suas pernas. As mãos deslizam contra a pele quente, começando dos tornozelos e subindo tortuosamente. Ele faz uma pressão gentil, quase uma massagem e ouve os gemidos de contentamento escapando de Kyungsoo.
O corpo dele vai relaxando e com cuidado, Baekhyun desfaz o laço que prende o roupão, afasta o tecido da pele e deixa uma trilha úmida de beijos do meio do peito até a virilha. A mão bonita pousa no torso de Kyungsoo e o empurra um pouco para trás, fazendo-o acomodar o peso nos cotovelos, sustentando o corpo.
Um sorriso se espelha nos lábios de ambos quando Byun se aproxima do falo rijo. Kyungsoo prende a respiração, mas sente apenas um beijo leve na glande. Seu suspiro é alto e excita Baekhyun que experimenta com a língua a firmeza da ereção alheia.
Kyungsoo sente o corpo afundar no colchão assim que a boca de Baekhyun está em seu membro. É uma sensação diferente das que já sentiu. Há certo calor, até maior do que esperado, mas o modo como os caninos proeminentes resvalam a pele, fazem Kyungsoo sentir como alguém à beira de um precipício: tentado a se jogar e com receio de cair. O perigo de se machucar na boca sedutora parece aumentar o desejo e Kyungsoo deixa a sensação tomar conta de si. Tudo que experimenta com Baekhyun é inédito e isso não seria diferente.
— Não vou te morder — Kyungsoo ouve a voz de Baekhyun em sua mente, não há movimento de fala dos lábios, até porque Byun está ocupado chupando-o intensamente.
— Como você… Ah, Baekkie.
Junto aos lábios quase mágicos, a mão de Baekhyun se une em uma masturbação sinuosa, atiçando o corpo alheio. A cabeça de Kyungsoo pende para trás e ele fica mais excitado a cada novo movimento de Baekhyun. Doh impulsiona o quadril para frente e quase engasga o vampiro. Ele tenta se desculpar, mas Byun sobe a língua contra as veias pulsantes, fazendo o lobisomem gemer solto, agarrado aos cabelos fartos, conduzindo o movimento para cima e para baixo, arfando cada vez mais alto e sem controle. Baekhyun move a língua avidamente, empurrando a sanidade de Kyungsoo para longe, estimulando o instinto dele e o desejo pelo gozo.
Kyungsoo, contudo, no fundo de sua mente, tem um momento de claridade e ousadia. Estica o pé desnudo e toca a ereção confinada de Baekhyun. O mover deliberado contra o outro causa maior excitação e Baekhyun acaba gemendo contra o pau em sua boca. As vibrações causam um estremecimento no corpo de Kyungsoo que geme desfeito.
— Hyun-ah… você é tão maravilhoso, mas se continuar… eu vou gozar.
Baekhyun intensifica a felação. Seu objetivo é fazer Kyungsoo gozar em sua boca e sorver a fruição quente. Seus dedos ágeis massageiam as bolas cuidadosamente. Doh continua pressionando o pé contra sua ereção. O tecido de algodão da boxer que usa é a única barreira entre eles.
Baekhyun move a cabeça de um jeito que faz o pênis de Kyungsoo alcançar o fundo da garganta e desse ponto em diante é uma viagem curta. Doh perde sua capacidade de mover qualquer parte do corpo que não seja o quadril. Se agarra aos fios de Baekhyun, o mantendo ali, no lugar certo e estocando contra a boca deliciosa dele. Subitamente um clarão se faz em sua mente e ele goza farto, espesso na boca de Baekhyun.
Byun controla a respiração e absorve o sabor novo de Kyungsoo. Seu corpo reage ao calor que emana do outro e o assimila, quase emulando uma vida que não tem mais. Kyungsoo cai desajeitado no colchão. O peito inflando e desinflando rapidamente. O sangue corre furioso nas veias e Baekhyun deita a seu lado com um sorriso bobo no rosto.
— Você conseguiu calar minha boca — Byun declara.
— Não por muito tempo — Doh lamenta.
— Vem cá, lobinho.
Em um abraço vigoroso, Baekhyun traz Kyungsoo contra seu corpo e toma os lábios sofregamente. Os dois se beijam por mais tempo do que conseguem registrar e por menos do que desejam. Baekhyun ainda sente o coração apressado de Kyungsoo contra o seu. Os olhos dele ainda estão dourados, porém, mais plácidos, saciados.
— Gostaria de retribuir a gentileza — Doh anuncia quando sua respiração está mais estável. Ele tateia o corpo de Baekhyun e se delicia ao sentir o pau ainda duro, mas preso na cueca. — Tira isso!
No momento seguinte, Baekhyun está sem a peça apertada. Seu membro aparece em toda glória, rijo e extremamente atraente para Kyungsoo. Este desce na cama, passa por cima do corpo de Baekhyun e fica entre as pernas dele.
Cuidadosamente, Kyungsoo dedilha a região da virilha, deixando beijos lentos e úmidos, arrastando os lábios até o membro em riste. Ao sorver o líquido despontando na glande, inspira profundamente, inalando o cheiro tão único de Baekhyun. Este geme alto e se sobressalta quando sente o calor e a umidade da boca de Kyungsoo o envolvendo carinhosamente.
— Kyungja… — Byun tenta articular algo mais, porém é impedido pela língua em mover sinuoso em seu membro e o subir e descer em seu pau teso.
Kyungsoo sorri com a boca cheia e seus olhos dourados quase se liquefazem. Ele bate na coxa firme de Baekhyun e mentaliza que ele deve se sentar. Como uma marionete, Byun se move e sua visão agora é melhor do que tudo que poderia ter imaginado para aquela noite. Kyungsoo está ali, chupando-o intensamente, os lábios cheios o encantam, estando dedicados a causar toda sorte de sensação incrível em seu corpo.
Doh não economiza no ímpeto. Ele toma toda extensão de Baekhyun na boca e sente-o tocar mais ao fundo da garganta. Seu reflexo é bom e a garganta parece feita para acomodar Baekhyun. Ao se sentir levemente apertado, Byun geme alto e mantém a cabeça do lobisomem ali, estocando devagarinho contra ele. A conexão entre eles se intensifica e Kyungsoo sente o desejo se agigantar em Baekhyun.
Em um movimento ágil, Doh interrompe a felação, derruba Baekhyun na cama e muda de posição, levando a bunda farta para a direção do rosto. Byun geme perdido assim que sente seu pau novamente na boca de Kyungsoo e aquela visão perfeita que a bunda grande dele diante de si. Mal se contendo, aperta com força as bandas bonitas, depois enche-as de tapas, fazendo Kyungsoo gemer contra seu membro e rebolar em sua direção. Não precisa ler mentes para saber o que o outro quer.
Baekhyun umedece um dos dedos na própria boca e o passa entre o espaço quente das nádegas de Kyungsoo, depois o empurrando cuidadosamente para dentro deste. Kyungsoo arqueja e seu gemido é abafado apenas pelo aumento de sua dedicação a chupar Baekhyun. Este se estica e tira uma embalagem pela metade de lubrificante debaixo do travesseiro. Abre com uma única mão e despeja um pouco do conteúdo no espaço que abre entre as nádegas de Kyungsoo.
O contato meio frio do gel contra a pele cada vez mais quente faz Kyungsoo puxar o ar com dificuldade. Baekhyun introduz um dedo insistente, vencendo a resistência natural do corpo de Kyungsoo. Impulsionando-o para dentro e para fora, estabelece o mesmo ritmo do boquete que recebe. Um segundo dedo é introduzido e Kyungsoo se desprende imediatamente dele, gemendo alto. As costas em um arco bonito.
Baekhyun apoia a mão livre na lombar e com cuidado tenta enfiar mais um dedo em Kyungsoo. O lubrificante ainda é suficiente, mas Byun se move e se esforça para usar a língua também em Kyungsoo. É quando ele desiste da simultaneidade de suas ações e deixa Baekhyun tomar o controle.
De quatro na cama, Kyungsoo se oferece despudoradamente. Baekhyun então se ajoelha, ficando atrás de Kyungsoo. Seus dedos continuam trabalhando diligentemente, mas acompanhados pela língua sequiosa. Cada vez mais fundo, mais rápido e intenso, Baekhyun mantém todos os movimentos sincronicamente e ouve a voz de Kyungsoo quebrar em gemidos quando atinge um ponto muito prazeroso nele.
— Isso, Hyunnie, por favor, bem aí…
Sem precisar repetir, Kyungsoo é atendido. Baekhyun estoca cadenciadamente o mesmo ponto, a língua se movendo constantemente e daí um tapa cheio faz a bunda firme de Kyungsoo vibrar. O calor que ele emana é tanto que faz Baekhyun suar, coisa que nunca acontece. Sentindo o orgasmo se avizinhar, Kyungsoo, sem querer ser egoísta, sugere ao companheiro:
— Goza na minha bunda, Hyunnie, por favor.
— Ahn? — Byun consegue dizer ao retirar o rosto do corpo alheio.
— Exatamente o que você ouviu, trouxa . — Doh mentaliza e Baekhyun entende.
Retirando os dedos do outro, Baekhyun se acomoda melhor na cama, pega um pouco do lubrificante e joga sobre o falo, lambuzando-o para enfim começar a se masturbar. Kyungsoo consegue olhar por sobre o ombro e adora ouvir os sons que escapam meio sibilados pelas presas proeminentes de Baekhyun.
Em um lampejo, Kyungsoo usa as próprias mãos e exibe o interior pulsante de seu corpo para Baekhyun. Ele está se apresentando ao outro. Seu cheiro permeia todo o espaço, intenso, quente e desejoso. Baekhyun está no limiar e Kyungsoo o empurra com o comando de voz.
— Goza em mim, Hyunnie.
E tudo fica suspenso. Baekhyun esfrega a glande contra o corpo quente do outro, entre as nádegas firmes e deixa o orgasmo o atingir. O sêmen cai parcialmente na bunda de Kyungsoo, mas boa parte dele fica no espaço aberto por este, contra o orifício pulsante que, antes, Baekhyun beijava intensamente.
Ele desaba sobre o corpo de Kyungsoo e os dois caem na cama, ofegantes e felizes. Doh sente a consistência da fruição de Baekhyun entre suas nádegas e sorri bobo. Depois o puxa para um abraço. O desejo por contato parece mútuo, pois mesmo ainda aéreo, Baekhyun se deixa envolver no calor gostoso do lobisomem.
Ambos tomam o tempo para se recuperarem, mas os corpos seguem colados. O suor de Kyungsoo aquecendo a pele alheia. O odor dele é mais forte agora que o corpo está todo eriçado pelo prazer partilhado. Baekhyun sente o corpo todo ascender. É quase como se ouvisse o chamado do outro. Kyungsoo está aninhado contra si, um calor pulsante e vivo. Os dois se encaram quando os olhos vermelhos de Byun se descortinam.
— Pensei que você não fosse me deixar dormir hoje. — A mão desenha círculos imaginários no peito amplo.
— E não vou deixar mesmo. — Baekhyun aperta a bunda farta e desliza dois dedos para o interior de Kyungsoo experimentando novamente o corpo alheio. O gemido é audível e Byun sorri safado.
Kyungsoo se ajeita melhor na cama, barriga para cima e as pernas afastadas, dando espaço para Baekhyun ficar entre elas. Os dois se beijam avidamente. Kyungsoo sente a língua de Baekhyun deslizar contra a sua, percebe o movimento dele. Segurando o membro já rijo, Baekhyun esfrega a glande contra a mistura escorregadia de sêmen e lubrificante, espalhando, testando e provocando.
Impulsionando o quadril vagarosamente, desliza facilmente para o interior quente de Kyungsoo. Calmamente, ainda preso aos lábios fartos dele, arremete contra o corpo alheio, sorvendo os gemidos nascidos na garganta, absorvendo-os como um apanhador de sonhos. Doh se agarra às costas largas, suas unhas curtas deixam uma trilha vermelha na pele alheia.
— Hyun-ah… — balbucia. O prazer o invade sorrateiramente enquanto Byun ganha espaço em seu interior. Tudo é quente e sensível. Como seu corpo cede ao peso e a insistência do pênis rijo que abre caminho como se tivesse sido moldado para dar-lhe prazer. Baekhyun arremete de uma vez e está todo em Kyungsoo.
Os arfares de ambos enchem o ar ao redor e Byun quer dar um tempo para Kyungsoo relaxar, se acostumar com a ocupação do corpo, mas algo primal se move dentro do lobisomem e ele não quer esperar. Lançando as pernas fortes ao redor da cintura de Baekhyun, Kyungsoo o impele a se mover. E ele obedece, primeiro timidamente, mas quando o calor convidativo de canal estreito parece o de uma fornalha ativa, Baekhyun deixa o desejo tomar o controle.
As bocas se encontram e desencontram apressadas, desejosas. Os beijos trocados são uma tentativa ingênua de não se perderem eternamente no outro. As contrações de Kyungsoo fazem o prazer ecoar em todo corpo de Baekhyun. Ele estoca fundo, sente o entrar e sair de seu falo, o espaço que cede à invasão e se contrair. O peito de Kyungsoo agora está colado ao seu, os dois estão abraçados intensamente, mas Baekhyun sente que ainda há distância entre eles e Kyungsoo deve perceber o mesmo porque se remexe inquieto, fazendo a penetração ser mais funda.
Os dois se movem para uma nova posição e Baekhyun traz Kyungsoo consigo quando se senta sobre as próprias pernas. Kyungsoo se molda ao redor dele e agora tem mais apoio para mexer o quadril. Do jeito que estão, Kyungsoo sentado em Byun, faz Doh ter partes suas tocadas pelos golpes contínuos do quadril do outro.
Em uma estocada mais funda, Kyungsoo sente tanto prazer que suas presas despontam. Em um abraço forte, eles se apertam, a invasão de Baekhyun se intensifica e Kyungsoo geme alto quando sua próstata é acertada. Esconde o rosto no pescoço bonito e ao perceber o cheiro de Byun, o calor partilhado e os sussurros do pensamento dele em sua própria mente, Doh acaba mordendo o pescoço do vampiro.
O sabor pesado e levemente metálico do sangue invade a boca de Kyungsoo e ele suga, sorvendo o líquido espesso. Seus olhos iluminam de um dourado flamejante e ficam subitamente vermelhos. O corpo todo reage imediatamente e logo depois é Baekhyun quem o morde. A troca desavisada de mordidas causa uma espécie de frenesi.
Kyungsoo consegue perceber tudo que Baekhyun sente e isso é recíproco. Doh visualiza o entorno pelos olhos alheios, ouve com os ouvidos de Byun e sente uma onda gigante varrer a ambos. O orgasmo os atinge como um trem desgovernado. É forte, intenso e uma experiência tão única que Doh só consegue gemer o nome de Baekhyun, ouvir os corações de ambos baterem e o rumor do próprio sangue contra os ouvidos.
Baekhyun e Kyungsoo caem na cama abraçados. Byun por cima, esmagando o outro com seu peso inerte. Os pulmões parecem incapazes de recuperar o ritmo correto da respiração. Doh está perdido nas imagens que se refazem diante de seus olhos. São as memórias de Baekhyun, cenários antigos, línguas estranhas e outros cheiros que nunca imaginou sentir. Aos poucos, os batimentos de ambos se alinham, as respirações se tornam calmas e Kyungsoo consegue abrir os olhos.
Tudo está diferente. Seus sentidos estão muito mais aguçados e ele estranha o próprio corpo. Logo depois a voz bonita de Baekhyun enche seus ouvidos e tudo parece muito deslocado, desajustado.
— O que… por que você me mordeu ? — Baekhyun não está chateado e Kyungsoo sente alívio varrer seu corpo. Percebe, contudo, que Byun não está falando. Seus pensamentos estão conectados.
— Eu não sei o que me deu. Em um momento, estava tudo bem e depois eu estava te mordendo — Doh coça o nariz. Os cheiros estão muito mais intensificados. O prazer de ambos ainda paira no ar.
— Não estou chateado, mas seria bom saber que eu seria mordido por um lobisomem. Isso dói — ele ri.
— Te juro que não foi intencional .
— Eu sei, Kyungja. — Baekhyun morde a orelha quente. — Vem cá, meu lobinho insaciável. — A voz doce de Baekhyun soa real agora que se espalha pelo covil. Os dois se abraçam, a nudez é confortável. Kyungsoo se aninha contra o outro e sente o sono começar a pesar as pálpebras. — É melhor dormir um pouquinho. Teremos muito tempo para o que mais você quiser fazer.
Doh não protesta. Estar tão ligado a Baekhyun é desnorteador e seu corpo clama por um descanso. Muitas emoções em um único dia e seu corpo, além da mente, ainda têm muito que assimilar. Baekhyun cobre ambos com um lençol de seda preto. Morfeu os guia para um sono tranquilo nos braços um do outro.
Kyungsoo está sonhando, mas não sabe disso. Sua mente navega as memórias de Baekhyun ou seriam as suas? Há uma floresta e o cheiro invade suas narinas, assim como a sensação do solo úmido e fértil está em seus pés. Uma brisa gentil se esgueira entre as árvores altas e Doh reconhece o lugar. É a vila onde cresceu. Está escuro e Kyungsoo parece perdido. Ele é pequeno e inocente. Seus olhos grandes estão dourados e tentam entender o que se passa. Ele ouve o próprio pedido de socorro, mas não pode amparar a si ou ser resgatado.
A cena parece estranhamente familiar. Atrás de si, Doh tem a impressão de perceber olhos à espreita, observando cada passo seu. Sua nuca aquece e o receio toma seu peito. Procura com cuidado e tenta farejar o ar. Seu pai sempre diz que se todos os sentidos faltarem, é o olfato que o guiará para segurança.
Dentre os muitos aromas suspensos no ar, há um odor muito fino, frio, discreto e que quase passa despercebido. Kyungsoo tem a impressão de já ter sentido esse cheiro antes. Ele olha ao redor e consegue saber de onde vem o cheiro. Seus olhos estão mais dourados e atentos. Seu corpo todo em alerta. Se aproxima das árvores e de onde imagina estar seu observador.
Um brilho vermelho parece estar flutuando no ar e Kyungsoo sente um cheiro que conhece bem: sangue. Ele se cortou em uma das muitas árvores altas que o cercam. Seu observador se agita. Kyungsoo tenta manter as batidas do coração mais tranquilas, se abaixa onde está, fecha os olhos, confia e diz:
— Saia de onde você está. — Sua voz de criança no sonho se mistura com sua voz adulta.
Como em um passe de mágica, um homem de cabelos escuros, olhos vermelhos e lábios desenhados aparece diante de si. Ele tenta tocar Kyungsoo, mas sua temperatura é baixa e incômoda. Doh se assusta e o homem não sabe o que fazer. Ainda assim, os olhos grandes e amendoados seguem fechados.
— Não estou com medo — Doh declara, mais para si do que para o outro. Seu corpo treme.
Um odor delicado fica no ar. Kyungsoo sente a presença do estranho ao seu redor. Entretanto, ouve passos ao longe e seu companheiro temporário desaparece entre as árvores. Kyungsoo abre os olhos e encontra o brilho vermelho pulsando e o observando. Seu pai chega logo depois e, com alívio, toma o filho nos braços e o carrega para longe daquele lugar. Entre as árvores, protegidos, olhos vermelhos observam tudo.
Kyungsoo acorda e a primeira coisa que percebe é que não está em sua cama. Se remexe um pouco e se dá conta da presença de outra pessoa. Há um cheiro delicado no ar, misturado ao odor de prazer partilhado.
Doh sente o pescoço dolorido e leva a mão ao ponto de onde a sensação emana. Quando os dedos tocam os orifícios fundo na pele, sente o corpo todo estremecer e as emoções partilhadas retornam. O peso de Baekhyun contra seu corpo, o ritmo potente dos quadris dele, a solidez do falo rijo entrando e saindo de seu corpo, a lassidão do orgasmo.
Baekhyun se remexe e instintivamente traz Kyungsoo para si em um abraço apertado, alojando o rosto contra o pescoço quente, aspirando o cheiro bom de Kyungsoo. Mordisca levemente a pele e beija o local em seguida. Seus movimentos são tão naturais que nem o sono os impede.
Doh sente a firmeza de uma ereção contra sua bunda e ri baixo, se empurrando contra ela. Byun se aninha melhor, criando todos os pontos de contato possíveis e suspira, voltando à placidez do sono.
Cortinas pesadas e fechadas, somadas às persianas e um sistema complexo de proteção, impedem a luz do sol de entrar na casa. O som de vidro se espatifando é alto na cozinha ampla. O peso da mesa de mogno se arrasta contra o chão enquanto Kyungsoo se apoia nela, o corpo solavancando seguindo ritmicamente os quadris de Baekhyun.
Doh já desiste de manter uma noção precisa de quantas vezes transaram desde o despertar. O banho na jacuzzi foi só uma desculpa esfarrapada de Baekhyun e acompanhar Kyungsoo até a cozinha para preparar uma refeição, também.
Baekhyun ondula os quadris, depois faz movimentos circulares, atingindo zonas tão profundas e íntimas em Kyungsoo que parece saber exatamente quais são seus pontos fracos. Byun mantém Doh no lugar, puxando o nó do avental que ele usa, arremetendo fundo, cadenciado e se deliciando com os gemidos que ecoam por todo espaço.
— Me bate, Hyunnie! — Kyungsoo suplica, em delírio. Seu corpo todo está quente e ele quer sentir novamente o preencher temporário que o gozo de Byun proporciona.
Uma mão pesada vem logo depois, concretizando o pedido de Kyungsoo que fica na ponta dos pés, possibilitando um outro ângulo para a penetração. Baekhyun desliza grande, duro e farto dentro do corpo de Kyungsoo, percebendo cada contração indicando o clímax dele.
O cheiro muda bem como o calor dele que se intensifica e Baekhyun sabe que não vai durar muito mais que seu “lobinho”. Ajustando melhor o outro contra a mesa, bate repetidamente e de forma alternada nas nádegas gordinhas, enquanto arremete cada vez mais rápido, mais fundo, menos controlado. Kyungsoo desata a falar indecências, pedindo para ser penetrado mais rápido.
— Isso, Hyun-ah, eu quero não andar de tão fodido por você, isso, amor…
— Kyungja… — Baekhyun perde o fôlego e ele não sabe se seu corpo está mimetizando o de Kyungsoo, ou se esse lobisomem tem capacidades muito além de todos seus amantes anteriores.
Doh contrai os músculos de seu interior quente e desejoso, causando ondas de prazer em Baekhyun que ameaçam varrer a consciência dele. Se movendo ao encontro do quadril ágil do vampiro, Kyungsoo geme mais alto, desfeito e uma risada gostosa se mistura aos sons do coito selvagem deles. Doh empina a bunda, soerguendo o corpo e numa voz cava e autoritária ordena:
— Baekhyun, me morde agora.
Byun faz apenas obedecer. Puxa Kyungsoo para mais perto de si, trazendo o pescoço exibido, bonito e pulsante. As marcas de suas presas estão no mesmo lugar, o entorno marcado, certamente dolorido. Kyungsoo toma o próprio membro em mãos e se masturba na mesma velocidade em que é penetrado por Baekhyun.
As presas roçam a pele e depois afundam no mesmo ponto. O sangue flui em goles gentis pela língua, descendo pela garganta e os dois gozam ao mesmo tempo. O cheiro de Kyungsoo explode contra as narinas de Baekhyun, o coração dele ditando o ritmo de ambos. Contra a mesa, o sêmen espesso se acumula enquanto escapa em jorros, discretamente, do corpo quente de Kyungsoo.
Um gemido mais dolorido evidencia que Baekhyun precisa soltar a artéria pulsante. Seus quadris param e ele está abraçado a Kyungsoo tão forte que parecem ser um só. As pernas de Kyungsoo desistem de sustentar seu peso e ele não vai ao chão porque Baekhyun, ainda tem algum controle muscular para mantê-los em pé. Desabando sobre a mesa, os dois ficam assim, tentando reaprender a respirar.
Baekhyun sente toda a intensidade do prazer de Kyungsoo misturado ao seu. A mente dele vaga distraída, tentando fazer sentido para o segundo dia em que estão juntos, entregues à luxúria e ao desejo. Escuta um resmungo vindo do lobisomem e soergue o corpo, os braços ladeando o corpo suado. As costas são amplas e bonitas, elas se agitam. Byun empurra o quadril, ainda dentro de Kyungsoo, experimentando a conexão com o corpo dele.
— Você está pesado, Hyun-ah, sai de cima — Doh fala em um fôlego.
— Meu Kyungja reclamando agora, mas estava pedindo para meter fundo e… Ai! Sua mão é pesada.
— É que não é carinho, idiota. — Depois do tapa, Doh belisca as costelas de Baekhyun que ri.
— Ok, já saí de cima. — As mãos para o alto indicam que ele se rende.
Mais flácido do que minutos atrás, Byun se retira do interior quente e pulsante de Kyungsoo. A bagunça aromática do sêmen, lubrificante e suor faz o sangue de ambos correr mais rápido nas veias.
— A gente vai transar de novo, mas não agora — Doh declara, assim que sente a mão bonita de Baekhyun contra sua nádega, acariciando e apertando. — Eu preciso comer.
— Eu também… — Baekhyun insinua, apalpando a bunda farta de Kyungsoo. As intenções deitadas em cada sílaba.
— Você acabou de me morder e me foder. Eu não fiz nada ainda — confessa cansado, enquanto se vira para encarar Baekhyun.
— Se eu pedir comida, a gente pode transar mais rápido? — Byun move os cílios como um cachorrinho estranhamente sedutor.
— Se você buscar a comida, eu deixo você me morder de novo e a gente transa em pé, contra a parede, do jeito que você queria durante o banho. — Sorri astuto e desafiador.
Kyungsoo se assusta ao perceber o ar ao seu redor se mover com o deslocamento muito rápido de Baekhyun. Ele está vestido, todo de preto novamente, e com as chaves do carro na mão.
— Já volto, Kyungja. — Dá um beijinho no nariz e depois toma os lábios com intenção. As línguas se tocam sensualmente e o beijo se encerra. — Você não vai se arrepender de tudo que vamos fazer.
— Eu sei, seu tarado. Vai logo. — Doh empurra Byun que manda beijinhos no ar.
Baekhyun sai apressado pela casa e a porta bate logo em seguida. Já é noite novamente. Doh se lembra que os dois passaram quase dois dias apenas dedicados aos desejos libidinosos da carne. Ao se mover percebe que precisa de um banho.
Segue para banheiro no primeiro andar, subir as escadas enquanto o sêmen de Baekhyun escorre pelas pernas parece muito pornográfico sem ele para observar isso. O banho é relaxante e ajuda seus músculos extenuados a voltarem para o lugar. Em algum ponto da casa seu celular toca. Seja lá quem for, terá de esperar um pouco.
Kyungsoo e Baekhyun estão deitados na cama ampla, aninhados um ao outro. O brilho do celular de Kyungsoo enche o espaço, bem como o vibrar discreto dele. Byun está mais perto e passa o aparelho para ele. Kyungsoo revira os olhos ao reconhecer o nome.
— Kyungsoo-yah? Pode falar ou ‘tá metendo? — A voz gostosa de Jongdae vaza os alto-falantes em seu tom de trombeta do fim dos dias.
— Eu estava descansando agora, hyung. — O tom de enfado na resposta não passa despercebido, mas Jongdae ignora.
— Ah, então estava metendo antes. Esse é o meu garoto! — A gaitada de Jongdae é tão alta que Baekhyun precisa conter o próprio riso.
— O que você quer, hyung? Certeza que você não me ligou para saber da minha vida sexual. — Doh revira os olhos. Baekhyun se aproxima e mordisca o ombro. Recebe um sorriso condescendente.
— Saber se você está vivo, né! — exclama, fazendo Kyungsoo afastar um pouco o aparelho do ouvido. — Chanyeol me contou por alto o que rolou no dia da apresentação e eu fiquei curioso. Você sabe que ainda precisa ficar de olho no meu fofinho né? Eu ainda estou na China. — Jongdae enfatiza.
— Ok, hyung, eu vou continuar de babá do fedorento.
— Vê se não volta grávido para a alcateia!
— Vai se foder, hyung!
Doh desliga o telefone ouvindo a gargalhada exagerada de Jongdae. Baekhyun está deitado em seu colo, a cabeça voltada para sua barriga, relaxando com o calor já tão familiar de seu corpo.
— Se você quiser, pode trazer Chanyeol aqui pra casa. Ele fica lá em cima e você aqui embaixo comigo. E nem precisa se preocupar que ele não vai ouvir nada. Meu covil é a prova de som, Kyungja.
— É? — Doh se insinua, puxando Baekhyun para bem junto de si.
— Aham. Eu vou poder fazer você gemer, gritar, uivar e ele nem vai ouvir. — Baekhyun distribui beijinhos na pele bonita de Kyungsoo.
— Promete? — Doh lambe o lábio inferior de Byun e o mordisca. Seu olhar é dourado e travesso.
— Eu prometo. Sempre cumpro o que digo.
— Vem cá então, falastrão.
Os dois se abraçam. Pernas, braços, corpos embolados, partilhando calor, afeto e desejo novamente. Chanyeol e Jongdae podem esperar.
Assim como Jesus, Doh Kyungsoo ressuscita no terceiro dia. De volta a seu apartamento, sozinho, ele arruma o que precisa para voltar de seu recesso autodeclarado. Jongdae liga ao fim do dia para saber como estão as coisas. Kyungsoo tem mantido muito contato com Chanyeol por mensagem. Precisa ignorar todas as piadinhas e as insinuações sobre Baekhyun, mas consegue se conter.
No dia seguinte, Doh vai para a sede. Está usando uma colônia bem levinha para disfarçar os resquícios do cheiro de Baekhyun em si. A mordida está escondida com um discreto adesivo que emana um cheiro forte de eucalipto. Com tanta distração olfativa, nenhum outro lobo vai saber que ele passou os últimos dias no covil de um vampiro sendo fodido de formas inconcebíveis.
Em sua nova sala, Kyungsoo senta-se atrás da mesa ampla japonesa que foi customizada para si no método yakisugi . Nela não há traços de um humano fedorento e um alfa sem vergonha. Como se acionado pelos mecanismos mais profundos da zoeira do destino, o número de Chanyeol aparece brilhando na tela. Kyungsoo se pergunta em que momento a troca de mensagens virou uma possibilidade de ligação. Atende a contragosto.
— Fala, fedorento.
— Oi, Kyungsoo-yah… — Chanyeol provoca.
— Moleque, eu vou quebrar a sua cara. O que é? — Doh passa a mão nos cabelos fartos. Seus fios estão mais longos do que de costume. Sua mente vagueia para o modo como Baekhyun puxa seu cabelo enquanto…
— Kyungsoo ! — Park chama a atenção de seu interlocutor que parece distante.
— Caralho, não grita, Chanyeollie! — Doh reclama enquanto massageia a orelha.
— Own, você me deu um apelido e me chamou de um jeito fofinho! Nossa, Baekhyunnie é ótimo mesmo porque depois dele…
— Depois dele o quê, fedorento? — Há desafio no tom de voz dele.
— Não importa, Soo-yah — Chanyeol contemporiza. Kyungsoo sente uma veia pulsar na testa. Seu nome está se encurtando cada vez mais na boca desse humano desaforado. — Você pode me buscar hoje?
— Como é? — Doh vocifera incrédulo.
— É que eu preciso voltar à boate hoje, aquela onde você conheceu Baekhyunnie. — Park quase soletra o nome e o sangue de Kyungsoo esquenta. — Vou fazer uma apresentação no fim da semana, daí preciso passar o som e tals.
— Por que eu tenho de ir com você, fedorento? Você sabe que eu não sou desocupado, né?
— Mas, Dae disse que você é responsável por cuidar de mim . — Doh consegue ouvir o bico feito e a chororô na voz de Chanyeol. Se pudesse, tacaria fogo em Jongdae por ter arrumado um catinguento dengoso.
— Ok, fedorento. Que horas? — Kyungsoo já se arrepende de ter cedido.
— Assim que a noite cair — Chanyeol sugere.
— Você não tem relógio não? — Doh interpela irritado. Sua cabeça já se expande com uma dor vinda do fundo dos olhos.
— Ok, ok, pode ser às dezoito e trinta? — A sugestão vem unicamente da pressão e irritabilidade de Kyungsoo.
— Não se atrase.
A ligação acaba sem despedida, mas Chanyeol não se incomoda, ele sabe que conseguiu um lugar especial no coração bravinho de Kyungsoo.
No horário indicado, Kyungsoo busca Chanyeol em casa e segue para a boate. Park não cala a boca durante todo trajeto e Doh considera sinceramente abrir a porta do carona e empurrar o humano do veículo em movimento. Teria de explicar muita coisa, talvez fugir do país e se refugiar nas selvas da Tailândia, mas sempre há um preço a se pagar.
Quando desce do carro, precisa esticar um pouco o corpo e ao fazer isso, as memórias parecem assaltá-lo, já que sente o cheiro de Baekhyun no ar. Chanyeol assoma às suas costas e com tapinhas vigorosos anuncia:
— Espero que não se chateie, mas convidei um amigo. — O sorriso dele é amplo e lembra o de um tubarão feliz.
Baekhyun aparece, saindo das sombras, as mãos enfiadas no bolso, vestido de forma confortável, que inspira desejo e cuidado. Com um sorriso bonito no rosto e os olhos focados em Kyungsoo, que sente o rosto queimar de felicidade. Quer correr para os braços fortes e seguros do outro, mas se contém. Não serve como protagonista de filme cafona romântico.
Byun, contudo, pouco se importa com essas considerações de Kyungsoo e vai até ele apressado, abraçando-o com força e tirando-o um pouco do chão. Seus lábios estão nos de Kyungsoo logo depois e tudo parece no lugar quando se beijam. Chanyeol sai à francesa e deixa os dois sozinhos para uma conversa.
— Eu senti tanto sua falta, lobinho — Byun declara, entre beijos nos lábios cheios.
— Eu também. — Doh retribui o carinho colocando os fios desarrumados atrás da orelha.
— A ideia de vir aqui foi do Chanyeol. Até que para um humano ele é bem espertinho. — Byun murmura na orelha quente de Kyungsoo. O abraço entre eles é confortável, caloroso.
— Quando foi que vocês ficaram amigos, hein? — Doh brinca com o cordão longo que Byun usa.
— No dia que vocês nos apresentou. Ele salvou o número dele no meu celular…
— Peraí! Você tem celular? — Doh questiona incrédulo.
— Ué, sim, como você acha que me comunico com as pessoas em pleno século XXI? — Baekhyun aperta as bochechas de Kyungsoo e forma um bico fofo que ele beija com cuidado até desfazer.
— Por que você não me deu seu número? — A chateação é perceptível na voz grave.
— Você não pediu, amor. — Baekhyun morde a bochecha fofa.
— Idiota.
— Lindo. Agora, vamos entrar? Chanyeol está esperando por nós lá dentro. — Byun anuncia enquanto beija afetuosamente o pescoço de Kyungsoo.
De mãos dadas, seguem para o interior decorado e vazio do local. No horário de passagem de som ou ensaio, apenas os funcionários estão presentes no local. Chanyeol está conversando com um músico que o ajudará na próxima apresentação. Ele acena para o casal que senta perto do palco, em uma poltrona larga e confortável.
Byun passa o braço ao redor dos ombros de Kyungsoo e o traz para um abraço lateral. Os dois ficam conversando baixo, trocando olhares bobos e beijinhos apaixonados. De cima do palco, Chanyeol registra vários momentos fofos entre eles e os envia imediatamente ao namorado. Há uma sequência bonitinha que é Kyungsoo dando um beijo borboleta em Baekhyun, ficando super sem graça logo em seguida.
Chanyeol senta em um banco alto e dedilha cuidadosamente a guitarra, produzindo vibrações bonitas no ar, enchendo tudo com melodia doce iniciada em ré. Logo depois a voz bonita e afinada entra cantando os versos de Thinking out loud . Kyungsoo reconhece a música e seu coração infla no peito. Ele se achega mais a Baekhyun, partilhando o calor aconchegante de seu corpo.
When your legs don't work like they used to before
And I can't sweep you off of your feet
Will your mouth still remember the taste of my love
Will your eyes still smile from your cheeks
Doh quer dançar e sinaliza isso, puxando Baekhyun pela mão e os dois se levantam. Ficam próximos, colados e Kyungsoo deita a cabeça no ombro largo de Baekhyun, os lábios roçando a pele fresca do pescoço. Ele acompanha a letra em sussurros.
And darling I will be loving you ‘til we’re 70
And baby my heart could still fall as hard at 23
And I’m thinking ‘bout how people fall in love in mysterious ways
Maybe just the touch of a hand
Oh me I fall in love with you every single day
And I just wanna tell you I am
— Tenho certeza que você vai ficar bem mais velho do que isso — Kyungsoo afirma.
— Eu já sou muito mais velho do que isso, lobinho. — Baekhyun balança os quadris ao som da voz de Chanyeol e Kyungsoo sorri acompanhando o movimento.
— Eu sei que é… acho que nossa relação é o maior age gap da história. — Doh brinca com o cordão novamente. Seus olhos estão mais claros, um tom menos flavescente. — Eu sou um adulto na comunidade de lobisomens, mas ainda assim muito novo para um vampiro.
— Não estou infringindo nenhuma lei se você já é maior de idade.
— Bom saber disso né.
— Sempre.
When my hair’s all but gone and my memory fades
And the crowds don’t remember my name
When my hands don’t play the strings the same way, mm
I know you will still love me the same
Chanyeol continua cantando e embalando os dois amantes. Kyungsoo e Baekhyun se beijam carinhosamente. Há várias promessas feitas e caladas no ato, mas seus corações sabem o que não verbalizam e o que desejam. Abraçados, eles ficam assim, aproveitando um ao outro até que a música acabe.
Déjà-vu : a sensação de ter vivido algo que, efetivamente, têm lugar no presente. Kyungsoo é temporariamente assolado por falsas memórias quando um adorno pesado de vidro cai e se despedaça no chão. Não estão na cozinha dessa vez, mas na sala da casa ampla de Baekhyun, os dois aos trambolhões, se beijando e tirando a roupa um do outro.
Kyungsoo é pressionado contra a parede e sente a ânsia de Baekhyun, quando puxa sua calça justa, além da cueca boxer preta, que abraça as coxas firmes possessivamente. Kyungsoo está nu.
Baekhyun vira Kyungsoo contra a parede e deixa uma trilha úmida de beijos até a base da coluna e depois morde a tenra carne da bunda de Kyungsoo. Ele morde mesmo. Os caninos afundam, mas não vem sangue. Ele não quer se alimentar, mas enlouquecer o lobisomem de prazer.
— Se apoia melhor na parede, Kyungja — diz roucamente. A respiração apressada faz cócegas contra a pele febril.
Destramente, aparta as nádegas bonitas e sem cerimônia enfia o rosto entre elas, lambendo, mordiscando e beijando de forma obscena. Kyungsoo relaxa contra a parede e geme cada vez mais alto. Seu corpo todo está eletrizado, disposto ao ímpeto sexual de ambos. A língua é voraz, úmida e segue abrindo espaço, desbravando a intimidade de Kyungsoo de formas novas, desconhecidas.
Do pênis latejante, uma gota translúcida se precipita na fenda da glande e Kyungsoo sente o próprio corpo cantar quando Baekhyun enfia um dedo escorregadio em seu interior, abrindo ainda mais espaço, preparando para a intrusão de algo maior, mais grosso e vigoroso. Com o rosto moldado à bunda que beija, morde e lambe, Baekhyun sente o coração na boca, a ereção entre suas pernas é rija, irada e ele não sabe mais o que fazer consigo mesmo.
Baekhyun fica de pé subitamente, vira Kyungsoo o escorando contra a parede, apoiando as costas dele, daí firma os pés no chão e levanta o lobisomem, circundando a própria cintura com as pernas fortes e musculosas dele.
— Amor, se segura, por favor — Baekhyun ofega e tenta beijar os lábios cheios diante de si.
Com um movimento lento, quase orquestrado, penetra o espaço quente e palpitante entre as nádegas de Kyungsoo. Os dois arfam com a intensidade da união. Baekhyun morde a extensão imaculada de pele diante de si, mordiscando os mamilos e arremetendo fundo, usando a gravidade a seu favor e a parede como apoio.
Kyungsoo está agarrado a ele tão intensamente que aquilo vai doer depois, mas isso não importa agora, nada importa mais do que estar em Kyungsoo, sentir o peso dele ajudar na penetração e buscar ritmicamente o prazer de ambos. Baekhyun se vale de sua força extra-humana para a tarefa gostosa que é transar com Kyungsoo, levá-lo ao clímax e, com ele, se jogar do penhasco temporário do prazer.
Kyungsoo não faz sentido. Sua verbalização é desconexa, intensa e ele geme entre os beijos que consegue dar em Baekhyun. Seu corpo todo está quente como se fosse entrar em combustão a qualquer momento e os solavancos de seu corpo, somados ao golpeamento de sua próstata pelo pau de Baekhyun, não ajudam em nada.
Munido de todas as forças que consegue, Baekhyun arremete uma, duas, três vezes e os dois gozam descomedidamente, beijando um ao outro e Kyungsoo se segura para não morder o pescoço bonito de Baekhyun. Eles vêm ao chão. Baekhyun deixa beijos leves na pele suada de Kyungsoo e escorrega para fora dele na mistura do gozo de ambos.
— Você cheira tão bem depois do sexo. — Byun beija a pele nua e sente tudo fazer sentido.
— Eu… acho que você é louco pelo meu cheiro, sabia? — Kyungsoo tenta fazer graça, mas está lesado demais por causa do orgasmo.
— Você está certo, lobinho: eu adoro seu cheiro. Tem algo confortável, familiar e acolhedor nele.
— No meu cheiro? — Kyungsoo espera a confirmação com o menear de cabeça de Baekhyun. — É, tem mesmo, eu. — Os dois riem e permanecem abraçados, aproveitando o momento de intimidade. Doh acaricia os fios bonitos de Byun e guarda no coração o cheiro bom dele.
Epílogo
O aeroporto é um lugar movimentado. Sempre é, mas hoje ele é também cenário de uma despedida dolorosa. Mas não são todas? Kyungsoo sente a mão de Baekhyun acariciar seu corpo, aplacando a tensão que seus músculos acumulam. Com um beijo no pescoço quente e pulsante, um sorriso aparece timidamente no rosto bonito.
— Obrigado, Hyun-ah — Doh declara sincero.
— Tudo pelo meu lobinho.
Os dois observam os humanos ao redor e um em especial que parece feito de matéria solar. Chanyeol brilha como mil astros-rei. As covinhas bonitinhas que se formam sempre que a felicidade decide morar em seu rosto, aparecem fundas e inteiras.
— Vou sentir muito sua falta, Kyungsoo-yah. — Doh ouve o humano dizer carinhosamente e se achegar para um abraço.
— Vocês vão ficar bem.
— E vocês também — Jongdae fala, daquele jeito apocalíptico dele. A voz alta fazendo vibrar tudo ao redor. — Quem diria que você iria se enrabichar com um…
— Hyung, por favor… — Doh quase implora.
— Nem vem, neném! Você me azucrinou porque eu me apaixonei por essa fofura aqui — Jongdae pontua sua frase apertando a bunda magra de Chanyeol. — Tudo isso para se arrumar com um vam-pi-ro . — A gargalhada que segue é encorpada pela ironia do destino.
— Eu sei o que meu parceiro é, hyung, não preciso de um outdoor com a informação. — Doh sente o cerco em sua cintura apertar, assim que Baekhyun se aproxima ainda mais.
— Aham, mas é sempre bom frisar que você , o supremo defensor do “ se meta com a sua espécie ” está aí de chamego com um vampiro . Um imortal muito mais velho do que você.
— Quer se vangloriar, hyung? Tudo bem, faça isso, mas não encha o saco e outra: vocês dois tem de ir.
— Obrigado por tudo, Baekkie. Você ajudou Kyungsoo a se tornar outra pessoa e você faz muito bem para ele.
— Significa muito vindo de você, Chanyeol-ah. — Os dois se abraçam fraternalmente.
— Não aperta muito o meu fofinho, por favor — diz Jongdae.
— Soo-yah, nós começamos com o pé esquerdo, mas hoje eu sei que tenho um lugar cativo no seu coração e que posso te chamar de amigo. Obrigado — Chanyeol declara, e puxa o outro para um abraço de urso. Kyungsoo nem protesta, apenas se deixa ficar apertado contra o peito largo e quente.
— Vou sentir sua falta, fedorento. — A voz é abafada, aprisionada contra o peito largo de Chanyeol.
O anúncio do avião de Jongdae e Chanyeol é alto e claro. Precisam se apressar. O casal está a caminho de Pequim, onde encontrarão alguns integrantes do clã Kim na China e depois seguirão para os domínios partilhados de Minseok e Yixing.
A versão oficial da viagem é substituir, temporariamente, Minseok e Yixing durante o primeiro mês de adaptação da criança adotada. O que Jongdae efetivamente planeja é uma lua de mel com Chanyeol, mas Kyungsoo não precisa saber disso. Até porque ele ficará no lugar do alfa da alcateia cuidando de tudo. Óbvio que terá auxílio de Jongin e também de Jongdae, mesmo a distância, mas ainda assim, ele será o chefe da alcateia enquanto o alfa estiver fora.
Kim e Park seguem para o portão indicado, sorriso no rosto e mãos dadas.
— Sejam felizes! — Kyungsoo mentaliza enquanto observa o casal se dirigir ao espaço de embarque.
— Eles serão e nós também, Kyungja — Byun praticamente profetiza.
— Sempre.
Baekhyun abraça o corpo quente de Kyungsoo e ouve o quase cantarolar de seu coração. Juntos, eles permanecem. Dançando compassadamente pelos dias no porvir.
Fim
