Work Text:
Chu Wanning odeia o cheiro do vestiário. O suor, o sabonete barato, as meias e protetores penianos usados nos cestos de roupa suja, a terra e a lama nos sapatos, coletes e shoulder pads. O cenário é tão radicalmente diferente da biblioteca que o enoja. Mesmo quando as prateleiras estão um tanto empoeiradas, não há essa sensação péssima de descuido com o ambiente.
Ele abana o ar em frente ao nariz e depois o coça, aguardando os jogadores do time saírem um por um. Amassado em sua mão está o bilhete que deixaram em seu armário, dizendo: o penúltimo a sair sempre é o Xue Meng. Depois dele, entre.
Fugir ainda é uma opção. Apenas seguir caminho pelo corredor e esquecer toda essa bobagem. Contudo, não há nada que possa macular a honra dele, nada que possa questionar seu orgulho, e desertar dessa prenda agora seria considerada uma covardia sem precedentes.
Chu Wanning nunca foi covarde, ele é plenamente capaz de enfrentar as adversidades, mesmo que seja esse tipo. O tipo meio degradante e nojento.
"Wanning", cumprimenta Xue Meng ao passar pela porta. O rapaz lhe dá o melhor dos sorrisos, sempre gentil e solícito ao contrário de seu primo imoral, e vê-lo desaparecer no corredor faz o estômago de Chu Wanning doer com a ansiedade.
Ele nunca vai admitir, mas está tremendo de nervosismo. Não faz a menor ideia do que o encontro que o insolente Mo Weiyu significa, do que ele pretende. Caso suas intenções se voltem para humilhá-lo, resistirá bravamente, de queixo erguido.
Ninguém nessa escola, nesse mundo, pode derrubá-lo de sua postura austera. Ninguém, nem mesmo um cão como Mo Ran.
Logo após entrar no vestiário, ele tranca a porta para que ninguém se atreva a incomodar. Se tiver que lutar contra Mo Ran, o fará até a morte, mas duvida que uma criatura risonha cheia de manias e comportamento infantil esteja planejando bater nele ou machucá-lo. A aposta perdida garantia apenas uma coisa: um encontro às escondidas, aceitando absolutamente qualquer coisa que ele proponha.
Chu Wanning logo escuta o cantarolar melodioso da voz dele nos chuveiros e, para ter certeza, deixa a mochila em um banco e vai até os azulejos. Espia de canto, apenas a parte inferior das divisas, para certificar de que há apenas um par de pés restante no local. Os pés de Mo Ran estão lá, mas seu corpo felizmente foi coberto pela divida do box.
Ele recua e fica de pé entre os armários, sem ter o que fazer. Algumas portinholas estão abertas, com fotos, protetores de punho, meias limpas e cuecas arrumadas do lado de dentro. Outros têm adesivos imorais na frente, como um onde desenharam um par de peitos e outro onde colaram um recorte de alguma revista de um pau enorme com saco peludo. Ele não entende a motivação por trás disso, então abraça a si mesmo e não toca em nada, nem mesmo se apoia nas paredes ou armários fechados.
Logo o barulho do chuveiro cessa e ele ouve os passos molhados de Mo Ran se aproximarem. O frio que escala seus ossos não é exatamente medo, mas sim um receio do desconhecido. Ele já viu Mo Ran sem camisa antes, todos já viram. Sempre que vence um jogo, Mo Ran fica despido feito um frango correndo pelo campo, dando cambalhotas e fingindo que isso impacta a vida de alguém.
Chu Wanning o acha ridículo.
Mas, para fins de registro, Mo Weiyu tem o corpo de um atleta. Ombros largos e porte firme, robusto, com uma barriga não seca, músculos hidratados com definições simples, sem parecer esses ratos de academia que parecem ter sido esculpidos por um escultor míope. Em comparação a esses homens, com belezas artificiais, um atleta como Mo Weiyu se destaca, por ter desenvolvido este corpo desde cedo e ser rígido quanto à alimentação.
De onde vem, Chu Wanning presa muito pela saúde. Então pode-se dizer que, para ele, Mo Ran ter uma beleza natural é algo perto de achá-lo atraente.
Não fosse, é claro, seu humor péssimo, suas ideias ridículas e o cachorro em sua alma que vive querendo sair para brincar feito uma criança. Quando se conheceram, Chu Wanning pensou que ele fosse doido, dada a intensidade de sua alegria anormal. Todos sabem que a mãe de Mo Weiyu morreu quando ele era um menino e seus tios o criaram. Ele teve uma infância salva pelo pai de Xue Meng, todas as oportunidades de bandeja.
Chu Wanning, que cresceu na miséria com o avô e só teve a chance de estar nessa escola devido à dedicação aos estudos, nunca gostou muito dele. Um passado triste não anula a chateação de uma pessoa. Ainda mais Mo Ran, que sempre o perseguiu, incomodou e tentou mexer com ele de todas as formas possíveis, fosse constrangendo-o, intimidando-o, flertando ou discutindo com ele.
Mo Ran o encara como quem vislumbra o sol da manhã e sorri largo, uma segunda toalha sendo esfregada nos cabelos, os pelos no baixo ventre fazendo um caminho para sumirem na toalha enrolada na cintura bronzeada.
"Wanning, você veio."
"A contragosto", responde.
"Nós vamos nos divertir", Mo Ran garante, indo em direção a um dos armários fechados.
Assim que ele põe a mão no cós da toalha, Chu Wanning gira e fica de costas para não vê-lo nu, observando a janela superior no canto alto da parede mais próxima. Se Mo Ran tentar machucá-lo, talvez ele consiga escalar a parede e escapar por lá.
"Não trouxe o que te pedi, trouxe?"
Chu Wanning revirou os olhos, sem responder. Em letras minúsculas entre parênteses e bem no cantinho do papel, havia escrito no bilhete: leve lubrificante. Uma ideia ridícula vindo de um cara ridículo.
Ele não levou a sério, mas agora respira fundo, hesitante. De repente, pisar no próprio orgulho e fugir não parece mais uma má ideia.
"Pode ir embora se preferir", Mo Ran sugere. "Não estamos fazendo isso pra te humilhar nem nada."
"E por que seria isso?"
"Não estou tentando desmoralizar a sua integridade, Wanning. Só quero te oferecer uma coisa que provavelmente ninguém nunca te deu. Quero ser o primeiro."
"Ninguém nunca me deu. O que seria, tétano?" Ele olha para o cesto de roupas sujas que fede a suor masculino e franze o nariz. "Gonorreia?"
"Que comentário infeliz", Mo Ran resmunga. "É isso que pensa de caras como eu?"
"Caras como você?"
"Sim." Mo Ran e sua voz dengosa se aproximam um pouco, mas ele se recusa a virar ainda, temendo vê-lo de forma inapropriada. "Caras como eu, que gostam de caras. Gays. Homossexuais. Bichas."
Chu Wanning arfa, pois não dá a mínima. Quando a escola inteira descobriu sobre ele ser trans, seu avô precisou intervir e vir contar uma história estúpida sobre como eram religiosos e tementes a Deus, como a identidade de gênero não dizia nada sobre o caráter dele. Tudo para que o diretor não o expulsasse sem mais nem menos. Ser gay? Nossa, que problemão em pleno século XXI.
"Você é arrogante e sempre desdenha das pessoas, e isso me deixa louco" Mo Ran diz, e a voz dele já está mais perto do que devia.
Ao virar-se, Chu Wanning agradece por ele estar pelo menos usando uma samba-canção. A estampa de huskies, porém, é patética. Mo Ran é todo patético.
"Você me atormenta desde que nos conhecemos e esperava o que? Tudo que você fala, tudo que faz, me dá desgosto."
Mas Mo Ran ri e, por não aguentar o descaso com sua posição delicada, Chu Wanning ergue a mão para esbofeteá-lo. Nisso, a prensa firme dos dedos de Mo Ran em seu punho o pegam de surpresa e, no segundo seguinte, ele está contra os armários, o corpo subitamente trêmulo, as costas doloridas do impacto metálico contra as portinholas e o calor insuportável de Mo Ran esmagando-o.
Com o pulso preso acima da cabeça pelo gancho de Mo Ran, ele luta para se soltar, bater nele, mas tem a outra mão pega e erguida, o corpo praticamente nada perto da força do maldito cachorro. Chu Wanning suspira e tenta chutá-lo, mas deixar as pernas abertas para que Mo Ran se ponha entre elas não parece uma boa ideia.
O cachorro não o beija à força, sequer toca nele de outra forma. Apenas o segura ali, com seus rostos tão perto que sorvem o mesmo ar da boca um do outro.
Mo Ran aponta o nariz e passa a ponta no de Chu Wanning. Isso o faz prender a respiração.
"Então, é isso? Vai fazer amor comigo e contar para a escola toda?"
Mo Ran o olha de muito perto, quase como um bêbado a inflar as narinas, cheirando-o, os olhos semicerrados e uma breve ondulação contra seu quadril fazendo Chu Wanning estagnar com o volume quente em sua barriga.
"Fazer amor", Mo Ran repete, sorrindo. "Sim, nós vamos fazer amor, Wanning. Mas primeiro eu vou te ensinar o que o prazer é. Vou te mostrar e, depois disso, é você quem vai vir implorando pra montar no meu pau."
Em resposta, Chu Wanning ri. Isso não é um movimento inteligente.
Assim que nota as sombras de desejo nos olhos de Mo Ran, ele para. Os pulsos são soltos, vermelhos e um pouco febris. Mo Ran permanece rente ao seu corpo, sem agarrá-lo, apenas olhando-o como em um desafio. Chu Wanning está prestes a tentar bater nele de novo quando Mo Ran o pega pela mão, tão suavemente que o assusta, e põe sobre o próprio peito nu.
Ele é quente, mas a maciez dos músculos desarma a vontade de empurrar. Quando Chu Wanning tenta fechar o punho e socá-lo, Mo Ran o faz abrir os dedos e alisá-lo no peito, no ombro, clavícula e pescoço. Chu Wanning o olhar entediado, a respiração impaciente, pois é apenas pele. Nada demais. Mo Ran não é tão peludo, ainda é jovem demais. Os mamilos estão eriçados desde que saiu dos chuveiros, mas agora os olhos crescem em deleite porque a mão de Chu Wanning o alisa, mesmo sem querer.
"Faça sozinho", comanda ele, soltando seu punho.
Chu Wanning o alisa como quem retira terra de uma camisa suja e Mo Ran ri.
"Assim", Mo Ran diz, a mão grande pairando sobre o tórax de Chu Wanning. "Você me deve. Não preciso pedir, preciso?"
Chu Wanning o olha com desprezo, então vira o rosto para o lado e deixa a mão de Mo Ran repousar em seu tórax. A princípio, Mo Ran apenas sente sua respiração, o ir e vir de seus nervos. Logo apanha os movimentos tensos da garganta, fazendo dos dedos uma coleira.
Chu Wanning, reto e irritado, odeia as sensações estranhas no próprio corpo, as reações que não correspondem aos seus pensamentos. A umidade entre suas coxas, ridícula e irracional, ou os arrepios onde a respiração de Mo Ran toca.
Somente quando ele sente os lábios de Mo Ran em seu queixo é que percebe, para o seu horror, que é bom. A boca se fecha na lateral da mandíbula, um beijo simples, mas que o arrepia da cabeça aos pés. Ele aperta os olhos fechados e tranca os dentes para não soltar o ar nervoso. A mão pesada de Mo Ran lentamente desliza, pairando sobre seus seios, mas descendo até a barriga. Uma palma o pressiona, apenas o segura contra o armário, sentindo o calor abaixo do umbigo.
Enquanto isso, o beijo muda, vai para o cantinho perto de sua orelha.
"Eu paro?", Mo Ran pergunta, arrepiando-o.
Chu Wanning abre os olhos e o encara como se o desafiasse para um duelo. Mo Ran tem cheiro de sabonete barato e shampoo de quinta categoria. Seus cabelos longos estão escorridos nos ombros dada a umidade do banho. Quando joga, ele os trança e prende, e é incrivelmente interessante assim. Os fios são macios e finos, muito escuros, e dão ao seu rosto um ar mais quadrado, mais firme.
"Você se toca?", ele pergunta, enquanto abre o cinto da farda de Chu Wanning. Sem respostas, dá um sorriso de canto insuportável. "Deve se tocar às vezes, mas aposto que não vai me mostrar como faz. Os quietinhos sempre são malucos fetichistas no secreto, sabia disso?" A palma o empurra como um estímulo, uma provocação estúpida. "Do que você gostaria, pés? Apanhar de quatro? Andar por aí com porra quentinha escorrendo dessa sua boceta virgem?"
"Insolente!" Chu Wanning estapeia o rosto dele. Dessa vez, Mo Ran deixa e passa uns segundos quieto sobre o impacto estalado em sua face úmida. "Faça o que prometeu fazer, pra que eu possa ir embora dessa lixeira o quanto antes."
Ele espera qualquer reação de Mo Ran. Uma explosão de raiva, um tapa revidado.
Quando o cachorro o pega com raiva, ele pensa que será moído e invadido contra os armários, mas Mo Ran o segura com os punhos para os lados e o pressiona com força, mexendo-se contra seu quadril para que Chu Wanning o volume absurdamente assustador na virilha dele.
Uma ou duas ondulações bastam para que saiba que está fodido. Fodido.
"Sente isso?" Mo Ran provoca, então puxa uma de suas mãos e o faz tocar a própria ereção. A ereção causa uma reação estranha em Chu Wanning, que recua e luta contra, mas quando Mo Ran se esfrega na mão dele até que sinta toda a extensão enorme em seus dedos, uma coisa inumana pendurada no samba-canção, seu peito começa a apertar de desespero. "Eu vou fazer seu corpo se acostumar com o meu toque, e quando estiver pronto eu vou enfiar o meu pau inteirinho dentro de você, até sentir a ponta no seu estômago, até você desmaiar nos meus braços ou chorar enquanto eu te abro como nada nunca mais vai conseguir."
"Seu cachorro doido!", Chu Wanning rosna, ignorando as contrações de sua boceta quando Mo Ran o faz tocar a ponta babona do pau. "Tenho nojo disso, de tudo. De você."
"Minta, eu não ligo", Mo Ran diz, e então está terminando de abrir o cós de sua farda.
"Espere, o que vai fazer?" Chu Wanning tenta segurar as mãos dele, mas Mo Ran é rápido e em dois segundos baixa suas calças até a metade das coxas e coloca a mão entre suas coxas.
Chu Wanning arregala os olhos, espantado e em choque. Mo Ran passa apenas a palma por cima de sua virilha nua e sorri, observando a nudez dele, a vulnerabilidade dele, como se fosse um trófeu. Ao apertar as pernas, a mão dele está lá, impedindo-o.
"Está molhado", diz Mo Ran.
Quando dois de seus dedos alisam entre os lábios da boceta, procurando delicadamente o clitóris, Chu Wanning vira o rosto para não ver a satisfação sádica em seus olhos. Ele desliza os dedos para baixo, até o buraco melado, e os sobe numa carícia absurdamente imunda, circulando o topo com um pouco de pressão.
"Nojo", Chu Wanning mente, mas decide não abrir mais a boca depois disso.
"Fico imaginando como deve ser", Mo Ran diz enquanto o provoca com movimentos quase gentis demais, as pontas dos dedos a empurrarem um pouco na entrada quente, mas sem entrarem por completo, depois retornando para a extensão delicada dos lábios. "Você de perna aberta, imaginando os jogadores de time sem camisa, se tocando cheio de vergonha e culpa."
"Cale a boca", balbucia, mas entreabre a boca quando os dedos de Mo Ran fazem pressão para entrar. Ele subitamente agarra Mo Ran pelos ombros, um tanto atordoado. A sensação é muito quente e escorregadia, como se estivesse derretendo entre as pernas, mas também não estivesse pronto para parar.
"Olhe para mim", Mo Ran comanda, mas ele fecha os olhos e vira o rosto.
Logo os dedos o soltam para pegá-lo pelo queixo. Chu Wanning sente o próprio cheiro na mão dele, a umidade meio grudenta em sua mandíbula. Mo Ran beija novamente o ponto perto de sua orelha e repete a ordem, de modo que Chu Wanning cede, olhando-o nos olhos.
Parado contra os armários, ele está exposto, vulnerável, mas não vai sair correndo como um covarde nem que isso o mate.
Mo Ran usa uma das mãos para tocar sua perna. Um aperto condutor vem pela lateral até a carne macia da bunda e o esmaga nos dedos, de modo que Chu Wanning franze o cenho, pois os dedos melados dele voltam para a boceta necessitada e agora Mo Ran usa a pegada para abrir suas pernas.
Ele tenta fechá-las, mas o joelho de Mo Ran está lá e age como uma âncora para não deixá-lo se mexer. Seu pé está fora do chão e Chu Wanning tenta trazer a perna para baixo, fugir, mas se tentar mexer o joelho dele pressionará sua virilha inteira, e ele tem certeza de que verá estrelas se isso acontecer.
Permanece, então, parado, com as pernas numa posição ridícula, e deixa Mo Ran pressionar os dedos até penetrá-lo.
Chu Wanning poderia empurrá-lo, sabe que sim, mas suas mãos se apoiam em Mo Ran para ficar na ponta do pé, para escapar da possibilidade de, sem apoio, acabar pendurado por completo nele. Mo Ran vai e vem a princípio, testando o aperto da boceta que, de fato, só sentiu seus dedos finos antes e nunca nenhum brinquedo ou as falanges mais espessas de um atleta tarado.
Ele comprime os lábios e contrai ao redor das investidas de Mo Ran, recusando a olhá-lo nos olhos. A essa altura, seu peito está cheio de ar compresso e Mo Ran voltou a suar.
Os movimentos antes gentis, testando terreno, ficam mais graves. Mo Ran enfia os dedos nele com um pouco de violência, o barulho úmido e nojento levando Chu Wanning para pensamentos muito confusos. A boceta contrai nas falanges desesperadas, o polegar de Mo Ran pressionando contra o clitóris necessitado, ora fazendo movimentos delicados, ora apenas a palma acariciando-o enquanto os dedos trabalham.
"Você é perfeito", Mo Ran diz, empurrando a testa na lateral de seu rosto. "Você é o homem mais lindo do mundo, e é perfeito, e eu não vejo a hora de te comer como se você fosse um brinquedo."
Chu Wanning tenta abrir a boca para insultá-lo, mas Mo Ran enfia os dedos com mais força e os pressiona por dentro, de modo que a briga morre na boca que emite um estrangulado gemido.
Humilhado, Chu Wanning revira para se soltar dele, mas como imaginou isso faz com o que o joelho de Mo Ran o empurre de baixo. Outro gemido escapa, como se ele não tivesse como se livrar da sensação, e o segura pelo quadril com uma única mão para fazer a coisa mais imunda possível.
Ele retira os dedos de dentro de Chu Wanning e põe na própria boca, uma expressão imediata de prazer em seu rosto contraído, sombras de um animal engaiolado em seus olhos brilhantes. Chu Wanning não está certo sobre o que vem de uma pessoa capaz de tal imundície, então o empurra e consegue abrir espaço entre eles.
Antes que possa puxar as calças, Mo Ran já o virou de costas. Chu Wanning arfa e pensa em gritar, mas a situação, além de causar vergonha, é íntima demais para virar um escândalo. Ele quase chora quando Mo Ran arranca suas calças e, sem saber o porquê, pisa nelas para tirá-las.
A risada satisfeita de Mo Ran em sua nuca o desconcerta. Chu Wanning quer chorar e gritar, mas também quer algo muito mais primitivo e doentio. Sua mente está uma bagunça, ainda mais quando Mo Ran começa a puxar sua camisa para cima.
"Espere!", Chu Wanning se vira e tenta pará-lo. Mo Ran o olha com cautela.
Ele não consegue dizer. Não consegue admitir as inseguranças contra o próprio corpo.
"Eu primeiro", Mo Ran decide, então, e baixa o samba-canção.
Chu Wanning vai correr. Ele não pode suportar nada disso.
Ele encara o pau duro de Mo Ran entre as coxas musculosas de atleta e engasga. De repente, está realmente com medo.
"N-não vai colocar essa coisa em mim!"
Mas Mo Ran ri, e ri com uma tenacidade que o assusta. Só de observar, Chu Wanning se sente subitamente exausto, faminto e com vontade de desmaiar.
"Se comporte", Mo Ran diz, então coloca os joelhos no chão diante dele.
Chu Wanning engasga com as palavras, os insultos, as tentativas de pará-lo, pois a mão de Mo Ran pega sua coxa por baixo e seu corpo todo perde o equilíbrio. Ele segura nos cabelos, nos ombros de Mo Ran, quando suas pernas são separadas e a língua de Mo Ran abre caminho entre seus lábios.
O gemido não é mais reprimido. Chu Wanning, desorientado, tenta se retirar da sensação ao mesmo tempo em que tenta se empurrar contra ela. Mo Ran o olha de baixo como quem implora, mas ele não sabe pelo que. Ele alisa a testa de Mo Ran e vê a forma com que sua boca encaixa na boceta necessitada, a língua a subir, descer e tremelicar no clitóris como numa dança perfeita, sabendo exatamente o que fazer.
Chu Wanning não resiste mais. Ele apenas se esfrega contra a boca de Mo Ran e se permite gemer boquiaberto, em parte incomodado, em parte embriagado pela profunda sensação de prazer, tão nova, tão forte. Os dedos de Mo Ran o penetram por trás da língua e brincam dentro dele, os movimentos impressionantes e irritantes. Chu Wanning está com a boca cheia de saliva, babando um pouco, dormente demais para qualquer outra coisa.
"Hm", Mo Ran o solta um momento, ainda olhando-o de baixo. "Wanning, cuspa na minha boca."
Ele nem sabe mais o que está fazendo. Ele se inclina e cospe na boca melada, babada de Mo Ran. Ele sente os olhos pesados e os membros fracos, a barriga contraída e os dedos pressionando-o por dentro. É novo e assustador. Mas ele vai deixar ir até o fim porque está dopado.
Quando Mo Ran usa sua própria saliva ao chupá-lo, os dedos estocando-o depressa enquanto a língua circula o clitóris e brinca na lambança, Chu Wanning se despedaça e perde a noção das coisas. Ele acha que está gritando, mas não pode ter certeza porque parece que está surdo, mas certamente não mudo. Ele também acha que vai chorar, porque seus nervos estão desregulados, o coração a mil, e a sensação de estar desaguando na boca que o chupa sem parar, mesmo durante o orgasmo, é demais. É tudo demais.
Ainda que o orgasmo passe do pico, Mo Ran o segura e acaricia. Os dedos se retiram, mas as coxas estão doloridas e ele tem certeza que apertou a cabeça de Mo Ran entre elas, pois a marca do brinco dele abriu um pequeno ferimento. O próprio Mo Ran chupa o sangue até que pare, enquanto o mantém ali, solto e suspenso, fraco e completamente vulnerável.
Assim que Mo Ran para de segurá-lo pelas coxas, Chu Wanning desliza para o chão.
Contudo, é pego nos braços, mole e letárgico como uma noiva bêbada. Mo Ran o segura contra o peito e ele sente muitos cheiros, muitas sensações e estímulos. Ao tocar-se entre as pernas, sobe um pouco de nojo pelo grude, o suor, o calor alheio misturado ao seu. Ele acha que vai chorar de vergonha, então empurra o rosto sob o queixo de Mo Ran e se deixa ser levado para os chuveiros.
"Calma, Wanning. Vou cuidar de você, baobei."
Chu Wanning não quer mais sair desse lugar imundo, pois a súbita paranoia de que todos o ouviram, todos saberão o que lhe foi feito, o atinge feito um raio. Ele se odeia e odeia tudo, mas no fundo também se sente solto, desarmado.
Viver se armando é tão difícil. Por enquanto, nos braços de Mo Ran, ele pode, pela primeira vez, estar sensível e frágil sobre o mundo ao redor.
"Se apoie em mim", Mo Ran pede ao descer suas pernas. "Não se preocupe com o venerável entre nós, não vou mexer nele a menos que você queira."
"Imundo", Chu Wanning o xinga, de fato se apoiando em seus ombros como em um abraço, pois seus pés estão estranhamente dormentes como todo o resto. Ele também ignora a ereção absurda de Mo Ran, como a pedido. "Estou... sujo."
"Você está perfeito, continua perfeito como sempre", Mo Ran garante. A sensação da água morna é agradável quando ambos se localizam sob o chuveiro. Chu Wanning não fazia ideia, mas os chuveiros do vestiário são agradáveis, o jato d'água é amplo e muito confortável.
Ele estica o rosto na direção do chuveiro e engole em seco quando Mo Ran abocanha seu pescoço, dando-lhe um beijo quase gentil.
"Aposta estúpida", murmura, então.
Mas Mo Ran passa o rosto em seu pescoço, o nariz sob seu queixo, e beija o canto de sua boca.
"Medo estúpido", responde ele, e Chu Wanning sente vontade de espancá-lo e sair correndo.
Quando Mo Ran o olha nos olhos, ele não foge dessa vez. Ele o encara de volta.
"Não me solte", Mo Ran pede.
"Não vou soltar", Chu Wanning sussurra.
"Me segure firme."
"Estou te segurando firme."
Mo Ran toca o nariz no dele, mas Chu Wanning recua, temendo ser beijado.
Debaixo da água, Mo Ran pega um pouco de sabonete líquido e começa a tocá-lo. Chu Wanning vai reclamar, ele realmente vai, mas em vez disso deita a testa no ombro de Mo Ran e deixa as mãos percorrem seu corpo. Simplesmente deixa.
Mo Ran enfim retira sua camisa. Chu Wanning não o olha nos olhos, afasta para descartar o tecido e volta a abraçá-lo. O peito de Mo Ran esfrega contra seus mamilos, e as mãos dele, cheias de sabão, escorrem pelas costas até a curva do quadril. Chu Wanning prende a respiração, mas a solta com a sensação confortável das palmas em sua bunda.
Quando Mo Ran se mexe para acariciar sua virilha por trás, os dedos traçando a linha entre as coxas onde o gozo escorreu, Chu Wanning geme fraquinho contra o pescoço dele.
"Isso é humilhante."
"Isso é maravilhoso", Mo Ran rebate. "Wanning, me deixe colocar só a ponta."
Suas mãos atrevem-se mais, apertando a maciez redonda dele com um carinho, bem mais sereno do que bruto. A voz dele faz cócegas na orelha de Chu Wanning e seu corpo inteiro cabe perfeitamente contra o dele, mas Chu Wanning diz a si mesmo que não significa nada. Ele não tem especificamente medo de ir até o fim, mas teme o que isso trará, o que mudará.
"Wanning, eu tentei chamar a sua atenção de todas as formas desde que nos conhecemos. Você não percebeu nenhuma vez sequer? Você pode prestar atenção em mim dessa vez, enxergar o que eu sinto?"
As mãos sobem pelas costas, depois descem até a cintura para mantê-lo consigo.
"Se quer fazer isso, não precisa mentir."
"Pare", Mo Ran pede. "Pare de se tratar assim."
Chu Wanning não quer ter essa conversa, então tenta se afastar. Logo a mão grande de Mo Ran o agarra pelos cabelos com força e, debaixo da água, Chu Wanning sente o músculo quente da língua dele pressionar o canto de sua boca para um beijo. Ele resiste, mas sua pele arde de vontade e, assim que seus lábios puxam os de Mo Ran, é como um trovão em seu peito.
Mo Ran o empurra contra uma parede e a língua o invade, a força dos dedos em seu crânio dói, mas ele está surpreso em descobrir que não se importa. Logo suas pernas estão ao redor dele, os pés novamente fora do chão, e Mo Ran usa a pressão para segurá-lo firme enquanto se aproveita do espaço cedido.
"Será que, depois de hoje, você pode começar a gostar de mim? Só um pouquinho."
"Eu não gosto", Chu Wanning mente e mente. "Não gosto" e o beija e beija, as mãos uma confusão no toque, nos ombros de músculos macios, no rosto adorável, nos longos cabelos finos. "Não gosto, nunca, não gosto."
"Mas eu gosto", Mo Ran responde, mantendo-o alto de forma que a virilha dele esteja contra sua barriga. Se descer apenas um pouco, Chu Wanning sentirá a ereção embaraçosamente enorme e dolorida clamando por libertação. "Eu gosto, Wanning, eu gosto, eu gosto..."
Chu Wanning volta a gemer quando uma mão dele cobre o seio sensível, apertando-o. A boca de Mo Ran maltrata o pescoço com chupões que o retiram de si mesmo. Quando os lábios deslizam pela clavícula em direção aos mamilos, Chu Wanning pensa em pará-lo. Mo Ran pode convencê-lo a ir até o fim, mas não tentará ultrapassar os limites dele. Mo Ran o respeita. Mo Ran o deseja.
"Só a ponta", Chu Wanning cede, contemplando a visão viciante da boca de Mo Ran com seu peito inteiro engolido. Ele mesmo se esfrega a ponto de descer um pouco, mas encontra as mãos dele como uma âncora. "Só um pouquinho."
Mo Ran sorri. Ele começa a sentir medo, pois e se não for só um pouquinho?
"Relaxe", Mo Ran pede. "Fique relaxado, a água morna já ajuda, só precisa respirar e não contrair no começo. Seu corpo sabe o que quer."
Chu Wanning tranca a invasão de uma nova raiva entre os dentes. Todos sabem que Mo Ran namorou Song Qiutong ano passado, que eles ficaram íntimos. Ele não quer pensar nisso agora, não quer saber como Mo Ran sabe. Só importa que ele sabe, que o corpo de Chu Wanning não é uma novidade e sim algo com o qual ele consegue lidar, manusear e excitar.
Mo Ran se mexe um pouco para se posicionar e os beijos entre eles ficam quase serenos. Ele o beija no rosto e testa e na bochecha, mas isso de forma alguma desfaz a ansiedade e o desejo dentro de Chu Wanning. Quando segura Mo Ran pela nuca, os dedos na base de seu crânio, ele morde a língua para não sorrir.
Então, Mo Ran o abre com a própria boca e engole seu ar, fazendo-o sorrir contra ele.
Quando a ponta pressiona, não é exatamente dor. O incomodo não dura muito, Mo Ran não deixa. A boceta já super estimulada e ainda babada recebe sem grande dificuldade, e é bom. É bom e ele não pode fingir que não gosta.
Chu Wanning entreabre a boca e o agarra, apoia a cabeça nos azulejos do box, não tenta se empurrar contra o calor, pois teme se empalar no pau de Mo Ran. Este cachorro que o provoca com a cabeça melada, tão macia e gostosa, passando-a em sua boceta e pressionando apenas um pouco. Nunca demais.
"Olhe para mim."
Chu Wanning olha. Olha e o beija.
Mo Ran sorri como se estivesse sendo pedido em casamento.
"Aguente um pouco", diz, e então o penetra uma polegada atrás da outra.
Chu Wanning geme desesperado, os olhos fechados, os dedos puxando-o pelo escalpo, os beijos ridículos de conforto que Mo Ran dá em seu pescoço fazendo-o ver estrelas. Ele respira fundo e não contrai, como pedido, mas ainda é difícil quando a cabeça passa. Ele está totalmente consciente da pressão em seu clitóris, dos azulejos ficando frios em sua bunda, das mãos brutas de Mo Ran, uma em sua coxa, outra na nádega macia que é apertada como se tentasse confortá-lo.
Só que, sendo um pouco desconfortável ou não, ele volta a abrir os olhos. A beijá-lo. A se mexer contra o pau necessitado querendo-o.
"Não se mexa", Mo Ran avisa, os olhos sombrios. "Não quero machucar você ainda, se me provocar eu vou te foder com tanta força que vai me odiar pro resto da sua vida."
Mas Chu Wanning apenas anui. O medo se foi. Mo Ran sabe o que faz. Ele próprio sabe o que quer.
Mantendo-o contra a parede, Mo Ran de fato o fode apenas até certo ponto, estocando-o com a ponta cabeçuda do pau. Chu Wanning, em determinado momento, nem sabe mais que horas são, se é dia ou noite. Ele não se importa com a crescente pressão a cada estocada de Mo Ran, o quanto isso às vezes parece parti-lo ao meio ou levá-lo de volta a um torpor.
Ele sente que há bem mais do que uma ponta enterrada em sua boceta, em suas entranhas, mas tudo que faz é gemer, esmagado nos braços dele, cada estímulo deixando-o tonto. O jeito com que o peito largo de Mo Ran eriça seus mamilos o desarma. Os pés que se apoiam nas laterais do corpo dele. Se os fechar às costas o espaço para Mo Ran fodê-lo é menor e, com os calcanhares em sua bunda de atleta, Chu Wanning consegue manter-se aberto, completamente exposto.
A violência crescente de Mo Ran, que a princípio apenas o beija e estoca, mas aos poucos vira uma besta irracional que fecha os dentes em seu ombro e empurra, empurra, empurra, sem conseguir parar.
Chu Wanning está consciente de cada pequeno detalhe, das cócegas das gotas de água e suor escorrendo em suas costas, o barulho do atrito de seu corpo contra os azulejos, contra o tronco de Mo Ran, assim como o som melado, babado, gostoso, de seus quadris batendo um no outro, de sua boceta encharcada recebendo-o, tomando-o.
O chuveiro, ainda ligado, é apenas um ruído de fundo. Os gemidos de Mo Ran em seus ouvidos são seu novo som favorito no mundo.
"Está quase", Mo Ran diz.
"Eu sei, eu sei..."
"Não me odeie, não me odeie", Mo Ran balbucia, então o puxa com força para baixo e o estrangula no próprio pau, enterrando-se até a base.
Chu Wanning grita, mas o grito se quebra no ar e vira algo muito melhor. Ele volta a perder a noção das coisas quando se dá conta de que está não apenas com aquela coisa monstruosa de Mo Ran completamente enfiada nele, mas também prestes a chorar com a sensação espantosa de mais que quer deixá-lo pela boca na forma de uma súplica.
Chu Wanning nunca suplicou nada a ninguém, mas não se sente ridículo por pensar nisso.
Na verdade, ele se sente livre.
Mo Ran está em um sofrimento arrebatador. Ao estocá-lo como uma besta, sem qualquer ritmo ou coordenação, apenas socando dentro dele sem parar, sua boca tenta beijá-lo como um pedido de desculpas pela selvageria, mas ambos acabam gemendo juntos e engolindo os sons, a respiração um do outro.
Chu Wanning mantém os olhos bem abertos e passa o nariz no dele. Quando Mo Ran o beija gentilmente, seu corpo amolece, a boceta contrai ao redor do pau de Mo Ran, e em uma sincronia rara eles se perdem juntos.
O embaraço de beijos e línguas e as investidas de um contra os rebolados do outro são como nada que tenham experimentado antes. Seus corpos sabiam o que queriam e sabiam como conseguir. Suas mentes podem ter lutado contra, mas seus corações cederam.
"Wanning", Mo Ran chama, pressionando a testa na dele.
"Hm?" Chu Wanning mal pode se mexer, pois ao tocar a barriga sente o excesso de calor na região e sabe que a porra de Mo Ran está escorrendo dele assim, ainda em seu colo. "Diga logo de uma vez."
"Me dê uma foto sua. Vou colar nos meus armários para que saibam que você é meu."
Chu Wanning está completamente destruído, tonto, fraco de todas as formas. Ele o olha como se Mo Ran fosse louco.
"Tem certeza? Eu não sou nada, não sou ninguém importante. Talvez eu só tenha sido útil para isso."
"Chu Wanning", Mo Ran o repreende. "Chu Wanning, não fale assim da pessoa mais linda do mundo inteiro. Chu Wanning, eu amo você."
Ele não quer assimilar isso. Vai levar muito, muito tempo, até que acredite nesse amor.
Mas, por enquanto, Chu Wanning pode aceitá-lo. Só um pouquinho.
